sábado, 26 de dezembro de 2009

Violoncelista - Ivan Monighetti

Das várias pesquisas que ocorreram nestes dias de Natal houve uma que me chamou a atenção dado que incidia sobre um violoncelista de que já falei neste blog e que já tive oportunidade de ver ao vivo no Festival Internacional de Música de Viana do Castelo interpretando o primeiro concerto para violoncelo e orquestra de Shostakovich.

Monighetti foi o ultimo aluno de Rostropovich foi vencedor do prémio Tchaikovsky em 1974. Já teve oportunidade de actuar com a Orquestra Gulbenkian dirigida por Muhai Tang, com a Leipzig Gendwhaus dirigida então por Kurt Masur e a Sinfónica de Berlim dirigida pelo compositor polaco Penderecki que  aliás o considera um "violoncelista fenomenal".

Monighetti além de ser um interprete excepcional da música do século XVIII e XIX caracteriza-se também por expandir constantemente o reportório para violoncelo através do trabalho com compositores como Penderecki, Xenakis, Dutilleux, ou Gubaidulina. Facto é que muitas das obras compostas especificamente para Monighetti fazem hoje parte do reportório de Violoncelo. Um dos seus discos de peças do século XX venceu o prémio Diapason d´Or enquanto uma gravação de Bach venceu em 2003 o Prémio Frederic.

Ivan Monighetti actuou já em vários festivais internacionais sendo professor  na Academia de Basileia na Suiça e professor convidado do conservatório de Moscovo. Embora existam poucos videos de Monighetti no You Tube existe esta gravação de um concerto de Vivaldi para Violoncelo e cordas.

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sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Handel - Messiah

No dia de Natal pensamos que seria interessante revisitar a obra Messiah HWV 56 composta durante o verão de 1741 e estreada a 13 de Abril de 1742 na Irlanda embora tenha sofrido várias revisões até à versão final de 1754. Na verdade esta obra apesar de ter sido um sucesso foi escrita numa altura em que a carreira de Handel atravessava um mau período. Foi uma obra redentora e é também com  Water Music uma das poucas que goza hoje de fama mundial.

A obra apresenta a visão cristã do Messias num libreto em três actos escrito por Charles Jennens no final de 1739. A obra é dividida em três actos sendo a maior parte inspirada no velho testamento. Embora seja muita vezes interpretada no Natal a narrativa é muito mais centrada na Paixão e na Ressurreição do que na Natividade.

Do primeiro acto A Natividade escolhemos esta ária (a terceira do primeiro acto)  "Every Valley Shall be Exalted".  Do segundo acto (A Paixão) só podíamos seleccionar o famoso Hallelujah que fecha precisamente este acto. Finalmente no terceiro acto (A Ressurreição) escolhemos também o coro final Amen.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Corelli - Concerto Grosso in Sol Menor, Op.6, No.8 - Fatto per la notte di Natal

Para o post de hoje retomo o período barroco com um concerto de Corelli e que tive oportunidade de ouvir recentemente pela Camarata da Sinfónica Juvenil e também pela Orquestra de Cordas dos Violinhos no seu concerto de Natal nos Jerónimos.

Não tenho registo desses concertos mas encontrei no You Tube uma versão deste concerto em seis andamentos e composto em 1690 por encomenda do arcebispo Pietro Ottoboni que penso merece ser ouvido em especial neste dia. Yasushi Ideue (solista primeiro violino),  Alexandra Bossak (solista segundo violino). A orquestra é a Filarmónica de Baden-Badener dirigida por Pavel Baleff (também no cravo).


1º Andamento Vivace – Grave. Arcate, sostenuto e come stà
2º Andamento Allegro
3º Andamento Adagio – Allegro – Adagio
4º Andamento Vivace
5º Andamento Allegro
6º Andamento Largo. Pastorale ad libitum

Tenham uma Santa Noite de Natal e inspirem-se na calma da Pastoral do ultimo andamento.
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quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Robert Schumann - 2ª Sinfonia Op. 68 em Dó Maior

Na verdade em termos de ordem de composição esta segunda sinfonia seria a terceira dado que a Sinfonia nº4 de que falaremos em breve a antecedeu. Porém Schumann iria fazer uma revisão profunda dessa obra e pelo seu conceito de composição e maturidade considerou que esta deveria ser considerada uma obra nova. Desta forma a sinfonia em Dó ficou assim a segunda sinfonia publicada, com data de publicação de 1847.

Os primeiros esboços datam de 1845 mas por causa da depressão e fraco estado de saúde apenas foi completada em 1846. É uma obra notável (a mais longa das sinfonias de Schumann) numa forma clássica em quatro andamentos apesar de da ordem do Scherzo estar trocada com o Adagio. O ouvinte vê-se facilmente envolvido pela atmosfera de grandeza e pelas imagens musicais originais e sempre sempre surpreendentes. É uma obra que tem uma característica bastante introspectiva. Segundo Alan Gilbert esta sinfonia contém algumas das mais melodias escritas. Nota-se também sempre um eterno conflito presente nas obras sinfónicas de Schumann entre a procura de uma forma de expressão nova e a incapacidade de dominar de forma completa as possibilidades de uma Orquestra Sinfónica.

O primeiro andamento (Sostenuto assai — Allegro, ma non troppo) na forma de sonata abre com uma introdução formidável e um desenvolvimento bastante difuso na sua natureza. Podem ouvir aqui a primeira parte desse andamento.



O segundo andamento (Scherzo: Allegro vivace) é excepcionalmente longo e como foi costume em grande parte das sinfonias do século XIX é um Scherzo com dois trios. Podem ouvir aqui uma parte deste segundo andamento.

O terceiro andamento (Adagio espressivo) é um adagio profundamente emocional e na opinião de alguns melómanos o melhor dos andamentos lentos de Schumann (opinião que partilho). Podem ouvir aqui uma parte deste andamento.

O quarto andamento (Allegro molto vivace) é um verdadeiro hino triunfal também na forma de sonata (embora com variações formais) de grande vigor cortado por alguns momentos de aparente calma que de forma perfeita ajudam a criar o clima de tensão resolvido pelo fulgor orquestral. Podem ouvir aqui uma parte deste quarto andamento.

Nota: A Orquestra escolhida está longe de ser a melhor interpretação possível ainda procurarei melhorar a ilustração sonora ... esta sinfonia nomeadamente o terceiro andamento merece melhor sorte. Por exemplo podem ouvir aqui a mesma sinfonia interpretada pela Filarmónica de Viena dirigida por Bernstein só para verem a diferença que uma boa orquestra e condução significam.

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