Dirão os especialistas que não é a sua melhor obra nem tão pouco o seu melhor concerto para piano e Orquestra. É porém uma obra que nunca deixa de me emocionar, totalmente. Já falamos deste concerto neste blog por várias vezes.
Poderão com legitimidade perguntar: Então porquê esta inusitada repetição? Essencialmente porque hoje ao almoço ao falar com alguém que tinha assistido à interpretação de uma peça deste compositor não me pude impedir de recordar de imediato a ultima vez que ouvi este concerto no CCB. Tanto mais que antes ou depois, sabem como são os nossos neurónios com a idade, perdem precisão mas ganham em associação de ideias voltou-se a falar da mítica sala agora a propósito de um outro género musical ... MPB - e já sabem que também gosto e de Gilberto Gil em particular.
Nesse ultimo concerto estava o pianista António Rosado e na Orquestra o meu filho algures no naipe de Violino. Chorei. Lembro-me que chorei, choro quase sempre - Se o primeiro andamento pela sua mistura entre o romântico e o épico já me toca o coração então o segundo é o toque final. O ultimo é (foi e será) para a desgraça ...
O concerto que deu origem à conversa teve lugar na Casa da Música e não foi o segundo concerto que Valentina Lisitsa interpretou mas antes a Sonata nº 1 em Ré Menor op 28 (embora curiosamente esta pianista interprete uma versão sem orquestra que vou ouvir de seguida) mas hoje deixo-vos de novo com esta obra. Como poderia não o fazer?
Primeiro Andamento
Segundo Andamento
Terceiro Andamento
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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terça-feira, 28 de outubro de 2014
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Rachmaninoff - 2º Concerto para Piano e Orquestra
O que vos posso dizer de um concerto para Piano que me faz sistematicamente chorar? Que as suas fantásticas melodias inspiradas da música popular russa estão impregnadas de tal melancolia que lhes é impossível resistir?
O que vos posso dizer de um concerto que é sistematicamente referido como um dos mais populares e preferidos em várias votações? Por exemplo em Inglaterra já foi por vários anos o preferido na votação da rádio Classical FM.
O que vos posso dizer de uma obra que está claramente entre as minhas preferidas e uma das que quando me perguntam: Nunca ouvi um concerto de música clássica. O que me recomenda? Se estamos a falar de um concerto para Piano este é um deles sem margem para dúvida.
O concerto foi composto entre o Outono de 1900 e Abril de 1901 como uma espécie de terapia do enorme fracasso que a Sinfonia Nº1 do mesmo compositor representou e que fez Rachmaninoff mergulhar numa profunda depressão. Aliás o concerto é dedicado ao psicologo Dr. Dahl que curou o compositor através de hipnose convencendo-o que o seu concerto iria ser excelente. O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano e a Orquestra dirigida pelo seu primo Siloti. A estreia foi bem sucedida tendo o compositor vindo a vencer o prémio Glinka em 1904 com este concerto.
O Primeiro Andamento (Moderato) na forma de Sonata em Dó Menor começa com uma introdução pelo piano o que não sendo original (por exemplo o quarto de Beethoven também desta forma) não é muito usual e certamente introduz desde logo uma intensidade dramática. Note-se que este primeiro andamento foi composto depois do segundo e do terceiro e logo na verdade um dos temas deste primeiro andamento foi de certa forma inspirado no ultimo (e não o inverso como poderíamos pensar pela ordem de audição). este facto no entanto confere à obra um tipo de unidade que aprecio. Não existe cadenza nem seria necessário, as dificuldades do resto são suficiente demonstração do virtuosismo do pianista. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação de Heléne Grimaud com Abaddo a dirigir a Orquestra.
O Segundo Andamento (Adagio Sostenuto) é simplesmente fantástico, dificilmente posso encontrar adjectivos para a melodia que se vos soar familiar é porque é mesmo (oiçam All by Myself para perceberem). Um andamento na forma clássica de um Rondo normalmente utilizado para os terceiros andamentos e que de certa forma estabelece a calma antes da tensão que o terceiro andamento vai despertar. De novo proponho Heléne Grimaud para este andamento.
O terceiro andamento (Allegro Scherzando) na forma de Sonatina é marcado pelo crescimento gradual de uma tensão que é resolvida num fortíssimo que expõe de novo um dos temas. Até ao fim do concerto uma coda frenética praticamente não nos deixa respirar. Oiçam de novo Helène Grimaud.
Por fim reservo-vos uma surpresa uma interpretação completa do próprio Rachmaninoff da totalidade do concerto que para além de ser um dos preferidos do público continua a ser um dos preferidos dos pianistas (embora a sua natureza neo-romântica ou romântica tardia se preferirmos) desgoste alguns que prefeririam ver num compositor desta época uma escrita mais moderna.
O que vos posso dizer de um concerto que é sistematicamente referido como um dos mais populares e preferidos em várias votações? Por exemplo em Inglaterra já foi por vários anos o preferido na votação da rádio Classical FM.
O que vos posso dizer de uma obra que está claramente entre as minhas preferidas e uma das que quando me perguntam: Nunca ouvi um concerto de música clássica. O que me recomenda? Se estamos a falar de um concerto para Piano este é um deles sem margem para dúvida.
O concerto foi composto entre o Outono de 1900 e Abril de 1901 como uma espécie de terapia do enorme fracasso que a Sinfonia Nº1 do mesmo compositor representou e que fez Rachmaninoff mergulhar numa profunda depressão. Aliás o concerto é dedicado ao psicologo Dr. Dahl que curou o compositor através de hipnose convencendo-o que o seu concerto iria ser excelente. O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano e a Orquestra dirigida pelo seu primo Siloti. A estreia foi bem sucedida tendo o compositor vindo a vencer o prémio Glinka em 1904 com este concerto.
O Primeiro Andamento (Moderato) na forma de Sonata em Dó Menor começa com uma introdução pelo piano o que não sendo original (por exemplo o quarto de Beethoven também desta forma) não é muito usual e certamente introduz desde logo uma intensidade dramática. Note-se que este primeiro andamento foi composto depois do segundo e do terceiro e logo na verdade um dos temas deste primeiro andamento foi de certa forma inspirado no ultimo (e não o inverso como poderíamos pensar pela ordem de audição). este facto no entanto confere à obra um tipo de unidade que aprecio. Não existe cadenza nem seria necessário, as dificuldades do resto são suficiente demonstração do virtuosismo do pianista. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação de Heléne Grimaud com Abaddo a dirigir a Orquestra.
O Segundo Andamento (Adagio Sostenuto) é simplesmente fantástico, dificilmente posso encontrar adjectivos para a melodia que se vos soar familiar é porque é mesmo (oiçam All by Myself para perceberem). Um andamento na forma clássica de um Rondo normalmente utilizado para os terceiros andamentos e que de certa forma estabelece a calma antes da tensão que o terceiro andamento vai despertar. De novo proponho Heléne Grimaud para este andamento.
O terceiro andamento (Allegro Scherzando) na forma de Sonatina é marcado pelo crescimento gradual de uma tensão que é resolvida num fortíssimo que expõe de novo um dos temas. Até ao fim do concerto uma coda frenética praticamente não nos deixa respirar. Oiçam de novo Helène Grimaud.
Por fim reservo-vos uma surpresa uma interpretação completa do próprio Rachmaninoff da totalidade do concerto que para além de ser um dos preferidos do público continua a ser um dos preferidos dos pianistas (embora a sua natureza neo-romântica ou romântica tardia se preferirmos) desgoste alguns que prefeririam ver num compositor desta época uma escrita mais moderna.
quinta-feira, 30 de abril de 2009
Concerto para Piano nº 2 (Op. 18) de Rachmaninoff
Falamos embora muito brevemente deste concerto neste post em que vos falei da interpretação do pianista António Rosado com a OML Junior, num concerto de grande nível. Este concerto está na minha lista dos 5 preferidos ... Eu sei que isto é batota, já ontem falei dos de Beethoven, faltam dois para completar o meu "Top Five" ...
Composto no inicio do século vinte (entre 1900 e 1901) numa altura em que Rachmaninoff estava profundamente afectado na sua confiança pelo falhanço da sua primeira sinfonia. foi este concerto que o trouxe de volta à composição.
O concerto em Dó menor foi estreado em 27 de Outubro de 1901 com o compositor ao piano e Alexander Ziloti a dirigir a orquestra. Pese a inexperiência do maestro e o nervosismo do compositor o concerto foi um exito imediato.
O primeiro andamento é baseado num tema de uma melodia russa. Note-se que apesar disso todo concerto foi muito influenciado pelo concerto de Grieg de que falaremos amanhã.
O segundo andamento é uma das composições mais conhecidas de Rachmaninoff tendo inclusivamente sido por várias vezes utilizado em cinema. A calma absoluta antes do verdadeiro turbilhão de emoções.
Turbilhão esse representado no terceiro andamento por um tema brilhante e um final que normalmente leva as audiências ao delirio.
Oiça aqui as quatro partes do concerto.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
Parte 4
Composto no inicio do século vinte (entre 1900 e 1901) numa altura em que Rachmaninoff estava profundamente afectado na sua confiança pelo falhanço da sua primeira sinfonia. foi este concerto que o trouxe de volta à composição.
O concerto em Dó menor foi estreado em 27 de Outubro de 1901 com o compositor ao piano e Alexander Ziloti a dirigir a orquestra. Pese a inexperiência do maestro e o nervosismo do compositor o concerto foi um exito imediato.
O primeiro andamento é baseado num tema de uma melodia russa. Note-se que apesar disso todo concerto foi muito influenciado pelo concerto de Grieg de que falaremos amanhã.
O segundo andamento é uma das composições mais conhecidas de Rachmaninoff tendo inclusivamente sido por várias vezes utilizado em cinema. A calma absoluta antes do verdadeiro turbilhão de emoções.
Turbilhão esse representado no terceiro andamento por um tema brilhante e um final que normalmente leva as audiências ao delirio.
Oiça aqui as quatro partes do concerto.
Parte 1
Parte 2
Parte 3
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