quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O Museu de Instrumentos Musicais de Yale

Hoje começamos uma série de recomendações de visitas virtuais (ou físicas para os mais afortunados) com o Museu de Instrumentos Musicais de Yale. Embora o Museu disponha de secções dedicadas a vários tipos de instrumentos segundo o Museu deve-se distinguir a secção de teclados que embora seja menor em número que outros museus é particularmente interessante pela sua representatividade em todos os géneros e pela qualidade dos instrumentos a maioria dos quais ainda podem ser ouvidos.

Alias o que vos recomendamos é precisamente que na página do Museu escolham a opção de visita à exposição de teclados e depois sigam o guia audio que vos exp
lica a história dos 26 instrumentos seleccionados para a visita guiada.

O interessante nesta visita guiada é que além de podermos conhecer a história do instrumento na forma de um trecho audio com cerca de 2 minutos é ainda possível para os instrumentos que ainda podem ser tocados ouvir um trecho nele interpretado correspondente ao que poderia ser ouvido na época do mesmo.

Entre os 26 escolhemos para ilustrar o que terá sido um dos primeiros pianos correspondente ao tempo de Mozart. A imagem do instrumento que mostramos é um piano austríaco do século XVIII fabricado por Johann Jakob Koennicke.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Os palhaços (il Pagliacci)

A única obra de Ruggero Leoncavallo (1857-1919) ainda interpretada nos nossos dias. Hoje aqui invocada por aquilo que se passou algures num campo de futebol na Alemanha onde um pseudo-arbitro ajudado por um jovem que estava junto à linha e que simpaticamente vou chamar de palhaço resolveu ajudar os amigos Russos da Gazprom que por acaso do destino patrocinam a equipa alemã.

Lembrei-me do epíteto palhaço por ser aquele que me autorizo neste blog ... e bom para que fique tudo dentro da música e da santa paz deixo-vos com a minha ária preferida da referida ópera - também para que nos reconciliemos com os palhaços que não têm culpa nenhuma. E sim melhor teria feito a equipa de arbitragem de vestir o traje adequado ...

Delibes - Lakmé

Delibes (1836-1891) é um compositor francês que se destingiu essencialmente em obras para bailado ou ópera. Além da obra de que hoje falaremos Delibes é essencialmente conhecido pelo seu bailado Copélia.

Lakmé foi composta entre 1881 e 1882 e estreada no ano seguinte a 14 de Abril pela Ópera Comique na sala Favart em Paris. O libretto de Edmond Godinet e Philippe Gille é baseado em duas obras "Les babouches du Brahamane" de Théodore Pavie e do conto "Le Mariage de Loti" de Pierre Loti. Como era moda na altura a obra centra-se no Oriente trazendo um tema que não é propriamente original: Uma jovem nativa apaixona-se por um oficial que acaba por a abandonar - com o fim trágico que se pode facilmente adivinhar. Mas a banalidade do tema acaba precisamente neste curto resumo porque o resto, tanto o libreto como a música são tudo menos isso.

A ópera foi desde a sua estreia um sucesso imenso para Delibes tendo atingido mais de 1000 interpretações antes do inicio da Segunda Guerra Mundial.

Poderão estar a pensar: Não conheço. Enganam-se. Esta ópera em três actos contem pelo menos duas passagens que é impossível não terem ouvido já uma boa centena de vezes, no mínimo. Vamos começar por vos falar do "dueto da flores" que irão certamente reconhecer e que neste caso vos proponho numa versão não encenada de Anna Netrebko e Elina Garanca.

Para quem não domina o francês o suficiente para conseguir perceber o poema aqui fica uma tradução livre (e felizmente isenta da necessidade de métrica) de uma parte do mesmo.

Sobre a espessa cobertura 
onde o branco jasmim 
se entrelaça à rosa
na margem em flor
rindo pela manhã
Vem! desceremos juntos.
docemente 
[...]




A outra ária mais conhecida, a "Canção dos Sinos" é uma referência no que diz respeito ao canto lírico. Desta vez iremos escolher uma gravação histórica da grande Callas.

Onde vai a rapariga índia
filha dos Párias
quando a lua brinca
entre as grandes mimosas
Ela corre no musgo
e não se lembra
que em todo o lado se rejeitam
as filhas dos Párias
[...]



Mas verdadeiramente o que espanta nesta ópera para aqueles de vós que após terem ouvido estes dois excertos tenham essa curiosidade, o que verdadeiramente espanta dizia é a enorme quantidade de melodias que nos parecem absolutamente deliciosas. Obviamente uma obra que se recomenda na sua totalidade.


domingo, 19 de Outubro de 2014

Uma das poucas razões pelas quais poderia considerar comprar um IPad

Quem me conhece sabe que dificilmente poderia contemplar a compra de qualquer material da Apple (com a excepção do IPod um produto de que realmente gosto). Porém a Deutsche Grammophon parece empenhada em conseguir mudar a minha opinião.

A razão? Bem duas aplicações uma com uma versão interactiva da minha obra preferida (a Nona Sinfonia de Beethoven) e agora como que para me convencerem definitivamente As Quatro Estações de Vivaldi.

O que é que estas Apps conseguem fazer de assim tão extraordinário que possam vencer a minha aversão natural (de geek mesmo) aos produtos da maçã? Bem nestas aplicações que resultam da parceria entre a Deutsche Grammophon e a Touch Press é possível por exemplo ouvir 4 interpretações da Sinfonia e ainda comparar as quatro "on the fly" mudando interactivamente entre elas, ouvir comentários sincronizados com as execuções ou ainda poder individualizar um instrumento ou naipe além de entrevistas a personalidades como Dudamel ou Gardiner.

Então vão fazer-me esperar muito por uma versão para Android ou querem mesmo que compre um IPad?

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