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segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Um procedimento artístico num aeroporto perto de si !

Num post no Facebook hoje o violinista João Andrade deu-nos conta de um procedimento que vamos qualificar como artístico pelos seguranças do aeroporto. Nota de rodapé prévia: Não na fotografia não é o João é outro violinista em outro aeroporto noutro continente. Neste caso pedia casamento à namorada (a rapariga de costas em amarelo) ... enfim um caso diferente de segurança a avaliar em outro post.

Em resumo ao passar pelos seguranças que fazem a verificação da bagagem que se leva na cabine pediram ao João que tocasse alguma coisa. Este procedimento leva-nos de imediato a uma série de conjunturas que talvez fosse prudente averiguar para nos precavermos quanto à segurança nos aeroportos.

Primeira conjuntura: O João escolheu tocar Bach e apesar de (segundo confissão própria) ter apenas interpretado três compassos seguidos de notas aleatórias o processo foi dado por terminado e o João pode seguir com o seu instrumento. Terá sido a escolha do compositor relevante? Vamos supor que em vez de Bach o João tivesse escolhido. sei lá Ysaÿe ou ainda "pior" um compositor claramente revolucionário e não germânico ? Teria sido o resultado idêntico? Existirá nos seguranças uma competência estética ou uma lista do tipo : Bach ou Vivaldi (com excepção do concerto em Lá Menor :-)) sim mas por exemplo Beethoven (perigoso revolucionário) não? E se o João tivesse tocado como lhe sugeriram num dos comentários "Grandola" ? Teria recebido um convite imediato por telefone para ser o próximo ministro da cultura em Portugal?

Segunda conjuntura: Será que os seguranças têm noção que um violino mal tocado é efectivamente uma arma perigosa? Estou a ver o terror dos passageiros a receberem a noticia de um dos passageiros já em pleno voo : "Bem aproveitando este longo voo de três horas vou dar-vos o prazer de poderem ouvir a minha primeira tentativa de interpretação consecutiva do Moto Perpetuo que acabei de aprender. Vão ver como é bom". Palpita-me que após 15 minutos contrariando todas as normas internacionais o "instrumentista" conseguiria provavelmente desviar o avião para onde lhe aprouvesse. Enfim não tão letal como a famosa anedota mortal dos Monty Phyton mas fica lá perto,

Terceira Conjectura: Será que após este incidente as aulas de violino em territórios potencialmente perigosos estão a ser devidamente monitorizadas? É que estão a ver os narcotraficantes e terroristas a aprenderem este truque? Eu bem que achei esquisito alguns anúncios que tenho visto recentemente oferecendo palácios a professores de violino. Achei que eram obras beneméritas agora está tudo explicado. Será que os satélites espiões têm agora na sua lista de alvos as escolas de violino? Será que a NSA agora também ouve os posts colocados no You Tube por supostos alunos de violino?

Quarta Conjectura: Três compassos João? A tua sorte é que em três compassos de Bach pode estar o mundo inteiro.

E pronto com esta conversa toda - que vos escrevi ao som de Bach claro - só vos posso deixar com o dito cujo. Fosse este um post de culinária e diria algo do tipo: Bach com Arroz do mesmo, não sendo ficará ainda assim numa pequena liberdade poética: Posta de Bach com Partita do mesmo!

quinta-feira, 29 de março de 2012

Há um outro "Coração de Leão"

Além de Ricardo "Coração de Leão" há outro ... afinal havia outro apeteceria dizer (mas não cantarolar). Na verdade na Diapason nº 600 (sim estamos a falar da edição nº 600 da revista que existe desde 1956) ao falarem do grande mestre da música antiga Gustav Leonhardt, falam também de Gustavo Coração de Leão fazendo referência ao seu complicado inicio de vida numa Holanda acabada de sair da segunda Guerra Mundial (1945).

Como podem ter constatado tínhamos falado deste grande músico por ocasião do seu falecimento em Janeiro. este número da Diapason contém um artigo completo interessantíssimo. Dos vários elementos que foram publicados escolho uma citação do mestre:

"Tornei-me músico paraa não ter de falar. Quando toco exprimo tudo o que posso a partir da música que interpreto. Se não funcionar todas as palavras do mundo não o vão melhorar. Se por outro lado já tiver funcionado também não acrescentarão nada."


Quanto à música fiquem com uma das variações Goldberg, também In Memoriam numa expressão de saudade que não passa.





quarta-feira, 7 de março de 2012

A Arte da Fuga (Bach)

O disco oferecido com a Diapason deste mês é L´Art de la Fugue com André Isoir no órgão. Escrevo este post enquanto me delicio com a obra. E eu que nem sequer sou grande fã de órgão (gosto mas não posso dizer que seja dos meus instrumentos preferidos) deixo-me facilmente enredar pela teia polifónica, pela sua clareza e complexidade em simultâneo perdido entre as várias melodias que se cruzam sem saber onde me fixar. Como quem olha para um céu estrelado e não se consegue fixar num conjunto de estrelas tão cintilantes que todas parecem.

Obra ultima de Bach envolta em mistério para alguns, incompleta para outros. Perfeita. Não é céu que Bach pinta é o Céu que ele atinge ou melhor que define. Abro com sinceridade a cortina na janela que tenho em frente e olhando em frente não atinjo as estrelas mas  não é culpa de Bach, são antes as nuvens que toldam o céu de inverno, azar da circunstância ultimamente pouco comum. Porém se os olhos não partem, parte a alma na mesma viagem.

Não encontro uma versão da BWV 1080 por este interprete mas em compensação deixo-vos com o sempre admirável Glenn Gould (com trautear incluído :-)).

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Bach - Missa em Si Menor

Começo hoje a completar aos pouco uma análise mais completa à minha Lista de 100 Obras que vos propus há algum tempo. E começo por ordem com a primeira nessa lista que não possui ainda um texto que vos possa ajudar a compreender a obra: A Missa em si menor de Bach.

Esta obra (BWV 232) foi uma das ultimas completadas pelo compositor (1749) embora como era frequente na época a obra inclua partes de outras composições a mais antiga das quais datando de 1724. Aliás em boa verdade pode discutir-se se Bach realmente pensava que esta missa fosse interpretada como um todo ou se antes esta não seria uma compilação daquilo que Bach pensava ser o exponente máximo da sua arte.

Na verdade esta missa nunca foi interpretada durante a vida de Bach sendo-o apenas em 1859 mais de um século depois da morte do compositor. Mistério será também a razão que terá levado Bach, um Luterano convicto a escrever uma missa apostólica romana.

Musicalmente Bach consegue no entanto apesar de unir peças de proveniência muito diferente uma unidade notável, quanto mais não seja uma unidade proveniente do génio presente em toda a obra que está dividida em quatro partes (por sua vez divididas em vários andamentos):

I. Kyrie: Esta parte da obra foi composta em 1733 e oferecida ao eleitor da Saxónia e futuro rei da Polónia com a esperança de um lugar enquanto compositor da corte que viria a ser obtido três anos mais tarde. Musicalmente podemos apreciar as verdadeiras explosões de alegria da Gloria ou a elegância de alguns duetos do Kyrie I. Propomos que oiçam o primeiro dos Kyrie uma peça notável pela sua profundidade emotiva.
II. Credo : Nesta parte é particularmente evidente a preocupação de Bach pela simetria com o andamento Crucifixus no centro dos 9. É uma parte composta por elementos de épocas diferentes sendo por essa razão a mais heterógenea das quatro. Propomos o Credo para que se deixem fascinar pela densidade espiritual do inicio e pela explosão de alegria que se lhe segue para depois sermos mergulhados num lindíssimo dueto que no mínimo nos deixa prontos para introspecção.
III. Sanctus: O mais antigo dos elementos constituintes desta missa composto a partir de uma obra de 1724 entretanto perdida que podem ouvir aqui.
IV. Ossana, Benedictus e Agnus Dei : Proponho-vos aqui que oiçam o Agnus Dei que é verdadeiramente pungente (pelo menos eu acho). A propósito comparem com esta outra interpretação de Philippe Jarousky e depois digam-me qual preferem.

Podem ouvir esta missa na sua totalidade no You Tube nestes dois videos: Parte 1 e Parte 2.

A interpretação que utilizamos nos exemplos com que ilustramos a obra é de John Eliot Gardiner que dirige a English Baroque Soloists e o Coro Montverdi. São solistas: Nancy Argenta (soprano), Mary Nichols (mezzo-soprano) Ashley Stafford (alto) Wynford Evans (tenor) com a excepção do Sanctus em que utilizamos uma gravação de 1969 de Richter - estilo largamente contrastante como poderão ouvir pela dimensão da Orquestra e do coro. Pessoalmente prefiro a primeira que podem adquirir facilmente na Amazon tanto novo como usado (por £10) ou ainda por £11 em formato digital.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Erbarme Dich Mein Got - Bach

Depois do Gospel ontem ( obrigado cunhado :-) ) e sendo hoje o dia que é - pese a minha reticência no significado do mesmo a noção do pecado aliado à concepção é algo que me faz muita confusão na minha igreja - sendo hoje o dia que é como dizia só vos poderia propor Bach.

Curiosamente (ou não) separadas que estão por alguns séculos existe uma certa unidade nos dois ... A interpretação de Bach é de Christa Ludwig sendo a orquestra dirigida por Klemperer (gravação de 1962).



Erbarme dich, mein Gott, 
um meiner Zähren willen! 
Schaue hier, Herz und Auge 
weint vor dir bitterlich. 
Erbarme dich, mein Gott. 

Tem piedade, meu Deus,
por minhas lágrimas!
Vê como o meu coração e os meus olhos
choram amargamente na tua Presença.
Tem piedade, meu Deus.

(uma tradução um tanto livre...)

sábado, 21 de março de 2009

Bach (BWV 1041) - Concerto para Violino (Lá Menor)

Não percam aqui os resultados actuais da nossa votação para o concerto de violino preferido.

Os concertos para violino de Bach (os três se incluirmos o duplo concerto BWV 1043) são fortemente influenciados por Vivaldi (aliás eventualmente uma das injustiças pela sua ausência da nossa lista).

O concerto é constituído como é normal por três andamentos na estrutura que já conhecemos (rápido-lento-rápido) mas contrariamente ao que será costume no período clássico o andamento mais longo e se quiserem o "coração" do concerto é o segundo andamento e não o primeiro.

Uma outra característica distintiva deste concerto em relação a quase todos os restantes desta lista é que tal como era normal no período barroco o solista está muito mias integrado no som da orquestra e não assume uma dimensão de tanto protagonismo como nos concertos do período clássico e sobretudo romântico.

1º Andamento (Allegro moderato): Este andamento é o meu preferido apesar do segundo ser como veremos pela sua natureza introspectiva muito belo também. Mas este é o andamento que me fez colocar este concerto nesta lista em toda a honestidade. Tenho para vos propôr duas versões. Uma que procura recriar o espirito da época pela orquestra Il Giardino Armonico aqui e outra versão pelo nosso conhecido Oistrakh aqui (notem a diferença de tempo das duas versões ...)
2º Andamento (Andante) : Este andamento é formado por uma linha de baixo quase continua sobre a qual se sobrepõe uma melodia cantada pelo violino solo. Simples mas extraordinariamente belo. Oiçam aqui Hilary Hahn.
3º Andamento (Allegro assai) : Este andamento também é relativamente curto tal como o primeiro, apenas três minutos e meio ... mas que minutos :-) . Oiçam aqui por Hilary Hahn.

quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Michael Barenboim - Segunda Parte

Hoje fui ouvir o segundo concerto com que Michael Barenboim terminou a integral das peças de Bach para Violino Solo. Desta vez não tive tanta sorte no lugar e não estava suficientemente perto do vidro para ter direito ao Holograma do Michael nos jardins da Gulbenkian (vejam o post de ontem para uma explicação sobre este fenómeno da física).

Achei de uma forma geral que Michael Barenboim ainda está um pouco verde para este reportório. Houve algumas falhas de interpretação e mesmo algumas falhas técnicas audíveis até para um simples amador como eu.

De qualquer forma hoje foi globalmente melhor do que ontem. Tal como ontem vou deixar-vos com algumas interpretações que vos podem mostrar o que tive a oportunidade de ouvir na Gulbenkian (bem são interpretes bem melhores, terão de dar o devido desconto :-))




  • Partita Nº 3, em Mi Maior, BWV 1006
Para ilustrar esta Partita escolhemos um outro grande Violinista - Nathan Milstein. Mais uma gravação que faz parte da história da música.







  • Sonata Nº 2, em Lá menor, BWV 1003, por Augustin Hadelich no concurso de Indianapólis (um dos concursos mais relevantes para este instrumento).






  • Partita Nº 2, em Ré menor, BWV 1004 por Anne-Sophie Mutter, não posso embeber por pedido do poster no You Tube por isso para verem este vídeo sigam este link.

Amanhã (ou melhor hoje à noite) retomaremos a explicação sobre a música clássica e porque razão a poderíamos chamar de "Exacta" e iniciaremos também a nossa visita ao período clássico.

domingo, 2 de dezembro de 2007

Emma Kirkby

Como prometido hoje iremos falar de Emma Kirkby que é uma das sopranos especialistas em música barroca e renascentista.

Já ontem a ouvimos interpretar de forma extraordinária Stabat Mater de Pergolesi. Hoje iremos conhecer um pouco mais da sua carreira.

VIDA

Emma Kirkby nasceu a 26 de Fevereiro de 1949 e segundo o seu site oficial que aliás se recomenda (e onde ficamos a saber que em 2007/2008 pelo menos até Maio não virá ao nosso país ... podem ir a Barcelona no dia 11 de Dezembro se quiserem ...) não tinha qualquer intenção de se tornar uma cantora profissional.

Quando se começou a especializar no reportório barroco (nos inícios dos anos 70) foi uma das primeiras a fazê-lo pelo que será justo referir que teve de encontrar muitos dos caminhos que hoje outros percorrem.

Fez já centenas de gravações de obras do período barroco e renacentista tendo sido em 2007 num inquérito conduzido pela BBC Music Magazine considerada a 10ª maior soprano de sempre.

Como se diz também na sua biografia oficial embora estas nomeações sejam éfemeras e controversas a artista diz-se contente por revelarem o apreço do público. Diz Emma Kirkby que apesar da sua intensa actividade de gravação prefere as actuações ao vivo e o contacto com o público. E nós estamos com ela nessa preferência ....

CARREIRA

A carreira de Emma Kirkby é marcada por longas relações com algumas das mais significativas orquestras de época barrocas. A Consort of Musicke a que juntou em 1973 e a Academy of Ancient Music (por exemplo a interpretação de ontem foi com essa orquestra).

Mais recentemente Emma Kirby tem actuado com muitas outras orquestras de camera por exemplo a London Baroque, a Freiburger Barockorchester, o L'Orfeo (deLinz) e a Orchestra of the Age of Enlightenment, e ainda com o Palladian Ensemble e o Florilegium.

Já a ouvimos cantar Pergolesi. A nossa proposta é acompanha-la na interpretação de uma peça de cada um dos grandes compositores do período Barroco. Começando por Bach e pela Paixão segundo S. Mateus .



De seguida podemos ouvir uma interpretação de uma área de uma das óperas de Vivaldi: Griselda (se tiverem tempo leiam os comentários no You Tube e a polémica comparação com Bartoli, falaremos disso mais tarde ....)



Finalmente Handel. Leiam também os comentários ..... mas não fiquem confusos. Que não vos restem dúvidas: Esta soprano (goste-se ou não) é uma das grandes especialistas do barroco e esta interpretação é excelente.

sábado, 24 de novembro de 2007

Bach - Sexto Concerto de Brandenburgo

Com este concerto chegamos ao fim desta série. Este concerto tem obviamente três andamentos sendo caracterizado pela ausência de violino, o que é pouco habitual.

Os três andamentos seguem a estrutura que já conhecemos (eu sei que estou a repetir, mas a minha esperança é que isto funcione como as tabuadas ... estou a falar meio a sério, meio a brincar claro). Temos assim um primeiro andamento Allegro, um segundo Adagio ma non troppo e o terceiro de novo Allegro.

Escolhemos para ilustrar este concerto de novo a Orquestra Barroca de Friburgo porque vamos aproveitar a ocasião para explicar um detalhe que por vezes confunde os menos habituados a ouvir música clássica. Vejam um pouco do video e façam pausa.



Como disse não há violinos ... diz-se nas partituras de "due Viole da Braccio, due Viole da Gamba, Violoncello, Violone e Cembalo". Os dois músicos que estão de pé estão a tocar Viola (na prática é um violino um pouco maior e logo com um som um pouco mais grave). Porque se trata de música barroca e na altura havia outro tipo de viola Bach especifica "Viole da Braccio" ou de Braço por oposição a Viole da Gamba - Literalmente Viola de Perna (desculpem a liberdade na tradução) - que estão a ser tocadas pelos dois músicos do lado direito. Ao fundo o violoncelo e o "Violone" - confesso que este ultimo não tenho a certeza de que se trata.

Como veêm este agrupamento respeita integralmente as especificações de Bach quanto à formação da orquestra.

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Bach - Quinto Concerto de Brandenburgo

O quinto concerto de Brandenburgo tem três andamentos: Allegro, Affectuoso, Allegro. O harpsicórdio é o principal instrumento solista (juntamente com um violino e uma flauta).



Para ilustrar este concerto começamos por vos mostrar uma interpretação de um especialista de época Gustav Leonhardt (não é o andamento inteiro mas vale apena ouvir esta interpretação).



quarta-feira, 21 de novembro de 2007

Bach - Quarto Concerto de Brandenburgo

Continuando a nossa saga pelos concertos de Brandenburgo iremos hoje falar do quarto concerto. Como já devem imaginar este mantém a forma "normal" (alegro, andante, presto).

Trata-se de um concerto muito interpretado já que tanto o primeiro como o terceiro andamento são extraordinariamente difíceis na parte de violino solo.

Vamos utilizar como exemplo a Orquestra Barroca de Friburgo (de novo).

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Bach - Terceiro Concerto de Brandenburg

O terceiro concerto de Brandenburg também segue a disposição "normal" começando com um Allegro, seguindo-se um Adágio para depois terminar num novo Allegro.

É um concerto em que não existe solista propriamente dito tendo sido escrito para três violinos, três violas e três violoncelos para além de um baixo continuo e um hapsicordio. Pelo que sabemos esta coincidência em torno do número 3 é apenas isso mesmo.

Para ilustrar este concerto escolhemos de novo a orquestra barroca de Friburgo (chamo a vossa atenção para os arcos e para a forma como algumas violinistas pegam nos arcos).
Já agora a titulo de curiosidade esta peça foi gravada em Cothen, precisamente onde se pensa que estes concertos tenham sido concebidos. Imaginem portanto o nosso José Hermano Saraiva dizer ... "Foi aqui. Foi precisamente aqui ... ".


segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Bach - Segundo concerto de Brandenburg (F major, BWV 1047)

O segundo concerto de Brandenburg é o tal que foi incluído no disco da Voyager (aliás é o primeiro o que não é honra menor). Aliás Bach é o compositor mais representado com três composições - mais tarde digo-vos quais e também os restantes compositores clássicos representados - alguém sabe ou quer adivinhar? (não é difícil)

Mas voltando ao nosso concerto este é composto na forma "normal" de três andamentos (ia dizer clássica mas Deus sabe a confusão que isso iria gerar mais tarde), um primeiro rápido (alegro), um segundo lento (adagio) e um terceiro rápido (alegro).

É um concerto que quase certamente foi escrito especificamente para um instrumentista - o trompetista da corte de Cothen quando Bach este ao serviço do príncipe Leopoldo como director musical (perdoem a tradução livre mas penso ser isso que a palavra Kappelmeister significa). Aliás datam também desse períodos as suites orquestrais.

O trompetista como era comum na época não toca no segundo andamento para que possa recuperar o fôlego. Escolhemos para ilustrar o tema uma interpretação de Maurice André (que também já tínhamos ouvido a tocar Teleman neste outro post.

Aliás Maurice Andre é uma das referências para este instrumento sendo aceite que este concerto é dos mais difíceis senão o mais difícil no que toca à trompete.

domingo, 18 de novembro de 2007

Bach - Concertos de Brandenburg

Vamos hoje iniciar uma série de posts sobre os concertos de Brandenburg de Bach. Na verdade tratando-se de uma das obras mais representativas do Barroco pareceu-nos que seria injusto não ter um destaque equivalente às Quatro Estações de Vivaldi. Não que esta justiça importe muito ...

Pronto confesso. Apeteceu-me. Ontem estive a ouvir um destes concertos e reparei que tinha falado muito pouco deles. Claro que vou manter o mesmo critério na escolha dos andamentos ... não vai ser "Easy Listening" mas vou seleccionar primeiro os andamentos que me parecerem mais fáceis de serem apreciados por todos, mesmo aqueles que ouvem menos música clássica ou que pensam não gosta deste tipo de música.

Começando por uma explicação global sobre o conjunto destes concertos sabe-se que foram um presente ao Príncipe de Brandenburg em 1721 (daí o seu nome) embora seja geralmente aceite que foram escritos antes disso (possivelmente a partir de 1708 quando ainda estava em Weimar).

São seis concertos todos eles verdadeiras obras primas. Como nota de "petite histoire" que fique o registo que o primeiro andamento do segundo concerto foi uma das obras incluída na sonda espacial Voyager como representativa do povo da terra ...

O primeiro concerto é o unico com 4 andamentos sendo como aliás todos os restantes fortemente influenciado pelo barroco Italiano em particular por Vivaldi. Há interpretações diferentes que apontam 5 andamentos para todos estes concertos mas já falaremos disso.

Por agora e como a conversa já vai longa deixo-vos com o primeiro andamento do primeiro concerto de brandenburg (Brandenburg Concerto No.1 in F major, BWV 1046) pela Orquestra Barroca de Freiburg.

domingo, 14 de outubro de 2007

O cravo bem temperado

Continuando com Bach uma das obras que certamente recomendo é o conjunto de peças intituladas "O Cravo bem temperado". Pessoalmente gosto particularmente das fugas. Aqui fica um exemplo (Prelude & Fugue C major BWV 870) através do qual se podem iniciar nesta pequena maravilha.



Mantendo a tradição de vos ir também apresentando alguns pianistas famosos proponho-vos hoje Sviatoslav Teofilovich Richter. Sem dúvida um dos mais talentosos pianistas do século XX. Nasceu em Zhitomir (na actual ucrania) em 20 de Março de 1915 tendo falecido em 1 de Agosto de 1997 em Moscovo. Oiçam e vejam esta curta execução:



Dizia Richter sobre Bach : "Não faz mal nenhum ouvir Bach de tempos a tempos mesmo que seja apenas com intuitos higénicos". Já agora se quiserem saber mais sobre este pianista podem visitar este site: http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=132135283

Poderão eventualmente notar se lerem os comentários que esta interpretação não é apreciada por todos. As duas criticas principais que fazem é que é demasiado mecânica e que Bach nunca a teria tocado assim (lembram-se de vos ter falado de interpretes e orquestras de época ?). Para terem um termo de comparação eis como soaria Bach num instrumento mais parecido com as da época (também interpretado por um pianista de que já ouvimos uma peça de Bach - Glenn Gould).



A minha opinião? Bem lembram-se de vos ter dito que para mim a música ouve-se com o coração não com a cabeça? Não vos emocionam ambas as interpretações ? Desde que exista alma é música e é belo ...

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Concerto para dois violinos e orquestra

Uma das outras obras de Bach de que gosto particularmente é o concerto para dois violinos e orquestra. No video seguinte podem assistir a uma interpretação histórica de dois dos grandes violinistas do século XX: Menuhin e Oistrack. Aliás este concerto tem também uma história ... que vai também ficar para depois ...

Por agora deliciem-se com uma parte do primeiro andamento.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

Continuando com Bach ....

Para outro estado de espiríto ainda com Bach hoje propomos uma dos concertos de Brandenburgo (sim há mais do que um, seis para ser mais preciso). Qual recomendo?

Bem é dificil . Por razões pessoais o que ouvi mais foi sem duvida o quarto concerto e dentro desse concerto sem duvida o terceiro andamento. Ouvir um concerto começando pelo fim obviamente é coisa que não se faz e por isso mesmo ... comecem exactamente pelo terceiro andamento ... Já agora este concerto como todos os restantes concertos de Brandenburgo segue a forma clássica de concerto - um andamento rápido seguido de um lento para terminar num rápido.

Aqui vai um link para uma execução de uma orquestra barroca desse terceiro andamento (diz-se que uma orquestra é barroca quando pela sua formação, pela forma como toca ou afina os instrumentos, pelos próprios instrumentos que toca procura reproduzir um som o mais semelhante possível ao período barroco).



Aproveitando para vos apresentar um dos maiores pianistas de todos os tempos não percam também a seguinte performance do quinto concerto de Brandenburgo (1º andamento) por Glenn Gould.

Bach - O grande mestre do barroco

Se Vivaldi é contestado por alguns, Bach reúne uma quase unanimidade. Prometemos que ia ser fácil começar a gostar de música clássica, certo ? Curiosamente Bach não tem eventualmente uma melodia tão conhecida como as Quatro Estações de Vivaldi ... Porque hoje estou balanceado para a introspecção proponho para começarem por ouvir: "Bach's Air on the G String".

Como de costume porque ver é melhor do que simplesmente ouvirem recomendo por exemplo no You Tube a Sarah Chang que é uma das promessas da nova geração de violinistas (já agora tem vindo regularmente a Portugal tocar na Gulbenkian).

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