- Post nº1 : Nocturno nº1 com um link para uma interpretação de Maria João Pires (o nocturno nº1 faz parte do Op. 9 juntamente com o nº2 e nº3 de que por acaso praticamente não falamos.
- Post nº 2: Op. 15 - Nocturnos 4 a 6
- Post nº 3 : Op. 27 - Nocturnos 7 e 8
- Post nº 4 : Op. 32 - Nocturnos 9 e 10
- Post nº5 : Op. 37 - Nocturnos 11 e 12
- Post nº 6 : Op. 48 - Nocturnos 13 e 14
- Post nº7 : Op. 55 - Nocturnos 15 e 16
- Post nº 8: Op. 62 - Nocturnos 17 e 18 - Com um poema de Prevert - Sables Mouvants como extra ou complemento se preferirem.
- Post nº 9 : Op. 72- Nocturno 19 (o primeiro dos póstumos)
- Post nº 10 : Nocturnos nº 20 e nº 21 ambos também póstumos.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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domingo, 16 de junho de 2013
10 Posts sobre os nocturnos de Chopin
Na nossa revisão das 100 obras que recomendo que vamos tentar finalizar até ao final deste mês (porque começaremos então um novo desafio ... uma nova lista por assim dizer) reparamos que a entrada sobre os Nocturnos ainda não tinha sido completada embora tivéssemos feito uma sequência de 10 posts sobre eles. Resolvemos assim para vossa conveniência reunir os 10 posts num único índice com um pequeno comentário sobre cada um deles sempre que justificado.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
Chopin - Concerto para piano e orquestra nº 1 e nº 2 (segunda parte)
A primeira parte de deste post pode ser lida aqui. Nessa primeira parte além de falarmos com um pouco mais de detalhe do primeiro concerto enquadramos a altura em que estes dois concertos foram compostos. relembremos que apenas uns meses os separam, que na realidade o nº 2 foi o primeiro a ser composto e que tudo isto aconteceu antes de Chopin ir para Paris portanto antes das crises existenciais e outras provocadas pelo seu romance com George Sand entre outras razões. A confusão pode existir na mente de alguns porque realmente o Concerto apenas foi publicado em 1836 quase coincidente com o inicio do atribulado romance. Na verdade o concerto especialmente o segundo andamento foi inspirado num dos amores da vida de Chopin, embora platónico. Sabe-se pelas cartas que o compositor escreveu que era Constantia Gladkowska o objecto dessa paixão.
O enquadramento que falta diz respeito à situação vivida então na Polónia que enquanto "país" não existia desde a segunda partilha de 1795. A nação polaca essa no entanto estava bem viva e Chopin era a materialização da sua alma, musical e não só. Meses depois de Chopin ter saído da Polónia rebentava em Varsóvia o levantamento contra a ocupação Russa (a Polónia tinha sido dividida entre a Rússia, a Prússia e o Império Austro-Húngaro ), levantamento esse que acabaria por se saldar numa guerra de oito meses e cerca de duas centenas de milhares de mortos.
Este concerto foi estreado em Varsóvia a 17 de Março de 1830 (sim a data está certa foi efectivamente estreado antes do nº 1 que apenas foi estreado em Outubro desse ano) sendo o primeiro concerto público do pianista no Teatro Nacional de Varsóvia (algumas fontes apontam a estreia para dia 21 de Março não sei qual das duas será correcta o que é facto é que o concerto deverá ter sido repetido a pedido do público). Já agora uma curiosidade sobre esta estreia que demonstra como a integridade da obra que tanto nos preocupa agora na altura era totalmente inexistente. Na verdade o primeiro andamento foi separado do segundo e terceiro por um "Divertimento" uma peça para trompa.
A recepção ao concerto assim apresentado começou de forma pouco entusiastica (no fim do primeiro andamento segundo Chopin apenas se ouvirão alguns bravos) mas depois nos dois seguintes parece ter existido uma verdadeira apoteose.
O concerto em Fá Menor Op. 21 possui tal como o primeiro uma estrutura perfeitamente clássica na organização dos andamentos rápido-lento-rápido.
O Primeiro Andamento (Allegro Maestoso) começa por uma longa exposição orquestral que apresenta o material temático que será desenvolvido a partir de então pelo solista no perfeito arquétipo do concerto romantico. Sim é verdade que são o solista e o piano as estrelas - é suposto ser assim. O papel de suporte da orquestra não é um defeito é uma característica do género, ainda assim têm um papel fundamental. É como, desculpem a prosaica comparação, tentar cozinhar sem sal - pode ser feito claro mas o realce do sabor do ingrediente principal perde-se. Neste caso sem a orquestra o piano perde o efeito. É por isso que não faz sentido comparar este concerto aos grandes mestres da orquestração do período clássico, Mozart ou mesmo os percursores do romantismo como Beethoven. Para eles efectivamente o interesse estava num subtil equilíbrio ou num intenso diálogo entre solista e Orquestra. Para Chopin o mesmo interesse está no total domínio do piano. São objectivos e pressupostos diferentes mas ambos defensáveis. Para este primeiro andamento proponho-vos Rubinstein com a Filarmónica de Londres dirigida por Previn numa gravação de 1975 (já agora este concerto está completo portanto se desejarem ouvir até ao fim com um grande mestre como Rubinstein não estarão a perder o vosso tempo - digo isto porque tenho sugestões diferentes para os próximos andamentos só para vos dar a conhecer outras interpretações).
O Segundo Andamento (Larghetto) é inspirado pelo estilo italiano uma belíssima canção de amor como referimos inspirada por Constantia Gladkowska jovem cantora no Conservatório de Varsóvia com quem Chopin nunca falou mas com quem sonhou durante meses. Chopin talvez por essa razão sempre adorou este andamento, sentimento no qual foi acompanhado por Schumann e Liszt que o consideravam uma verdadeira obra prima. Para o ilustrar escolhi uma interpretação por Wilhelm Kempff com a orquestra dirigida por Karel Ancerl numa gravação ao vivo de 1959 (segundo os dados fornecidos por quem fez o post no You Tube). Se a gravação for efectivamente dessa data então a Orquestra será a Filarmónica da Checoslováquia que dirigiu entre 1950 e 1968, sendo aliás o expoente dessa orquestra.
O terceiro andamento (Allegro Vivace) é o mais "polaco" dos três. Claramente inspirado numa Mazurka embora profundamente estilizada tem também espaço para um momento de inspiração orquestral quando depois de uma chamada às trompas a tonalidade muda bruscamente de um modo menor para um maior dando ao final um brilho totalmente inesperado. Para a interpretação deste andamento escolhemos Marta Argerich com a Sinfónica de Montreal dirigida por Charles Dutoit numa gravação de 1999.
O enquadramento que falta diz respeito à situação vivida então na Polónia que enquanto "país" não existia desde a segunda partilha de 1795. A nação polaca essa no entanto estava bem viva e Chopin era a materialização da sua alma, musical e não só. Meses depois de Chopin ter saído da Polónia rebentava em Varsóvia o levantamento contra a ocupação Russa (a Polónia tinha sido dividida entre a Rússia, a Prússia e o Império Austro-Húngaro ), levantamento esse que acabaria por se saldar numa guerra de oito meses e cerca de duas centenas de milhares de mortos.
Este concerto foi estreado em Varsóvia a 17 de Março de 1830 (sim a data está certa foi efectivamente estreado antes do nº 1 que apenas foi estreado em Outubro desse ano) sendo o primeiro concerto público do pianista no Teatro Nacional de Varsóvia (algumas fontes apontam a estreia para dia 21 de Março não sei qual das duas será correcta o que é facto é que o concerto deverá ter sido repetido a pedido do público). Já agora uma curiosidade sobre esta estreia que demonstra como a integridade da obra que tanto nos preocupa agora na altura era totalmente inexistente. Na verdade o primeiro andamento foi separado do segundo e terceiro por um "Divertimento" uma peça para trompa.
A recepção ao concerto assim apresentado começou de forma pouco entusiastica (no fim do primeiro andamento segundo Chopin apenas se ouvirão alguns bravos) mas depois nos dois seguintes parece ter existido uma verdadeira apoteose.
O concerto em Fá Menor Op. 21 possui tal como o primeiro uma estrutura perfeitamente clássica na organização dos andamentos rápido-lento-rápido.
O Primeiro Andamento (Allegro Maestoso) começa por uma longa exposição orquestral que apresenta o material temático que será desenvolvido a partir de então pelo solista no perfeito arquétipo do concerto romantico. Sim é verdade que são o solista e o piano as estrelas - é suposto ser assim. O papel de suporte da orquestra não é um defeito é uma característica do género, ainda assim têm um papel fundamental. É como, desculpem a prosaica comparação, tentar cozinhar sem sal - pode ser feito claro mas o realce do sabor do ingrediente principal perde-se. Neste caso sem a orquestra o piano perde o efeito. É por isso que não faz sentido comparar este concerto aos grandes mestres da orquestração do período clássico, Mozart ou mesmo os percursores do romantismo como Beethoven. Para eles efectivamente o interesse estava num subtil equilíbrio ou num intenso diálogo entre solista e Orquestra. Para Chopin o mesmo interesse está no total domínio do piano. São objectivos e pressupostos diferentes mas ambos defensáveis. Para este primeiro andamento proponho-vos Rubinstein com a Filarmónica de Londres dirigida por Previn numa gravação de 1975 (já agora este concerto está completo portanto se desejarem ouvir até ao fim com um grande mestre como Rubinstein não estarão a perder o vosso tempo - digo isto porque tenho sugestões diferentes para os próximos andamentos só para vos dar a conhecer outras interpretações).
O Segundo Andamento (Larghetto) é inspirado pelo estilo italiano uma belíssima canção de amor como referimos inspirada por Constantia Gladkowska jovem cantora no Conservatório de Varsóvia com quem Chopin nunca falou mas com quem sonhou durante meses. Chopin talvez por essa razão sempre adorou este andamento, sentimento no qual foi acompanhado por Schumann e Liszt que o consideravam uma verdadeira obra prima. Para o ilustrar escolhi uma interpretação por Wilhelm Kempff com a orquestra dirigida por Karel Ancerl numa gravação ao vivo de 1959 (segundo os dados fornecidos por quem fez o post no You Tube). Se a gravação for efectivamente dessa data então a Orquestra será a Filarmónica da Checoslováquia que dirigiu entre 1950 e 1968, sendo aliás o expoente dessa orquestra.
O terceiro andamento (Allegro Vivace) é o mais "polaco" dos três. Claramente inspirado numa Mazurka embora profundamente estilizada tem também espaço para um momento de inspiração orquestral quando depois de uma chamada às trompas a tonalidade muda bruscamente de um modo menor para um maior dando ao final um brilho totalmente inesperado. Para a interpretação deste andamento escolhemos Marta Argerich com a Sinfónica de Montreal dirigida por Charles Dutoit numa gravação de 1999.
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013
Chopin - Concertos para piano e orquestra nº1 e nº2
Voltamos hoje a percorrer a nossa lista das 100 obras que recomendamos para começarem a ouvir música clássica sendo que a primeira desta lista que ainda não tem um post ao nível do que gostaríamos são precisamente os concertos para piano e orquestra de Chopin.
Estas são possivelmente as duas únicas obras de grande dimensão escritas por Chopin que incluem uma parte orquestral embora as más línguas considerem que mais valeria que não houvesse nenhuma. Nós discordamos e iremos brevemente explicar a razão pela qual não nos parece ser esta uma critica justa.
O primeiro facto que temos de abordar relativamente a estes dois concertos diz respeito às datas da sua composição e numeração. Efectivamente eles foram compostos entre 1829 e 1830 separados por apenas uns meses mas aquele que é o nº1 foi na realidade o segundo a ser composto mas o primeiro a ser editado daí a numeração ser invertida.
Ambos os concertos foram compostos quando Chopin ainda vivia em Varsóvia e são por essa razão obras que reflectem não só a força do compositor e a sua juventude (Chopin tinha na altura entre 19 e 20 anos) mas igualmente uma verdadeira e pura alma polaca.
Quanto às criticas relativas a estes dois concertos nomeadamente a relativa incompetência de Chopin em dominar a técnica de composição para orquestra é preciso referir que na verdade Chopin não tinha muita experiência em obras de grande dimensão e no desenvolvimento de ideias numa forma musical de maior duração. É também verdade que Chopin antes de receber formação em composição era já um compositor "auto-didacta" e já com uma notável popularidade nos salões da capital polaca. Porém não deixa também de ser verdade que Chopin recebeu depois desses primeiros anos de criança prodígio formação clássica com alguns excelentes professores de composição estudando a fundo as formas clássicas de composição.
No que me diz respeito eu penso que foi precisamente o seu lado auto-didacta que o levou a compor da forma como o fazia e que o que alguns musicólogos atribuem a uma certa inexperiência ou incapacidade eu atribuo a uma procura de uma forma diferente e mais emocional de compor. Não segue as normas? Não existe uma forma "sonata" perfeita no primeiro andamento? Não há cadência? Pois temos então de agradecer o facto de Chopin ter resolvido quebrar as normas. Esclarecido que estamos quanto à genialidade e à razão de ser da presença destas duas obras nesta lista passemos à música.
O Concerto nº1 em Mi Bemol menor, Op. 11 foi composto no ano de 1830 tendo sido estreado em Outubro desse ano em Varsóvia, num dos últimos (senão mesmo o ultimo) concerto que Chopin interpretou antes de deixar Varsóvia e rumar a Paris. O concerto é dedicado a Friedrich Kalkbrenner (a história deste pianista e compositor só por si merece um post que fica prometido). A razão desta dedicatória prende-se certamente com o facto de Chopin na altura considerar como hipótese tornar-se aluno de Kalkbrenner.
O concerto segue uma estrutura clássica no que diz respeito à natureza dos andamentos (rápido-lento-rápido) embora como vimos cada um deles tenha uma forma interna bastante inovadora.
O 1º andamento (Allegro maestoso) o mais longo dos três como é usual (na verdade é quase metade da duração total do concerto) contem três temas não existindo contrariamente à prática comum na época uma cadencia (possivelmente porque Chopin considerou não ser necessária). Para este concerto propomos uma interpretação de Evgeny Kissin com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Zubin Mehta.
O 2º andamento (Romance - Larghetto) mais uma vez não segue as regras usuais começando na mesma tonalidade que o primeiro andamento (não maximizando o contraste como era prática comum). No entanto contrariamente ao que alguns musicólogos afirmam esta continuidade pode ter sido perfeitamente voluntária. Chopin escreve a um amigo dizendo que este andamento deve ser entendido como uma contemplação imóvel de uma bela noite de verão. E sim por isso também têm razão se vos soar semelhante a alguns nocturnos na sua forma. Escolhi para este andamento uma orquestra mais pequena e um pianista muito menos conhecido mas não deixa de ser uma bela interpretação. A propósito se quiserem comparar podem perfeitamente continuar com a anterior (como verão é bem diferente).
O 3º andamento (Rondo - Vivace) é baseado numa dança popular polaca da região de Cracóvia, um Rondo cheio de vitalidade . Para este terceiro andamento escolhi uma gravação histórica de 1950 de Dinu Lipatti com Otto Ackermann a dirigir a Orquestra de Zurique.
Como este post está já bastante longo falaremos do segundo concerto num post separado (quando o tiver publicado colocarei aqui o link para que o possam seguir caso desejem). Para terminar convém dizer que este concerto foi extraordinariamente bem recebido na sua estreia tendo mesmo desencadeado um movimento para que fossem dadas todas as condições a Chopin para que ele não desejasse sair da Polónia.
Estas são possivelmente as duas únicas obras de grande dimensão escritas por Chopin que incluem uma parte orquestral embora as más línguas considerem que mais valeria que não houvesse nenhuma. Nós discordamos e iremos brevemente explicar a razão pela qual não nos parece ser esta uma critica justa.
O primeiro facto que temos de abordar relativamente a estes dois concertos diz respeito às datas da sua composição e numeração. Efectivamente eles foram compostos entre 1829 e 1830 separados por apenas uns meses mas aquele que é o nº1 foi na realidade o segundo a ser composto mas o primeiro a ser editado daí a numeração ser invertida.
Ambos os concertos foram compostos quando Chopin ainda vivia em Varsóvia e são por essa razão obras que reflectem não só a força do compositor e a sua juventude (Chopin tinha na altura entre 19 e 20 anos) mas igualmente uma verdadeira e pura alma polaca.
Quanto às criticas relativas a estes dois concertos nomeadamente a relativa incompetência de Chopin em dominar a técnica de composição para orquestra é preciso referir que na verdade Chopin não tinha muita experiência em obras de grande dimensão e no desenvolvimento de ideias numa forma musical de maior duração. É também verdade que Chopin antes de receber formação em composição era já um compositor "auto-didacta" e já com uma notável popularidade nos salões da capital polaca. Porém não deixa também de ser verdade que Chopin recebeu depois desses primeiros anos de criança prodígio formação clássica com alguns excelentes professores de composição estudando a fundo as formas clássicas de composição.
No que me diz respeito eu penso que foi precisamente o seu lado auto-didacta que o levou a compor da forma como o fazia e que o que alguns musicólogos atribuem a uma certa inexperiência ou incapacidade eu atribuo a uma procura de uma forma diferente e mais emocional de compor. Não segue as normas? Não existe uma forma "sonata" perfeita no primeiro andamento? Não há cadência? Pois temos então de agradecer o facto de Chopin ter resolvido quebrar as normas. Esclarecido que estamos quanto à genialidade e à razão de ser da presença destas duas obras nesta lista passemos à música.
O Concerto nº1 em Mi Bemol menor, Op. 11 foi composto no ano de 1830 tendo sido estreado em Outubro desse ano em Varsóvia, num dos últimos (senão mesmo o ultimo) concerto que Chopin interpretou antes de deixar Varsóvia e rumar a Paris. O concerto é dedicado a Friedrich Kalkbrenner (a história deste pianista e compositor só por si merece um post que fica prometido). A razão desta dedicatória prende-se certamente com o facto de Chopin na altura considerar como hipótese tornar-se aluno de Kalkbrenner.
O concerto segue uma estrutura clássica no que diz respeito à natureza dos andamentos (rápido-lento-rápido) embora como vimos cada um deles tenha uma forma interna bastante inovadora.
O 1º andamento (Allegro maestoso) o mais longo dos três como é usual (na verdade é quase metade da duração total do concerto) contem três temas não existindo contrariamente à prática comum na época uma cadencia (possivelmente porque Chopin considerou não ser necessária). Para este concerto propomos uma interpretação de Evgeny Kissin com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Zubin Mehta.
O 2º andamento (Romance - Larghetto) mais uma vez não segue as regras usuais começando na mesma tonalidade que o primeiro andamento (não maximizando o contraste como era prática comum). No entanto contrariamente ao que alguns musicólogos afirmam esta continuidade pode ter sido perfeitamente voluntária. Chopin escreve a um amigo dizendo que este andamento deve ser entendido como uma contemplação imóvel de uma bela noite de verão. E sim por isso também têm razão se vos soar semelhante a alguns nocturnos na sua forma. Escolhi para este andamento uma orquestra mais pequena e um pianista muito menos conhecido mas não deixa de ser uma bela interpretação. A propósito se quiserem comparar podem perfeitamente continuar com a anterior (como verão é bem diferente).
O 3º andamento (Rondo - Vivace) é baseado numa dança popular polaca da região de Cracóvia, um Rondo cheio de vitalidade . Para este terceiro andamento escolhi uma gravação histórica de 1950 de Dinu Lipatti com Otto Ackermann a dirigir a Orquestra de Zurique.
Como este post está já bastante longo falaremos do segundo concerto num post separado (quando o tiver publicado colocarei aqui o link para que o possam seguir caso desejem). Para terminar convém dizer que este concerto foi extraordinariamente bem recebido na sua estreia tendo mesmo desencadeado um movimento para que fossem dadas todas as condições a Chopin para que ele não desejasse sair da Polónia.
terça-feira, 16 de março de 2010
Chopin por Nelson Freire do Blog Unquiet Thoughts
Tinha-vos dito que de vez em quando faríamos posts inspirados no Unquiet Thoughts de Alex Ross o autor de The Rest is Noise. Pois desta vez não resistimos e vamos cumprir a ameaça. Na verdade este post de Alex Ross é mesmo simples. É apenas uma recomendação. Em ano do bi-centenário de Chopin recomenda Nelson Freire e os Nocturnos. Nós pensamos Muito Bem excelente mesmo. Criando uma verdadeira cinergia luso-brasileira atrevemo-nos a recomendar os nocturnos por Maria João Pires
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
Lang Lang em 3D e o Ano Chopin
Este post é inteiramente dedicado a um colega meu ( pois é Nuno, isto anda tudo obcecado :-) ) com o qual tenho discutido nos últimos tempos a pertinência (ou falta dela) do 3D. Parece que tudo neste momento anda aproximadamente louco com o tema ao ponto do pianista chinês Lang Lang ter anunciado (leiam aqui a notícia no Figaro) que irá protagonizar um filme em 3D.
Trata-se de um filme com uma história fantástica. Umas crianças descobrem um piano mágico e uma máquina voadora dotada de um telescópio; com ele vão descobrindo a música de Chopin. Será um filme de divulgação da música clássica pelo que se saúda a tentativa, apesar do 3D ... :-) Muito embora neste caso o 3D possa não querer dizer o mesmo que no filme Avatar por exemplo (pela descrição do projecto não dá para perceber mas parece que não). Na realidade o filme irá misturar personagens em animação, marionetas e personagens reais (incluindo Lang Lang).
O estúdio que vai produzir o filme será o mesmo que concebeu e realizou Pedro e o Lobo que é um filme absolutamente fantástico - podem vê-lo no You Tube aqui por exemplo - tinha falado dele aqui a propósito do workshop da OML Junior em Montalegre. Este primeiro filme (Pedro e o Lobo) obteve aliás o Oscar para melhor curta metragem animada em 2008. Só por isso o filme que irá estrear em Outubro 2010 promete muito.
Estaremos atentos, assim que descobrir (existir) um trailer será devidamente postado :-)
Trata-se de um filme com uma história fantástica. Umas crianças descobrem um piano mágico e uma máquina voadora dotada de um telescópio; com ele vão descobrindo a música de Chopin. Será um filme de divulgação da música clássica pelo que se saúda a tentativa, apesar do 3D ... :-) Muito embora neste caso o 3D possa não querer dizer o mesmo que no filme Avatar por exemplo (pela descrição do projecto não dá para perceber mas parece que não). Na realidade o filme irá misturar personagens em animação, marionetas e personagens reais (incluindo Lang Lang).
O estúdio que vai produzir o filme será o mesmo que concebeu e realizou Pedro e o Lobo que é um filme absolutamente fantástico - podem vê-lo no You Tube aqui por exemplo - tinha falado dele aqui a propósito do workshop da OML Junior em Montalegre. Este primeiro filme (Pedro e o Lobo) obteve aliás o Oscar para melhor curta metragem animada em 2008. Só por isso o filme que irá estrear em Outubro 2010 promete muito.
Estaremos atentos, assim que descobrir (existir) um trailer será devidamente postado :-)
domingo, 10 de maio de 2009
Transmissão em Directo de hoje às 21:30 ! Concerto de Chopin Nº1
Hoje às 21:30 teremos mais uma transmissão no Piano CRS Rádio de um dos concertos de piano que estão a votação na eleição do nosso concerto de piano preferido. Teremos hoje Chopin com o primeiro concerto para piano Op. 11 em Mi Menor, um concerto em três andamentos em que como seria de esperar o piano tem uma parte de leão. Eu sou fã de Chopin e penso que a orquestração - simples - serve na perfeição para demonstrar a beleza da melodia.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Chopin - Polonaises
Não existe provavelmente outra obra onde Chopin terá expresso de forma mais completa a sublimação da sua dor pelo destino da sua pátria.
No entanto nem todas as Polonaises são tristes e lúgubres. Por exemplo as duas composições que compõem o Op. 40 (Op. 40-1 em Lá Maior e Op. 40-2 em Dó Menor) são repletas de energia embora a segunda pela natureza do tom utilizado seja uma espécie de contraponto à primeira, esperança versus a falta dela. Oiçam aqui o pianista Alexander Brailowsky interpretar a primeira destas peças e aqui a segunda.
Mas sem dúvida que as Polonaises mais conhecidas são a Op. 53 em Lá Bemol Maior (Heróica) aqui interpretada por Gilels e a Polonaise Op. 61 também em Lá Bemol Maior interpretada por Richter aqui.
No entanto nem todas as Polonaises são tristes e lúgubres. Por exemplo as duas composições que compõem o Op. 40 (Op. 40-1 em Lá Maior e Op. 40-2 em Dó Menor) são repletas de energia embora a segunda pela natureza do tom utilizado seja uma espécie de contraponto à primeira, esperança versus a falta dela. Oiçam aqui o pianista Alexander Brailowsky interpretar a primeira destas peças e aqui a segunda.
Mas sem dúvida que as Polonaises mais conhecidas são a Op. 53 em Lá Bemol Maior (Heróica) aqui interpretada por Gilels e a Polonaise Op. 61 também em Lá Bemol Maior interpretada por Richter aqui.
domingo, 11 de maio de 2008
Chopin - A grande Valsa Brilhante tocada por Vitorino de Almeida
Não iremos fazer uma análise a todas as Valsas compostas por Chopin contrariamente ao que fizemos para os Nocturnos. Não porque exista entre os dois tipos de composição alguma ordenação qualitativa mas apenas porque neste caso nos pareceria um pouco repetitivo demais.
Vamos assim ouvir algumas das que preferimos e que nos parecem por um lado ilustrar melhor este tipo de composição e por outro estarem também de acordo com o objectivo deste blog: Fazer-vos conhecer melhor a música clássica e poderem dessa forma usufruir deste género de arte.
O primeiro facto notável com as Valsas de Chopin é que estas têm muito pouco a ver com as Valsas vienenses (de que também falaremos mais tarde de que conhecem certamente exemplo como o Danúbio Azul ou a Valsa do Imperador). As valsas do compositor polaco destinam-se muito mais aos salões da aristocracia e à audição do que propriamente à dança. Diz-se por vezes que são danças da alma e não do corpo, embora valha a verdade algumas destas valsas são dançáveis !
Chopin escreveu mais de 20 embora muitas estejam totalmente ou parcialmente perdidas. A primeira de que vos vou falar é a Grande Valsa Brilhante Op. 18 em Mi Bemol Maior. Esta peça foi composta em 1833 tendo sido publicada no ano seguinte e sendo a primeira das valsas que Chopin compôs para piano solo. Foi dedicada a Laura Harsford e não sendo a minha preferida é sem dúvida uma das mais conhecidas.
Felizmente ao procurar no You Tube consegui encontrar uma interpretação de um pianista português que todos conhecemos bem. Fiquem assim com o Maestro António Vitorino de Almeida numa interpretação desta valsa aqui.
Vamos assim ouvir algumas das que preferimos e que nos parecem por um lado ilustrar melhor este tipo de composição e por outro estarem também de acordo com o objectivo deste blog: Fazer-vos conhecer melhor a música clássica e poderem dessa forma usufruir deste género de arte.
O primeiro facto notável com as Valsas de Chopin é que estas têm muito pouco a ver com as Valsas vienenses (de que também falaremos mais tarde de que conhecem certamente exemplo como o Danúbio Azul ou a Valsa do Imperador). As valsas do compositor polaco destinam-se muito mais aos salões da aristocracia e à audição do que propriamente à dança. Diz-se por vezes que são danças da alma e não do corpo, embora valha a verdade algumas destas valsas são dançáveis !
Chopin escreveu mais de 20 embora muitas estejam totalmente ou parcialmente perdidas. A primeira de que vos vou falar é a Grande Valsa Brilhante Op. 18 em Mi Bemol Maior. Esta peça foi composta em 1833 tendo sido publicada no ano seguinte e sendo a primeira das valsas que Chopin compôs para piano solo. Foi dedicada a Laura Harsford e não sendo a minha preferida é sem dúvida uma das mais conhecidas.
Felizmente ao procurar no You Tube consegui encontrar uma interpretação de um pianista português que todos conhecemos bem. Fiquem assim com o Maestro António Vitorino de Almeida numa interpretação desta valsa aqui.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
Chopin - Nocturnos (Décima e Ultima Parte)
Continuamos com obras que não foram publicadas durante a vida de Chopin. O Nocturno nº 20 em Dó Sustenido Menor utiliza temas do concerto em Fá Menor (Op. 21). Foi composto em 1830 e publicado em 1875.Curiosamente é um dos Nocturnos que tem uma transcrição para Violino de que gosto particularmente (pelo violinista que já ouvimos aqui Nathan Milstein).
A propósito e a título de brincadeira, será que foi este o concerto para violino que Santana Lopes ouviu ? Oiçam aqui uma versão pelo grande violinista Itzhak Perlman. Podem também ouvir aqui o original pelo não menos notável pianista Wladyslaw Szpilman. Este Nocturno serviu de tema ao tema o Pianista.
Já o nocturno Nº 21 em Dó Menor é relativamente pouco executado (na verdade não consegui encontrar um exemplo no You Tube).
A propósito e a título de brincadeira, será que foi este o concerto para violino que Santana Lopes ouviu ? Oiçam aqui uma versão pelo grande violinista Itzhak Perlman. Podem também ouvir aqui o original pelo não menos notável pianista Wladyslaw Szpilman. Este Nocturno serviu de tema ao tema o Pianista.
Já o nocturno Nº 21 em Dó Menor é relativamente pouco executado (na verdade não consegui encontrar um exemplo no You Tube).
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Chopin - Nocturnos (Nona parte)
Os três restantes nocturnos são obras póstumas. Há quem pense que dado não apresentarem grande qualidade mais valia terem continuado desconhecidos. O primeiro destes Nocturnos o Opus 72 em Mi Menor foi composto em 1827 mas apenas publicado em 1855 tendo sido dedicado a Mademoiselle R. de Konneritz.
Trata-se de um Nocturno bastante clássico, na tradição de Field, com uma melodia que parece querer sobrepôr-se à nossa vontade. É uma melodia bastante sombria que pessoalmente me lembra uma velha casa de campo, quem sabe com alguns fantasmas.
Fiquem aqui com a interpretação fantástica de Sviatoslav Richter.
Trata-se de um Nocturno bastante clássico, na tradição de Field, com uma melodia que parece querer sobrepôr-se à nossa vontade. É uma melodia bastante sombria que pessoalmente me lembra uma velha casa de campo, quem sabe com alguns fantasmas.
Fiquem aqui com a interpretação fantástica de Sviatoslav Richter.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Chopin - Nocturnos (Parte 8) : Op. 62
Os dois nocturnos que compõem o Opus 62 foram os últimos publicados durante a vida de Chopin.
O primeiro deles o Nocturno nº 17 em Si Bemol é uma peça extraordinariamente densa, de difícil apreensão (se comparada com outros nocturnos), de ambiente soturno e fechado. Diz James Huneker autor do livro que já citamos Chopin o Homem e a sua Obra que este nocturno no entanto merece mais atenção e louvor do que lhe é normalmente concedido. Deixarei que julguem por vós próprios. Oiçam aqui uma interpretação de Aldo Ciccolini.
Já o nocturno nº 18 em Mi Maior é uma peça que embora mantendo aquela característica comum de alguma melancolia não deixa de transmitir uma certa paz. Como se embora consciente da distância Chopin se sentisse próximo da sua pátria ou dos seus amores com uma parte intermédia bastante apaixonada e ondulante. Lembra-me de certa forma um dos meus poemas preferidos de Prévert de que vos deixo aqui uma tradução minha (com o pedido de desculpa ao poeta).
Uma sugestão. Leiam enquanto ouvem o nocturno interpretado pelo notável Daniel Barenboim aqui.
Areias Movediças
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Ao longe o mar já se retirou
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
E tu,
Como uma alga docemente afagada pelo vento
Nas areias da cama ondulas sonhando
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Ao longe o mar já se retirou
Mas nos teus olhos entreabertos
Duas pequenas ondas ficaram
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Duas pequenas ondas para me afogarem.
[A versão original, preferível caso dominem o Francês]
Sables Mouvants
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Démons et merveilles
Vents et marées
Et toi
Comme une algue doucement carressée par le vent
Dans les sables du lit tu remues en revant
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Mais dans tes yeux entrouverts
Deux petites vagues sont restées
Démons et merveilles
Vents et marées
Deux petites vagues pour me noyer.
O primeiro deles o Nocturno nº 17 em Si Bemol é uma peça extraordinariamente densa, de difícil apreensão (se comparada com outros nocturnos), de ambiente soturno e fechado. Diz James Huneker autor do livro que já citamos Chopin o Homem e a sua Obra que este nocturno no entanto merece mais atenção e louvor do que lhe é normalmente concedido. Deixarei que julguem por vós próprios. Oiçam aqui uma interpretação de Aldo Ciccolini.
Já o nocturno nº 18 em Mi Maior é uma peça que embora mantendo aquela característica comum de alguma melancolia não deixa de transmitir uma certa paz. Como se embora consciente da distância Chopin se sentisse próximo da sua pátria ou dos seus amores com uma parte intermédia bastante apaixonada e ondulante. Lembra-me de certa forma um dos meus poemas preferidos de Prévert de que vos deixo aqui uma tradução minha (com o pedido de desculpa ao poeta).
Uma sugestão. Leiam enquanto ouvem o nocturno interpretado pelo notável Daniel Barenboim aqui.
Areias Movediças
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Ao longe o mar já se retirou
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
E tu,
Como uma alga docemente afagada pelo vento
Nas areias da cama ondulas sonhando
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Ao longe o mar já se retirou
Mas nos teus olhos entreabertos
Duas pequenas ondas ficaram
Demónios e Maravilhas
Ventos e Marés
Duas pequenas ondas para me afogarem.
[A versão original, preferível caso dominem o Francês]
Sables Mouvants
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Démons et merveilles
Vents et marées
Et toi
Comme une algue doucement carressée par le vent
Dans les sables du lit tu remues en revant
Démons et merveilles
Vents et marées
Au loin déja la mer s'est retirée
Mais dans tes yeux entrouverts
Deux petites vagues sont restées
Démons et merveilles
Vents et marées
Deux petites vagues pour me noyer.
sábado, 3 de maio de 2008
Nocturnos de Chopin - Sétima Parte
Poderão interrogar-se porque faço questão de vos mostrar todos os nocturnos de Chopin quando não o fiz para outros conjuntos de obras, alguns deles pelo menos na teoria mais merecedores de tal destaque.
Essa escolha está relacionada apenas com o objectivo do nosso blog e de eu achar que estas peças são pela sua natureza fáceis de ouvir e logo constituem uma excelente introdução à música clássica. A outra razão é pessoal. Durante muito tempo na minha adolescência Chopin foi o meu compositor preferido (para depois ser destronado por Beethoven) e ouvi vezes sem conta os nocturnos.
Os dois nocturnos do Opus 55 são ambos dedicados a Mlle. J. W. Stirling, uma aluna do compositor. Foram ambos compostos em 1833 e publicados em 1834. Segundo James Huneker autor da obra "Chopin - The Man and his Music" nenhum destes dois nocturnos merece grande atenção ... Pelo menos em relação ao primeiro discordamos.
Na realidade o primeiro destes nocturnos, sem dúvida o mais conhecido dos dois, o Nocturno nº 15 em Fá Sustenido Menor tem como sempre uma melodia cheia de desespero e de melancolia. Porém neste caso esta peça parece ter remédio para tanto sofrimento acabando num tom bem mais alegre. O You Tube permite-nos coisas fantásticas e para ilustrar este Nocturno proponho-vos uma gravação, cheia de estática e outros ruídos do grande pianista Vladimir de Pachmann (1848-1933). Oiçam aqui.
O segundo nocturno em Mi Bemol Maior é na realidade muito menos tocado e sinceramente não me inspira muito ... apesar da melodia ser muito bela também. Mas julguem por vós mesmos. Oiçam aqui.
Essa escolha está relacionada apenas com o objectivo do nosso blog e de eu achar que estas peças são pela sua natureza fáceis de ouvir e logo constituem uma excelente introdução à música clássica. A outra razão é pessoal. Durante muito tempo na minha adolescência Chopin foi o meu compositor preferido (para depois ser destronado por Beethoven) e ouvi vezes sem conta os nocturnos.
Os dois nocturnos do Opus 55 são ambos dedicados a Mlle. J. W. Stirling, uma aluna do compositor. Foram ambos compostos em 1833 e publicados em 1834. Segundo James Huneker autor da obra "Chopin - The Man and his Music" nenhum destes dois nocturnos merece grande atenção ... Pelo menos em relação ao primeiro discordamos.
Na realidade o primeiro destes nocturnos, sem dúvida o mais conhecido dos dois, o Nocturno nº 15 em Fá Sustenido Menor tem como sempre uma melodia cheia de desespero e de melancolia. Porém neste caso esta peça parece ter remédio para tanto sofrimento acabando num tom bem mais alegre. O You Tube permite-nos coisas fantásticas e para ilustrar este Nocturno proponho-vos uma gravação, cheia de estática e outros ruídos do grande pianista Vladimir de Pachmann (1848-1933). Oiçam aqui.
O segundo nocturno em Mi Bemol Maior é na realidade muito menos tocado e sinceramente não me inspira muito ... apesar da melodia ser muito bela também. Mas julguem por vós mesmos. Oiçam aqui.
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Nocturnos de Chopin - Sexta Parte
Os dois nocturnos que compõem o Opus 48, Nocturno nº 13 e o Nocturno nº 14 são ambos de uma beleza que apenas a música pode descrever. Ambos foram dedicados a Laura Duperre. Foram compostos em 1841/42 tendo sido publicados em 1842.
O Nocturno nº 13 em Dó Menor (lento) sai do simples domínio do Nocturno. Pelo seu tipo de escrita virtuosa pode lembrar-nos as baladas. Embora muitos dos historiadores e estudiosos da obra de Chopin, nomeadamente Nieck e mesmo Robert Schumann tenham emitido reservas sobre esta composição pessoalmente não posso deixar de considerar que é um dos mais nobres, um dos que melhor expressa a tristeza, quem sabe a saudade da pátria? Certamente um dos meus preferidos e não estou apenas a falar de Nocturnos e de Chopin.
Fiquem aqui com o Nocturno nº 13 pelo pianista Josef Hoffmann.
Quanto ao Nocturno nº 14 em Fá Sustenido Menor (Andantino) o que podemos dizer? Oiçam a belíssima melodia com o coração e no fim serão Polacos :-) ... Poderão depois reverter o feitiço ouvindo Carlos Paredes. Fora de brincadeira também este nocturno expressa de forma sublime um sentimento de saudade, de angústia. Oiçam-no interpretado por Grante (pianista que confesso não conheço), aqui.
O Nocturno nº 13 em Dó Menor (lento) sai do simples domínio do Nocturno. Pelo seu tipo de escrita virtuosa pode lembrar-nos as baladas. Embora muitos dos historiadores e estudiosos da obra de Chopin, nomeadamente Nieck e mesmo Robert Schumann tenham emitido reservas sobre esta composição pessoalmente não posso deixar de considerar que é um dos mais nobres, um dos que melhor expressa a tristeza, quem sabe a saudade da pátria? Certamente um dos meus preferidos e não estou apenas a falar de Nocturnos e de Chopin.
Fiquem aqui com o Nocturno nº 13 pelo pianista Josef Hoffmann.
Quanto ao Nocturno nº 14 em Fá Sustenido Menor (Andantino) o que podemos dizer? Oiçam a belíssima melodia com o coração e no fim serão Polacos :-) ... Poderão depois reverter o feitiço ouvindo Carlos Paredes. Fora de brincadeira também este nocturno expressa de forma sublime um sentimento de saudade, de angústia. Oiçam-no interpretado por Grante (pianista que confesso não conheço), aqui.
terça-feira, 29 de abril de 2008
Nocturnos de Chopin - Quinta Parte
Hoje vamos abordar mais um conjunto de dois nocturnos que compõem o Op. 37.
O primeiro destes nocturnos é o Nocturno nº11 em Sol Menor (Andante sostenuto). Composto entre 1838/39 e publicado em 1840. Também conhecido como "Os suspiros" é dos mais simples execução. Não consegui ainda encontrar uma execução deste nocturno.
O segundo nocturno que faz parte deste Op. 37 é o Nocturno nº 12 em Sol Maior (andantino). Foi composto em 1839 (umas semanas após ter chegado a Nohant). Felizmente em relação a este nocturno encontrei uma gravação histórica do pianista Leopold Godowsky (1870-1938) gravado, imagine-se, em 1928. Oiçam esta gravação aqui. Lindíssimo, não ?
O primeiro destes nocturnos é o Nocturno nº11 em Sol Menor (Andante sostenuto). Composto entre 1838/39 e publicado em 1840. Também conhecido como "Os suspiros" é dos mais simples execução. Não consegui ainda encontrar uma execução deste nocturno.
O segundo nocturno que faz parte deste Op. 37 é o Nocturno nº 12 em Sol Maior (andantino). Foi composto em 1839 (umas semanas após ter chegado a Nohant). Felizmente em relação a este nocturno encontrei uma gravação histórica do pianista Leopold Godowsky (1870-1938) gravado, imagine-se, em 1928. Oiçam esta gravação aqui. Lindíssimo, não ?
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Nocturnos de Chopin - Quarta Parte
No quarto post sobre os nocturnos de Chopin vamos hoje falar dos dois que compõem o Op. 32.
O Nocturno nº9 em Lá Maior (Andantino Sostenuto) é igualmente um dos mais conhecidos. A forma misteriosa como acaba (e polémica de certa forma) fez correr muita tinta. Oiçam aqui uma interpretação de um pianista que confesso não conheço. Chopin compôs esta obra que dedicou à Baronesa de Billing em 1836/37 tendo sido publicada em 1837.
Para o segundo nocturno deste Opus (Nocturno nº 10 em Lá Bemol Maior - Lento) infelizmente ainda não encontrei um post no You Tube. Vou ter de criar um. Lamento mas não será hoje ... Este Nocturno é também dedicado à Baronesa de Billing.
O Nocturno nº9 em Lá Maior (Andantino Sostenuto) é igualmente um dos mais conhecidos. A forma misteriosa como acaba (e polémica de certa forma) fez correr muita tinta. Oiçam aqui uma interpretação de um pianista que confesso não conheço. Chopin compôs esta obra que dedicou à Baronesa de Billing em 1836/37 tendo sido publicada em 1837.
Para o segundo nocturno deste Opus (Nocturno nº 10 em Lá Bemol Maior - Lento) infelizmente ainda não encontrei um post no You Tube. Vou ter de criar um. Lamento mas não será hoje ... Este Nocturno é também dedicado à Baronesa de Billing.
domingo, 27 de abril de 2008
Nocturnos de Chopin - Terceira Parte
Hoje vamos falar e mostrar-vos os dois nocturnos que fazem parte do Op. 27.
O Nocturno nº 7 em Dó Sustenido Menor (Larghetto) começa com um tema de uma tristeza profunda foi composto em 1834/35 tendo sido dedicado à condessa d´Apponyi. A natureza sombria de grande tensão deste nocturno coloca-o na minha lista de favoritos. Reparem no curto momento de "alegria" (por volta do minuto 3.00)para depois se voltar a caír na melancolia sombria do inicio. Oiçam aqui o grande Rubistein numa interpretação fabulosa deste nocturno.
O Nocturno nº8 em Ré bemol Maior (Lento Sostenuto) foi composto na mesma altura e também dedicado à condessa d’Apponyi. composto também em 1834/35 e publicado em 1836. É também profundamente melancólico e nostálgico embora menos sombrio que o anterior. Oiçam aqui Lang Lang numa fantástica interpretação desta peça.
Uma nota adicional aos leitores. Há quem não goste muito do Lang Lang por considerar que há mais teatro do que música nas suas interpretações. Pessoalmente gosto da sua maneira de estar em palco e gosto da maneira como transmite as emoções, mas concordo que existe um perigo ao seguir nessa via. No entanto no período romântico claramente os músico em palco certamente não se comportariam como se estivessem a beber um copo de água transmitindo tudo apenas pela música.
Como em tudo há que encontrar o justo equilíbrio ... e cada instrumentista (ou vocalista - não sei se o termo será o melhor) terá o seu.
E por hoje quanto a posts terminamos por aqui que agora vou partir para outras músicas, verdes e brancas, com uma boa orquestração e um final feliz espero :-) :-)
O Nocturno nº 7 em Dó Sustenido Menor (Larghetto) começa com um tema de uma tristeza profunda foi composto em 1834/35 tendo sido dedicado à condessa d´Apponyi. A natureza sombria de grande tensão deste nocturno coloca-o na minha lista de favoritos. Reparem no curto momento de "alegria" (por volta do minuto 3.00)para depois se voltar a caír na melancolia sombria do inicio. Oiçam aqui o grande Rubistein numa interpretação fabulosa deste nocturno.
O Nocturno nº8 em Ré bemol Maior (Lento Sostenuto) foi composto na mesma altura e também dedicado à condessa d’Apponyi. composto também em 1834/35 e publicado em 1836. É também profundamente melancólico e nostálgico embora menos sombrio que o anterior. Oiçam aqui Lang Lang numa fantástica interpretação desta peça.
Uma nota adicional aos leitores. Há quem não goste muito do Lang Lang por considerar que há mais teatro do que música nas suas interpretações. Pessoalmente gosto da sua maneira de estar em palco e gosto da maneira como transmite as emoções, mas concordo que existe um perigo ao seguir nessa via. No entanto no período romântico claramente os músico em palco certamente não se comportariam como se estivessem a beber um copo de água transmitindo tudo apenas pela música.
Como em tudo há que encontrar o justo equilíbrio ... e cada instrumentista (ou vocalista - não sei se o termo será o melhor) terá o seu.
E por hoje quanto a posts terminamos por aqui que agora vou partir para outras músicas, verdes e brancas, com uma boa orquestração e um final feliz espero :-) :-)
sábado, 26 de abril de 2008
Nocturnos de Chopin - Segunda Parte
No primeiro post que fizemos sobre os nocturnos de Chopin concentramos a nossa atenção sobre os três que compõem o Op. 9. Hoje vamos falar-vos dos três que compõem o Op. 15.
Deste conjunto o mais famoso é sem dúvida o ultimo mas vamos por partes. O Primeiro dos nocturnos do Opus 15 é em Fá maior (andante Cantabile). Este Nocturno começa com uma parte muito calma e serena para depois termos uma parte central tempestuosa que espalha uma série de dúvidas para depois a reexposição nos voltar a acalmar. esta peça foi dedicada a Ferdinand Hiller compositor alemão.
Oiçam aqui o pianista hungaro Sandor Falvay (nascido em 1949 em Ozd e aluno de Mihály Bächer na Academia Liszt em Budapeste 1967).
O segundo nocturno deste opus, o nocturno nº5 em Fá Sustenido Maior é também bastante popular. É um nocturno todo ele bastante doce sem grandes tempestades. Muito calmo. Este nocturno também foi dedicado a Ferdinand Hiller. Oiçam aqui o grande pianista Józef Hofmann numa interpretação notável.
O terceiro nocturno Op. 15 , o nocturno nº6 em Sol Menor (Lento) é provavelmente o mais conhecido. Trata-se de uma composição quase religiosa na sua concepção de uma pureza total. Infelizmente (ou felizmente) é uma peça utilizada no ensino pelo que me foi impossível encontrar um grande pianista a interpretar esta peça. Fiquem assim aqui com um aluno ... (bold devido a anterior erro em género :-))
Deste conjunto o mais famoso é sem dúvida o ultimo mas vamos por partes. O Primeiro dos nocturnos do Opus 15 é em Fá maior (andante Cantabile). Este Nocturno começa com uma parte muito calma e serena para depois termos uma parte central tempestuosa que espalha uma série de dúvidas para depois a reexposição nos voltar a acalmar. esta peça foi dedicada a Ferdinand Hiller compositor alemão.
Oiçam aqui o pianista hungaro Sandor Falvay (nascido em 1949 em Ozd e aluno de Mihály Bächer na Academia Liszt em Budapeste 1967).
O segundo nocturno deste opus, o nocturno nº5 em Fá Sustenido Maior é também bastante popular. É um nocturno todo ele bastante doce sem grandes tempestades. Muito calmo. Este nocturno também foi dedicado a Ferdinand Hiller. Oiçam aqui o grande pianista Józef Hofmann numa interpretação notável.
O terceiro nocturno Op. 15 , o nocturno nº6 em Sol Menor (Lento) é provavelmente o mais conhecido. Trata-se de uma composição quase religiosa na sua concepção de uma pureza total. Infelizmente (ou felizmente) é uma peça utilizada no ensino pelo que me foi impossível encontrar um grande pianista a interpretar esta peça. Fiquem assim aqui com um aluno ... (bold devido a anterior erro em género :-))
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Chopin - Nocturnos
Chopin é normalmente considerado ser o criador deste tipo de peça. Porém como vimos John Field já tinha anteriormente ensaiado a composição de peças cujas características estão muito próximas de um Nocturno.
Em todo o caso estas serão as peças mais interpretadas deste compositor. Ouvidas ad-nauseam desde os bancos da escola até às salas de concerto. E como sabemos quando algo é consumido em excesso geralmente acabamos por enjoar.
Por outras palavras as melodias dos nocturnos sofrem do facto de já não conterem o elemento de surpresa necessário. Porém isto só é verdade em parte. Basta que sejam interpretados por uma pianista de eleição como a Maria João Pires para que nos esqueçamos de tudo o que ouvimos ...
Para começar esta nossa viagem pelos nocturnos fiquem assim com o Nocturno Nº1 dedicado a Marie Pleyel esposa do editor e virtuoso pianista Camille Pleyel interpretado por Maria João Pires.
Tal como a maioria dos restantes nocturnos esta obra assume uma forma A-B-A em que A é uma parte mais lírica, mais "cantada" enquanto a parte B encerra o drama da composição.
Este Nocturno faz parte do Op. 9 composto entre 1830/1832 e publicado em 1833 juntamente com dois outros nocturnos. O nº2 em Mi bemol maior e o nº 3 em Si Maior.
Em todo o caso estas serão as peças mais interpretadas deste compositor. Ouvidas ad-nauseam desde os bancos da escola até às salas de concerto. E como sabemos quando algo é consumido em excesso geralmente acabamos por enjoar.
Por outras palavras as melodias dos nocturnos sofrem do facto de já não conterem o elemento de surpresa necessário. Porém isto só é verdade em parte. Basta que sejam interpretados por uma pianista de eleição como a Maria João Pires para que nos esqueçamos de tudo o que ouvimos ...
Para começar esta nossa viagem pelos nocturnos fiquem assim com o Nocturno Nº1 dedicado a Marie Pleyel esposa do editor e virtuoso pianista Camille Pleyel interpretado por Maria João Pires.
Tal como a maioria dos restantes nocturnos esta obra assume uma forma A-B-A em que A é uma parte mais lírica, mais "cantada" enquanto a parte B encerra o drama da composição.
Este Nocturno faz parte do Op. 9 composto entre 1830/1832 e publicado em 1833 juntamente com dois outros nocturnos. O nº2 em Mi bemol maior e o nº 3 em Si Maior.
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