sexta-feira, 24 de Outubro de 2014

Concerto para Violoncelo em Si Menor - Dvorak

O ultimo dos concertos para um instrumento solista e Orquestra composto por Dvorak. Na opinião de muitos o melhor concerto de Violoncelo do reportório - pessoalmente estou dividido entre este e o de Shostakovich mas certamente uma das obras que prefiro. Na opinião de muitos a obra prima de Dvorak ainda superior à Nona Sinfonia (dita do Novo Mundo).

O concerto foi escrito entre 1894-1895 para o seu amigo violoncelista Hanus Wihan a quem é dedicado. Porém por razões de comunicação e de agenda a estreia da obra coube a Leo Stern a 19 de Março de 1896 em Londres no Queens Hall concerto dirigido pelo próprio Dvorak. Hanus Wihan acabou por o interpretar apenas em 1899 também sobre a direcção de Dvorak (entretanto várias interpretações desta obra fantástica tinham já ocorrido)

A obra segue o formato tradicional de concerto com um andamento rápido seguido de um andamento lento para no final voltarmos a um andamento rápido. Existem muitas interpretações sobre o significado emocional desta obra, existindo quem veja na mesma uma espécie de despedida na forma de uma autobiografia, outros que pensam que se trata da expressão da saudade e da alegria do regresso à terra natal (quando Dvorak iniciou a composição desta obra estava nos Estados Unidos afastado da mulher).

No nosso entender esta obra pode conter todas estas metáforas e outras tantas que a nossa alma imaginar tal é a riqueza e equilíbrio que revela.

1º Andamento Allegro (Si Menor - Si Maior) : Este andamento contém um dos temas mais facilmente reconhecíveis de Dvorak. Certamente um andamento inspirado pela sua experiência americana, um andamento cheio de energia e alegria, um claro contraponto ao resto do concerto que por razões que veremos é essencialmente triste e nostálgico.

2º Andamento  Adagio, ma non troppo (Sol Maior) : Se quanto ao anterior andamento podem subsistir dúvidas quanto ao seu "significado" neste caso estas dúvidas estão totalmente esclarecidas porque é sabido pelas palavras do próprio Dvorak que todo este andamento é dedicado a Josefina o seu primeiro grande amor e irmã de sua mulher com quem se casou após a rejeição da irmã. Uma citação de uma das canções preferidas de Josefina Kéž duch můj sám “Deixa-me Só” aparece, uma expressão da preocupação do compositor que tinha acabado de saber da doença da cunhada.

3º Andamento  Allegro moderato – Andante – Allegro vivo (Si Maior - Si Menor) : Este andamento prolonga a homenagem que o compositor faz à sua cunhada tendo já sido composto após o retorno à Checoslováquia e tendo já conhecimento da sua morte. O certo é que Dvorak foi especialmente

Quanto à qualidade e interesse desta obra basta referir o que Brahms disse a seu propósito, algo do género "Ah se eu soubesse que era possível escrever um concerto de Violoncelo destes ... Os Violoncelistas devem estar agradecidos a Dvorak por ter escrito uma obra destas .

A minha interpretação preferida desta obra? Bem mentiria se não vos dissesse que gosto de Rostropovich porém este concerto é um soneto à vida e ao amor e nesse sentido tendo a preferir a interpretação mais suave de Jacqueline Du Pré com a Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. E claro que se puderem adquirir a gravação que inclui também o Concerto para Violoncelo de Elgar terão num mesmo disco os dois concertos nos quais esta Violoncelista é para muitos imbatível (no caso de Elgar há maestros que terão dito que sem Jacqueline este concerto - o de Elgar - não é a mesma coisa ... mas isto será outra história).

quarta-feira, 22 de Outubro de 2014

O Museu de Instrumentos Musicais de Yale

Hoje começamos uma série de recomendações de visitas virtuais (ou físicas para os mais afortunados) com o Museu de Instrumentos Musicais de Yale. Embora o Museu disponha de secções dedicadas a vários tipos de instrumentos segundo o Museu deve-se distinguir a secção de teclados que embora seja menor em número que outros museus é particularmente interessante pela sua representatividade em todos os géneros e pela qualidade dos instrumentos a maioria dos quais ainda podem ser ouvidos.

Alias o que vos recomendamos é precisamente que na página do Museu escolham a opção de visita à exposição de teclados e depois sigam o guia audio que vos exp
lica a história dos 26 instrumentos seleccionados para a visita guiada.

O interessante nesta visita guiada é que além de podermos conhecer a história do instrumento na forma de um trecho audio com cerca de 2 minutos é ainda possível para os instrumentos que ainda podem ser tocados ouvir um trecho nele interpretado correspondente ao que poderia ser ouvido na época do mesmo.

Entre os 26 escolhemos para ilustrar o que terá sido um dos primeiros pianos correspondente ao tempo de Mozart. A imagem do instrumento que mostramos é um piano austríaco do século XVIII fabricado por Johann Jakob Koennicke.

terça-feira, 21 de Outubro de 2014

Os palhaços (il Pagliacci)

A única obra de Ruggero Leoncavallo (1857-1919) ainda interpretada nos nossos dias. Hoje aqui invocada por aquilo que se passou algures num campo de futebol na Alemanha onde um pseudo-arbitro ajudado por um jovem que estava junto à linha e que simpaticamente vou chamar de palhaço resolveu ajudar os amigos Russos da Gazprom que por acaso do destino patrocinam a equipa alemã.

Lembrei-me do epíteto palhaço por ser aquele que me autorizo neste blog ... e bom para que fique tudo dentro da música e da santa paz deixo-vos com a minha ária preferida da referida ópera - também para que nos reconciliemos com os palhaços que não têm culpa nenhuma. E sim melhor teria feito a equipa de arbitragem de vestir o traje adequado ...

Delibes - Lakmé

Delibes (1836-1891) é um compositor francês que se destingiu essencialmente em obras para bailado ou ópera. Além da obra de que hoje falaremos Delibes é essencialmente conhecido pelo seu bailado Copélia.

Lakmé foi composta entre 1881 e 1882 e estreada no ano seguinte a 14 de Abril pela Ópera Comique na sala Favart em Paris. O libretto de Edmond Godinet e Philippe Gille é baseado em duas obras "Les babouches du Brahamane" de Théodore Pavie e do conto "Le Mariage de Loti" de Pierre Loti. Como era moda na altura a obra centra-se no Oriente trazendo um tema que não é propriamente original: Uma jovem nativa apaixona-se por um oficial que acaba por a abandonar - com o fim trágico que se pode facilmente adivinhar. Mas a banalidade do tema acaba precisamente neste curto resumo porque o resto, tanto o libreto como a música são tudo menos isso.

A ópera foi desde a sua estreia um sucesso imenso para Delibes tendo atingido mais de 1000 interpretações antes do inicio da Segunda Guerra Mundial.

Poderão estar a pensar: Não conheço. Enganam-se. Esta ópera em três actos contem pelo menos duas passagens que é impossível não terem ouvido já uma boa centena de vezes, no mínimo. Vamos começar por vos falar do "dueto da flores" que irão certamente reconhecer e que neste caso vos proponho numa versão não encenada de Anna Netrebko e Elina Garanca.

Para quem não domina o francês o suficiente para conseguir perceber o poema aqui fica uma tradução livre (e felizmente isenta da necessidade de métrica) de uma parte do mesmo.

Sobre a espessa cobertura 
onde o branco jasmim 
se entrelaça à rosa
na margem em flor
rindo pela manhã
Vem! desceremos juntos.
docemente 
[...]




A outra ária mais conhecida, a "Canção dos Sinos" é uma referência no que diz respeito ao canto lírico. Desta vez iremos escolher uma gravação histórica da grande Callas.

Onde vai a rapariga índia
filha dos Párias
quando a lua brinca
entre as grandes mimosas
Ela corre no musgo
e não se lembra
que em todo o lado se rejeitam
as filhas dos Párias
[...]



Mas verdadeiramente o que espanta nesta ópera para aqueles de vós que após terem ouvido estes dois excertos tenham essa curiosidade, o que verdadeiramente espanta dizia é a enorme quantidade de melodias que nos parecem absolutamente deliciosas. Obviamente uma obra que se recomenda na sua totalidade.


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