sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 3 em Fá Maior (Op. 90)

Esta sinfonia foi composta no verão de 1883 cerca de seis depois da segunda sinfonia. Hans Richter que também a estreou a 2 de Dezembro de 1883 disse que esta era a "Eroica" de Brahms. Se se lembram do que dissemos aqui e aqui sobre a necessidade que Brahms sentia de se afastar de Beethoven (embora o admirasse imenso) o compositor não deve ter deixado de se sentir ao mesmo tempo elogiado e frustrado.

A recepção a esta sinfonia foi extraordinária merecendo rapidamente várias interpretações até ao ponto que Brahms já se lhe referia como a "infelizmente muito célebre" sinfonia.

Tal como as duas que já ouvimos esta sinfonia foi escrita em quatro andamentos numa estrutura bastante clássica.

Podem ouvir o primeiro andamento (Allegro con brio - Fá maior) aqui dirigido por Felix Weingartner (1863-1942). Também poderão ouvir o segundo andamento Andante (C major) dirigido pelo mesmo maestro aqui.

O terceiro andamento sem dúvida o mais conhecido e um dos meus andamentos preferidos pode ser ouvido aqui e finalmente o quarto aqui.

Recomendação de Ultima Hora em Aveiro

Não percam em Aveiro hoje mais uma proposta musical. Detalhes no blogue da Moira Aveirense aqui.

quinta-feira, 18 de setembro de 2008

Recomendações da Quinta (18.09.2008)

Quinta-Feira é dia de recomendações musicais como sabem. Por essa razão podem saborear propostas para todo o país. Recomendamos também uma visita a cultura.sapo.pt onde os nossos amigos da Sercultur nos dão muitas outras recomendações de música clássica. A maioria destas recomendações foi aliás retirada dessa lista.

Começamos como de costume pelo sul mais precisamente Loulé onde decorre o X Encontro de Música Antiga de Loulé. Assim no dia 20 Sábado teremos um concerto pelo agrupamento Alta Capella na Igreja Matriz de Alte pelas 21:30. No dia 21 pelas 21:30 na Igreja Matriz de Salir o agrupamento La Nave Va apresenta um concerto barroco encenado.

Ainda no Algarve mas agora na Igreja de São José (Albufeira) a Orquestra do Algarve dará um concerto acompanhada pela Soprano Ana Quintans e dirigida por Cesário Costa. Será às 21:30 de Sexta-Feira sendo o programa composto por obras de Félix Mendelssohn, Luís Tinoco e Franz Schubert.

Em Évora integrado no IX Ciclo de Concertos «Música nos Claustros/Encontro de Instrumentos e Vozes Ibéricas» Vladimir Pavtchinskii (clarinete) e Ian Mikirtoumov (piano) darão um Recital de Clarinete e Piano no Convento dos Remédios na Sexta-Feira pelas 21:30. Serão interpretadas obras de Weber, M Arnold, Donatoni, Debussy e Poulenc. Integrado no mesmo ciclo de concertos no Sábado 20 à mesma hora e mesmo local (21:30) teremos um concerto por Paulo Carrilho (tenor), Inês Madeira (mezzo soprano) Sofia de Castro (Soprano), Diogo Oliveira (barítono) e Abel Chaves (piano) intitulado "Ópera e Musicais" composto por excertos de óperas e composições de Mozart, Offenbach, Donizetti, Massenet, Delibes, John Kander, Mitch Leigh, A. Lloyd Webber, M. Schonberg, Leonel Bart e S. Schwartz.

Em Lisboa integrado no Festival Música Viva 2008 a Orquestra Metropolitana de Lisboa estará no Mosteiro dos Jerónimos dia 19 Sexta-Feira pelas 22h dirigida pelo Maestro Pedro Amaral. Será interpretado Mixtur 2003 nas duas versões (original e retrogradada). Neste concerto é também apresentada a histórica obra Gesang der Jünglinge, seguindo uma proposta programática definida pelo próprio compositor. A entrada é livre.

Ainda em Lisboa e estamos nitidamente na época dos ciclos e festivais de música clássica, integrado no XI Festival Internacional de Órgão de Lisboa propomos na Sexta-Feira 19 às 21:30 na Sé Patriarcal de Lisboa um recital de Orgão por Paolo Crivellaro que apresenta um programa baseado no conceito "J. S. Bach e os seus antecessores". Integrado no mesmo estival poderemos ver no dia seguinte (Sábado 20) na Igreja de Nossa Senhora do Cabo (Linda-a-Velha) pelas 21:30 António Esteireiro (Orgão) e o Coro de Câmara e Gregoriano do Instituto Gregoriano de Lisboa sobre a direcção do Maestro Armando Possante. Continuando com este festival de novo na Sé Patriarcal de Lisboa teremos no Domingo um recital de Orgão por Harald Vogel às 21:30. A entrada para estes três concertos é livre.

Passando agora para locais perto de Lisboa teremos em Cascais no Domingo no Centro Cultural de Cascais um concerto intitulado «Três mais três igual a quatro (3+3=4)» pelo Moscow Piano Quartet. Será no Domingo às 17h. Serão interpretadas obras de J. Haydn, S. Taneiev e J. Brahms.

Em Loures (penso que uma estreia nestas recomendações) teremos integrado nos III Encontros com a Música Clássica – Loures 2008 o Coro de Câmara In Honoria Música, formado por Filipa Lopes (soprano), Myriam Madzalik (soprano), Inês Khan (mezzo-soprano), João Tiago (tenor), Nuno Fonseca (barítono), João Oliveira (baixo) e Lilian Kopke (organista) na Igreja Matriz de Loures Sábado pelas 17h.

Passando agora à Invicta cidade do Porto teremos no Clube Literário do Porto Alberto Bastos e Marlene Fernandes num recital de clarinete e piano. Será na Sexta-Feira às 21:30 e a entrada é livre.

Finalmente voltamos à Madeira, mais precisamente a Porto Santo (que saudades) com o Ensemble Vocal Regina Pacis do GCEA dirigido por Zélia Ferreira Gomes. Será no Sábado às 21:30 no Centro Cultural e de Congressos de Porto Santo.

E é tudo ! Fiquem bem e já sabem, saiam de casa para ir ver música clássica . Já sabem que Ao Vivo é outra coisa !

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Brahms: Sinfonia nº 2 em Ré (Op. 73)

Se a primeira sinfonia de Brahms é essencialmente uma obra angustiante, poderosa e forte a segunda sinfonia composta apenas um ano depois (comparar com os 21 anos que a primeira levou a compor pode ser interessante), a segunda sinfonia é essencialmente uma obra de paz interior.

Também nesta sinfonia Brahms não conseguiu evitar as comparações sendo esta composição comparada com a sexta de Beethoven. Curiosamente Brahms manteve com os amigos uma espécie de piada musical. Dizia ele que "nunca tinha composto nada tão triste" e acrescentava "é tão triste que não conseguir ouvir até ao fim". É claro que isto é apenas uma piada que Brahms manteve mesmo depois da estreia. Na verdade com excepção do Adagio toda esta obra está repleta de felicidade, mesmo que contida, pacifica, pastoral se quisermos.

A obra foi estreada em a 30 de Dezembro de 1877 em Viena dirigida por Hans Richter mantendo a estrutura normal da sinfonia clássica em quatro andamentos.

O primeiro andamento (Allegro non troppo em Ré Maior) começa com uma sombria sequência de quatro notas para depois acabar por ser desenvolvida por três melodias relativamente tranquilas. Oiça aqui a Orquestra de Viena dirigida por Kleiber (segunda parte deste movimento aqui).

O segundo andamento (Adagio non troppo em si maior) é na realidade bastante sombrio (eu prefiro qualificá-lo como melancólico) embora com um breve momento em que esse tom é abandonado. Mas é apenas um breve momento antes das sombras voltarem a cair. Oiça aqui a orquestra do Royal Conservatory de Den-Haag dirigida por Roy Shapira.

No terceiro andamento (Allegretto grazioso - quasi andantino - em Sol Maior) voltamos ao ambiente calmo e gracioso da obra, quase dançante segundo Brahms. Oiça aqui a Orchestra Royal Conservatory The Hague dirigida por Hernan Schvartzman interpretar este andamento.

Finalmente o quarto andamento (Allegro con spirito em Ré Maior) é provavelmente o mais claro, o mais abertamente feliz desta obra que termina de forma bastante assertiva. Voltamos para este andamento à Filarmónica de Viena e a Kleiber, aqui.

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