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segunda-feira, 2 de abril de 2012

Dichterliebe - Ciclo de Canções de Schumann

Em 2009 publicamos um conjunto de posts sobre este ciclo de canções que forma com Winterreise e Die Schone Mullerin (estas de Schubert) o coração do Lied Alemão. Cada uma das canções é apresentada com o poema em alemão e a sua tradução em português.

Publicamos agora um índice para que possam ler (e ouvir) de forma mais fácil toda a sequência:

1.  Im Wunderschonen Monat Mai (No belíssimo mês de Maio)
2.  Aus meinen Tränen sprießen (Das minhas lágrimas brotam flores
3.  Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne (A Rosa, o lirío, a Pomba e o Sol)
4.  Wenn ich in deine Augen seh (Quando olho nos teus olhos)
5.  Ich will meine Seele tauchen (Quero mergulhar a minha alma - no cálice do lírio)
6.  Im Rhein, im heiligen Strome (No Reno, no Rio sagrado)
7.  Ich Grolle Nicht (Não guardo rancor)
8.  Und wüßten's die Blumen, die kleinen (E se o soubessem os botões das flores, os pequeninos)
9.  Das ist ein Flöten und Geigen (Há sons de Violino e de Flauta
10. Hör' ich das Liedchen klingen (Quando oiço a canção)
11. Ein Jüngling liebt ein Mädchen (Um Jovem ama uma Rapariga)
12. Am leuchtenden Sommermorgen (Numa radiosa manhã de Verão)
13. Ich hab' im Traum geweinet (Chorei nos meus Sonhos)(
14. Allnächtlich im Traume seh' ich dich (Vejo-te todas as noites nos meus sonhos)
15. Aus alten Märchen winkt es (Antigos Contos de Fadas)(
16. Die alten, bösen Lieder (As velhas canções zangadas)


terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) - Die alten, bösen Lieder - Robert Schumann

Terminamos hoje o ciclo Dichterliebe com a décima sexta canção que se chama Die alten, bösen Lieder (As antigas canções zangadas). Lembramos que na anterior canção Robert Schumann exprimira o desejo do paraíso (físico ou etéreo).

Para poderem ouvir esta canção mantenho hoje a escolha de Fischer-Dieskau em Salzburgo (1956) que podem ouvir aqui (a partir do minuto 2:50 ).

O poema em alemão 

Die alten, bösen Lieder,
die Träume bös' und arg,
die laßt uns jetzt begraben,
holt einen großen Sarg.


Hinein leg' ich gar manches,
doch sag' ich noch nicht was.
Der Sarg muß sein noch größer,
wie's Heidelberger Faß.


Und holt eine Totenbahre,
von Bretter fest und dick;
auch muß sie sein noch länger,
als wie zu Mainz die Brück'.


Und holt mir auch zwölf Riesen,
die müssen noch stärker sein
als wie der starke Christoph
im Dom zu Köln am Rhein.


Die sollen den Sarg forttragen,
und senken in's Meer hinab;
denn solchem großen Sarge
gebührt ein großes Grab.


Wißt ihr warum der Sarg wohl
so groß und schwer mag sein?
Ich senkt' auch meine Liebe
Und meinen Schmerz hinein.

O poema em português numa tradução minha a partir de uma versão em inglês:

As canções antigas e zangadas
os sonhos zangados e maus
vamos agora enterrá-los
num grande caixão.

Nele colocarei muitas coisas
embora não diga ainda quais
O caixão deve ser maior
que o tonel de Heidelberg

E buscar um ataúde de morte
e pranchas firmes e grossas
devem ser ainda mais fortes
que a ponte de Mainz

Devemos  levar o caixão até ao longe
Devem ser ainda mais fortes
que o poderoso St. Christopher
na Catedral de Colónia no Reno

Eles devem levar o caixão ao longe
e afundá-lo no mar
pois tal caixão
merece um grande túmulo

Como poderia o caixão
ser tão grande e pesado ?
Porque como ele afundei o meu amor
e a minha dor.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) : Aus alten Märchen winkt es - Robert Schumann

Se na décima quarta canção continuávamos no domínio dos sonhos nesta décima quinta e penúltima canção do ciclo Robert Schumann não os abandona totalmente muito embora agora sejam expressos na expressão do paraíso que não se entende completamente se será real ou uma expressão do desejo de deixar o mundo físico. A canção na partitura está marcada como devendo ser cantada de forma muito viva (com as duas ultimas estrofes - de forma muito expressiva). É nessas ultimas duas estrofes que o poeta marca o desejo de partir ....

Para poderem ouvir esta canção mantenho hoje a escolha de Fischer-Dieskau em Salzburgo (1956) que podem ouvir aqui.

O poema em alemão:

Aus alten Märchen winkt es
hervor mit weißer Hand,
da singt es und da klingt es
von einem Zauberland;


wo bunte Blumen blühen
im gold'nen Abendlicht,
und lieblich duftend glühen
mit bräutlichem Gesicht;


Und grüne Bäume singen
uralte Melodei'n,
die Lüfte heimlich klingen,
und Vögel schmettern drein;


Und Nebelbilder steigen
wohl aus der Erd' hervor,
und tanzen luft'gen Reigen
im wunderlichen Chor;


Und blaue Funken brennen
an jedem Blatt und Reis,
und rote Lichter rennen
im irren, wirren Kreis;


Und laute Quellen brechen
aus wildem Marmorstein,
und seltsam in den Bächen
strahlt fort der Widerschein.


Ach! könnt' ich dorthin kommen,
und dort mein Herz erfreu'n,
und aller Qual entnommen,
und frei und selig sein!


Ach! jenes Land der Wonne,
das seh' ich oft im Traum,
doch kommt die Morgensonne,
zerfließt's wie eitel Schaum.

A tradução em português a partir de uma versão inglesa:

Velhos contos de fada acenam-me
com uma mão branca
Cantos e ecos
de uma terra mágica

Onde desabrocham flores coloridas
num crepúsculo de ouro
que brilham docemente
como faces de noivas

E verdes árvores cantam
antigas melodias
e a brisa secretamente as transporta
e os passaros nelas gorjeiam

E o nevoeiro se levanta
brotando da terra
dançando aereamente
numa coreografia fantástica

E faíscas azuis queimam
cada folha e cada galho
e luzes vermelhas correm
em loucos aneis nebulosos

E fontes nascem ruídosas
de selvagem mármore branco
e em estranhos corregos
fazem brilhar ao longe os reflexos

Ah! Se eu pudesse lá entrar
o meu coração seria feliz
toda a angústia desapareceria
e poderia ser livre e abençoado!

Oh, essa terra de felicidade,
vejo-a muitas vezes nos meus sonhos
Mas no sol da manhã
derrete como simples neve.

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) - Allnächtlich im Traume seh' ich dich - Robert Schumann

Depois de na décima terceira canção  termos chorado nos nossos sonhos pela nossa bem amada nesta décima quarta canção continuamos a afirmar que Allnächtlich im Traume seh' ich dich, ou seja Vejo-te todas as noites nos meus sonhos. Nas partituras esta canção está marcada como devendo ser cantada bastante lentamente, como se não desejassemos que o sonho termine, digo eu.

Versão em Alemão

Allnächtlich im Traume seh' ich dich,
und sehe dich freundlich grüßen,
und lautaufweinend stürz' ich mich
zu deinen süßen Füßen.


Du siehest mich an wehmütiglich
und schüttelst das blonde Köpfchen;
aus deinen Augen schleichen sich
die Perlentränentröpfchen.


Du sagst mir heimlich ein leises Wort,
und gibst mir den Strauß von Zypressen.
Ich wache auf, und der Strauß ist fort,
und's Wort hab' ich vergessen.

Tradução (de minha autoria a partir de uma versão inglesa)

Todas as noites vejo-te nos meus sonhos
e vejo a tua amigável saudação
e gritando bem alto, atiro-me
a teus doces pés.

Olhas-me melancolicamente
e agitas docemente a tua pequena cabeça
dos teus olhos escorrem
pequenas lágrimas cor de pérola

Dizes-me uma secreta palavra doce,
e ofereces-me uma coroa de cipreste
acordo e a guirlanda desapareceu
e esqueci a palavra que me disseste.

Para esta décima quarta canção voltamos a Fisher-Dieskau (coloquem o video no minuto 5 se pretenderem ouvir apenas a canção 14, este vídeo começa na canção 12). Gravado em Slazburgo em 1956.

domingo, 15 de novembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) - Ich hab' im Traum geweinet. - Robert Schumann

Para os mais distraídos convirá dizer que estamos a examinar todas as 16 canções deste ciclo de Robert Schumann dado que é este o compositor cuja obra estamos neste momento a examinar. Podem ler por exemplo o anterior post sobre este ciclo referente à décima segunda canção - Numa radiosa manhã de Verão - num contraste interessante com o dia de hoje.

Esta décima terceira canção, Ich hab' im Traum geweinet que significa Chorei nos meus sonhos deve ser cantada de forma suave segundo o que está marcado nas partituras.

O poema em alemão e a respectiva tradução de minha autoria (a partir de uma versão em inglês) são as seguintes:

Ich hab' im Traum geweinet.
Mir träumte, du lägest im Grab.
Ich wachte auf, und die Träne
floß noch von der Wange herab.


Ich hab' im Traum geweinet.
Mir träumt', du verließest mich.
Ich wachte auf, und ich weinte
noch lange bitterlich.


Ich hab' im Traum geweinet,
mir träumte, du wär'st mir noch gut.
Ich wachte auf, und noch immer
strömt meine Tränenflut.

Tradução

Chorei nos meus sonhos.
Sonhei que jazias na tua campa.
Acordei e as lágrimas
ainda escoriam pelas minhas faces.

Chorei nos meus sonhos.
Chorei e tu procuraste-me.
Acordei e chorei
amargamente durante muito tempo

Chorei nos meus sonhos.
Sonhei e ainda eras boa para mim.
Acordei e ainda agora
as lágrimas percorrem meu rosto.


Para ouvirem esta canção proponho uma gravação de Richard Tauber de 1935.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) - Am leuchtenden Sommermorgen - Robert Schumann

A décima segunda canção do ciclo Dichterliebe chama-se Am leuchtenden Sommermorgen ou seja "Numa Radiosa manhã de Verão"

Am leuchtenden Sommermorgen
geh' ich im Garten herum.
Es flüstern und sprechen die Blumen,
ich aber wandle stumm.


Es flüstern und sprechen die Blumen,
und schau'n mitleidig mich an:
Sei uns'rer Schwester nicht böse,
du trauriger, blasser Mann.

Em Português numa tradução a partir do Inglês fica o poema algo do género:

Numa radiante manhã de Domingo
passeio no jardim
Aí as flores sussurram e falam
Eu no entanto passeio em silêncio

As flores sussuram e dizem
e olham-me como simpatia
"Não te zangues com a nossa irmã
triste e pálido homem"

Para ouvirem esta canção propomos Theo Adam.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) - Ein Jüngling liebt ein Mädchen - Robert Schumann

A décima primeira canção do ciclo que se chama Ein Jüngling liebt ein Mädchen o que significa "Um jovem ama uma rapariga" não tem qualquer marcação em termos de tempo. Para esta canção escolhemos uma interpretação de Askel Schiot (1906 - 1975), tenor dinamarquês  (oiçam a partir do minuto 5:20 até ao minuto 6:20)

Ein Jüngling liebt ein Mädchen,
die hat einen Andern erwählt;
der Andre liebt' eine Andre,
und hat sich mit dieser vermählt.


Das Mädchen nimmt aus Ärger
den ersten besten Mann
der ihr in den Weg gelaufen;
der Jüngling ist übel dran.


Es ist eine alte Geschichte
doch bleibt sie immer neu;
und wem sie just passieret,
dem bricht das Herz entzwei.

Um jovem ama uma rapariga
que escolheu outro homem
o outro ama outro ainda
e casou com esse outro

A rapariga apanha de raiva
O primeiro padrinho que
cruza o seu passo
O jovem sente-se mal parado.

Esta é uma velha história
Mas que permanece sempre jovem,
E para ele a quem acabou de acontecer
parte o seu coração em dois ...

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Dichterliebe (Op. 48) : Hör' ich das Liedchen klingen - Robert Schumann

A décima canção do ciclo que temos estado a desvendar canção a canção, com bastantes intermezzos pelo meio (nós avisamos), chama-se Hör' ich das Liedchen klingen o que em Português significa "Quando oiço a canção". Esta canção está marcada para ser cantada de forma lenta.

Hör' ich das Liedchen klingen,
das einst die Liebste sang,
so will mir die Brust zerspringen
von wildem Schmerzendrang.


Es treibt mich ein dunkles Sehnen
hinauf zur Waldeshöh',
dort lös't sich auf in Tränen
mein übergroßes Weh'.

A tradução do poema a partir de uma versão em Inglês é minha ... Confesso que desde que inventei algures neste ciclo uma qualquer Primavera não me atrevo a traduzir a partir do original ... Até porque Ich habe alles fergessen ...

Quando oiço a pequena canção
que cantava a minha bem amada
o meu coração quer partir-se
tão selvagem é a pressão da dor

Sou conduzido a um escuro desespero
Num qualquer alto bosque
onde se dissolve em lágrimas
a minha suprema grande dor

Continuamos a propor Fischer-Diskau (coloquem o video no minuto 4:30 para ouvirem a canção 10). Podem ler o post referente à canção anterior deste ciclo aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dichterliebe - Das ist ein Flöten und Geigen - Op. 48 - Robert Schumann

A nona canção do ciclo Dichterliebe chama-se Das ist ein Flöten und Geigen o que significa "Há Sons de Violino e de Flauta" estando esta canção marcada em termos de tempo como "Nicht zu rasch" ou seja não muito rápido. Relembramos que este ciclo tal como uma parte substancial da produção de Schumann para canto data do famoso "Lieder Yahr" ou Ano das Canções, ano esse que coincide como inicio da sua união com a sua paixão de sempre Clara Schumann, após um longo conflicto com o pai desta.

O texto em alemão é o que se segue (note-se que nesta canção como em outras do ciclo Schumann fez alterações sobre o poema original para melhorar a métrica e adapta-la à música).

Das ist ein Flöten und Geigen,
Trompeten schmettern darein.
Da tanzt wohl den Hochzeitreigen
die Herzallerliebste mein.


Das ist ein Klingen und Dröhnen,
ein Pauken und ein Schalmei'n;
dazwischen schluchzen und stöhnen
die lieblichen Engelein.

Numa tradução minha a partir de uma versão inglesa (não arrisco neste caso a tradução a partir do original) temos então:

Há sons de flauta e de violino
e as trompetes entram de rompante.
Seguramente está a dançar a dança do casamento
a minha bem amada

Há toques e rufares
de timbalos e tambores
e entre soluços e gemidos
estão os pequenos e queridos anjos.

Para esta canção propomos de novo uma interpretação de Fischer-Dieskau a partir do minuto 3:10.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Und wüßten's die Blumen, die kleinen - Dichterliebe Op. 48 - Robert Schumann

A oitava canção do ciclo chama-se Und wüßten's die Blumen, die kleinen , que traduzido é algo parecido a "E se o soubessem, os botões das flores, os pequeninos".

Para ilustrar esta canção voltamos a Fischer-Dieskau (vejam a partir do minuto 2:00, até lá é a canção 7 do ciclo)

Und wüßten's die Blumen, die kleinen,
wie tief verwundet mein Herz,
sie würden mit mir weinen
zu heilen meinen Schmerz.

Und wüßten's die Nachtigallen,
wie ich so traurig und krank,
sie ließen fröhlich erschallen
erquickenden Gesang.

Und wüßten sie mein Wehe,
die goldenen Sternelein,
sie kämen aus ihrer Höhe,
und sprächen Trost mir ein.

Die alle können's nicht wissen,
nur Eine kennt meinen Schmerz;
sie hat ja selbst zerrissen,
zerrissen mir das Herz.

E se o soubessem, os botões das flores, os pequeninos,
Quão profundamente ferido está o meu coração,
Todos chorariam comigo,
para curar a minha dor.

E se o soubessem os rouxinóis,
como estou  triste e doente,
perderiam o som alegre
da refrescante canção.

E se conhecessem a minha dor,
as pequenas estrelas douradas ,
desceriam das alturas
para me confortarem.

Todos eles não podem saber,
apenas um sabe a minha dor,
ela mesma tem, efectivamente, rasgado,
rasgado meu coração.

Nenhum deles pode saber,
apenas um conhece minha dor,
ela mesmo que verdadeiramente
rasgou o meu coração.

domingo, 4 de outubro de 2009

Ich Grolle Nicht - Dichterliebe, Op. 48 - Robert Schumann

A sétima canção do ciclo Dichterliebe, Ich Grolle Nicht (Não Guardo Rancor), está marcada como devendo ser cantada "não demasiado depressa".

Ich grolle nicht, und wenn das Herz auch bricht,
ewig verlor'nes Lieb! Ich grolle nicht.
Wie du auch strahlst in Diamantenpracht,
es fällt kein Strahl in deines Herzens Nacht,

das weiß ich längst.
Ich grolle nicht, und wenn das Herz auch bricht.
Ich sah dich ja im Traume,
und sah die Nacht in deines Herzens Raume,
und sah die Schlang', die dir am Herzen frißt,
ich sah, mein Lieb, wie sehr du elend bist.
Ich grolle nicht.


Uma tradução deste poema para português a partir de uma versão inglesa (tradução minha e logo passível de forte melhoria) é:

Não guardo ressentimento mesmo quando o meu coração estar a quebrar-se
Eterno Amor perdido! Não guardo ressentimento.
Apesar de brilhares num esplendor de diamante
Não jorra nenhuma luz do teu coração esta noite
Que conheci durante tanto tempo

Não guardo ressentimento apesar do meu coração estar a quebrar-se
Eu vi-te, verdadeiramente, nos meus sonhos,
e via a noite no espaço do teu coração
e vi a serpente que se alimenta do teu coração
Vi meu amor quão miserável és,
Não guardo ressentimento.

Para esta canção vamos mudar de interprete e neste caso para uma interprete o que não sendo o mais frequente (o ciclo originalmente foi pensado mais para vozes masculinas) não deixa de ser interessante. Escolhemos uma gravação de Victoria de Los Angeles de 1951.

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Im Rhein, im heiligen Strome - Dichterliebe - Op. 48 (Robert Schumann)

Retomando o conjunto de posts sobre este ciclo de canções que havíamos terminado aqui  a sexta canção deste ciclo chama-se Im Rhein, im Heiligen Strome (No Reno, no Rio Sagrado) e está marcada em termos de tempo como devendo ser cantada "Bastante Lento".

Im Rhein, im heiligen Strome,
da spiegelt sich in den Well'n
mit seinem großen Dome
das große, heilige Köln.


Im Dom da steht ein Bildniß
auf goldenem Leder gemalt.
In meines Lebens Wildniß
hat's freundlich hineingestrahlt.


Es schweben Blumen und Eng'lein
um unsre liebe Frau;
die Augen, die Lippen, die Wänglein,
die gleichen der Liebsten genau.

Numa tradução a partir do inglês de minha autoria este poema em português ficaria algo do tipo:


No Reno, No Rio Sagrado,
Existe espelhada nas ondas,
Com a sua grande Catedral
A grande e Sagrada Colónia


Na Catedral encontra-se uma imagem
gravada em couro dourado
Que no deserto da minha vida
tem brilhado amigavelmente


Lá as flores e os pequenos anjos
à volta da Nossa Senhora
os olhos, os lábios, as pequenas bochechas
São exactamente os da minha amada.
 
Continuamos com Fisher-Dieskau (esta sexta canção começa no minuto 6:10, 
para quem já tiver ouvido as primeiras cinco).  



quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Robert Schumann - Ich will meine Seele tauchen - Dichterliebe (Op. 48)

A quinta canção do ciclo chama-se Ich will meine Seele tauchen (quero mergulhar a minha alma). O post para a canção anterior pode ser lido aqui.

Quero mergulhar a minha alma
no cálice do Lírio 
O Lírio irá exalar 
a canção da minha bem amada.

A canção irá tremer
como o beijo da sua boca 
que uma vez me deu
numa hora maravilhosa.



A tradução a partir do inglês é minha. Para ilustrar esta canção continuamos com Fischer-Dieskau, esta canção começa perto do minuto 5:00 (o video inclui as canções 1 a 6 como já mencionamos em posts anteriores).

sábado, 19 de setembro de 2009

Robert Schuman - Wenn ich in deine Augen seh - Dichterliebe Op. 48

A quarta canção do ciclo Dichterliebe chama-se "Wenn ich in deine Augen seh" o que significa "Quando olho nos teus olhos".


Relembramos que o post sobre a terceira canção (para os que estão agora a "apanhar"este ciclo) pode ser encontrado neste link: A Rosa, o Lírio, a Pomba e o Sol . Por outro lado o post inicial sobre o ciclo completo pode ser lido neste link: Robert Schumann - Dichterliebe Op. 48

Wenn ich in deine Augen seh',
so schwindet all' mein Leid und Weh!
Doch wenn ich küsse deinen Mund,
so werd' ich ganz und gar gesund.

Wenn ich mich lehn' an deine Brust,
kommt's über mich wie Himmelslust,
doch wenn du sprichst: Ich liebe dich!
so muß ich weinen bitterlich.




Quando olho nos teus olhos,
Desaparece todo o meu arrependimento e dor
Mas quando beijo a tua boca,
fico completamente saudável

Quando me encosto no teu peito
entro no paraíso
mas quando me dizes "Eu te amo"
Choro então amargamente

A tradução do poema de Heine é minha a partir de uma versão inglesa em alguns versos que não entendi e a partir do alemão original na sua maioria. Esta canção tem na partitura a indicação de "Lentamente".

Continuamos com a interpretação de Fischer-Dieskau em Salzburgo em 1956. Esta canção inicia-se perto do minuto 3:10 do referido vídeo que inclui as canções 1 até 6 do ciclo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Robert Schumann - Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne - Dichterliebe (Op. 48)

A terceira canção do ciclo Dichterliebe chama-se Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne (A Rosa, o Lírio, a Pomba e o Sol). O poema e o post sobre a segunda canção - Aus Meinen Tränen sprießen pode ser encontrado aqui. Para variar hoje proponho uma interpretação de Fischer Dieskau gravado ao vivo no Festival de Salzburgo em 1956. Tal como para outras gravações este video também inclui várias canções do ciclo (da primeira à sexta)  pelo que só quer ouvir a terceira oiça a partir de 2:40 aproximadamente.

Die Rose, die Lilie, die Taube, die Sonne,
die liebt' ich einst alle in Liebeswonne.
Ich lieb' sie nicht mehr, ich liebe alleine
die Kleine, die Feine, die Reine, die Eine;
sie selber, aller Liebe Bronne,
ist Rose und Lilie und Taube und Sonne.
Ich liebe alleine
die Kleine, die Feine, die Reine, die Eine!

A rosa, o lírio, a pomba, o sol,
Certa vez, amei-os a todos em êxtase.
mas agora não os amo mais, agora só amo
o pequeno, o bom, o puro, aquela;
ela própria, fonte de todo amor,
é rosa e lírio e pomba e sol.
Apenas amo
o pequeno, o bom, o puro, aquela;

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Robert Schumann - Aus meinen Tränen sprießen - Dichterliebe (Op. 48)

Continuando o ciclo Dichterliebe passamos agora a falar da segunda canção Aus meinen Tränen sprießen   (Das minhas lágrimas brotam flores). Podem ler um post sobre o ciclo aqui  e sobre a primeira canção do ciclo aqui.


Aus meinen Tränen sprießen
viel blühende Blumen hervor,
und meine Seufzer werden
ein Nachtigallenchor,


Das minhas lágrimas brotam
muitas flores sofisticadas
os meus suspiros tornam-se
um coro de Rouxinol


und wenn du mich lieb hast, Kindchen,
schenk' ich dir die Blumen all',
und vor deinem Fenster soll klingen
das Lied der Nachtigall.


Se tu tiveres amor por mim
vou dar-te todas as flores
e na tua janela soará
o canto do Rouxinol

Continuamos a propor Theo Adam sendo que esta segunda canção podem-na ouvir a partir do minuto 1:33.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Robert Schumann - Im Wunderschonen Monat Mai - Dichterliebe (Op. 48)

Começando então o ciclo de 16 posts dedicados ao ciclo Dichterliebe (Op. 48) pela primeira canção que como referimos se chama "Im Wunderschönen Monat Mai"

Im wunderschönen Monat Mai,
Als alle Knospen sprangen,
Da ist in meinem Herzen
Die Liebe aufgegangen.
Im wunderschönen Monat Mai,
Als alle Vögel sangen,
Da hab ich ihr gestanden
Mein Sehnen und Verlangen.

No belo mês de maio ,
Quando todos os botões floriram
Há no meu coração
amor ressuscitado.
No belo mês de Maio,
Quando todos os pássaros cantavam,
Foi então que lhe confessei

os meus anseios e desejos

Para variar da interpretação que vos sugeri no primeiro post sobre este ciclo (Dichterliebe) proponho agora Theo Adam.

Notem que neste video estão incluídas algumas das canções seguintes do ciclo pelo que é provável que lhe façamos mais referências no futuro ... podem, é claro, ouvir tudo para irem adiantando a matéria :-)

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Robert Schumann - Dichterliebe (Op. 48)

Começar o ciclo de posts sobre as obras de Schumann não poderia ser de outra forma que não por um ciclo de canções. Escolhemos este por ser um dos que se baseia em poemas do seu amigo Henrich Heines. este ciclo foi editado em 1840 portanto em pleno no "Lieder Yahr".

De todos os ciclos de Schumann este será o mais dignificativo e forma com "Winterreise" e "Die Schone Mullerin" o coração do lied alemão.

Esta obra é composta por 16 canções que foram escolhidas entre os 65 poemas que fazem parte da base poética de Heines. Curiosamente um dos poemas deste conjunto foi aqui referido dado que foi também musicado por Mendelssohn que é aliás esta é a versão mais conhecida.

A primeira destas canções intitula-se Im Wunderschönen Monat Mai (No Magnifico Mês de Maio) . A exemplo do que fizemos para Winterreise vamos analisar cada uma destas dezasseis canções. Note-se que Schumann não se limitou a utilizar os poemas tal com foram publicados adaptando-os às necessidades musicais quando necessário.

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