Este concerto, uma das primeiras obras publicadas de Prokofiev (Op. 10) em Ré Bemol Maior foi durante muito tempo desconsiderado por ser uma obra de juventude e também eventualmente por uma duração inferior ao habitual apenas cerca de 15 minutos que pareciam curtos para o desenvolvimento de uma ideia musical.
Isto dito é um concerto que recomendo para quem quer começar a ouvir música clássica e por isso faz parte da nossa lista das 100 obras. E recomendo porque tem para mim a característica das grandes obras; é impossível a indiferença a começar pela exuberância do seu tema principal.
Os três andamentos são interpretados sem pausa entre eles seguindo uma estrutura bastante clássica de andamento rápido - lento - rápido. A dedicatória ao seu professor Tcherepin (temido professor como Prokofiev dizia) transparece também na natureza um tanto clássica dessa estrutura.
O concerto foi composto em 1911 sofrendo uma revisão em 1912 tendo a sua estreia com Prokofiev enquanto solista sido a 7 de Agosto de 1912. Gostava de encontrar uma versão do próprio Prokofiev para vos mostrar mas não consegui. Assim sendo proponho na mesma uma excelente interpretação de Sviatoslav Richter com a Orquestra Sinfónica da Checoslováquia dirigida pelo magnifico Karel Ancerl numa gravação de 1953.
Dirão os especialistas que não é a sua melhor obra nem tão pouco o seu melhor concerto para piano e Orquestra. É porém uma obra que nunca deixa de me emocionar, totalmente. Já falamos deste concerto neste blog por várias vezes.
Poderão com legitimidade perguntar: Então porquê esta inusitada repetição? Essencialmente porque hoje ao almoço ao falar com alguém que tinha assistido à interpretação de uma peça deste compositor não me pude impedir de recordar de imediato a ultima vez que ouvi este concerto no CCB. Tanto mais que antes ou depois, sabem como são os nossos neurónios com a idade, perdem precisão mas ganham em associação de ideias voltou-se a falar da mítica sala agora a propósito de um outro género musical ... MPB - e já sabem que também gosto e de Gilberto Gil em particular.
Nesse ultimo concerto estava o pianista António Rosado e na Orquestra o meu filho algures no naipe de Violino. Chorei. Lembro-me que chorei, choro quase sempre - Se o primeiro andamento pela sua mistura entre o romântico e o épico já me toca o coração então o segundo é o toque final. O ultimo é (foi e será) para a desgraça ...
Hoje começamos uma série de recomendações de visitas virtuais (ou físicas para os mais afortunados) com o Museu de Instrumentos Musicais de Yale. Embora o Museu disponha de secções dedicadas a vários tipos de instrumentos segundo o Museu deve-se distinguir a secção de teclados que embora seja menor em número que outros museus é particularmente interessante pela sua representatividade em todos os géneros e pela qualidade dos instrumentos a maioria dos quais ainda podem ser ouvidos.
Alias o que vos recomendamos é precisamente que na página do Museu escolham a opção de visita à exposição de teclados e depois sigam o guia audio que vos exp
lica a história dos 26 instrumentos seleccionados para a visita guiada.
O interessante nesta visita guiada é que além de podermos conhecer a história do instrumento na forma de um trecho audio com cerca de 2 minutos é ainda possível para os instrumentos que ainda podem ser tocados ouvir um trecho nele interpretado correspondente ao que poderia ser ouvido na época do mesmo.
Entre os 26 escolhemos para ilustrar o que terá sido um dos primeiros pianos correspondente ao tempo de Mozart. A imagem do instrumento que mostramos é um piano austríaco do século XVIII fabricado por Johann Jakob Koennicke.
Quando o pianista austríaco Paul Wittgenstein (1887-1961) perdeu um dos braços na primeira guerra seria difícil imaginar o impacto que este facto teria no reportório para piano. Paul Wittgenstein estava no entanto determinado a prosseguir a carreira de solista que havia começado apenas um ano antes do inicio do conflito.
Utilizando a fortuna da sua família encomendou uma série de concertos para serem interpretados por pianistas que dispusessem apenas da mão esquerda. Entre os concertos encomendados figurava o de Ravel. Wittgenstein não tinha propriamente um feitio fácil e muitos dos concertos recebidos foram rejeitados e nunca interpretados. Sempre pagos mas simplesmente colocados numa gaveta, o que era possível dado ser uma condição de Wittgenstein a exclusividade de interpretação dos mesmos enquanto em vida.
O próprio concerto de Ravel não escapou a alguma polémica entre o compositor e o interprete e a estreia a 5 de Janeiro de 1932 pela Sinfónica de Viena dirigida por Robert Heger continha algumas adaptações que Ravel não aprovava. Temos a sorte de poder ouvir no YouTube uma gravação histórica pelo próprio Wittgenstein de 1937 com a Orquestra do Concertgebouw dirigida por Bruno Walter.
Até essa data Ravel não tinha ainda escrito nenhuma obra de grande dimensão para piano embora tivesse intenção de o fazer, a encomenda de Wittgenstein foi o catalisador para que escrevesse em simultâneo o concerto de que hoje falamos e o muito mais conhecido Concerto em Sol Maior.
Este concerto foi concebido como uma peça num unico andamento que pode ser dividido em três partes que seguem a habitual configuração do concerto "lento-rápido-lento" porém sem a interrupção formal dos andamentos separados.
Inicialmente uma das características que não agradou particularmente a Wittgenstein foi a nítida influência do Jazz já presente em várias composições de Ravel na altura e que neste concerto não deixam de aparecer em vários momentos da peça - especialmente na contribuição da percussão e dos sopros.
O concerto começa com um pianissimo que é quase inaudível interpretado pela orquestra que é depois seguido de uma primeira longa cadenza interpretada pelo piano solo. De novo mais uma das razões de desacordo entre Wittgenstein e Ravel que terá dito a propósito dessa cadenza : "Se quisesse tocar sozinho não teria encomendado um concerto para piano e orquestra". Uma belissima cadenza que introduz o tema principal.
O que é importante notar neste concerto é que a preocupação do compositor em não transformar este concerto numa prova de capacidades técnicas do solista acaba por lhe conferir um tom bastante sombrio pela utilização de uma maior quantidade de sons graves, de certa forma a fronteira normal da mão esquerda do pianista.
Especialmente notável é também a cadenza final onde confluem e são "misturados" todos os temas da obra num memorável crescendo . Deixamos para terminar uma interpretação completa de Jean Efflam Bavouzet com a Orquestra Philharmonia dirigida por Esa-Peka Salonen nas Proms de 2010.
Na nossa revisão das 100 obras que recomendo que vamos tentar finalizar até ao final deste mês (porque começaremos então um novo desafio ... uma nova lista por assim dizer) reparamos que a entrada sobre os Nocturnos ainda não tinha sido completada embora tivéssemos feito uma sequência de 10 posts sobre eles. Resolvemos assim para vossa conveniência reunir os 10 posts num único índice com um pequeno comentário sobre cada um deles sempre que justificado.
Post nº1 : Nocturno nº1 com um link para uma interpretação de Maria João Pires (o nocturno nº1 faz parte do Op. 9 juntamente com o nº2 e nº3 de que por acaso praticamente não falamos.
O que vos posso dizer de um concerto para Piano que me faz sistematicamente chorar? Que as suas fantásticas melodias inspiradas da música popular russa estão impregnadas de tal melancolia que lhes é impossível resistir?
O que vos posso dizer de um concerto que é sistematicamente referido como um dos mais populares e preferidos em várias votações? Por exemplo em Inglaterra já foi por vários anos o preferido na votação da rádio Classical FM.
O que vos posso dizer de uma obra que está claramente entre as minhas preferidas e uma das que quando me perguntam: Nunca ouvi um concerto de música clássica. O que me recomenda? Se estamos a falar de um concerto para Piano este é um deles sem margem para dúvida.
O concerto foi composto entre o Outono de 1900 e Abril de 1901 como uma espécie de terapia do enorme fracasso que a Sinfonia Nº1 do mesmo compositor representou e que fez Rachmaninoff mergulhar numa profunda depressão. Aliás o concerto é dedicado ao psicologo Dr. Dahl que curou o compositor através de hipnose convencendo-o que o seu concerto iria ser excelente. O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano e a Orquestra dirigida pelo seu primo Siloti. A estreia foi bem sucedida tendo o compositor vindo a vencer o prémio Glinka em 1904 com este concerto.
O Primeiro Andamento (Moderato) na forma de Sonata em Dó Menor começa com uma introdução pelo piano o que não sendo original (por exemplo o quarto de Beethoven também desta forma) não é muito usual e certamente introduz desde logo uma intensidade dramática. Note-se que este primeiro andamento foi composto depois do segundo e do terceiro e logo na verdade um dos temas deste primeiro andamento foi de certa forma inspirado no ultimo (e não o inverso como poderíamos pensar pela ordem de audição). este facto no entanto confere à obra um tipo de unidade que aprecio. Não existe cadenza nem seria necessário, as dificuldades do resto são suficiente demonstração do virtuosismo do pianista. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação de Heléne Grimaud com Abaddo a dirigir a Orquestra.
O Segundo Andamento (Adagio Sostenuto) é simplesmente fantástico, dificilmente posso encontrar adjectivos para a melodia que se vos soar familiar é porque é mesmo (oiçam All by Myself para perceberem). Um andamento na forma clássica de um Rondo normalmente utilizado para os terceiros andamentos e que de certa forma estabelece a calma antes da tensão que o terceiro andamento vai despertar. De novo proponho Heléne Grimaud para este andamento.
O terceiro andamento (Allegro Scherzando) na forma de Sonatina é marcado pelo crescimento gradual de uma tensão que é resolvida num fortíssimo que expõe de novo um dos temas. Até ao fim do concerto uma coda frenética praticamente não nos deixa respirar. Oiçam de novo Helène Grimaud.
Por fim reservo-vos uma surpresa uma interpretação completa do próprio Rachmaninoff da totalidade do concerto que para além de ser um dos preferidos do público continua a ser um dos preferidos dos pianistas (embora a sua natureza neo-romântica ou romântica tardia se preferirmos) desgoste alguns que prefeririam ver num compositor desta época uma escrita mais moderna.
Este concerto foi composto em 1839 uma década depois dos primeiros esboços do primeiro mas foi guardado sem que tenha sido publicado ou interpretado durante mais de uma década como aliás também aconteceu com o primeiro concerto como vimos ontem. Esta obra foi estreada a 7 de Janeiro de 1857 sendo solista o aluno de Liszt Hans von Bronsart a quem o concerto aliás é dedicado e a orquestra dirigida pelo próprio Liszt.
Se o primeiro concerto já demonstrava o carácter inovador de Liszt e profundamente romântico na forma este segundo leva essa característica ao extremo. Na verdade esta obra, claramente menos virtuosa na sua exigência técnica é composta por um único andamento dividido em seis partes (nem sempre são assim indicadas, sendo estas divisões na verdade bastante subtis podem existir diferentes interpretações). Mais ainda Liszt que como vos dissemos ontem foi o inventor do conceito de poema sinfónico inicialmente apelidou este concerto de "concerto sinfónico" um termo que o seu amigo Henry Litolff utilizou para definir um novo conceito em que o concerto deixava de ser apenas uma forma de exposição dos dotes de virtuoso do solista para ser um verdadeiro diálogo entre o instrumento solista e a orquestra.
Liszt acabou no entanto por abandonar essa intenção embora seja verdade que este concerto equilibra bastante o papel do solista e da orquestra. Tão importante quanto isso é a forma de composição em que Liszt leva ao expoente máximo a técnica de desenvolvimento temático e transformação de um único tema ao longo literalmente de toda a obra dando-lhe uma maravilhosa sensação de unidade.
O concerto começa com a exposição do tema que nos vai acompanhar durante 20 minutos nas suas várias metamorfoses, algumas dificilmente identificáveis, uma maravilhosa e tranquila primeira exposição pelos sopros que o piano começa por simplesmente acompanhar enquanto as cordas retomam a sua exposição. Estes primeiros minutos do concerto estão entre os meus preferidos. O ambiente quase melancólico é cortado pelo piano com um tema com um ritmo muito marcado que vai levar a orquestra a um picos emocionais da obra. A outra passagem de que gosto particularmente é aquela que corresponde à terceira parte em que um violoncelo solo introduz de novo o tema literalmente acompanhado pelo piano.
Escolhi para ilustrar esta obra uma gravação que não tendo grande qualidade sonora é uma interpretação histórica. Podemos nesta gravação ouvir Claudio Arrau com Filarmónica de Nova Iorque dirigida por Szell. Uma gravação de Dezembro de 1946.
Hoje voltamos à nossa lista de 100 obras completando a primeira parte de uma das entradas que dedicamos a Liszt. Falaremos hoje do seu primeiro concerto para Piano e Orquestra.
Antes disso deixem só referir que este compositor é um daqueles cujo papel na história da música é muitas vezes ignorado ou diminuído quando na realidade Liszt foi um homem absolutamente brilhante sendo a sua influência na segunda metade do século XIX absolutamente fundamental.
Este concerto começou a ser concebido em 1830 (os primeiros temas são desta data) tendo decorrido portanto mais de 25 anos até à sua estreia em Weimar a 17 de Fevereiro de 1855 sendo a orquestra dirigida por Berlioz e o solista o próprio Liszt. Imaginem o privilégio daqueles que estiveram nessa sala.
O concerto tem uma preocupação de unidade própria de Liszt sendo constituído por 4 andamentos que são interpretados sem interrupção entre eles (apesar disso não ser explicitamente referido por Liszt entre o primeiro e o segundo andamento essa é claramente a intenção compositor) . O concerto é relativamente curto (um pouco menos de 20 minutos) mas não deixa por isso de transmitir uma dimensão artística notável não só pelo virtuosismo pianistico necessário para a sua execução mas sobretudo pela forma do concerto que ao incluir um ultimo andamento que resume o material anteriormente exposto transmite precisamente aquele sentimento de unidade e integralidade que aprecio especialmente.
O facto do concerto conter 4 andamentos aproxima a sua forma mais de uma sinfonia do que do tradicional concerto o que não nos deve surpreender no inventor do poema sinfónico. Na verdade quase que podemos dizer que este concerto conta uma história, com um inicio e um fim.
O primeiro andamento (Allegro Maestoso) inclui um tema que é recorrente ao longo do concerto. neste primeiro perto do minuto 2 podem ouvir uma das passagens que prefiro, um dialogo sublime entre o piano e um clarinete "infelizmente" cortado pelo reaparecimento do tema agora num modo quase furioso como se quisesse terminar este momento de poesia. O segundo andamento (Quasi adagio) - minuto 6" na interpretação que escolhemos - começa com os violoncelos e os contrabaixos em surdina a exporem o tema que é de seguida retomado pelo piano numa forma suave que aos poucos vai crescendo. O terceiro andamento (Allegretto vivace - Allegro animato) é introduzido por um triângulo. O que hoje pode parecer perfeitamente normal foi na altura severamente criticado ao ponto do nosso amigo, o critico Hanslick o ter apelidado "O Concerto do Triângulo". O quarto andamento (Allegro marziale animato)
como o tempo indica tem quase um carácter de marcha militar. Dizemos quase porque se é verdade que existe aquele ritmo forte que marca uma marcha este andamento não deixa também de como dizia Liszt efectuar o resumo dos restantes andamentos trazendo-os a uma conclusão.
Para a poesia de Liszt pensamos que é adequado escolhermos o "poeta" dos interpretes, Arturo Benedetti Michelangeli com a NHK dirigida por Alexander Rumpf numa gravação ao vivo de 1965.
A semana passada começamos a falar-vos desta obra - Liszt : Études d'exécution transcendante - hoje iremos terminar com os últimos seis estudos. Relembremos apenas que daremos sempre duas alternativas uma com imagem fixa e uma segunda com vídeo. Não porque as interpretações com video sejam piores mas porque teriamos dessa forma um reduzido número de pianistas e quisemos aproveitar para vos mostrar mais nomes.
Étude No. 7 (Eroica) em Mi bemol Maior : Este estudo adequadamente partilha a mesma tonalidade da Sinfonia Eroica de Beethoven o que pode justificar só por si o nome embora musicalmente mais do que "eroico" o tom seja nobre e digno. Este estudo não é considerado tecnicamente tão difícil como alguns dos outros sendo que alguns pianistas preferem a versão de 1837. Voltamos a começar com Cziffra para depois vos mostrar de novo Berezovsky.
Étude No. 8 (Wilde Jagd) em Dó Menor : Um nome sem dúvida adequado para uma peça que decorre num ritmo frenético (marcado como Presto Furioso) e que pretende retratar uma caçada. A peça tem uma parte inicial rápida para no meio ter uma parte mais lírica (mas não menos difícil por isso) para de novo terminar numa série de oitavas e acordes descendentes verdadeiramente desafiantes. É um estudo que testa a capacidade de resistência de qualquer pianista. A primeira interpretação que escolhemos é de Evgeny Kissin.
Para a segunda interpretação deste mesmo estudo mantemos Boris Berezovsky. Note-se a propósito desta interpretação que consta que Liszt e os seus alunos conseguiam tocar este estudo em cerca de 4 minutos precisos. Hoje em dia conforme podem ver estamos mais na base dos 4:30 ...
Étude No. 9 (Ricordanza) em Lá Bemol Maior: É um contraste marcante com o estudo anterior. Uma melodia nostalgica com variações para tornarem a peça um verdadeiro estudo. Primeiro interprete escolhido Lazar Berman.
Para o nosso vídeo com imagem do pianista voltamos à juventude (relativa claro, este pianista nasceu em 1972) desta vez com Dmytro Sukhovienko.
Étude No. 10 (Allegro agitato molto) Fá Menor: Um dos dois estudos sem titulo. Este começa de forma bastante agitada mas vai aos poucos tornando-se mais calmo. Para a interpretação por um pianista de referência proponho-vos Richter.
Para a versão com imagem escolhemos uma pianista Lola Astanova sobretudo conhecida pelo seu gosto no que diz respeito ao estilo e à moda. Uma espécie de David Beckham feminino no mundo da música clássica.
Étude No. 11 (Harmonies du Soir) Ré Bemol Maior: Musicalmente este é um dos estudos mais exigentes (juntamente com o nº 12) embora tecnicamente seja dos mais acessíveis. É também um dos mais inovadores em termos de tonalidade já que várias experiências em harmonias cromáticas tornam a tonalidade algo ambígua. Um dos estudos mais populares pela maior acessibilidade (pelo menos aparente) tanto quanto pelo lirismo da melodia. Voltamos a Claudio Arrau para este estudo.
Na versão com imagem voltamos também a Berezovsky.
Étude No. 12 (Chasse-Neige) Si Bemol Menor : Apesar do nome poder indicar uma peça relativamente calma na verdade se de neve se trata então estamos perante uma verdadeira tempestade. Uma peça que combina a dificuldade do toque leve em certas partes com a autêntica tempestade que se abate por vezes sobre o teclado. Para esta peça escolhemos Jorge Bolet
Para terminar teríamos de voltar a Berezovsky . Notem que a maior parte das interpretações que vos mostrei são de um mesmo concerto. Nos dias de hoje arriscar os doze estudos ao vivo e em sequência é obra. Dizemos isto porque a nossa tendência em comparar com gravações e perdoar menos os erros técnicos preferindo a perfeição à musicalidade expõe muito os pianistas (e outros músicos claro) em peças desta natureza. Um acto de coragem sem dúvida num concerto que deve ter sido memorável.
A história destes estudos começou em 1826 quando Liszt então com apenas 15 anos escreveu uma série de doze estudos simplesmente chamada "Étude en Douze Exercices" (S. 136). É de notar que nesta altura Liszt vivia em Paris com a mãe e para sobreviver dava frequentes lições de piano de forma que estes estudos podem ter sido escritos com o objectivo de o ajudar nessa tarefa.
Uns largos anos mais tarde mais precisamente em 1837 Liszt viria a reescrever estes estudos chamando-os então "Douze Grandes Études" (S. 137). Já agora a titulo de curiosidade a nomenclatura que é seguida para identificar as obras de Liszt data de 1966 e é do musicologo e compositor Humphrey Searle (daí o "S"). A razão pela qual o número destas duas obras é consecutivo é que este catalogo segue uma ordenação temática e dentro dos temas cronológica. Isto significa que entre 1826 e 1837 Liszt não compôs nenhuma outra obra deste género. Nesta primeira revisão além de ter aumentado consideravelmente a sua dificuldade Liszt deu também um nome a todos os estudos excepto o nº 2 e o nº 10.
Em 1852 Liszt faria uma ultima revisão destes estudos (S.139) - sim neste intervalo existe uma outra obra deste tipo na realidade uma revisão intermédia do Estudo nº 4 - Mazeppa - essencialmente simplificando tecnicamente a execução (embora existam excepções à regra). Esta versão final foi dedicada por Liszt ao seu professor Carl Czerny ele também autor de vários conjuntos de estudos como todos os pianistas amadores mais ou menos sérios saberão.
Estes estudos na sua versão final tanto podem ser considerados como peças de estudo como peças de concerto pelo que são frequentemente interpretados e gravados pelos maiores pianistas não só pela sua dificuldade técnica mas também pela sua força expressiva. Antes de vos mostrar os estudos um por um falta apenas referir que cada um deles foi composto numa tonalidade diferente sendo que a intenção original de Liszt seria escrever um estudo para cada uma das 24 tonalidades tendo ficado assim a meio dessa tarefa.
Na escolha dos interpretes segui dois critérios diferentes e por isso por vezes vou mostrar-vos o mesmo estudo por dois pianistas. Em primeiro lugar procurei na medida do possível mostrar-vos interpretações de pianistas "históricos", daqueles que estão entre os melhores pianistas do século XX ou XXI. Em segundo lugar procurei privilegiar vídeos com imagens reais dos pianistas. Por fim procurei que houvesse uma escolha o mais ampla possível. Assim sempre que houve conflito entre estes três objectivos seleccionei duas ou mais interpretações.
Étude No. 1 (Preludio) em Dó Maior : Um estudo muito curto, cerca de um minuto, cheio de acordes poderosos e de rápidas escalas - com uma curta passagem lírica no meio, uma espécie de aquecimento para o que vem a seguir. Para esta interpretação escolhemos duas alternativas. Em primeiro lugar sem imagens Cziffra.
Depois ainda para este mesmo estudo agora com imagens Boris Berezovsky.
O Estudo Nº2 (um dos que não tem titulo) em Lá Menor marcado como "Molto Vivace" nas partituras é na verdade uma peça muito agitada para a qual escolhemos Claudio Arrau mas como não há imagens ao vivo teremos também para este nº2 uma outra interpretação.
Mantemos para este segundo estudo Boris Berezovsky porque dos que existem com imagem real é aquele que prefiro.
Passamos agora para o Étude No. 3 (Paysage) em Fá Maior (Paisagem). Uma peça como o nome pretende indicar serena que deve evocar um dia de contemplação bucólica no campo. Será eventualmente o menos difícil dos doze estudos. Para uma primeira interpretação sem imagens do pianista proponho-vos Vlademir Askhenazy.
Para vos mostrar um video com o pianista a interpretar este estudo e para não voltar a repetir Berezovsky proponho-vos Adam Neiman.
O Étude No. 4 (Mazeppa) em Ré Menor por contraste com o anterior é um autêntico galope quase do principio ao fim. Aliás o termo galope estará correcto tanto figurativamente como literalmente tendo em consideração que este estudo foi inspirado num conto escrito por Victor Hugo em que a personagem principal é arrastada num galope (literal). Liszt procurou transcrever esse galope no ritmo da peça. Deixem-se levar pelo ritmo absolutamente fantástico desta peça. Para uma primeira interpretação propomos o pianista francês François-René Duchable ("enfant terrible" da música clássica mas isso é outra história).
Para uma interpretação em video real desta vez a proposta recai sobre Miroslav Kultyshev.
Chegamos ao Étude No. 5 (Feux Follets) em Si Bemol Maior um dos que está entre os mais difíceis dado que temos não só as dificuldades relacionadas com velocidade mas também dinâmica e equilíbrio entre as duas mãos. Velocidade, ligeireza, tudo nesta peça é para ser tocado com delicadeza mas sem perder velocidade. Neste caso proponho-vos apenas uma interpretação porque consegui encontrar um pianista soberbo com um vídeo muitíssimo bom. Depois de Nikolai Lugansky não precisamos de mais ...
Como este post está já bastante longo iremos dividir esta viagem aos "Études d'exécution transcendante" em duas partes terminando este primeiro post precisamente a metade com o Étude No. 6 (Vision) em Sol Menor. Uma peça algo sombria e profunda com uma parte bastante movimentada e rítmica mas em simultâneo retratando uma atmosfera pesada que a tonalidade em Sol Menor não deixa de enfatisar. Para uma interpretação sem ver o pianista propomos Vladimir Ovchinnikov.
Para uma interpretação em que possamos ver o pianista e as suas mãos propomos de novo Miroslav Kultyshev . Penso que a diferença de ritmo é um pouco excessiva mas é uma interpretação cheia de fogo, creio que Liszt teria gostado.
Os restantes 6 estudos ficam para mais logo ou para amanhã logo se vê - depende de como correr o meu estudo de piano. Não, não com estas peças ...
A primeira parte de deste post pode ser lida aqui. Nessa primeira parte além de falarmos com um pouco mais de detalhe do primeiro concerto enquadramos a altura em que estes dois concertos foram compostos. relembremos que apenas uns meses os separam, que na realidade o nº 2 foi o primeiro a ser composto e que tudo isto aconteceu antes de Chopin ir para Paris portanto antes das crises existenciais e outras provocadas pelo seu romance com George Sand entre outras razões. A confusão pode existir na mente de alguns porque realmente o Concerto apenas foi publicado em 1836 quase coincidente com o inicio do atribulado romance. Na verdade o concerto especialmente o segundo andamento foi inspirado num dos amores da vida de Chopin, embora platónico. Sabe-se pelas cartas que o compositor escreveu que era Constantia Gladkowska o objecto dessa paixão.
O enquadramento que falta diz respeito à situação vivida então na Polónia que enquanto "país" não existia desde a segunda partilha de 1795. A nação polaca essa no entanto estava bem viva e Chopin era a materialização da sua alma, musical e não só. Meses depois de Chopin ter saído da Polónia rebentava em Varsóvia o levantamento contra a ocupação Russa (a Polónia tinha sido dividida entre a Rússia, a Prússia e o Império Austro-Húngaro ), levantamento esse que acabaria por se saldar numa guerra de oito meses e cerca de duas centenas de milhares de mortos.
Este concerto foi estreado em Varsóvia a 17 de Março de 1830 (sim a data está certa foi efectivamente estreado antes do nº 1 que apenas foi estreado em Outubro desse ano) sendo o primeiro concerto público do pianista no Teatro Nacional de Varsóvia (algumas fontes apontam a estreia para dia 21 de Março não sei qual das duas será correcta o que é facto é que o concerto deverá ter sido repetido a pedido do público). Já agora uma curiosidade sobre esta estreia que demonstra como a integridade da obra que tanto nos preocupa agora na altura era totalmente inexistente. Na verdade o primeiro andamento foi separado do segundo e terceiro por um "Divertimento" uma peça para trompa.
A recepção ao concerto assim apresentado começou de forma pouco entusiastica (no fim do primeiro andamento segundo Chopin apenas se ouvirão alguns bravos) mas depois nos dois seguintes parece ter existido uma verdadeira apoteose.
O concerto em Fá Menor Op. 21 possui tal como o primeiro uma estrutura perfeitamente clássica na organização dos andamentos rápido-lento-rápido.
O Primeiro Andamento (Allegro Maestoso) começa por uma longa exposição orquestral que apresenta o material temático que será desenvolvido a partir de então pelo solista no perfeito arquétipo do concerto romantico. Sim é verdade que são o solista e o piano as estrelas - é suposto ser assim. O papel de suporte da orquestra não é um defeito é uma característica do género, ainda assim têm um papel fundamental. É como, desculpem a prosaica comparação, tentar cozinhar sem sal - pode ser feito claro mas o realce do sabor do ingrediente principal perde-se. Neste caso sem a orquestra o piano perde o efeito. É por isso que não faz sentido comparar este concerto aos grandes mestres da orquestração do período clássico, Mozart ou mesmo os percursores do romantismo como Beethoven. Para eles efectivamente o interesse estava num subtil equilíbrio ou num intenso diálogo entre solista e Orquestra. Para Chopin o mesmo interesse está no total domínio do piano. São objectivos e pressupostos diferentes mas ambos defensáveis. Para este primeiro andamento proponho-vos Rubinstein com a Filarmónica de Londres dirigida por Previn numa gravação de 1975 (já agora este concerto está completo portanto se desejarem ouvir até ao fim com um grande mestre como Rubinstein não estarão a perder o vosso tempo - digo isto porque tenho sugestões diferentes para os próximos andamentos só para vos dar a conhecer outras interpretações).
O Segundo Andamento (Larghetto) é inspirado pelo estilo italiano uma belíssima canção de amor como referimos inspirada por Constantia Gladkowska jovem cantora no Conservatório de Varsóvia com quem Chopin nunca falou mas com quem sonhou durante meses. Chopin talvez por essa razão sempre adorou este andamento, sentimento no qual foi acompanhado por Schumann e Liszt que o consideravam uma verdadeira obra prima. Para o ilustrar escolhi uma interpretação por Wilhelm Kempff com a orquestra dirigida por Karel Ancerl numa gravação ao vivo de 1959 (segundo os dados fornecidos por quem fez o post no You Tube). Se a gravação for efectivamente dessa data então a Orquestra será a Filarmónica da Checoslováquia que dirigiu entre 1950 e 1968, sendo aliás o expoente dessa orquestra.
O terceiro andamento (Allegro Vivace) é o mais "polaco" dos três. Claramente inspirado numa Mazurka embora profundamente estilizada tem também espaço para um momento de inspiração orquestral quando depois de uma chamada às trompas a tonalidade muda bruscamente de um modo menor para um maior dando ao final um brilho totalmente inesperado. Para a interpretação deste andamento escolhemos Marta Argerich com a Sinfónica de Montreal dirigida por Charles Dutoit numa gravação de 1999.
Voltamos hoje a percorrer a nossa lista das 100 obras que recomendamos para começarem a ouvir música clássica sendo que a primeira desta lista que ainda não tem um post ao nível do que gostaríamos são precisamente os concertos para piano e orquestra de Chopin.
Estas são possivelmente as duas únicas obras de grande dimensão escritas por Chopin que incluem uma parte orquestral embora as más línguas considerem que mais valeria que não houvesse nenhuma. Nós discordamos e iremos brevemente explicar a razão pela qual não nos parece ser esta uma critica justa.
O primeiro facto que temos de abordar relativamente a estes dois concertos diz respeito às datas da sua composição e numeração. Efectivamente eles foram compostos entre 1829 e 1830 separados por apenas uns meses mas aquele que é o nº1 foi na realidade o segundo a ser composto mas o primeiro a ser editado daí a numeração ser invertida.
Ambos os concertos foram compostos quando Chopin ainda vivia em Varsóvia e são por essa razão obras que reflectem não só a força do compositor e a sua juventude (Chopin tinha na altura entre 19 e 20 anos) mas igualmente uma verdadeira e pura alma polaca.
Quanto às criticas relativas a estes dois concertos nomeadamente a relativa incompetência de Chopin em dominar a técnica de composição para orquestra é preciso referir que na verdade Chopin não tinha muita experiência em obras de grande dimensão e no desenvolvimento de ideias numa forma musical de maior duração. É também verdade que Chopin antes de receber formação em composição era já um compositor "auto-didacta" e já com uma notável popularidade nos salões da capital polaca. Porém não deixa também de ser verdade que Chopin recebeu depois desses primeiros anos de criança prodígio formação clássica com alguns excelentes professores de composição estudando a fundo as formas clássicas de composição.
No que me diz respeito eu penso que foi precisamente o seu lado auto-didacta que o levou a compor da forma como o fazia e que o que alguns musicólogos atribuem a uma certa inexperiência ou incapacidade eu atribuo a uma procura de uma forma diferente e mais emocional de compor. Não segue as normas? Não existe uma forma "sonata" perfeita no primeiro andamento? Não há cadência? Pois temos então de agradecer o facto de Chopin ter resolvido quebrar as normas. Esclarecido que estamos quanto à genialidade e à razão de ser da presença destas duas obras nesta lista passemos à música.
O Concerto nº1 em Mi Bemol menor, Op. 11 foi composto no ano de 1830 tendo sido estreado em Outubro desse ano em Varsóvia, num dos últimos (senão mesmo o ultimo) concerto que Chopin interpretou antes de deixar Varsóvia e rumar a Paris. O concerto é dedicado a Friedrich Kalkbrenner (a história deste pianista e compositor só por si merece um post que fica prometido). A razão desta dedicatória prende-se certamente com o facto de Chopin na altura considerar como hipótese tornar-se aluno de Kalkbrenner.
O concerto segue uma estrutura clássica no que diz respeito à natureza dos andamentos (rápido-lento-rápido) embora como vimos cada um deles tenha uma forma interna bastante inovadora.
O 1º andamento (Allegro maestoso) o mais longo dos três como é usual (na verdade é quase metade da duração total do concerto) contem três temas não existindo contrariamente à prática comum na época uma cadencia (possivelmente porque Chopin considerou não ser necessária). Para este concerto propomos uma interpretação de Evgeny Kissin com a Orquestra Filarmónica de Israel dirigida por Zubin Mehta.
O 2º andamento (Romance - Larghetto) mais uma vez não segue as regras usuais começando na mesma tonalidade que o primeiro andamento (não maximizando o contraste como era prática comum). No entanto contrariamente ao que alguns musicólogos afirmam esta continuidade pode ter sido perfeitamente voluntária. Chopin escreve a um amigo dizendo que este andamento deve ser entendido como uma contemplação imóvel de uma bela noite de verão. E sim por isso também têm razão se vos soar semelhante a alguns nocturnos na sua forma. Escolhi para este andamento uma orquestra mais pequena e um pianista muito menos conhecido mas não deixa de ser uma bela interpretação. A propósito se quiserem comparar podem perfeitamente continuar com a anterior (como verão é bem diferente).
O 3º andamento (Rondo - Vivace) é baseado numa dança popular polaca da região de Cracóvia, um Rondo cheio de vitalidade . Para este terceiro andamento escolhi uma gravação histórica de 1950 de Dinu Lipatti com Otto Ackermann a dirigir a Orquestra de Zurique.
Como este post está já bastante longo falaremos do segundo concerto num post separado (quando o tiver publicado colocarei aqui o link para que o possam seguir caso desejem). Para terminar convém dizer que este concerto foi extraordinariamente bem recebido na sua estreia tendo mesmo desencadeado um movimento para que fossem dadas todas as condições a Chopin para que ele não desejasse sair da Polónia.
Este post é inteiramente dedicado a um colega meu ( pois é Nuno, isto anda tudo obcecado :-) ) com o qual tenho discutido nos últimos tempos a pertinência (ou falta dela) do 3D. Parece que tudo neste momento anda aproximadamente louco com o tema ao ponto do pianista chinês Lang Lang ter anunciado (leiam aqui a notícia no Figaro) que irá protagonizar um filme em 3D.
Trata-se de um filme com uma história fantástica. Umas crianças descobrem um piano mágico e uma máquina voadora dotada de um telescópio; com ele vão descobrindo a música de Chopin. Será um filme de divulgação da música clássica pelo que se saúda a tentativa, apesar do 3D ... :-) Muito embora neste caso o 3D possa não querer dizer o mesmo que no filme Avatar por exemplo (pela descrição do projecto não dá para perceber mas parece que não). Na realidade o filme irá misturar personagens em animação, marionetas e personagens reais (incluindo Lang Lang).
O estúdio que vai produzir o filme será o mesmo que concebeu e realizou Pedro e o Lobo que é um filme absolutamente fantástico - podem vê-lo no You Tube aqui por exemplo - tinha falado dele aqui a propósito do workshop da OML Junior em Montalegre. Este primeiro filme (Pedro e o Lobo) obteve aliás o Oscar para melhor curta metragem animada em 2008. Só por isso o filme que irá estrear em Outubro 2010 promete muito.
Estaremos atentos, assim que descobrir (existir) um trailer será devidamente postado :-)
Com mais de 300 votantes (304 para ser exacto) terminou a nossa votação para a eleição do nosso concerto preferido de piano. Surpreendentemente o Concerto de Ravel venceu e assim é proclamado a partir deste momento "O Concerto de Piano" título que partilha com o "Concerto de Violino" proclamado aqui.
Os resultados finais foram assim os seguintes:
01. Ravel Nº1 (Obra Nº83) ........... 78 (+07) votos. Info aqui. 02. Beethoven Nº 5 (Op. 73) ......... 75 (+11) votos. Info aqui. 03. Rachmaninoff Nº2 (Op. 18) ....... 74 (+05) votos. Info aqui. 04. Mozart Nº 20 (K. 466) ........... 72 (+03) votos. Info aqui. 05. Bartók Nº3 (Sz. 119) ............ 71 (+04) votos. 06. Shostakovich Nº1 (Op. 35) ....... 70 (+04) votos. 06. Prokofiev Nº3 (Op. 16)........... 70 (+05) votos. 08. Gershwin Nº1 em Fá .............. 69 (+06) votos. 09. Haydn (Hob. XVIII:11) ........... 63 (+01) votos. Info aqui. 10. Schumann Nº 1 (Op. 54) .......... 58 (+03) votos. Info aqui. 11. Beethoven Nº 4 (Op. 58) ......... 51 (+08) votos. Info aqui. 12. Brahms Nº 1 (Op. 15) ............ 43 (+03) votos. 13. Tchaikovsky Nº1 (Op. 23) ........ 42 (+03) votos. Info aqui. 14. Grieg Nº1 (Op. 14) .............. 36 (+07) votos.Info aqui. 15. Mozart nº 21 (K. 467) ........... 34 (+05) votos. Info aqui. 16. Chopin Nº1 (Op. 11) ............. 33 (+02) votos. 17. Mozart Nº 24 (K. 491) ........... 28 (+08) votos. Info aqui. 18. Liszt Nº1 (S.124) ............... 10 (+00) votos. Info aqui. 19. Mendelssohn Nº 1 (Op. 25) ....... 08 (+00) votos. Info aqui. 20. Saint Saens Nº2 (Op. 22) ........ 04 (+00) votos. Info aqui
O concerto que ouvimos hoje foi composto em 1845. Na verdade o primeiro andamento resulta de uma fantasia escrita naquele que foi um dos seus anos mais produtivos 1841. A esta fantasia Schumann acrescentou dois andamentos ficando assim o concerto com uma estrutura clássica, pelo menos na aparência dado que Schumann preferia que nos programas fossem apenas apresentados dois andamentos. Para quem não pode ouvir em directo neste post podem também encontrar referências para uma interpretação de Emil Gilels (primeiro e terceiro andamento) e Dino Lipatti (segundo andamento).
Em todo o caso os dois últimos andamentos são tocados sem interrupção sem dúvida numa tentativa de ter uma obra perto de um andamento único.
É um concerto que não é propriamente muito exigente do ponto de vista técnico, muito num estilo concertante o que aliás lhe valeu a charge de Lizst que lhe chamou um "concerto sem piano".
O concerto foi estreado em 1846 sendo o papel de solista desempenhado por Clara Schumann e a Orquestra dirigida por Ferdinand Hiller a quem o concerto é dedicado.
O primeiro andamento (Allegro affettuoso) em Lá Menor começa com uma introdução bastante sombria que alterna sucessivamente para um tom alegre do modo maior do tema principal. Primeira Parte, Segunda Parte
O segundo andamento (Intermezzo: Andantino grazioso) em fá maior demonstra de forma inequívoca o dom de Schumann para as melodias.
O terceiro andamento (Allegro vivace) em Lá maior é extraordinariamente alegre com um ritmo de quase dança num optimismo crescente e exuberante. Primeira Parte, Segunda Parte
Hoje às 21:30 teremos mais uma transmissão no Piano CRS Rádio de um dos concertos de piano que estão a votação na eleição do nosso concerto de piano preferido. Teremos hoje Chopin com o primeiro concerto para piano Op. 11 em Mi Menor, um concerto em três andamentos em que como seria de esperar o piano tem uma parte de leão. Eu sou fã de Chopin e penso que a orquestração - simples - serve na perfeição para demonstrar a beleza da melodia.
Não se esqueçam que este concerto será transmitido hoje à noite na nossa rádio preferida, a Rádio CRS às 22h. Não percam, porque este concerto é fantástico !
Haydn contrariamente a Mozart nunca foi um grande pianista. Talvez por isso dos doze concertos para piano que compôs apenas quatro foram editados com Haydn ainda em vida sendo este o segundo desses concertos. Composto entre 1780-1783 foi estreado em Paris em 1784.
É no entanto sobejamente conhecida a admiração que Mozart sentia por Haydn admiração essa que aliás era correspondida. Este concerto de Haydn foi sem dúvida um dos que mais terá influenciado Mozart no posterior desenvolvimento da forma.
Trata-se de um concerto em Ré Maior numa forma clássica em três andamentos a que nem o facto já referido de Haydn não ser pianista retira o incontestável brilho .
Dos três andamentos o ultimo (Rondo all'Ungarese) é sem margem para dúvidas o mais (re)conhecido sendo baseado numa dança Bosnia/Dalmata . O primeiro andamento com dois temas explorados primeiro pela orquestra e depois pelo solista é profundamente clássico na sua concepção (Vivace) embora o desenvolvimento do segundo tema seja pouco profundo. O segundo andamento (Un poco adagio) é essencialmente uma longa linha melódicaexplorada pelo solista.
Peço desculpa mas mais uma vez não cheguei a tempo do ouvir o concerto em directo. Bem na verdade por causa do aniversário do meu filho cheguei quase a tempo (ainda ouvi o terceiro andamento). Para quem não pode acompanhar a transmissão em directo aqui fica uma segunda oportunidade. Não percam sexta-feira às 22h o concerto de Haydn, sempre aqui !
Este concerto para piano foi composto entre 1785 e 1786 sendo dos concertos mais inovadores do compositor pela sua característica essencialmente concertante. Devo dizer-vos que dos concertos de Mozart este é o meu preferido.
O concerto que tem uma duração aproximada de 30 minutos está como é usual dividido em três andamentos na estrutura convencional andamento rápido - andamento lento - andamento rápido. Do primeiro andamento (Allegro em Dó menor) destacaria para além alguns solos de sopros (vejam por exemplo por volta do minuto 6:00) nesta interpretação de Previn. A segunda parte deste andamento pode ser ouvida aqui.
No que diz respeito ao segundo andamento (Larghetto in Mi bemol maior) que podem ouvir aqui numa interpretação de Daniel Gortler e da Orquestra de Camara de Israel pode ser caracterizado por uma utilização muito marcante de sopros, oiçam por exemplo o dialogo com piano 6:30.
Finalmente o terceiro andamento (Allegretto -Variações - em Dó menor) que podem ouvir aqui na interpretação também de Daniel Gortler talvez o mais virtuoso dos três andamentos não deixa por isso de ser rico em diálogos entre o piano e a orquestra (gosto especialmente das passagens por volta de 3:00) com espelhos sucessivos entre o piano as cordas e o piano.
Entre os concertos para piano que estão no meu top cinco está este concerto de Grieg. Grieg um homem modesto que dizia não estar na categoria de um Mozart ou de um Beethoven. Um representante de uma das escolas nacionalistas, a Escandinava que aliás de certa forma ajudou a criar.
Grieg foi no início marginalizado talvez porque na altura a Noruega, o seu país natal era vista como um local pouco propicio ao desenvolvimento de talentos musicais.
Este concerto de Grieg foi composto em 1868 quando o compositor tinha apenas 24 anos sendo por isso um trabalho onde transparece muito fortemente a influência da escola germânica em particular de Schumann (este concerto é muitas vezes comparado ao Concerto de Schumann que também é em Lá Menor e que tem uma construção semelhante). A estreia deu-se a 3 de Abril de 1869 em Copenhaga com Edmund Neupert ao piano e Simon Paulli na direcção da Real Orquestra da Dinamarca.
Escolhemos para ilustrar este concerto uma interpretação de Arthur Rubinstein que embora possam ler nos comentários ser demasiado lenta (é verdade que é amsi lenta do que o tempo de referência actual) tem a vantagem, para mim,
O primeiro andamento (Allegro molto moderato) em Lá menor é logo desde o seu início uma das composições mais facilmente reconhecíveis da música clássica. Oiçam este andamento aqui e aqui.
O segundo andamento (Adagio) em Ré bemol maior é criticado por alguns musicólogos por ser demasiado simples. Porém tenho de discordar dessa opinião dado que para mim é uma das melodias mais emocionantes que conheço ... Oiçam aqui este andamento.
O terceiro andamento (Allegro moderato molto e marcato) que começa em Lá menor para acabar em Lá Maior é uma montra de virtuosismo pianistico mas sem perder o carácter musical. É neste andamento que mais facilmente se detecta o caracter nacionalista do compositor com referências a melodias populares Norueguesas. Oiçam aqui este andamento.
Falamos embora muito brevemente deste concerto neste post em que vos falei da interpretação do pianista António Rosado com a OML Junior, num concerto de grande nível. Este concerto está na minha lista dos 5 preferidos ... Eu sei que isto é batota, já ontem falei dos de Beethoven, faltam dois para completar o meu "Top Five" ...
Composto no inicio do século vinte (entre 1900 e 1901) numa altura em que Rachmaninoff estava profundamente afectado na sua confiança pelo falhanço da sua primeira sinfonia. foi este concerto que o trouxe de volta à composição.
O concerto em Dó menor foi estreado em 27 de Outubro de 1901 com o compositor ao piano e Alexander Ziloti a dirigir a orquestra. Pese a inexperiência do maestro e o nervosismo do compositor o concerto foi um exito imediato.
O primeiro andamento é baseado num tema de uma melodia russa. Note-se que apesar disso todo concerto foi muito influenciado pelo concerto de Grieg de que falaremos amanhã.
O segundo andamento é uma das composições mais conhecidas de Rachmaninoff tendo inclusivamente sido por várias vezes utilizado em cinema. A calma absoluta antes do verdadeiro turbilhão de emoções.
Turbilhão esse representado no terceiro andamento por um tema brilhante e um final que normalmente leva as audiências ao delirio.