Como já referi estou ao pouco a completar o meu índice das 100 obras que recomendo para começarem a gostar e conhecer a música clássica. Nesse processo estive a ler o que escrevi sobre Brahms e cheguei à conclusão que os posts sobre a obra Ein Deutsches Requiem - nada menos do que 6 posts quase um por andamento - estavam dispersos e quase tinham passado desapercebidos (a avaliar pelo número de leituras).
São posts de 2008 - uma eternidade nos separa deles logo adequado a um Requiem - aqui fica o link para a sua leitura se desejarem. Os posts contêm uma tradução integral do texto do Requiem.
Parte 1 - 1º e 2º Andamentos
Parte 2 - 3º Andamento
Parte 3 - 4º Andamento
Parte 4 - 5º Andamento
Parte 5 - 6º Andamento
Parte 6 - 7º Andamento
Para quem queira saber um pouco mais desta obra sem ler (para já pelo menos) estes seis posts resolvi incluir um pequeno resumo. Trata-se de uma obra verdadeiramente original já que Brahms removeu propositadamente referências ao dogma católico utilizando livremente partes da Bíblia Luterana. Para quem considera Brahms "um conservador" existe aqui mais um elemento para análise. Note-se que até este ponto (e mesmo posteriormente) todos os Requiems são baseados aproximadamente no mesmo texto, texto que nos chega praticamente sem alterações da Idade Média. O que Brahms fez foi essencialmente pouco menos que revolucionário transformando este texto litúrgico num texto que mantendo o seu carácter sagrado deixou de ser litúrgico para adquirir uma forte dimensão humanística.
Em vez de uma missa "para os mortos" este Requiem é um texto para a humanidade um caminho para a mesma. Numa carta Brahms disse que substituiria o termo "alemão" pelo palavra "Humano" o que teria sido provavelmente demasiado para época.
A obra foi estreada aos poucos - Brahms trabalhou nela durante mais de uma década - tendo o ultimo andamento (o 5º na ordem) sido completado em Maio de 1868. A obra foi estreada pela primeira vez completa (como a conhecemos hoje) em Leipzig a 18 de Fevereiro de 1869.
Fiquem agora com uma magnifica interpretação deste Requiem pela Filarmónica de Viena e o Wiener Singverein dirigidos por Herbert von Karajan.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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domingo, 4 de agosto de 2013
domingo, 2 de novembro de 2008
Brahms ( 1833 - 1897) - Uma Biografia (Primeira Parte)
Terminamos hoje a série de post sobre Brahms com uma biografia e uma recordação das suas obras principais. Como esta biografia é bastante extensa para tornar mais fácil a sua leitura vamos dividi-la em quatro partes. O que escrevemos nesta biografia é baseado nos trabalhos de John Lawrence Erb e H.C. Colles. Esta primeira parte descreve os primeiros anos de vida até ao encontro com os Schumann e o artigo que iria tornar Brahms famoso.
Brahms nasceu em Hamburgo a 7 de Maio de 1833. O pai Johann Brahms era um bom músico, tendo sido director musical na Orquestra Municipal (Stadt Theater). Segundo a biografia de o pai no inicio opôs-se a que Brahms seguisse a carreira de músico embora seja aparente que essa opinião se tenha modificado pouco a pouco. Nesses primeiros tempos, a mãe, dezassete anos mais velha que o pai foi o apoio que Brahms precisava.
Apesar do pai ser considerado como um dos melhores músicos de Hamburgo (estava entre os 40 melhores contrabaixo da Alemanha) a vida da família era dificil, vivendo em bairros pobres da cidade.
Brahms desde muito cedo demonstrou uma paixão pelo piano. Este facto é visível nas várias anedotas do quotidiano - diz-se por exemplo que tocava piano a quatro mãos com a sua mãe "apenas para se divertir" - mas também pelo facto do seu primeiro professor Otto Cossel logo aos dez anos ter-lhe recomendado um professor mais avançado Eduard Marxsen com quem iria estudar piano e composição durante largos anos.
Já nessa altura Brahms tinha também marcado o seu gosto pela composição. Na verdade mesmo ante de saber música Brahms inventou um sistema de notação próprio para fixar as melodias que inventava no piano ...
Em 1848, portanto com 15 anos apresenta-se pela primeira vez em público, aparentemente com a oposição inicial do seu professor. O programa incluía entre outras composições a sua Op. 1, uma sonata para piano baseada numa melodia popular, hábito que aliás Brahms manteria. Daria nessa altura mais dois concertos mas depois durante cinco anos não mais se apresentou em público utilizando o seu tempo para aperfeiçoar a sua técnica e arte de composição. Esta terá sido uma decisão imposta pelo seu professor Eduard Marxsen pelo que é justo dar a este homem uma parte do crédito de nos ter proporcionado tantos momentos de prazer com a música de Brahms.
Em 1953 Brahms inicia a sua primeira tournée acompanhando o violinista húngaro Edouard Remenyi. Até aí Brahms tinha passado alguns momentos difíceis tendo sido completamente ignorado enquanto compositor e conhecido um sucesso moderado enquanto pianista. Mas esta tour iria mudar tudo completamente.
A causa foi o famoso concerto em Gottingen onde deviam tocar a sonata para piano e violino Kreutzer de Beethoven. Acontece que o piano estava mal afinado (um meio tom acima) e que já não havia tempo para o afinar. Afinar o violino para o tom do piano arruinaria o efeito. Então Brahms propõe-se tocar a sonata meio tom acima transcrevendo de memória e em tempo real.
Quem dos nossos leitores for pianista saberá a dificuldade do que acabamos de descrever. Na prática, não é exactamente apenas isto mas permitam-me esta liberdade poética para conseguir explicar a natureza do virtuosismo, significa tocar a peça mentalmente lembrando-se da tecla a pressionar e mudando para a tecla imediatamente seguinte. As teclas pretas "contam" e por isso em vez de tocar numa branca Brahms teria que tocar na preta mais aguda imediatamente consecutiva - percebem? Isto tudo sem perder o sentido da musicalidade ...
Mas dizíamos este concerto iria mudar o destino de Brahms porque para sua fortuna o grande violinista Joseph Joachim estava entre a audiência e assim que o concerto acabou falou com os artistas, felicitando-os pelo concerto e propondo cartas de recomendação para a corte em Hannover e para Liszt. Em Hannover tudo parecia correr pelo melhor mas depois de um primeiro concerto que foi um sucesso a policia proibiu o segundo e expulsou os dois músicos para Weimar. Este facto segundo se veioa apurar mais tarde estava relacionado com Edouard Remenyi que sendo um nacionalista húngaro teria participado em actividades subversivas ...
Não restava outra hipótese que ir para Weimar onde de novo as coisas pareciam bem encaminhadas. No primeiro concerto Liszt estava entre a audiência e fica impressionado com o jovem pianista , tanto que o convida a visitar a sua residência no dia seguinte instigado por Remenyi.
Ao chegar à casa do mestre Brahms está de tal forma nervoso que se recusa a tocar mesmo depois Remenyi e o próprio Liszt insistirem. Liszt então pega no Shcerzo da Op. 4 de Brahms e interpreta-o de forma excepcional. Infelizmente um pouco depois a pedido dos presentes aceita tocar uma sonata que tinha acabado de compor recentemente e Brahms, fatigado de tanta viagem teria adormecido.
Embora Liszt nunca tenha cobrado essa falta de delicadeza a Brahms o facto é que os dois nunca cultivaram a partir daí grande ligação. Mais ainda é possível que tenha sido deste incidente que tenha resultado a grande animosidade dos Wagnerianos em relação a Brahms, embora nesse particular, sem nunca contarem com o apoio implicito ou explicito de Liszt.
No dia seguinte Brahms deixa Wiemar de novo para Gottingen onde espera obter a carta de recomendação que Joseph Joachim lhe havia prometido para Schumann. Terá de esperar até ao fim do verão aproveitando para assistir às aulas de Joachim. Em Setembro dirige-se então a pé de Gottingen a Dusseldorf a casa dos Schumann onde é recebido com o calor humano próprio da família Schumann.
Do ponto de vista artístico a primeira reacção de todos os que frequentavam a casa dos Schumann é em primeiro lugar de cepticismo. Porém assim que ouvem pela primeira vez Brahms interpretar uma peça de Schumann o sucesso é completo. O entusiasmo de Schumann materializa-se então num artigo que viria a ficar famoso não só pela polémica gerada mas porque iria lançar Brahms de forma definitiva ainda que atraindo ao mesmo tempo alguma má fé de alguns críticos. Nesse artigo Schumann dizia o seguinte (tradução minha a partir da versão em Inglês).
"Neue Bahnen" - Novos Caminhos
[...]
" e ele chegou, este jovem escolhido, ele sobre o qual as Graças e os Heróis parecem ter mantido a atenção. O seu nome é Johannes Brahms e vem de Hamburgo onde tem trabalhado em tranquilidade obscuridade com o seu excelente e dedicado professor nas partes mais delicadas da sua profissão. [...] Depois somos arrastados para um círculo encantado. Veio depois um momento de inspiração em que o piano se transformou numa orquestra cheia de vozes diferentes. Havia sonatas, ou antes sinfonias escondidas, canções cuja poesia se revela mesmo sem palavras enquanto em todas parece percorrer uma profunda melodia; melodias meio-demoníacas e formas mutantes; sonatas para violino e piano; quartetos de cordas e cada um destas criações tão diferente das restantes que pareciam provir de fontes diferentes. E depois como numa gigantesca cascata todas estas fontes unem-se e no vapor da queda formam-se arco-iris de paz onde rouxinois cantam as suas canções. [...]
Brahms nasceu em Hamburgo a 7 de Maio de 1833. O pai Johann Brahms era um bom músico, tendo sido director musical na Orquestra Municipal (Stadt Theater). Segundo a biografia de o pai no inicio opôs-se a que Brahms seguisse a carreira de músico embora seja aparente que essa opinião se tenha modificado pouco a pouco. Nesses primeiros tempos, a mãe, dezassete anos mais velha que o pai foi o apoio que Brahms precisava.
Apesar do pai ser considerado como um dos melhores músicos de Hamburgo (estava entre os 40 melhores contrabaixo da Alemanha) a vida da família era dificil, vivendo em bairros pobres da cidade.
Brahms desde muito cedo demonstrou uma paixão pelo piano. Este facto é visível nas várias anedotas do quotidiano - diz-se por exemplo que tocava piano a quatro mãos com a sua mãe "apenas para se divertir" - mas também pelo facto do seu primeiro professor Otto Cossel logo aos dez anos ter-lhe recomendado um professor mais avançado Eduard Marxsen com quem iria estudar piano e composição durante largos anos.
Já nessa altura Brahms tinha também marcado o seu gosto pela composição. Na verdade mesmo ante de saber música Brahms inventou um sistema de notação próprio para fixar as melodias que inventava no piano ...
Em 1848, portanto com 15 anos apresenta-se pela primeira vez em público, aparentemente com a oposição inicial do seu professor. O programa incluía entre outras composições a sua Op. 1, uma sonata para piano baseada numa melodia popular, hábito que aliás Brahms manteria. Daria nessa altura mais dois concertos mas depois durante cinco anos não mais se apresentou em público utilizando o seu tempo para aperfeiçoar a sua técnica e arte de composição. Esta terá sido uma decisão imposta pelo seu professor Eduard Marxsen pelo que é justo dar a este homem uma parte do crédito de nos ter proporcionado tantos momentos de prazer com a música de Brahms.
Em 1953 Brahms inicia a sua primeira tournée acompanhando o violinista húngaro Edouard Remenyi. Até aí Brahms tinha passado alguns momentos difíceis tendo sido completamente ignorado enquanto compositor e conhecido um sucesso moderado enquanto pianista. Mas esta tour iria mudar tudo completamente.
A causa foi o famoso concerto em Gottingen onde deviam tocar a sonata para piano e violino Kreutzer de Beethoven. Acontece que o piano estava mal afinado (um meio tom acima) e que já não havia tempo para o afinar. Afinar o violino para o tom do piano arruinaria o efeito. Então Brahms propõe-se tocar a sonata meio tom acima transcrevendo de memória e em tempo real.
Quem dos nossos leitores for pianista saberá a dificuldade do que acabamos de descrever. Na prática, não é exactamente apenas isto mas permitam-me esta liberdade poética para conseguir explicar a natureza do virtuosismo, significa tocar a peça mentalmente lembrando-se da tecla a pressionar e mudando para a tecla imediatamente seguinte. As teclas pretas "contam" e por isso em vez de tocar numa branca Brahms teria que tocar na preta mais aguda imediatamente consecutiva - percebem? Isto tudo sem perder o sentido da musicalidade ...
Mas dizíamos este concerto iria mudar o destino de Brahms porque para sua fortuna o grande violinista Joseph Joachim estava entre a audiência e assim que o concerto acabou falou com os artistas, felicitando-os pelo concerto e propondo cartas de recomendação para a corte em Hannover e para Liszt. Em Hannover tudo parecia correr pelo melhor mas depois de um primeiro concerto que foi um sucesso a policia proibiu o segundo e expulsou os dois músicos para Weimar. Este facto segundo se veioa apurar mais tarde estava relacionado com Edouard Remenyi que sendo um nacionalista húngaro teria participado em actividades subversivas ...
Não restava outra hipótese que ir para Weimar onde de novo as coisas pareciam bem encaminhadas. No primeiro concerto Liszt estava entre a audiência e fica impressionado com o jovem pianista , tanto que o convida a visitar a sua residência no dia seguinte instigado por Remenyi.
Ao chegar à casa do mestre Brahms está de tal forma nervoso que se recusa a tocar mesmo depois Remenyi e o próprio Liszt insistirem. Liszt então pega no Shcerzo da Op. 4 de Brahms e interpreta-o de forma excepcional. Infelizmente um pouco depois a pedido dos presentes aceita tocar uma sonata que tinha acabado de compor recentemente e Brahms, fatigado de tanta viagem teria adormecido.
Embora Liszt nunca tenha cobrado essa falta de delicadeza a Brahms o facto é que os dois nunca cultivaram a partir daí grande ligação. Mais ainda é possível que tenha sido deste incidente que tenha resultado a grande animosidade dos Wagnerianos em relação a Brahms, embora nesse particular, sem nunca contarem com o apoio implicito ou explicito de Liszt.
No dia seguinte Brahms deixa Wiemar de novo para Gottingen onde espera obter a carta de recomendação que Joseph Joachim lhe havia prometido para Schumann. Terá de esperar até ao fim do verão aproveitando para assistir às aulas de Joachim. Em Setembro dirige-se então a pé de Gottingen a Dusseldorf a casa dos Schumann onde é recebido com o calor humano próprio da família Schumann.
Do ponto de vista artístico a primeira reacção de todos os que frequentavam a casa dos Schumann é em primeiro lugar de cepticismo. Porém assim que ouvem pela primeira vez Brahms interpretar uma peça de Schumann o sucesso é completo. O entusiasmo de Schumann materializa-se então num artigo que viria a ficar famoso não só pela polémica gerada mas porque iria lançar Brahms de forma definitiva ainda que atraindo ao mesmo tempo alguma má fé de alguns críticos. Nesse artigo Schumann dizia o seguinte (tradução minha a partir da versão em Inglês).
"Neue Bahnen" - Novos Caminhos
[...]
" e ele chegou, este jovem escolhido, ele sobre o qual as Graças e os Heróis parecem ter mantido a atenção. O seu nome é Johannes Brahms e vem de Hamburgo onde tem trabalhado em tranquilidade obscuridade com o seu excelente e dedicado professor nas partes mais delicadas da sua profissão. [...] Depois somos arrastados para um círculo encantado. Veio depois um momento de inspiração em que o piano se transformou numa orquestra cheia de vozes diferentes. Havia sonatas, ou antes sinfonias escondidas, canções cuja poesia se revela mesmo sem palavras enquanto em todas parece percorrer uma profunda melodia; melodias meio-demoníacas e formas mutantes; sonatas para violino e piano; quartetos de cordas e cada um destas criações tão diferente das restantes que pareciam provir de fontes diferentes. E depois como numa gigantesca cascata todas estas fontes unem-se e no vapor da queda formam-se arco-iris de paz onde rouxinois cantam as suas canções. [...]
sábado, 1 de novembro de 2008
Brahms - Danças Hungaras
Curiosamente as danças húngaras, certamente umas das composições mais conhecidas e mais tocadas de Brahms não eram consideradas por este compositor como obras originais. Acresce que existe uma longa e conhecida polémica com o violinista Remenyi que acusava Brahms de plágio, quando na verdade Brahms nunca pretendeu que as obras fossem suas, eram na sua concepção apenas adaptações.
Foram compostas para piano a quatro mãos sendo das obras financeiramente mais interessantes para Brahms que acabou por fazer uma série de adaptações para piano solo e outros instrumentos. De todas as danças sem dúvida a mais conhecida é a número 5. Podemos ouvir uma transcrição para violino desta dança pelo grande Yehudi Menuhin aqui.
Das danças húngaras existe uma gravação da Dança nº 1 feita pelo próprio Brahms que é um autêntico documento histórico e que felizmente podemos ouvir hoje no You Tube aqui. Num outro documento histórico podemos ouvir esta mesma dança pelo amigo de Brahms Joseph Joachim aqui.
Foram compostas para piano a quatro mãos sendo das obras financeiramente mais interessantes para Brahms que acabou por fazer uma série de adaptações para piano solo e outros instrumentos. De todas as danças sem dúvida a mais conhecida é a número 5. Podemos ouvir uma transcrição para violino desta dança pelo grande Yehudi Menuhin aqui.
Das danças húngaras existe uma gravação da Dança nº 1 feita pelo próprio Brahms que é um autêntico documento histórico e que felizmente podemos ouvir hoje no You Tube aqui. Num outro documento histórico podemos ouvir esta mesma dança pelo amigo de Brahms Joseph Joachim aqui.
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
Brahms - As Valsas Op. 39
Em 1865 Brahms compôs um conjunto de 16 valsas que contrariamente às expectativas tiveram uma excelente recepção. A obra foi dedicada a Eduard Hanslick (1825-1904) critico musical que desde aproximadamente 1862 era bastante próximo de Brahms (antes tinha estado no campo de Wagner).
Destas valsas a Nº15 em Lá Bemol Maior é sem dúvida a mais conhecida. Podem ouvir aqui Evgeny Kissin a interpreta-la.
Por outro lado a interpretação de Wilhelm Backhaus do conjunto destas valsas é ainda hoje provavelmente a mais notável de sempre. Podem ouvir aqui a valsa nº2 em Mi Maior ou aqui a Nº3 em Sol Sustenido Menor.
Destas valsas a Nº15 em Lá Bemol Maior é sem dúvida a mais conhecida. Podem ouvir aqui Evgeny Kissin a interpreta-la.
Por outro lado a interpretação de Wilhelm Backhaus do conjunto destas valsas é ainda hoje provavelmente a mais notável de sempre. Podem ouvir aqui a valsa nº2 em Mi Maior ou aqui a Nº3 em Sol Sustenido Menor.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Brahms - Sonatas para Clarinete
Depois das sonatas para Violoncelo hoje vamos falar muito brevemente das sonatas para Clarinete de Brahms. Estas duas obras fazem parte do Op. 120 e foram escritas depois de Brahms se ter retirado oficialmente. Estava sem ideias e sem vontade de compor. Porém conheceu o clarinetista Richard Mühlfeld que o levou a ter novas ideias e a quem dedicou estas sonatas.
A propósito destas obras e porque falámos aqui sobre a escassez de obras para viola estas peças são muitas vezes interpretadas também em Viola numa transcrição do próprio Brahms.
A primeira das duas sonatas utiliza a forma clássica em quatro andamentos enquanto que a a segunda apenas tem três andamentos que como vimos é uma solução que Brahms utiliza com frequência.
Oiçam aqui Robyn Cho interpretar esta peça.
A propósito destas obras e porque falámos aqui sobre a escassez de obras para viola estas peças são muitas vezes interpretadas também em Viola numa transcrição do próprio Brahms.
A primeira das duas sonatas utiliza a forma clássica em quatro andamentos enquanto que a a segunda apenas tem três andamentos que como vimos é uma solução que Brahms utiliza com frequência.
Oiçam aqui Robyn Cho interpretar esta peça.
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Brahms - As Sonatas para Violoncelo (Parte 1)
Na sequência de uma das questões de ontem vamos hoje falar das duas Sonatas para Violoncelo que Brahms compôs. A primeira dessas sonatas em Mi Menor Op. 38 foi composta entre 1862 e 1865. Brahms não utilizou aqui a forma canónica da Sonata tendo a sonata apenas três andamentos.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
sábado, 18 de outubro de 2008
Brahms - As sonatas para Violino - Terceira Parte
Embora tenha sido começada a ser composta quase a seguir à Sonata nº 2 Brahms acabou por por de lado este trabalho para apenas o retomar em 1888 o que explica de certa forma a profunda diferença entre as duas obras. Enquanto que o Op. 100 é uma obra que radia emoção de uma forma calma quase pacifica a Op. 108 em Ré Menor é precisamente o inverso. Também ela é extraordinariamente emotiva mas aqui estamos a falar de uma forma de expressão muito mais épica e atlética.
Também na estrutura esta obra é diferente dado que Brahms voltou aos quatro andamentos clássicos na forma de Sonata.
O carácter forte da obra, nervoso, é marcado logo no primeiro andamento ou melhor logo destas as primeiras notas que são quase preocupantes pela energia que transmitem que não deixa de ter um certo tom sinistro transmitido pelo ritmo quebrado. Podem ouvir aqui este andamento por uma dupla de luxo que aliás vamos acompanhar ao longo desta obra - com a excepção do ultimo andamento onde serão substituídos por uma outra dupla de igual peso - Perlman no Violino e Daniel Barenboim ao piano.
O segundo andamento é sem exagero um autentico "Lied" sem palavras. Uma composição de que Schubert não desdenharia com certeza a melodia. Uma melodia quase inteiramente exposta pelo Violino tendo aqui o piano um papel secundário. Podem ouvir aqui este andamento.
O terceiro andamento "Um Poco presto e com sentimento" foi descrito de formas muito diferentes. A mais curiosa de todas terá sido a de Clara Schumann que disse deste andamento ser "a imagem de uma bela jovem brincando com o seu amante". Outros viram neste andamento melancolia ou tristeza. Neste andamento o piano ganha o protagonismo cedido ao violino no segundo andamento. Podem ouvir aqui este andamento.
Retomando a forma clássica da Sonata o grande dramatismo, as grandes explosões de emoções estão reservadas para o quarto andamento (Presto Agitato) que é também o mais virtuoso dos quatro como é normal nesta forma musical. Podem ouvir aqui este andamento por David Oistrack e Karl Richter como vêem outra dupla de peso.
A obra foi interpretada em publico pela primeira vez em Budapeste no dia 22 de Dezembro de 1888. Brahms estava nessa altura ao piano sendo Jenö Hubay o violinista escolhido.
As duas restantes partes deste conjunto de posts sobre as sonatas de Brahms para Violino (e piano) podem ser lidas aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).
Também na estrutura esta obra é diferente dado que Brahms voltou aos quatro andamentos clássicos na forma de Sonata.
O carácter forte da obra, nervoso, é marcado logo no primeiro andamento ou melhor logo destas as primeiras notas que são quase preocupantes pela energia que transmitem que não deixa de ter um certo tom sinistro transmitido pelo ritmo quebrado. Podem ouvir aqui este andamento por uma dupla de luxo que aliás vamos acompanhar ao longo desta obra - com a excepção do ultimo andamento onde serão substituídos por uma outra dupla de igual peso - Perlman no Violino e Daniel Barenboim ao piano.
O segundo andamento é sem exagero um autentico "Lied" sem palavras. Uma composição de que Schubert não desdenharia com certeza a melodia. Uma melodia quase inteiramente exposta pelo Violino tendo aqui o piano um papel secundário. Podem ouvir aqui este andamento.
O terceiro andamento "Um Poco presto e com sentimento" foi descrito de formas muito diferentes. A mais curiosa de todas terá sido a de Clara Schumann que disse deste andamento ser "a imagem de uma bela jovem brincando com o seu amante". Outros viram neste andamento melancolia ou tristeza. Neste andamento o piano ganha o protagonismo cedido ao violino no segundo andamento. Podem ouvir aqui este andamento.
Retomando a forma clássica da Sonata o grande dramatismo, as grandes explosões de emoções estão reservadas para o quarto andamento (Presto Agitato) que é também o mais virtuoso dos quatro como é normal nesta forma musical. Podem ouvir aqui este andamento por David Oistrack e Karl Richter como vêem outra dupla de peso.
A obra foi interpretada em publico pela primeira vez em Budapeste no dia 22 de Dezembro de 1888. Brahms estava nessa altura ao piano sendo Jenö Hubay o violinista escolhido.
As duas restantes partes deste conjunto de posts sobre as sonatas de Brahms para Violino (e piano) podem ser lidas aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).
Brahms - As sonatas para Violino - Segunda Parte
A Sonata para Piano e Violino (a ordem pela qual os instrumentos é apresentada foi especificada pelo próprio Brahms) Op. 100 nº 2 em Lá Maior foi composta em 1886 num período altamente produtivo para Brahms. Na verdade compôs nesse período algumas das suas obras de música de câmara mais relevantes . O Op. 99 é a segunda sonata para violoncelo de que falaremos em breve e a Op. 101 é o Trio para piano em Dó menor que obviamente iremos abordar. Se bem se lembram já tínhamos falado desta sonata aqui quando vos reportamos o que se havia passado no recital na jovem violinista portuguesa Maria Viseu.
Esta sonata é das três a mais curta e possivelmente a mais lírica das três. Foi tal como a primeira escrita em três andamentos em parte utilizando o facto do segundo andamento conter em ele próprio várias diferenças de ritmo. O primeiro andamento um Allegro Amabile pode efectivamente ser resumido na palavra que modifica o tempo Allegro. É composto por dois temas tão calmos, tão habilmente conjugados e por um dialogo tão homogéneo entre o violino e o piano que nos parece que nada pode tocar nessa graça. Podem ouvir este andamento aqui por Leonid Kogan. Já o segundo andamento é bastante diferente na sua natureza pois contém diferenças de ritmo acentuadas. Começa na verdade com um Andante Tranquillo para depois caminhar para um Vivace voltar ao Andante retornar a um vivace mas agora anotado como "di piu" - ainda mais para ainda ter tempo para voltar ao Andante e terminar num Vivace. Uma verdadeira montanha russa de emoções. Pode ouvir este segundo andamento por Richter e Oistrack aqui. O terceiro andamento Allegretto Grazioso (quasi andante) é um rondo que apresenta um tema de tal forma rico e aveludado e que escapa à "loucura" normal dos terceiros andamentos das sonatas românticas.
Esta sonata foi tocada pela primeira vez em Viena umas escassas semanas antes do Natal de 1886 com Brahms ao piano e no violino Joseph Hellmesberger.
O primeiro post desta série sobre as sonatas de Brahms para violino pode ser lido aqui.
O terceiro e ultimo post desta série sobre as sonatas de Brahms pode ser lido aqui.
Esta sonata é das três a mais curta e possivelmente a mais lírica das três. Foi tal como a primeira escrita em três andamentos em parte utilizando o facto do segundo andamento conter em ele próprio várias diferenças de ritmo. O primeiro andamento um Allegro Amabile pode efectivamente ser resumido na palavra que modifica o tempo Allegro. É composto por dois temas tão calmos, tão habilmente conjugados e por um dialogo tão homogéneo entre o violino e o piano que nos parece que nada pode tocar nessa graça. Podem ouvir este andamento aqui por Leonid Kogan. Já o segundo andamento é bastante diferente na sua natureza pois contém diferenças de ritmo acentuadas. Começa na verdade com um Andante Tranquillo para depois caminhar para um Vivace voltar ao Andante retornar a um vivace mas agora anotado como "di piu" - ainda mais para ainda ter tempo para voltar ao Andante e terminar num Vivace. Uma verdadeira montanha russa de emoções. Pode ouvir este segundo andamento por Richter e Oistrack aqui. O terceiro andamento Allegretto Grazioso (quasi andante) é um rondo que apresenta um tema de tal forma rico e aveludado e que escapa à "loucura" normal dos terceiros andamentos das sonatas românticas.
Esta sonata foi tocada pela primeira vez em Viena umas escassas semanas antes do Natal de 1886 com Brahms ao piano e no violino Joseph Hellmesberger.
O primeiro post desta série sobre as sonatas de Brahms para violino pode ser lido aqui.
O terceiro e ultimo post desta série sobre as sonatas de Brahms pode ser lido aqui.
sexta-feira, 17 de outubro de 2008
Brahms - As sonatas para violino - Primeira parte
Curiosamente também são três as sonatas que Brahms compôs para violino (exactamente o mesmo número das peças que compôs para piano).
A primeira destas obras a Sonata nº 1 Op. 78 em Sol Maior foi composta logo após o seu concerto para violino e é uma obra extraordinariamente lírica, com melodias complexas e maravilhosas. A sonata foi desenvolvida em três andamentos. O primeiro andamento (Vivace ma non troppo) é mais lento do que o usual na forma de sonata temperado que é pela indicação "ma non troppo". Podemos ouvir este andamento aqui interpretado por Jascha Heifetz (1901–1987). O segundo andamento (Adagio) é uma daquelas melodias que parece ter sido escrita directamente com o coração tal a sua pungência. Podemos ouvir aqui a violinista Kyung-Wha Chung numa interpretação fabulosa . Do terceiro andamento (Allegro molto moderato) chamamos a atenção para a coda final que é digna do resto desta lindíssima sonata. Para este andamento escolhemos Pinchas Zukerman que podem ouvir aqui.
A segunda parte deste post sobre as sonatas de Brahms onde iremos falar da intrigante Op. 100 pode ser lida aqui. A terceira parte que será sobre a Op. 108 pode ser lida aqui.
A primeira destas obras a Sonata nº 1 Op. 78 em Sol Maior foi composta logo após o seu concerto para violino e é uma obra extraordinariamente lírica, com melodias complexas e maravilhosas. A sonata foi desenvolvida em três andamentos. O primeiro andamento (Vivace ma non troppo) é mais lento do que o usual na forma de sonata temperado que é pela indicação "ma non troppo". Podemos ouvir este andamento aqui interpretado por Jascha Heifetz (1901–1987). O segundo andamento (Adagio) é uma daquelas melodias que parece ter sido escrita directamente com o coração tal a sua pungência. Podemos ouvir aqui a violinista Kyung-Wha Chung numa interpretação fabulosa . Do terceiro andamento (Allegro molto moderato) chamamos a atenção para a coda final que é digna do resto desta lindíssima sonata. Para este andamento escolhemos Pinchas Zukerman que podem ouvir aqui.
A segunda parte deste post sobre as sonatas de Brahms onde iremos falar da intrigante Op. 100 pode ser lida aqui. A terceira parte que será sobre a Op. 108 pode ser lida aqui.
domingo, 12 de outubro de 2008
Brahms - As sonatas para piano
Agora que estamos quase a terminar esta nossa primeira viagem ao universo de Brahms é lógico falar das Sonatas para piano. Na verdade a primeira obra registada de Brahms (registada como op. 1) é precisamente uma sonata para piano.
As sonatas para piano são aliás todas obras da juventude do compositor. Na verdade as três sonatas foram publicadas entre 1852 e 1853 (a primeira sonata teria sido composta em 1848) tendo posteriormente Brahms abandonado esta forma musical no que diz respeito ao piano. Curiosamente as sonatas para Violino e Clarinete são obras da fase mais adulta do compositor.
Estas sonatas pela proximidade temporal da sua composição podem ser vistas como um ciclo que culmina na terceira sonata de dimensões verdadeiramente épicas (tem mais de 50 minutos e cinco andamentos). Esta obra foi a ultima que Brahms submeteu à apreciação de Schumann e também por isso tem um valor especial desse ponto de vista. Aliás considerando as relações pessoais existentes entre Brahms e Schumann eu pessoalmente especulo se não terá sido precisamente esse facto que levou Brahms a não mais considerar esta forma musical.
É assim precisamente esta sonata que vos convidamos a ouvir nas versões de quatro extraordinários pianistas. A obra divide-se como dissemos em cinco andamentos, na seguinte disposição:
1º Andamento (Allegro maestoso): Podem ouvir este andamento aqui na interpretação de Harold Bauer (1873-1951) numa gravação de 1939. Bauer curiosamente começou por ser violinista tendo segundo alguns "visto a luz" já com vinte anos quando teve a oportunidade de estudar em Paris com Ignacy Paderewski (1892). Na verdade depois disso embora mantendo-se como violinista durante algum tempo todo o seu interesse passou a ser no piano tendo inclusivamente chegado a estrear uma peça de Debussy em Paris em 1908. Sem dúvida extraordinário e razoavelmente invulgar.
2º Andamento (Andante. Andante espressivo - Andante molto) : Para este andamento escolhemos Claudio Arrau pianista chileno de que já havíamos falado aqui e que dispensa mais apresentações. Pode assim ouvir (e ver) este andamento interpretado por este pianista fora de série numa interpretação que para além do mais marca o regresso do pianista ao Chile em 1984 depois de ter estado praticamente toda a vida fora do seu país natal. Primeira parte aqui , segunda parte aqui.
3º Andamento (Scherzo. Allegro enérgico com trio)
4º Adamento (Intermezzo - Rückblick / Um olhar para trás - Um resumo - Andante molto)
Para estes dois andamentos escolhemos a pianista russa Maria Yudina (1899 - 1970) cuja vida daria certamente um romance. A pianista favorita de Stalin nunca deixou de por isso criticá-lo ferozmente. Oiçam aqui a interpretação destes dois andamentos.
5º Andamento (Finale. Allegro moderato ma rubato)
Para este ultimo andamento escolhemos um dos pianistas mais reconhecidos da actualidade (embora também razoavelmente polémico) Boris Berezovsky (1969). Podem ouvir aqui este quinto andamento.
As sonatas para piano são aliás todas obras da juventude do compositor. Na verdade as três sonatas foram publicadas entre 1852 e 1853 (a primeira sonata teria sido composta em 1848) tendo posteriormente Brahms abandonado esta forma musical no que diz respeito ao piano. Curiosamente as sonatas para Violino e Clarinete são obras da fase mais adulta do compositor.
Estas sonatas pela proximidade temporal da sua composição podem ser vistas como um ciclo que culmina na terceira sonata de dimensões verdadeiramente épicas (tem mais de 50 minutos e cinco andamentos). Esta obra foi a ultima que Brahms submeteu à apreciação de Schumann e também por isso tem um valor especial desse ponto de vista. Aliás considerando as relações pessoais existentes entre Brahms e Schumann eu pessoalmente especulo se não terá sido precisamente esse facto que levou Brahms a não mais considerar esta forma musical.
É assim precisamente esta sonata que vos convidamos a ouvir nas versões de quatro extraordinários pianistas. A obra divide-se como dissemos em cinco andamentos, na seguinte disposição:
1º Andamento (Allegro maestoso): Podem ouvir este andamento aqui na interpretação de Harold Bauer (1873-1951) numa gravação de 1939. Bauer curiosamente começou por ser violinista tendo segundo alguns "visto a luz" já com vinte anos quando teve a oportunidade de estudar em Paris com Ignacy Paderewski (1892). Na verdade depois disso embora mantendo-se como violinista durante algum tempo todo o seu interesse passou a ser no piano tendo inclusivamente chegado a estrear uma peça de Debussy em Paris em 1908. Sem dúvida extraordinário e razoavelmente invulgar.
2º Andamento (Andante. Andante espressivo - Andante molto) : Para este andamento escolhemos Claudio Arrau pianista chileno de que já havíamos falado aqui e que dispensa mais apresentações. Pode assim ouvir (e ver) este andamento interpretado por este pianista fora de série numa interpretação que para além do mais marca o regresso do pianista ao Chile em 1984 depois de ter estado praticamente toda a vida fora do seu país natal. Primeira parte aqui , segunda parte aqui.
3º Andamento (Scherzo. Allegro enérgico com trio)
4º Adamento (Intermezzo - Rückblick / Um olhar para trás - Um resumo - Andante molto)
Para estes dois andamentos escolhemos a pianista russa Maria Yudina (1899 - 1970) cuja vida daria certamente um romance. A pianista favorita de Stalin nunca deixou de por isso criticá-lo ferozmente. Oiçam aqui a interpretação destes dois andamentos.
5º Andamento (Finale. Allegro moderato ma rubato)
Para este ultimo andamento escolhemos um dos pianistas mais reconhecidos da actualidade (embora também razoavelmente polémico) Boris Berezovsky (1969). Podem ouvir aqui este quinto andamento.
quinta-feira, 9 de outubro de 2008
Brahms - As obras em falta
Das obras de Brahms falta-nos analisar dois tipos de composições. A música de câmara e os Lied. Como há já algum tempo que não ouvimos composições com voz hoje ficamos com três belissimas canções de que vos ofereço também uma tradução ainda que muito livre.
As três canções que podem ouvir aqui fazem parte do Op. 105 : Five Songs (cinco canções).
As canções que compõe este ciclo são:
Nº1 É como se as Melodias (Wie Melodien Zieht Es Mir)
Nº 2 O meu sone está cada vez mais ligeiro (Immer Leiser Wird Mein Schlummer)
Nº 3 Fundamento (Klage)
Nº 4 No Cemetierio (Auf Dem Kirchhofe)
Nº 5 Traição (Verrat)
É como se as melodias - Wie Melodien
É como se as melodias derivassem lentamente para o meu cérebro
como flores que desabrocham enchendo-me da sua fragância
Tento capturá-las em palavras mas desfazem-se como nevoeiro, como o sopro da respiração
Apenas um traço do seu aroma se agarra à rima ajudado pelas lágrimas que escorrem.
Sempre mais leve - Immer leiser
O meu sono é sempre mais leve
e a dor está sobre mim
como um veu que treme
Nos meus sonhos chamas à minha porta
Ninguém te abre a porta
E acordo chorando
Sim tenho de morrer
E vais beijar outro
Quando for pó
Antes que cheguem as brisas de Maio
E os passaros cantem no bosque
se me pudesses ver
Volta depressa, volta depressa.
No cemitério (Im Kirchhöfe)
Num dia chuvoso de tempestade
Andei entre túmulos esquecidos
percorri lápides e cruzes
Destinos apagados, nomes iligíveis
Num dia chuvoso de tempestade
Uma palavra em cada túmulo: "Era"
Na tempestade dormem os caixões
De cada palavra outra palavra se derrama: "Curado"
As três canções que podem ouvir aqui fazem parte do Op. 105 : Five Songs (cinco canções).
As canções que compõe este ciclo são:
Nº1 É como se as Melodias (Wie Melodien Zieht Es Mir)
Nº 2 O meu sone está cada vez mais ligeiro (Immer Leiser Wird Mein Schlummer)
Nº 3 Fundamento (Klage)
Nº 4 No Cemetierio (Auf Dem Kirchhofe)
Nº 5 Traição (Verrat)
É como se as melodias - Wie Melodien
É como se as melodias derivassem lentamente para o meu cérebro
como flores que desabrocham enchendo-me da sua fragância
Tento capturá-las em palavras mas desfazem-se como nevoeiro, como o sopro da respiração
Apenas um traço do seu aroma se agarra à rima ajudado pelas lágrimas que escorrem.
Sempre mais leve - Immer leiser
O meu sono é sempre mais leve
e a dor está sobre mim
como um veu que treme
Nos meus sonhos chamas à minha porta
Ninguém te abre a porta
E acordo chorando
Sim tenho de morrer
E vais beijar outro
Quando for pó
Antes que cheguem as brisas de Maio
E os passaros cantem no bosque
se me pudesses ver
Volta depressa, volta depressa.
No cemitério (Im Kirchhöfe)
Num dia chuvoso de tempestade
Andei entre túmulos esquecidos
percorri lápides e cruzes
Destinos apagados, nomes iligíveis
Num dia chuvoso de tempestade
Uma palavra em cada túmulo: "Era"
Na tempestade dormem os caixões
De cada palavra outra palavra se derrama: "Curado"
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Brahms - Concerto para piano e Orquestra nº 2 (Op. 83) em Si bemol Maior
Este concerto foi composto por Brahms entre 1878 e 1881 tendo sido dedicado ao seu professor Eduard Marxsen.
Podem notar que mais de 20 anos decorrem entre o primeiro e o segundo concerto para Piano de Brahms. Isto não aconteceu por acaso e obviamente está relacionado com a péssima recepção do seu primeiro concerto para piano. Brahms terá dito aos seus amigos "O próximo vai soar diferente".
E é sem dúvida diferente ! O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1881 em Budapeste com Brahms no papel de solista tendo tido uma recepção muito favorável estabelecendo-se rapidamente como uma peça do reportório pianistico.
É um concerto diferente até na forma que opta pelos quatro andamentos típicos de uma sinfonia ao invés dos três do concerto clássico.
O primeiro andamento - Allegro non troppo (Si Bemol Maior) - utiliza a forma de sonata. Podem ouvir este andamento aqui e aqui por Von Cliburn.
Do segundo andamento - Allegro appassionato (Ré Menor) - Brahms disse que se tratava de "uma pequena amostra de um Scherzo". Mais uma das provas da ironia que este compositor gostava tanto de utilizar. Na verdade este andamento é profundamente agitado emocionalmente tumultuoso mesmo. Por outras palavras, para amostra não está nada mal ! Para este andamento e para os restantes optamos por vos mostrar Daniel Barenboim com a Orquestra Filármonica de Berlim sobre a direcção do Maestro Sergiu Celibidache. Pode ouvir este andamento aqui.
O terceiro andamento - Andante (Si Bemol Maior/Fá Sustenido Maior) o andamento lento deste concerto tem como principal originalidade incluir um solo de violoncelo que aliás mais tarde Brahms viria a re-utilizar para construir uma canção de que viremos a falar. Pode ouvir este andamento aqui e aqui.
O quarto andamento - Andante (Si Bemol Maior/Fá Sustenido Maior) está construído no que poderiamos chamar um misto de forma sonata e rondó. Pode ouvir este andamento aqui e aqui.
Podem notar que mais de 20 anos decorrem entre o primeiro e o segundo concerto para Piano de Brahms. Isto não aconteceu por acaso e obviamente está relacionado com a péssima recepção do seu primeiro concerto para piano. Brahms terá dito aos seus amigos "O próximo vai soar diferente".
E é sem dúvida diferente ! O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1881 em Budapeste com Brahms no papel de solista tendo tido uma recepção muito favorável estabelecendo-se rapidamente como uma peça do reportório pianistico.
É um concerto diferente até na forma que opta pelos quatro andamentos típicos de uma sinfonia ao invés dos três do concerto clássico.
O primeiro andamento - Allegro non troppo (Si Bemol Maior) - utiliza a forma de sonata. Podem ouvir este andamento aqui e aqui por Von Cliburn.
Do segundo andamento - Allegro appassionato (Ré Menor) - Brahms disse que se tratava de "uma pequena amostra de um Scherzo". Mais uma das provas da ironia que este compositor gostava tanto de utilizar. Na verdade este andamento é profundamente agitado emocionalmente tumultuoso mesmo. Por outras palavras, para amostra não está nada mal ! Para este andamento e para os restantes optamos por vos mostrar Daniel Barenboim com a Orquestra Filármonica de Berlim sobre a direcção do Maestro Sergiu Celibidache. Pode ouvir este andamento aqui.
O terceiro andamento - Andante (Si Bemol Maior/Fá Sustenido Maior) o andamento lento deste concerto tem como principal originalidade incluir um solo de violoncelo que aliás mais tarde Brahms viria a re-utilizar para construir uma canção de que viremos a falar. Pode ouvir este andamento aqui e aqui.
O quarto andamento - Andante (Si Bemol Maior/Fá Sustenido Maior) está construído no que poderiamos chamar um misto de forma sonata e rondó. Pode ouvir este andamento aqui e aqui.
terça-feira, 7 de outubro de 2008
Brahms - Duplo Concerto para Violino, Violoncelo e Orquestra em Lá Menor (Op. 102)
Este concerto foi composto em 1887 tendo sido a ultima obra para orquestra de Brahms. Esta é mais uma obra que demonstra que Brahms não foi assim tão conservador como se pensa. Na verdade à época em que Brahms escreveu este concerto existiam muito poucos exemplos deste tipo de trabalho. Claro que existia o conceito de concerto Grosso do período barroco mas não obstante este é um conceito diferente, estilizado deste ultimo. Nos nossos dias chamaríamos a isso um "remix" :-) ... Estou a brincar claro. O facto é que este concerto é original na escolha dos dois instrumentos solistas.
A forma do concerto em si segue a estrutura normal de um concerto clássico. Três andamentos numa sequência Rápido-Lento-Rápido.
Pode ouvir o primeiro andamento em Lá menor (Allegro) aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte). Para este concerto propomos a Orquestra dirigida por Leonard Bernstein, Mischa Maisky (Violoncelo) e Gidon Kremer (violino).
O segundo andamento em Ré Maior (Andante) pode ouvir aqui e o Terceiro andamento (Vivace non troppo) que começa em Lá menor para terminar em Lá Maior pode ser ouvido aqui.
O concerto teve uma recepção pouco entusiástica quando foi estreado em Colónia a 18 de Outubro de 1887. Os dois solistas foram Joachim (violino) and Hausmann (violoncelo). A este ultimo Brahms tinha prometido uma obra a solo mas não tinha conseguido concluír o concerto prometido. Em relação ao primeiro esta obra serviu como reconciliação depois de ter sido acusado de ter ficado do lado da mulher no processo de divórcio o que tinha estragado durante anos a amizade entre os dois músicos. O concerto foi dirigido pelo próprio Brahms.
A forma do concerto em si segue a estrutura normal de um concerto clássico. Três andamentos numa sequência Rápido-Lento-Rápido.
Pode ouvir o primeiro andamento em Lá menor (Allegro) aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte). Para este concerto propomos a Orquestra dirigida por Leonard Bernstein, Mischa Maisky (Violoncelo) e Gidon Kremer (violino).
O segundo andamento em Ré Maior (Andante) pode ouvir aqui e o Terceiro andamento (Vivace non troppo) que começa em Lá menor para terminar em Lá Maior pode ser ouvido aqui.
O concerto teve uma recepção pouco entusiástica quando foi estreado em Colónia a 18 de Outubro de 1887. Os dois solistas foram Joachim (violino) and Hausmann (violoncelo). A este ultimo Brahms tinha prometido uma obra a solo mas não tinha conseguido concluír o concerto prometido. Em relação ao primeiro esta obra serviu como reconciliação depois de ter sido acusado de ter ficado do lado da mulher no processo de divórcio o que tinha estragado durante anos a amizade entre os dois músicos. O concerto foi dirigido pelo próprio Brahms.
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Brahms - Concerto para Piano nº 1 em Ré Menor Op. 15
Depois de uma série de interrupções retomamos as obras de Brahms com Piano e o seu primeiro concerto para piano. Curiosamente esta peça é simultaneamente conservadora e inovadora. Conservadora na forma dos andamentos e mesmo na fortíssima inspiração de algumas obras de Beethoven mas muito inovadora na importância relativa dada ao instrumento solista e a forma como ele se mescla com a orquestra.
Tal como em muitos casos Brahms demorou bastante tempo até considerar este concerto pronto. Na verdade começou-o em 1854 quando residia em casa dos Schumann em Dusseldorf tendo sido terminado em 1858. Pelo meio Schumann foi internado num asilo e Brahms ficou em casa de Clara Schumann ajudando-a na educação dos filhos do casal Schumann.
A obra foi estreada a 22 de Janeiro de 1859 em Hannover com o próprio Brahms ao piano. A obra nessa altura foi recebida com frieza. Mas o pior estaria para vir quando apenas cinco dias depois foi tocada em Leipzig sendo aí recebida com assobios, fruto da inovação de que falámos. A obra na verdade demorou a ser entendida e apenas se foi estabelecendo graças a persistência de Brahms.
O concerto está organizado nos habituais três andamentos da forma clássica sendo o primeiro andamento organizado na forma de sonata. Nada mais clássico como decerto agora já sabem.
O primeiro andamento (Maestoso em Ré menor) começa com uma introdução bastante longa para um concerto de piano começando aqui a inovação de "mistura" de que falámos. Este tipo de composição parecia na altura mais apropriado para uma sinfonia do que para um concerto de piano que supostamente existia (agora vou exagerar muito mas é para perceberem a ideia) para exaltar o virtuosismo do pianista. Este concerto não é nada disso. É uma fusão completa entre o piano e a orquestra. Brahms é tido por conservador, justamente em alguns casos mas aqui apesar da inspiração retida de Beethoven neste ponto em particular é especialmente inovador.
Oiçam aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte) Nelson Freire e a Orquestra Sinfónica de Tóquio dirigida por Andrey Boreyko interpretarem este andamento.
O segundo andamento (Adagio - Ré Maior) como já sabem nas estruturas clássicas é um andamento calmo - Adagio - como podem ler em cima. Pessoalmente gosto bastante deste andamento porque me transmite bastante paz mas aceito que possa parecer um pouco longo. Para vos mostrar este andamento vamos escolher um outro pianista. Assim podem ouvir Carlo Maria Giulini e a Filarmónica de Los Angeles dirigida por Vladimir Ashkenazy aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).
O terceiro andamento (Allegro non troppo : Ré Menor / Ré Maior) está escrito na forma de Rondo. Para este andamento escolhi uma performance notável de Horowitz sendo a orquestra dirigida por Bruno Walter. Podem ouvir aqui.
Finalmente para uma sugestão de uma gravação deste concerto podem visitar o blog Desnorte que aqui vos fala em detalhe de uma excelente hipótese. Não se esqueçam a este respeito que os videos que vos mostro no You Tube são uma excelente forma de tomarem conhecimento com as obras (até de verem os artistas de que vos falo executarem obras ao vivo), porém estes vídeos dizia, não têm a qualidade sonora de uma "verdadeira" gravação e acreditem que notam a diferença!
Tal como em muitos casos Brahms demorou bastante tempo até considerar este concerto pronto. Na verdade começou-o em 1854 quando residia em casa dos Schumann em Dusseldorf tendo sido terminado em 1858. Pelo meio Schumann foi internado num asilo e Brahms ficou em casa de Clara Schumann ajudando-a na educação dos filhos do casal Schumann.
A obra foi estreada a 22 de Janeiro de 1859 em Hannover com o próprio Brahms ao piano. A obra nessa altura foi recebida com frieza. Mas o pior estaria para vir quando apenas cinco dias depois foi tocada em Leipzig sendo aí recebida com assobios, fruto da inovação de que falámos. A obra na verdade demorou a ser entendida e apenas se foi estabelecendo graças a persistência de Brahms.
O concerto está organizado nos habituais três andamentos da forma clássica sendo o primeiro andamento organizado na forma de sonata. Nada mais clássico como decerto agora já sabem.
O primeiro andamento (Maestoso em Ré menor) começa com uma introdução bastante longa para um concerto de piano começando aqui a inovação de "mistura" de que falámos. Este tipo de composição parecia na altura mais apropriado para uma sinfonia do que para um concerto de piano que supostamente existia (agora vou exagerar muito mas é para perceberem a ideia) para exaltar o virtuosismo do pianista. Este concerto não é nada disso. É uma fusão completa entre o piano e a orquestra. Brahms é tido por conservador, justamente em alguns casos mas aqui apesar da inspiração retida de Beethoven neste ponto em particular é especialmente inovador.
Oiçam aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte) Nelson Freire e a Orquestra Sinfónica de Tóquio dirigida por Andrey Boreyko interpretarem este andamento.
O segundo andamento (Adagio - Ré Maior) como já sabem nas estruturas clássicas é um andamento calmo - Adagio - como podem ler em cima. Pessoalmente gosto bastante deste andamento porque me transmite bastante paz mas aceito que possa parecer um pouco longo. Para vos mostrar este andamento vamos escolher um outro pianista. Assim podem ouvir Carlo Maria Giulini e a Filarmónica de Los Angeles dirigida por Vladimir Ashkenazy aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).
O terceiro andamento (Allegro non troppo : Ré Menor / Ré Maior) está escrito na forma de Rondo. Para este andamento escolhi uma performance notável de Horowitz sendo a orquestra dirigida por Bruno Walter. Podem ouvir aqui.
Finalmente para uma sugestão de uma gravação deste concerto podem visitar o blog Desnorte que aqui vos fala em detalhe de uma excelente hipótese. Não se esqueçam a este respeito que os videos que vos mostro no You Tube são uma excelente forma de tomarem conhecimento com as obras (até de verem os artistas de que vos falo executarem obras ao vivo), porém estes vídeos dizia, não têm a qualidade sonora de uma "verdadeira" gravação e acreditem que notam a diferença!
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Brahms - Concerto para Violino e Orquestra Op. 77 em Ré Maior
Esta obra de Brahms Op.77 foi composta em 1877/1878 para o seu grande amigo e grande violinista Joseph Joachim a quem a composição foi dedicada. Não foi um processo fácil e apesar de ter tido em Joachim um grande consultor (que efectuou ou propôs multiplas alterações) a obra não reuniu grandes consensos.
Na verdade logo na estreia o maestro Hans von Bülow declarou que a obra não era para violino mas "contra o violino". O grande violinista espanhol Pablo de Sarrasate recusou-se a tocar a obra não porque a considerasse intocável mas porque tinha ciúmes do solo de oboé no segundo andamento. Outro grande violinista e compositor Henryk Wieniawski considerou a obra intocável.
Não obstante Brahms continuou após a estreia da obra que teve lugar em Leipzig a 1 de Janeiro de 1879 (solista Joseph Joachim como não podia deixar de ser) a fazer correcções à mesma. Embora esta demorasse a impor-se e seja sem dúvida uma das peças mais difíceis do reportório violinistico é hoje uma das mais interpretadas e apreciadas.
O Concerto tem 3 andamentos numa disposição perfeitamente clássica.
O primeiro andamento (Allegro non troppo) em Ré Maior é o andamento mais longo ocupando em termos de duração quase metade do tempo total do concerto. Um começo relativamente sombrio do andamento revela pouco da relativa exuberância que se segue. A cadência final não foi escrita por Brahms. Actualmente a mais frequentemente utilizada é a escrita pelo próprio Joseph Joachim. Oiçam nestas três partes (Parte 1, Parte 2, Parte 3) Isaac Stern interpretar esta obra de forma magistral.
O segundo andamento (Adagio) em Fá Maior é o andamento onde como dissemos existe o solo de Oboé que tanto desagradou a Sarrasate. Trata-se efectivamente de um belíssimo adágio onde o Oboé (e outros instrumentos de sopro) mas sobretudo o Oboé não só têm um papel importante na exposição da melodia como também se entregam a diálogos surpreendentes com o instrumento solista. Na verdade quase se pode dizer que temos neste andamento um Duplo Concerto para Oboé e Violino ! Oiçam aqui Henryk Szeryng a interpretar de forma excelente este andamento.
O terceiro andamento (Allegro giocoso, ma non troppo vivace - Poco più presto) em Ré Maior está escrito na forma de rondó (de forma um tanto simplificada isto significa que existe um tema que é repetido em várias ocasiões) e tem um clara influência cigana. Oiçam aqui Gil Shaham a interpretar este andamento.
Na verdade logo na estreia o maestro Hans von Bülow declarou que a obra não era para violino mas "contra o violino". O grande violinista espanhol Pablo de Sarrasate recusou-se a tocar a obra não porque a considerasse intocável mas porque tinha ciúmes do solo de oboé no segundo andamento. Outro grande violinista e compositor Henryk Wieniawski considerou a obra intocável.
Não obstante Brahms continuou após a estreia da obra que teve lugar em Leipzig a 1 de Janeiro de 1879 (solista Joseph Joachim como não podia deixar de ser) a fazer correcções à mesma. Embora esta demorasse a impor-se e seja sem dúvida uma das peças mais difíceis do reportório violinistico é hoje uma das mais interpretadas e apreciadas.
O Concerto tem 3 andamentos numa disposição perfeitamente clássica.
O primeiro andamento (Allegro non troppo) em Ré Maior é o andamento mais longo ocupando em termos de duração quase metade do tempo total do concerto. Um começo relativamente sombrio do andamento revela pouco da relativa exuberância que se segue. A cadência final não foi escrita por Brahms. Actualmente a mais frequentemente utilizada é a escrita pelo próprio Joseph Joachim. Oiçam nestas três partes (Parte 1, Parte 2, Parte 3) Isaac Stern interpretar esta obra de forma magistral.
O segundo andamento (Adagio) em Fá Maior é o andamento onde como dissemos existe o solo de Oboé que tanto desagradou a Sarrasate. Trata-se efectivamente de um belíssimo adágio onde o Oboé (e outros instrumentos de sopro) mas sobretudo o Oboé não só têm um papel importante na exposição da melodia como também se entregam a diálogos surpreendentes com o instrumento solista. Na verdade quase se pode dizer que temos neste andamento um Duplo Concerto para Oboé e Violino ! Oiçam aqui Henryk Szeryng a interpretar de forma excelente este andamento.
O terceiro andamento (Allegro giocoso, ma non troppo vivace - Poco più presto) em Ré Maior está escrito na forma de rondó (de forma um tanto simplificada isto significa que existe um tema que é repetido em várias ocasiões) e tem um clara influência cigana. Oiçam aqui Gil Shaham a interpretar este andamento.
quarta-feira, 1 de outubro de 2008
Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45) - Parte 6
O sétimo e ultimo andamento deste Requiem intitula-se Bem aventurados os mortos que falecem no senhor. Continuo a propor-vos uma tradução minha a partir do texto inglês (retirado da wikipédia).
7º Andamento: Bem aventurados os mortos que falecem no senhor
Bem-aventurados os mortos, que falecem no Senhor
Sim, diz o Espírito, que eles possam descansar do seu trabalho,
As suas obras seguir-los-ao.
Podem ouvir a primeira parte deste andamento do Requiem pela Filarmónica de Berlim dirigida por Claudio Abbado e com o coro da Rádio Sueca aqui. A segunda parte podem ouvi-la aqui.
7º Andamento: Bem aventurados os mortos que falecem no senhor
Bem-aventurados os mortos, que falecem no Senhor
Sim, diz o Espírito, que eles possam descansar do seu trabalho,
As suas obras seguir-los-ao.
Podem ouvir a primeira parte deste andamento do Requiem pela Filarmónica de Berlim dirigida por Claudio Abbado e com o coro da Rádio Sueca aqui. A segunda parte podem ouvi-la aqui.
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45) - Parte 5
O sexto andamento do Deutsche Requiem intitula-se : Não temos aqui uma casa duradoura. A tradução do inglês é minha. O texto em inglês foi obtido da Wikipédia.
6º Andamento: Não temos aqui uma casa duradoura
Não temos aqui uma casa duradoura, mas estamos a preparar uma para o futuro
Eis que te mostro um mistério: não iremos todos dormir, mas seremos todos mudados em breve, num abrir e fechar de olhos, no último trunfo: A trombeta tocará, e os mortos serão acordarão incorruptíveis, e nós seremos todos mudados.
De seguida, serão chamados para proclamarem o que está escrito, a Morte será engolida na vitória. Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó túmulo, onde está tua vitória?
Tu és digno, ó Senhor, para receber honra, glória e poder: porque criaste todas as coisas, e para teu prazer as coisas são e foram criados.
Para ouvirem este andamento continuamos a recomendar a Filarmónica de Berlim dirigida por Claudio Abbado e o coro da Rádio Sueca, aqui.
6º Andamento: Não temos aqui uma casa duradoura
Não temos aqui uma casa duradoura, mas estamos a preparar uma para o futuro
Eis que te mostro um mistério: não iremos todos dormir, mas seremos todos mudados em breve, num abrir e fechar de olhos, no último trunfo: A trombeta tocará, e os mortos serão acordarão incorruptíveis, e nós seremos todos mudados.
De seguida, serão chamados para proclamarem o que está escrito, a Morte será engolida na vitória. Ó morte, onde está o teu aguilhão? Ó túmulo, onde está tua vitória?
Tu és digno, ó Senhor, para receber honra, glória e poder: porque criaste todas as coisas, e para teu prazer as coisas são e foram criados.
Para ouvirem este andamento continuamos a recomendar a Filarmónica de Berlim dirigida por Claudio Abbado e o coro da Rádio Sueca, aqui.
segunda-feira, 29 de setembro de 2008
Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45) - Parte 4
Depois de uns dias de viagens diversas a outros temas musicais clássicos e antes de conhecermos a votação para o especial "maestro" preferido (entre as quatro hipóteses que vos dei) voltamos a Brahms.
5º Andamento :
E, na verdade, por isso, agora tenho tristeza: mas vou vê-lo de novo,
e o seu coração se deve alegrar , e a sua alegria ninguém a tomará .
Olhai com os olhos como com pouco trabalho atingi a paz.
Como uma mãe conforta o seu filho eu vou conforta-lo
Oiçam aqui este quinto andamento pelos interpretes do costume.
5º Andamento :
E, na verdade, por isso, agora tenho tristeza: mas vou vê-lo de novo,
e o seu coração se deve alegrar , e a sua alegria ninguém a tomará .
Olhai com os olhos como com pouco trabalho atingi a paz.
Como uma mãe conforta o seu filho eu vou conforta-lo
Oiçam aqui este quinto andamento pelos interpretes do costume.
sábado, 27 de setembro de 2008
Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45) - Parte 3
Vamos hoje continuar na nossa viagem por esta fantástica obra de Brahms ouvindo o quarto andamento do Requiem. A tradução a partir do texto em Inglês é minha, desculpem eventuais erros ... Aceitam-se obviamente sugestões para a melhoria da mesma.
4º Andamento: Como é encantadora a Tua morada
Senhor, Como é belo o teu tabernáculo !
A minha alma anseia, na verdade, pelos tribunais do Senhor
O meu coração e minha carne suplicam para o Deus vivo.
Abençoados sejam os que habitam em tua casa: Eles irão louvar-Te sempre!
Ouçam aqui este quarto andamento pela Berliner Philharmoniker dirigida por Claudio Abbado o coro da Rádio Sueca dirigido por Eric Ericson e o barítono Bryn Terfel e a soprano Barbara Bonney.
4º Andamento: Como é encantadora a Tua morada
Senhor, Como é belo o teu tabernáculo !
A minha alma anseia, na verdade, pelos tribunais do Senhor
O meu coração e minha carne suplicam para o Deus vivo.
Abençoados sejam os que habitam em tua casa: Eles irão louvar-Te sempre!
Ouçam aqui este quarto andamento pela Berliner Philharmoniker dirigida por Claudio Abbado o coro da Rádio Sueca dirigido por Eric Ericson e o barítono Bryn Terfel e a soprano Barbara Bonney.
quarta-feira, 24 de setembro de 2008
Brahms - Ein Deutsches Requiem (Op. 45) - Parte 2
Na segunda parte que dedicamos a esta obra de Brahms vamos hoje ouvir o terceiro andamento.
3º Movimento: Senhor dá-me a conhecer o meu fim
Senhor, faz-me conhecer o meu fim, e a medida dos meus dias: Faz-me saber que eu sou frágil.
Os meus dias são apenas um palmo; e minha idade é nada face à Tua
Certamente todos os homens em vão se mostram: Certamente eles são impacientes em vão: Guardam riquezas e não sabem quem irá reunir-las.
E agora, Senhor, que espero? A minha esperança está em ti.
As almas dos justos estão nas mãos de Deus e não serão atormentadas.
Ouçam aqui este terceiro andamento pela Berliner Philharmoniker dirigida por Claudio Abbado o coro da Rádio Sueca dirigido por Eric Ericson e o barítono Bryn Terfel e a soprano Barbara Bonney.
3º Movimento: Senhor dá-me a conhecer o meu fim
Senhor, faz-me conhecer o meu fim, e a medida dos meus dias: Faz-me saber que eu sou frágil.
Os meus dias são apenas um palmo; e minha idade é nada face à Tua
Certamente todos os homens em vão se mostram: Certamente eles são impacientes em vão: Guardam riquezas e não sabem quem irá reunir-las.
E agora, Senhor, que espero? A minha esperança está em ti.
As almas dos justos estão nas mãos de Deus e não serão atormentadas.
Ouçam aqui este terceiro andamento pela Berliner Philharmoniker dirigida por Claudio Abbado o coro da Rádio Sueca dirigido por Eric Ericson e o barítono Bryn Terfel e a soprano Barbara Bonney.
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