Como poderão ter lido ontem no post com as recomendações para o fim de semana o maestro Álvaro Cassuto comemorou este ano 50 anos de carreira. Alvaro Cassuto é um dos mais representativos maestros e compositores portugueses.
Nasceu no Porto a 17 de Novembro de 1938 tendo estudado com Artur Santos e Lopes Graça. Prosseguiu os seus estudos com Klussmann em Hamburgo tendo obtido o grau de director de orquestra no conservatório de Viena em 1965. Trabalhou e estudou com alguns dos mais reputados maestros na Europa e nos estados Unidos, Ahlendorf, Karajan, Ferrara e Stokowski. Enquanto esteve nos Estados Unidos ganhou o prémio Koussevitzky em Tanglewood (1969).
Dirigiu as maiores orquestras europeias e americanas tendo fundado em 1985 a Orquestra Nova Filarmonia. A sua carreira não se resume à direcção de orquestra tendo composto várias obras algumas que resultaram do contacto com Stockhausen, Ligeti and Messiaen que decorreu em cursos que seguiu em Darmstadt. Na verdade as suas duas Sinfonias Breves (1959-1960) introduziram o serialismo em Portugal. Porém nos últimos anos da sua carreira sobretudo a partir de meados da década de 70 a sua carreira enquanto maestro sobrepôs-se à carreira de compositor.
Neste extracto que encontrei no You Tube podem ver fotografias de um ensaio de uma das suas composições. Neste outro extracto podem ouvir o maestro a dirigir a Sinfónica da Cidade de Londres numa obra de Marcos Portugal enquanto que neste outro podem ouvir uma obra de Joly Braga Santos (Orquestra Sinfónica da Irlanda). Seria injusto não vos mostrar Alváro Cassuto a dirigir uma obra do seu mestre Fernando Lopes-Graça . Escolhemos uma obra Sinfónica com Violoncelo obliggato encomendada por Rostropovich e gravada ao vivo em 1995. Podem ouvir aqui (Irene Lima no violoncelo).
Esta biografia foi baseada em elementos biográficos retirados do site da Naxos e da Enciclopédia Grove Music.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
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sábado, 20 de junho de 2009
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Maestro Karel Ancerl (1908-1973)
Karel Ancerl nasceu em Tucapy a 11 de Abril de 1908 tendo estudado no conservatório em Praga com Jaroslav Kricka (composição) e Pavel Dedecek (direcção de orquestra) e também Vaclav Talich que observava a dirigir a Orquestra Sinfónica da então Checoslováquia.
Mesmo antes da segunda grande guerra a sua carreira começava a despontar tendo obtido excelentes criticas em concertos que realizou em Viena (1932) e Amsterdão (1933). Com a invasão da Checoslováquia é retirado das suas funções enquanto maestro da Rádio Nacional e obviamente impedido de dirigir a Sinfónica Checa acabando por ser enviado para o campo de concentração de Teresin em 1942 e posteriormente para Auschwitz onde foi obrigado a "fazer" música em condições que conhecemos.
Após o fim da guerra tendo sobrevivido miraculosamente ao campo de concentração, Karel Ancerl torna-se maestro da sinfónica checa que dirige entre 1950 e 1968 tendo sido o grande responsável pela elevação dessa orquestra a um nível ímpar e ao nível das melhores orquestras europeias.
Em 1968 após a malograda Primavera de Praga Karel Ancerl resolve emigrar tendo ainda dirigido com sucesso algumas orquestras sinfónicas norte-americanas e canadianas. Porém os efeitos da estadia nos campos de concentração fizeram-se sentir e Karel apenas viveu mais cinco anos após ter abandonado o seu país.
Karel Ancerl faleceu no dia 3 de Julho de 1973.
Mesmo antes da segunda grande guerra a sua carreira começava a despontar tendo obtido excelentes criticas em concertos que realizou em Viena (1932) e Amsterdão (1933). Com a invasão da Checoslováquia é retirado das suas funções enquanto maestro da Rádio Nacional e obviamente impedido de dirigir a Sinfónica Checa acabando por ser enviado para o campo de concentração de Teresin em 1942 e posteriormente para Auschwitz onde foi obrigado a "fazer" música em condições que conhecemos.
Após o fim da guerra tendo sobrevivido miraculosamente ao campo de concentração, Karel Ancerl torna-se maestro da sinfónica checa que dirige entre 1950 e 1968 tendo sido o grande responsável pela elevação dessa orquestra a um nível ímpar e ao nível das melhores orquestras europeias.
Em 1968 após a malograda Primavera de Praga Karel Ancerl resolve emigrar tendo ainda dirigido com sucesso algumas orquestras sinfónicas norte-americanas e canadianas. Porém os efeitos da estadia nos campos de concentração fizeram-se sentir e Karel apenas viveu mais cinco anos após ter abandonado o seu país.
Karel Ancerl faleceu no dia 3 de Julho de 1973.
sábado, 25 de outubro de 2008
Leonard Bernstein - Quarta Parte - O famoso concerto com Gould
No ultimo post tínhamos terminado com o problema que Bernstein sentia com o facto de não ser tomado a sério como compositor ao mesmo nível que a sua actividade como Maestro. Na verdade o problema era bem mais abrangente dado que Leonard Bernstein também escrevia e a sua composição não só abrangia o espectro clássico como também a Broadway onde aliás teve vários sucessos do qual provavelmente West Side Story é o mais conhecido.
Aliás muitos amigos de Leonard Bernstein insistiram por várias vezes com ele para deixar a música clássica e dedicar-se na totalidade à música para a Broadway.
Porém o post de hoje diz respeito a um caso bem conhecido na biografia de Bernstein e que para além disso está relacionado com um concerto para piano do compositor de que estamos neste momento a falar: Brahms. O que se passou nessa noite de 6 de Abril de 1962 (alguns sites dão datas diferentes suponho que devido à transmissão radiofónica ter sido efectuada foi que Bernstein para relativo espanto do público decide falar antes do concerto. A peça era o Concerto nº 1 para piano de Brahms. O solista o nosso conhecido Glenn Gould. Nessa noite Leonard Bernstein resolve dizer o seguinte (podem ouvir o extracto ao vivo aqui) - a tradução a partir de uma transcrição inglesa é minha:
"Não tenham receio Glenn Gould está cá. Vai aparecer dentro em breve. Como sabem não tenho por hábito falar antes dos concertos excepto nas Previews de Quinta-Feira à noite mas levantou-se uma situação curiosa que penso merece uma ou duas palavras. Vão ouvir dentro em breve uma interpretação, digamos, muito pouco ortodoxa do Concerto de Brahms em Ré menor, uma interpretação que é completamente diferente de qualquer uma que eu já tenho ouvido ou que tenha mesmo sonhado ouvir, pelos seus tempos incrivelmente lentos e frequentes alterações às dinâmicas indicadas por Brahms. Não posso dizer que estou totalmente de acordo com a interpretação de Glenn Gould o que levanta a interessante questão: Porque razão estou a dirigi-la ? Estou a dirigi-la porque Glenn Gould é um artista tão válido e sério que tenho de tomar a sério tudo o que ele concebe em boa fé e a sua interpretação é suficientemente interessante para que eu ache que também a devem ouvir também.
Porém a velha questão permanece. Num concerto quem é o "patrão" ? O solista ou o maestro ? A resposta é claro é que uma vez é um outra vez outro dependendo das pessoas envolvidas. Mas quase sempre os dois conseguem chegar a acordo por persuasão, sedução ou mesmo ameaça. Apenas uma vez na minha vida, antes desta, tive de me submeter a solista com uma visão completamente nova e incompatível com a minha e essa vez foi da ultima vez que dirigi um concerto com Glenn Gould. Porém desta vez a diferença é tão grande que sinto dever fazer este pequeno aviso prévio. Então repetindo a questão: Estou a dirigi-lo? Porque não faço eu um pequeno escândalo, contrato um solista substituto ou deixo um assistente dirigir a orquestra? Bem porque estou fascinado, feliz de tido a oportunidade de ter observado um novo olhar a uma obra tantas vezes interpretada e porque - por acréscimo - há momentos na interpretação de Glenn Gould de que emergem uma frescura e convicção absolutamente surpreendentes. Em Terceiro lugar porque todos podemos aprender qualquer coisa com este artista extraordinário, que é um artista que pensa e finalmente porque na música há um elemento a que Dimitri Mitropulos tinha por hábito chamar "o elemento desportivo" o tal factor de curiosidade, de aventura e de experimentação. Posso assegurar-vos que tem sido efectivamente uma aventura esta semana a colaboração com Glenn Gould neste concerto de Brahms. É portanto nesse espírito de aventura que o vamos apresentar.
Este discurso foi tomado durante muito tempo como uma atitude de desresponsabilização de Bernstein face à interpretação de Gould e por isso mesmo um ataque ao pianista. Bernstein manteve que esta introdução tinha o acordo de Gould. A verdade é que este é um momento único em que verdadeiramente se coloca na prática uma questão interessante. E que por acaso Berstein até nem aborda dessa forma. A questão que Bernstein poderia abordar e escolhe não o fazer (e notem - quem conhece os Concertos para jovens por exemplo sabe do que estou a falar)
é precisamente se na música clássica o fundamental é a interpretação ou a precisão, a total aderência ao que está escrito. Tivesse-o feito Bernstein estaria a colocar Gould contra Brahms, o interprete face ao compositor. Bernstein embora tenha referido as diferenças com o que Brahms escreveu não o coloca nessa perspectiva. Coloca-o na diferença de interpretações entre ele e Gould o que certamente é não só elegante como lhe permite sustentar a aceitabilidade das suas diferenças.
Este episódio pode parecer apenas isso. Um episódio. Porém para mim reflecte muito do carácter de Bernstein a forma como encarava a vida e a música e sinceramente acho que é uma lição, uma das melhores lições de como embora divergindo nas opiniões - desde que acreditando na honestidade intelectual e na seriedade do outro - se pode fazer música. E sim esta é uma metáfora para a vida e outras áreas.
Se quiserem comprar o disco que regista este momento único saibam que durante muito tempo apenas existiram cópias pirata resultantes da transmissão radiofónica. As versões legais que existem hoje resultam também dessa mesma emissão radiofónica e logo em termos de som não são fantásticas mas para quem queira ouvir a diferença têm um valor histórico. Hoje graças à net podem facilmente obter um disco já utilizado na Amazon.co.uk (aqui não têm o problema dos direitos de alfandega - os portugueses, desculpem os nossos amigos leitores brasileiros). Podem também adquirir uma versão electrónica no ITunes. Para quem queira apenas ouvir uma parte do concerto consegui encontrar aqui uma versão que tem a introdução inicial de Bernstein e o final do terceiro andamento.
Aliás muitos amigos de Leonard Bernstein insistiram por várias vezes com ele para deixar a música clássica e dedicar-se na totalidade à música para a Broadway.
Porém o post de hoje diz respeito a um caso bem conhecido na biografia de Bernstein e que para além disso está relacionado com um concerto para piano do compositor de que estamos neste momento a falar: Brahms. O que se passou nessa noite de 6 de Abril de 1962 (alguns sites dão datas diferentes suponho que devido à transmissão radiofónica ter sido efectuada foi que Bernstein para relativo espanto do público decide falar antes do concerto. A peça era o Concerto nº 1 para piano de Brahms. O solista o nosso conhecido Glenn Gould. Nessa noite Leonard Bernstein resolve dizer o seguinte (podem ouvir o extracto ao vivo aqui) - a tradução a partir de uma transcrição inglesa é minha:
"Não tenham receio Glenn Gould está cá. Vai aparecer dentro em breve. Como sabem não tenho por hábito falar antes dos concertos excepto nas Previews de Quinta-Feira à noite mas levantou-se uma situação curiosa que penso merece uma ou duas palavras. Vão ouvir dentro em breve uma interpretação, digamos, muito pouco ortodoxa do Concerto de Brahms em Ré menor, uma interpretação que é completamente diferente de qualquer uma que eu já tenho ouvido ou que tenha mesmo sonhado ouvir, pelos seus tempos incrivelmente lentos e frequentes alterações às dinâmicas indicadas por Brahms. Não posso dizer que estou totalmente de acordo com a interpretação de Glenn Gould o que levanta a interessante questão: Porque razão estou a dirigi-la ? Estou a dirigi-la porque Glenn Gould é um artista tão válido e sério que tenho de tomar a sério tudo o que ele concebe em boa fé e a sua interpretação é suficientemente interessante para que eu ache que também a devem ouvir também.
Porém a velha questão permanece. Num concerto quem é o "patrão" ? O solista ou o maestro ? A resposta é claro é que uma vez é um outra vez outro dependendo das pessoas envolvidas. Mas quase sempre os dois conseguem chegar a acordo por persuasão, sedução ou mesmo ameaça. Apenas uma vez na minha vida, antes desta, tive de me submeter a solista com uma visão completamente nova e incompatível com a minha e essa vez foi da ultima vez que dirigi um concerto com Glenn Gould. Porém desta vez a diferença é tão grande que sinto dever fazer este pequeno aviso prévio. Então repetindo a questão: Estou a dirigi-lo? Porque não faço eu um pequeno escândalo, contrato um solista substituto ou deixo um assistente dirigir a orquestra? Bem porque estou fascinado, feliz de tido a oportunidade de ter observado um novo olhar a uma obra tantas vezes interpretada e porque - por acréscimo - há momentos na interpretação de Glenn Gould de que emergem uma frescura e convicção absolutamente surpreendentes. Em Terceiro lugar porque todos podemos aprender qualquer coisa com este artista extraordinário, que é um artista que pensa e finalmente porque na música há um elemento a que Dimitri Mitropulos tinha por hábito chamar "o elemento desportivo" o tal factor de curiosidade, de aventura e de experimentação. Posso assegurar-vos que tem sido efectivamente uma aventura esta semana a colaboração com Glenn Gould neste concerto de Brahms. É portanto nesse espírito de aventura que o vamos apresentar.
Este discurso foi tomado durante muito tempo como uma atitude de desresponsabilização de Bernstein face à interpretação de Gould e por isso mesmo um ataque ao pianista. Bernstein manteve que esta introdução tinha o acordo de Gould. A verdade é que este é um momento único em que verdadeiramente se coloca na prática uma questão interessante. E que por acaso Berstein até nem aborda dessa forma. A questão que Bernstein poderia abordar e escolhe não o fazer (e notem - quem conhece os Concertos para jovens por exemplo sabe do que estou a falar)
é precisamente se na música clássica o fundamental é a interpretação ou a precisão, a total aderência ao que está escrito. Tivesse-o feito Bernstein estaria a colocar Gould contra Brahms, o interprete face ao compositor. Bernstein embora tenha referido as diferenças com o que Brahms escreveu não o coloca nessa perspectiva. Coloca-o na diferença de interpretações entre ele e Gould o que certamente é não só elegante como lhe permite sustentar a aceitabilidade das suas diferenças.
Este episódio pode parecer apenas isso. Um episódio. Porém para mim reflecte muito do carácter de Bernstein a forma como encarava a vida e a música e sinceramente acho que é uma lição, uma das melhores lições de como embora divergindo nas opiniões - desde que acreditando na honestidade intelectual e na seriedade do outro - se pode fazer música. E sim esta é uma metáfora para a vida e outras áreas.
Se quiserem comprar o disco que regista este momento único saibam que durante muito tempo apenas existiram cópias pirata resultantes da transmissão radiofónica. As versões legais que existem hoje resultam também dessa mesma emissão radiofónica e logo em termos de som não são fantásticas mas para quem queira ouvir a diferença têm um valor histórico. Hoje graças à net podem facilmente obter um disco já utilizado na Amazon.co.uk (aqui não têm o problema dos direitos de alfandega - os portugueses, desculpem os nossos amigos leitores brasileiros). Podem também adquirir uma versão electrónica no ITunes. Para quem queira apenas ouvir uma parte do concerto consegui encontrar aqui uma versão que tem a introdução inicial de Bernstein e o final do terceiro andamento.
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Leonard Bernstein - Parte 3
Também em 1951 Leonard Bernstein dirigiu a estreia da sinfonia nº2 de Charles Ives. Notem que esta obra datava de 1901 mas nunca tinha sido estreada. Aliás este é um ponto muitas vezes ignorado da vida e obra de Bernstein que convém por isso salientar. O ponto que queremos enfatisar é o trabalho extraordinário que o maestro desenvolveu para conseguir divulgar e promover a obra de compositores americanos (e não só) contemporâneos. Foi o caso de Charles Ives mas foi também o caso de Copland (Bernstein tocou ao piano as "Variações" de Copland tantas vezes que estas eram quase consideradas a sua "marca" enquanto pianista) como também de Olivier Messiaen ou Carl Nielsen.
Talvez por ser ele próprio compositor e conhecer as dificuldades de conseguir fazer a sua música ser ouvida Leonard Bernstein revelou sempre muita disponibilidade para este tipo de divulgação.
Em 1957 Bernstein iniciou uma relação com a Filarmónica de Nova Iorque que iria durar até 1969. Neste período fez a série de 53 programas "Concertos para Jovens" que o tornaram conhecido na América e no Mundo. Uma parte destes concertos como já vos disse aqui pode ser adquirido em DVD que é uma colecção que recomendo obviamente. Há alguns programas que são pura e simplesmente geniais do ponto de vista da divulgação da música. Ia dizer da música clássica mas na verdade seria fazer-lhe uma grande injustiça. Não se fala apenas de uma das formas de música nos programas de Leonard Bernstein. Fala-se de música simplesmente.
Em 1960 grava o primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler, compositor com o qual é óbvio que Bernstein se identifica muitíssimo. Aliás para terminar e ligando com o tópico anterior basta ouvir o programa que Bernstein lhe dedicou (a Mahler) no ciclo de Concertos para Jovens para percebermos que Bernstein compreendia o drama do compositor. Não ser tomado a sério como compositor por ser também Maestro!
Aliás no mundo de hoje em que a especialização é palavra de ordem e em que se dá muita importância a uma total concentração num tópico exclusivo esse programa é extraordinariamente didáctico. Claro que podem também ler Saint-Exupery dividido entre a aviação e a literatura ...
Talvez por ser ele próprio compositor e conhecer as dificuldades de conseguir fazer a sua música ser ouvida Leonard Bernstein revelou sempre muita disponibilidade para este tipo de divulgação.
Em 1957 Bernstein iniciou uma relação com a Filarmónica de Nova Iorque que iria durar até 1969. Neste período fez a série de 53 programas "Concertos para Jovens" que o tornaram conhecido na América e no Mundo. Uma parte destes concertos como já vos disse aqui pode ser adquirido em DVD que é uma colecção que recomendo obviamente. Há alguns programas que são pura e simplesmente geniais do ponto de vista da divulgação da música. Ia dizer da música clássica mas na verdade seria fazer-lhe uma grande injustiça. Não se fala apenas de uma das formas de música nos programas de Leonard Bernstein. Fala-se de música simplesmente.
Em 1960 grava o primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler, compositor com o qual é óbvio que Bernstein se identifica muitíssimo. Aliás para terminar e ligando com o tópico anterior basta ouvir o programa que Bernstein lhe dedicou (a Mahler) no ciclo de Concertos para Jovens para percebermos que Bernstein compreendia o drama do compositor. Não ser tomado a sério como compositor por ser também Maestro!
Aliás no mundo de hoje em que a especialização é palavra de ordem e em que se dá muita importância a uma total concentração num tópico exclusivo esse programa é extraordinariamente didáctico. Claro que podem também ler Saint-Exupery dividido entre a aviação e a literatura ...
quarta-feira, 15 de outubro de 2008
Leonard Bernstein (Segunda Parte)
Continuando a série de Posts sobre Leonard Bernstein deixamos ontem aqui a nossa história logo após a estreia do Maestro.
Após a segunda guerra a carreira de Bernstein começou facilmente a ganhar velocidade. Em 1946 dirige a sua primeira opera nada menos que a estreia nos Estados Unidos da Ópera Peter Grimmes de Benjamin Britten. Oiça aqui Bernstein a falar deste compositor fantástico. Em 1949 estreia mundialmente a Sinfonia Turangalîla de Olivier Messiaen.
Leonard Bernstein tinha entretando sido director artistico da Orquestra da Cidade de Nova Iorque (não confundir com a Filarmónica que viria a dirigir alguns anos depois) entre 1945-48, período que do ponto de vista artistico foi bastante interessante.
Quando Koussevitzky faleceu em 1951 tendo em consideração a elevada opinião que este Maestro tinha de Bernstein (apesar das óbvias diferenças de estilo), Koussevitzky teria por exemplo dito "Este jovem é novo Koussevitzky" foi quase natural que Bernstein assumisse a direcção da Orquestra.
Após a segunda guerra a carreira de Bernstein começou facilmente a ganhar velocidade. Em 1946 dirige a sua primeira opera nada menos que a estreia nos Estados Unidos da Ópera Peter Grimmes de Benjamin Britten. Oiça aqui Bernstein a falar deste compositor fantástico. Em 1949 estreia mundialmente a Sinfonia Turangalîla de Olivier Messiaen.
Leonard Bernstein tinha entretando sido director artistico da Orquestra da Cidade de Nova Iorque (não confundir com a Filarmónica que viria a dirigir alguns anos depois) entre 1945-48, período que do ponto de vista artistico foi bastante interessante.
Quando Koussevitzky faleceu em 1951 tendo em consideração a elevada opinião que este Maestro tinha de Bernstein (apesar das óbvias diferenças de estilo), Koussevitzky teria por exemplo dito "Este jovem é novo Koussevitzky" foi quase natural que Bernstein assumisse a direcção da Orquestra.
terça-feira, 14 de outubro de 2008
Leonard Bernstein (1918-1990) - Primeira Parte
Faz hoje 17 anos que Leonard Bernstein faleceu. O ano passado neste mesmo dia escrevíamos este post. Este ano vamos tentar contar-vos um pouco mais sobre a vida deste maestro que devo confessar admiro muito. Se hoje gosto de música clássica há duas pessoas que não posso esquecer: Leonard Bernstein e António Vitorino de Almeida. Para celebrar este dia começamos hoje uma série paralela sobre este compositor em iremos abordar a sua vida e a sua obra.
Leonard Bernstein nasceu a 25 de Agosto de 1918 em Lawrence (Massachussets).
Leonard Bernstein não nasceu numa família de músicos. Porém desde muito cedo o gosto pelo piano foi evidente. Existem várias anedotas sobre a forma na qual esta paixão se revelou. A mais angraçada de todas envolve a sua tia que estando aparentemente a divorciar-se do marido (esta parte não tem nada de engraçado) teria enviado o seu piano vertical para casa dos Bernstein. Leonard então com dez anos teria tocado imediatamente nas teclas e exclamado num acto contínuo para a sua mãe: Quero ter lições! Porém teve de contar com a oposição do pai que apenas conseguiu vencer após terminar o secundário.
Estudou então música em Harvard com Walter Piston. Depois de ter terminado a licenciatura mudou-se para o Curtis Institute of Music onde estudou direcção de orquestra com Fritz Reiner . Conta a lenda que Fritz Reiner terá dado a Bernstein a única nota máxima em toda a sua carreira enquanto professor.
Bernstein continuou os seus estudos para a direcção de orquestra quando em 1940 começou a estudar com Serge Koussevitzky no Boston Symphony Orchestra's summer institute em Tanglewood. Mais tarde Bernstein viria a tornar-se assistente do grande maestro e dedicar-lhe uma das suas sinfonias (a sinfonia nº 2 - oiçam aqui um dos andamentos desta sinfonia).
A sua estreia enquanto maestro aconteceu totalmente por acaso quando a 14 de Novembro de 1943 Bruno Walter não pode dirigir a Filarmónica de Nova Iorque por estar engripado. O concerto foi transmitido pela rádio e no dia seguinte mereceu uma crítica favorável do New York Times. Do dia para a noite o nome Bernstein era famoso. Sorte típica de Bernstein diz-se. A verdade porém é que Bernstein tinha estudado meticulosamente as peças podendo assim substituir Bruno Walter se necessário. Por outras palavras Bernstein sempre foi um trabalhador incansável preparando meticulosamente o seu trabalho.
Leonard Bernstein nasceu a 25 de Agosto de 1918 em Lawrence (Massachussets).
Leonard Bernstein não nasceu numa família de músicos. Porém desde muito cedo o gosto pelo piano foi evidente. Existem várias anedotas sobre a forma na qual esta paixão se revelou. A mais angraçada de todas envolve a sua tia que estando aparentemente a divorciar-se do marido (esta parte não tem nada de engraçado) teria enviado o seu piano vertical para casa dos Bernstein. Leonard então com dez anos teria tocado imediatamente nas teclas e exclamado num acto contínuo para a sua mãe: Quero ter lições! Porém teve de contar com a oposição do pai que apenas conseguiu vencer após terminar o secundário.
Estudou então música em Harvard com Walter Piston. Depois de ter terminado a licenciatura mudou-se para o Curtis Institute of Music onde estudou direcção de orquestra com Fritz Reiner . Conta a lenda que Fritz Reiner terá dado a Bernstein a única nota máxima em toda a sua carreira enquanto professor.
Bernstein continuou os seus estudos para a direcção de orquestra quando em 1940 começou a estudar com Serge Koussevitzky no Boston Symphony Orchestra's summer institute em Tanglewood. Mais tarde Bernstein viria a tornar-se assistente do grande maestro e dedicar-lhe uma das suas sinfonias (a sinfonia nº 2 - oiçam aqui um dos andamentos desta sinfonia).
A sua estreia enquanto maestro aconteceu totalmente por acaso quando a 14 de Novembro de 1943 Bruno Walter não pode dirigir a Filarmónica de Nova Iorque por estar engripado. O concerto foi transmitido pela rádio e no dia seguinte mereceu uma crítica favorável do New York Times. Do dia para a noite o nome Bernstein era famoso. Sorte típica de Bernstein diz-se. A verdade porém é que Bernstein tinha estudado meticulosamente as peças podendo assim substituir Bruno Walter se necessário. Por outras palavras Bernstein sempre foi um trabalhador incansável preparando meticulosamente o seu trabalho.
quinta-feira, 25 de outubro de 2007
George Enescu
Nasceu na Roménia a 19 de agosto de 1881 tendo falecido em Paris a 4 de Maio de 1955.
George Enescu foi um violinista, condutor de orquestra, compositor e professor Romeno. Apesar de se ter notabilizado como professor Enesco foi também um notável compositor e instrumentista.
Oiça-o aqui a interpretar uma peça de Corelli.
George Enescu foi um violinista, condutor de orquestra, compositor e professor Romeno. Apesar de se ter notabilizado como professor Enesco foi também um notável compositor e instrumentista.
Oiça-o aqui a interpretar uma peça de Corelli.
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