domingo, 17 de fevereiro de 2013

Liszt : Études d'exécution transcendante

A história destes estudos começou em 1826 quando Liszt então com apenas 15 anos escreveu uma série de doze estudos simplesmente chamada "Étude en Douze Exercices" (S. 136). É de notar que nesta altura Liszt vivia em Paris com a mãe e para sobreviver dava frequentes lições de piano de forma que estes estudos podem ter sido escritos com o objectivo de o ajudar nessa tarefa.

Uns largos anos mais tarde mais precisamente em 1837 Liszt viria a reescrever estes estudos chamando-os então "Douze Grandes Études" (S. 137). Já agora a titulo de curiosidade a nomenclatura que é seguida para identificar as obras de Liszt data de 1966 e é do musicologo e compositor Humphrey Searle (daí o "S"). A razão pela qual o número destas duas obras é consecutivo é que este catalogo segue uma ordenação temática e dentro dos temas cronológica. Isto significa que entre 1826 e 1837 Liszt não compôs nenhuma outra obra deste género. Nesta primeira revisão além de ter aumentado consideravelmente a sua dificuldade Liszt deu também um nome a todos os estudos excepto o nº 2 e o nº 10.

Em 1852 Liszt faria uma ultima revisão destes estudos (S.139) - sim neste intervalo existe uma outra obra deste tipo na realidade uma revisão intermédia do Estudo nº 4 - Mazeppa - essencialmente simplificando tecnicamente a execução (embora existam excepções à regra). Esta versão final foi dedicada por Liszt ao seu professor Carl Czerny ele também autor de vários conjuntos de estudos como todos os pianistas amadores mais ou menos sérios saberão.

Estes estudos na sua versão final tanto podem ser considerados como peças de estudo como peças de concerto pelo que são frequentemente interpretados e gravados pelos maiores pianistas não só pela sua dificuldade técnica mas também pela sua força expressiva. Antes de vos mostrar os estudos um por um falta apenas referir que cada um deles foi composto numa tonalidade diferente sendo que a intenção original de Liszt seria escrever um estudo para cada uma das 24 tonalidades tendo ficado assim a meio dessa tarefa.

Na escolha dos interpretes segui dois critérios diferentes e por isso por vezes vou mostrar-vos o mesmo estudo por dois pianistas. Em primeiro lugar procurei na medida do possível mostrar-vos interpretações de pianistas "históricos", daqueles que estão entre os melhores pianistas do século XX ou XXI. Em segundo lugar procurei privilegiar vídeos com imagens reais dos pianistas. Por fim procurei que houvesse uma escolha o mais ampla possível. Assim sempre que houve conflito entre estes três objectivos seleccionei duas ou mais interpretações.

Étude No. 1 (Preludio) em Dó Maior : Um estudo muito curto, cerca de um minuto, cheio de acordes poderosos e de rápidas escalas - com uma curta passagem lírica no meio, uma espécie de aquecimento para o que vem a seguir. Para esta interpretação escolhemos duas alternativas. Em primeiro lugar sem imagens Cziffra.



Depois ainda para este mesmo estudo agora com imagens Boris Berezovsky.



O Estudo Nº2 (um dos que não tem titulo) em Lá Menor marcado como "Molto Vivace" nas partituras é na verdade uma peça muito agitada para a qual escolhemos Claudio Arrau mas como não há imagens ao vivo teremos também para este nº2 uma outra interpretação.



Mantemos para este segundo estudo Boris Berezovsky porque dos que existem com imagem real é aquele que prefiro.



Passamos agora para o Étude No. 3 (Paysage) em Fá Maior (Paisagem). Uma peça como o nome pretende indicar serena que deve evocar um dia de contemplação bucólica no campo. Será eventualmente o menos difícil dos doze estudos. Para uma primeira interpretação sem imagens do pianista proponho-vos Vlademir Askhenazy.



Para vos mostrar um video com o pianista a interpretar este estudo e para não voltar a repetir Berezovsky proponho-vos Adam Neiman.



O Étude No. 4 (Mazeppa) em Ré Menor por contraste com o anterior é um autêntico galope quase do principio ao fim. Aliás o termo galope estará correcto tanto figurativamente como literalmente tendo em consideração que este estudo foi inspirado num conto escrito por Victor Hugo em que a personagem principal é arrastada num galope (literal).  Liszt procurou transcrever esse galope no ritmo da peça. Deixem-se levar pelo ritmo absolutamente fantástico desta peça.  Para uma primeira interpretação propomos o pianista francês François-René Duchable ("enfant terrible" da música clássica mas isso é outra história).



Para uma interpretação em video real desta vez a proposta recai sobre Miroslav Kultyshev.



Chegamos ao Étude No. 5 (Feux Follets) em Si Bemol Maior um dos que está entre os mais difíceis dado que temos não só as dificuldades relacionadas com velocidade mas também dinâmica e equilíbrio entre as duas mãos. Velocidade, ligeireza, tudo nesta peça é para ser tocado com delicadeza mas sem perder velocidade. Neste caso  proponho-vos apenas uma interpretação porque consegui encontrar um pianista soberbo com um vídeo muitíssimo bom. Depois de Nikolai Lugansky não precisamos de mais ...



Como este post está já bastante longo iremos dividir esta viagem aos "Études d'exécution transcendante" em duas partes terminando este primeiro post precisamente a metade com o Étude No. 6 (Vision) em Sol Menor. Uma peça algo sombria e profunda com uma parte bastante movimentada e rítmica mas em simultâneo retratando uma atmosfera pesada que a tonalidade em Sol Menor não deixa de enfatisar. Para uma interpretação sem ver o pianista propomos Vladimir Ovchinnikov.



Para uma interpretação em que possamos ver o pianista e as suas mãos propomos de novo Miroslav Kultyshev . Penso que a diferença de ritmo é um pouco excessiva mas é uma interpretação cheia de fogo, creio que Liszt teria gostado.


Os restantes 6 estudos ficam para mais logo ou para amanhã logo se vê - depende de como correr o meu estudo de piano.  Não, não com estas peças ...

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