Nas habituais recomendações da Quinta-Feira começamos como é tradição pelo sul. Em Portimão teremos Aída numa versão de Concerto pela Orquestra do Norte dirigida por José Ferreira Lobo no Auditório Municipal de Portimão às 21:30 de Sexta-Feira 24 de Outubro. Entrada: €15. Reservas: 282470783. Serão solistas Alexandra Wilson (soprano), Constantin Nica (tenor), Maria Luísa de Freitas (meio-soprano), Luís Rodrigues (barítono), Ruben Amoretti (baixo), Bruno Pereira (baixo), Carla Simões (soprano). Para mais informações sobre a Orquestra do Norte aponte o seu browser para aqui.
Um pouco mais a norte mais precisamente em Portalegre vai decorrer o sexto "Encontro de Música Coral Juvenil de Portalegre" no Centro de Artes do Espectáculo de Portalegre. Será no Sábado a partir das 15h. A entrada é livre. Participam este ano neste encontro o Coro Infantil dos Assentos, o Coro Infantil do Centro Social de Soutelo e o Coral Infanto-Juvenil de Gondomar.
Na zona de Lisboa mais precisamente em Alcoentre teremos no Salão da Associação H. dos Bombeiros Voluntários de Alcoentre um concerto pela Orquestra Metropolitana de Lisboa. Será na Sexta-Feira às 21:30. A entrada é livre. Este concerto está inserido no ciclo "Outubro- Mês da música" organizado pela camâra municipal da Azambuja.
Agora em Lisboa mesmo na Gulbenkian teremos no Sábado a partir das 17h a Maratona Rachmaninov inserida no ciclo de piano da referida fundação. Teremos o Toradze Piano Studio formado por Ketevan Badridze, Sean Botkin, Vakhtang Kodanashvili, Maxim Mogilevsky, Tinatin Saralidze, Edisher Savitski e Svetlana Smolina e ainda os artistas convidados The Georgian Orthodox Christian Choir, Daria Scarano (Piano), Anastasia Volchok (Piano), Agnieszka Slawinska (Soprano) e David Matchavariani (Violoncelo). Não sei muito sobre o programa a não ser que obviamente serão interpretadas obras de Sergei Rachmaninov !
Agora um pouco mais a norte, em Alcobaça teremos o Coro de Câmara de Alcobaça e Anders Paulsson, Luís Bourgard dirigidos por Pedro Marques na Sexta-Feira dia 24 de Outubro às 21:30. Entrada: €5.
No Porto teremos a Orquestra Nacional do Porto dirigida por Michael Zilm no Sábado 25 às 18h. Entrada : €15. Será interpretado o poema sinfónico de Richard Wagner "Tristão e Isolda" e "Tristão" de Hans Werner Henze que devo confessar em toda a honestidade não ser exactamente "my cup of tea".
A propósito disso estive ontem no Instituto Franco Português num concerto com obras de música electrónica de alguns alunos de composição da Escola Superior de Música de Lisboa e não é que até gostei de algumas peças ? Não de todas, não de todas ... Mas já é um progresso :-) .
Fiquem bem e façam como lhes digo. Vençam a inércia e vão ouvir música ao vivo. Qualquer tipo de música. Clássica seria melhor mas ... Não se esqueçam que ao Vivo é Outra Coisa.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
quarta-feira, 22 de outubro de 2008
Leonard Bernstein - Parte 3
Também em 1951 Leonard Bernstein dirigiu a estreia da sinfonia nº2 de Charles Ives. Notem que esta obra datava de 1901 mas nunca tinha sido estreada. Aliás este é um ponto muitas vezes ignorado da vida e obra de Bernstein que convém por isso salientar. O ponto que queremos enfatisar é o trabalho extraordinário que o maestro desenvolveu para conseguir divulgar e promover a obra de compositores americanos (e não só) contemporâneos. Foi o caso de Charles Ives mas foi também o caso de Copland (Bernstein tocou ao piano as "Variações" de Copland tantas vezes que estas eram quase consideradas a sua "marca" enquanto pianista) como também de Olivier Messiaen ou Carl Nielsen.
Talvez por ser ele próprio compositor e conhecer as dificuldades de conseguir fazer a sua música ser ouvida Leonard Bernstein revelou sempre muita disponibilidade para este tipo de divulgação.
Em 1957 Bernstein iniciou uma relação com a Filarmónica de Nova Iorque que iria durar até 1969. Neste período fez a série de 53 programas "Concertos para Jovens" que o tornaram conhecido na América e no Mundo. Uma parte destes concertos como já vos disse aqui pode ser adquirido em DVD que é uma colecção que recomendo obviamente. Há alguns programas que são pura e simplesmente geniais do ponto de vista da divulgação da música. Ia dizer da música clássica mas na verdade seria fazer-lhe uma grande injustiça. Não se fala apenas de uma das formas de música nos programas de Leonard Bernstein. Fala-se de música simplesmente.
Em 1960 grava o primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler, compositor com o qual é óbvio que Bernstein se identifica muitíssimo. Aliás para terminar e ligando com o tópico anterior basta ouvir o programa que Bernstein lhe dedicou (a Mahler) no ciclo de Concertos para Jovens para percebermos que Bernstein compreendia o drama do compositor. Não ser tomado a sério como compositor por ser também Maestro!
Aliás no mundo de hoje em que a especialização é palavra de ordem e em que se dá muita importância a uma total concentração num tópico exclusivo esse programa é extraordinariamente didáctico. Claro que podem também ler Saint-Exupery dividido entre a aviação e a literatura ...
Talvez por ser ele próprio compositor e conhecer as dificuldades de conseguir fazer a sua música ser ouvida Leonard Bernstein revelou sempre muita disponibilidade para este tipo de divulgação.
Em 1957 Bernstein iniciou uma relação com a Filarmónica de Nova Iorque que iria durar até 1969. Neste período fez a série de 53 programas "Concertos para Jovens" que o tornaram conhecido na América e no Mundo. Uma parte destes concertos como já vos disse aqui pode ser adquirido em DVD que é uma colecção que recomendo obviamente. Há alguns programas que são pura e simplesmente geniais do ponto de vista da divulgação da música. Ia dizer da música clássica mas na verdade seria fazer-lhe uma grande injustiça. Não se fala apenas de uma das formas de música nos programas de Leonard Bernstein. Fala-se de música simplesmente.
Em 1960 grava o primeiro ciclo completo das sinfonias de Mahler, compositor com o qual é óbvio que Bernstein se identifica muitíssimo. Aliás para terminar e ligando com o tópico anterior basta ouvir o programa que Bernstein lhe dedicou (a Mahler) no ciclo de Concertos para Jovens para percebermos que Bernstein compreendia o drama do compositor. Não ser tomado a sério como compositor por ser também Maestro!
Aliás no mundo de hoje em que a especialização é palavra de ordem e em que se dá muita importância a uma total concentração num tópico exclusivo esse programa é extraordinariamente didáctico. Claro que podem também ler Saint-Exupery dividido entre a aviação e a literatura ...
Nova Votação
Como estamos ultimamente a falar muitas vezes de Violoncelo e ainda relativamente pouco de Violoncelistas vamos lançar uma votação para um especial. Desta vez para votação vamos propor um conjunto de verdadeiro luxo. Vai ser difícil a vossa escolha:
Pablo Casals (1876 – 1973)
Mstislav Rostropovich (1927 – 2007)
Jacqueline du Pré(1945 – 1987)
Julian Lloyd Webber (1951)
Por sugestão do nosso atento leitor Pianoman vamos adicionar a nossa grande violoncelista Guilhermina Suggia. Para isso vamos ter de refazer a votação. Os votos já colocados serão adicionados no final.
Temos até agora 7 votantes e 10 votos:
Pablo Casals: 4
Mstislav Rostropovich: 1
Jacqueline du Pré: 4
Julian Lloyd Webber: 1
Pablo Casals (1876 – 1973)
Mstislav Rostropovich (1927 – 2007)
Jacqueline du Pré(1945 – 1987)
Julian Lloyd Webber (1951)
Por sugestão do nosso atento leitor Pianoman vamos adicionar a nossa grande violoncelista Guilhermina Suggia. Para isso vamos ter de refazer a votação. Os votos já colocados serão adicionados no final.
Temos até agora 7 votantes e 10 votos:
Pablo Casals: 4
Mstislav Rostropovich: 1
Jacqueline du Pré: 4
Julian Lloyd Webber: 1
terça-feira, 21 de outubro de 2008
Brahms - As Sonatas para Violoncelo (Parte 1)
Na sequência de uma das questões de ontem vamos hoje falar das duas Sonatas para Violoncelo que Brahms compôs. A primeira dessas sonatas em Mi Menor Op. 38 foi composta entre 1862 e 1865. Brahms não utilizou aqui a forma canónica da Sonata tendo a sonata apenas três andamentos.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
A Sonata foi dedicada ao seu amigo Dr. Josef Gänsbacher, professor de canto na Academia de Viena e violoncelista amador. Aliás conta-se a esse propósito uma história com alguma piada e que revela o humor negro de Brahms. Numa apresentação privada Brahms estava ao piano e Josef ao Violoncelo. Brahms estaria a tocar tão alto que o próprio Josef se queixou de que não conseguia sequer ouvir o Violoncelo. Ao que Brahms terá respondido "Sorte a tua".
O primeiro andamento (Allegro non troppo) começa com um tom sombrio para rapidamente chegarem ao Allegro que no entanto nunca perde uma característica de relativa tristeza. Ouçam aqui Julian Lloyd Webber (Violoncelo) e Rebecca Woolcock (Piano) numa gravação de 1999 no festival de Cheltenham.
O segundo andamento (Allegretto quasi Menuetto) é uma das várias experiências de Brahms na utilização de formas do período clássico e mesmo do período barroco. Na realidade este andamento tem um toque do período clássico em muitas partes perto da dança calma e estilizada, do minueto. Ouçam aqui Rostropovich (Violoncelo) e Serkin (Piano) a interpretar este andamento.
O terceiro andamento (Allegro) por seu lado em muitos pontos é uma fuga que termina com uma coda bastante rápida. Ouçam aqui Jacqueline du Pré (Violoncelo) e Daniel Barenboim (piano) numa interpretação deste andamento.
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