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Não será com toda a certeza exagero afirmar que Glenn Gould terá sido o primeiro artista multimedia do mundo. Na verdade Glenn foi um dos que percebeu de forma consciente (outros tinham-no entendido de forma menos consciente como Bernstein ou mesmo Karajan) o poder da imagem e o poder que resultava da junção de meios audiovisuais.
Glenn Gould fez inúmeros programas de televisão e rádio e foi escritor demonstrando sempre em todos os meios a originalidade e genialidade que lhe conhecemos no piano.
Sem dúvida que neste aspecto a série de programas de Rádio a que chamou "Contrapuntal Radio" foram as mais significativas. Gould produziu sete programas diferentes. 4 programas foram sobre músicos que admirava e outros 3 , obras verdadeiramente notáveis, sobre a solidão. Dizia Gould que era sobre a retirada voluntária do mundo, a "Triologia da Solidão" como lhe chamava.
O primeiro e mais conhecido chama-se "The Idea of North" (1967) sobre a vida no Norte do Canadá. Oiçam aqui Glenn Gould a falar deste programa explicando como utiliza as vozes sobrepostas de cinco pessoas um pouco como o compositor Webern. O segundo (1969) chama-se "The Latecommers" abordando o tema da vida na Newfoundland. O terceiro (1977) "The Quiet in the Land" é sobre a vida dos Mennonites em Manitoba.
Na verdade em qualquer um destes programas de rádio estamos a falar de mais do que simples informação, aliás esta como tal nem sequer é sempre perceptível. Estamos a falar da utilização da voz como elemento de composição. Um outro artista de Vancouver Joan McCrimmon Hebb criou um conceito de colagens "The Inner Ear" baseado nos programas de Glenn. Terminamos este post convidando-vos a dar uma vista de olhos pelas imagens e pelos extractos dos programas.