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terça-feira, 9 de dezembro de 2014

Prokofiev - Concerto para Piano e Orquestra nº 1

Prokofiev em 1917
Este concerto, uma das primeiras obras publicadas de Prokofiev (Op. 10) em Ré Bemol Maior foi durante muito tempo desconsiderado  por ser uma obra de juventude e também eventualmente por uma duração inferior ao habitual apenas cerca de 15 minutos que pareciam curtos para o desenvolvimento de uma ideia musical.

Isto dito é um concerto que recomendo para quem quer começar a ouvir música clássica e por isso faz parte da nossa lista das 100 obras. E recomendo porque tem para mim a característica das grandes obras; é impossível a indiferença a começar pela exuberância do seu tema principal.

Os três andamentos são interpretados sem pausa entre eles seguindo uma estrutura bastante clássica de andamento rápido - lento - rápido. A dedicatória ao seu professor Tcherepin (temido professor como Prokofiev dizia) transparece também na natureza um tanto clássica dessa estrutura.

O concerto foi composto em 1911 sofrendo uma revisão em 1912 tendo a sua estreia com Prokofiev enquanto solista sido a 7 de Agosto de 1912. Gostava de encontrar uma versão do próprio Prokofiev para vos mostrar mas não consegui. Assim sendo proponho na mesma uma excelente interpretação de Sviatoslav Richter com a Orquestra Sinfónica da Checoslováquia dirigida pelo magnifico Karel Ancerl numa gravação de 1953.


sábado, 18 de outubro de 2008

Brahms - As sonatas para Violino - Terceira Parte

Embora tenha sido começada a ser composta quase a seguir à Sonata nº 2 Brahms acabou por por de lado este trabalho para apenas o retomar em 1888 o que explica de certa forma a profunda diferença entre as duas obras. Enquanto que o Op. 100 é uma obra que radia emoção de uma forma calma quase pacifica a Op. 108 em Ré Menor é precisamente o inverso. Também ela é extraordinariamente emotiva mas aqui estamos a falar de uma forma de expressão muito mais épica e atlética.

Também na estrutura esta obra é diferente dado que Brahms voltou aos quatro andamentos clássicos na forma de Sonata.

O carácter forte da obra, nervoso, é marcado logo no primeiro andamento ou melhor logo destas as primeiras notas que são quase preocupantes pela energia que transmitem que não deixa de ter um certo tom sinistro transmitido pelo ritmo quebrado. Podem ouvir aqui este andamento por uma dupla de luxo que aliás vamos acompanhar ao longo desta obra - com a excepção do ultimo andamento onde serão substituídos por uma outra dupla de igual peso - Perlman no Violino e Daniel Barenboim ao piano.

O segundo andamento é sem exagero um autentico "Lied" sem palavras. Uma composição de que Schubert não desdenharia com certeza a melodia. Uma melodia quase inteiramente exposta pelo Violino tendo aqui o piano um papel secundário. Podem ouvir aqui este andamento.

O terceiro andamento "Um Poco presto e com sentimento" foi descrito de formas muito diferentes. A mais curiosa de todas terá sido a de Clara Schumann que disse deste andamento ser "a imagem de uma bela jovem brincando com o seu amante". Outros viram neste andamento melancolia ou tristeza. Neste andamento o piano ganha o protagonismo cedido ao violino no segundo andamento. Podem ouvir aqui este andamento.

Retomando a forma clássica da Sonata o grande dramatismo, as grandes explosões de emoções estão reservadas para o quarto andamento (Presto Agitato) que é também o mais virtuoso dos quatro como é normal nesta forma musical. Podem ouvir aqui este andamento por David Oistrack e Karl Richter como vêem outra dupla de peso.

A obra foi interpretada em publico pela primeira vez em Budapeste no dia 22 de Dezembro de 1888. Brahms estava nessa altura ao piano sendo Jenö Hubay o violinista escolhido.

As duas restantes partes deste conjunto de posts sobre as sonatas de Brahms para Violino (e piano) podem ser lidas aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).

Brahms - As sonatas para Violino - Segunda Parte

A Sonata para Piano e Violino (a ordem pela qual os instrumentos é apresentada foi especificada pelo próprio Brahms) Op. 100 nº 2 em Lá Maior foi composta em 1886 num período altamente produtivo para Brahms. Na verdade compôs nesse período algumas das suas obras de música de câmara mais relevantes . O Op. 99 é a segunda sonata para violoncelo de que falaremos em breve e a Op. 101 é o Trio para piano em Dó menor que obviamente iremos abordar. Se bem se lembram já tínhamos falado desta sonata aqui quando vos reportamos o que se havia passado no recital na jovem violinista portuguesa Maria Viseu.

Esta sonata é das três a mais curta e possivelmente a mais lírica das três. Foi tal como a primeira escrita em três andamentos em parte utilizando o facto do segundo andamento conter em ele próprio várias diferenças de ritmo. O primeiro andamento um Allegro Amabile pode efectivamente ser resumido na palavra que modifica o tempo Allegro. É composto por dois temas tão calmos, tão habilmente conjugados e por um dialogo tão homogéneo entre o violino e o piano que nos parece que nada pode tocar nessa graça. Podem ouvir este andamento aqui por Leonid Kogan. Já o segundo andamento é bastante diferente na sua natureza pois contém diferenças de ritmo acentuadas. Começa na verdade com um Andante Tranquillo para depois caminhar para um Vivace voltar ao Andante retornar a um vivace mas agora anotado como "di piu" - ainda mais para ainda ter tempo para voltar ao Andante e terminar num Vivace. Uma verdadeira montanha russa de emoções. Pode ouvir este segundo andamento por Richter e Oistrack aqui. O terceiro andamento Allegretto Grazioso (quasi andante) é um rondo que apresenta um tema de tal forma rico e aveludado e que escapa à "loucura" normal dos terceiros andamentos das sonatas românticas.

Esta sonata foi tocada pela primeira vez em Viena umas escassas semanas antes do Natal de 1886 com Brahms ao piano e no violino Joseph Hellmesberger.

O primeiro post desta série sobre as sonatas de Brahms para violino pode ser lido aqui.
O terceiro e ultimo post desta série sobre as sonatas de Brahms pode ser lido aqui.

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Chopin - Polonaises

Não existe provavelmente outra obra onde Chopin terá expresso de forma mais completa a sublimação da sua dor pelo destino da sua pátria.

No entanto nem todas as Polonaises são tristes e lúgubres. Por exemplo as duas composições que compõem o Op. 40 (Op. 40-1 em Lá Maior e Op. 40-2 em Dó Menor) são repletas de energia embora a segunda pela natureza do tom utilizado seja uma espécie de contraponto à primeira, esperança versus a falta dela. Oiçam aqui o pianista Alexander Brailowsky interpretar a primeira destas peças e aqui a segunda.

Mas sem dúvida que as Polonaises mais conhecidas são a Op. 53 em Lá Bemol Maior (Heróica) aqui interpretada por Gilels e a Polonaise Op. 61 também em Lá Bemol Maior interpretada por Richter aqui.



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