Circulou pela há uns dias uma noticia sobre uma rapariga de 11 anos que se viu impedida de participar na aula de Orquestra por causa da cor do seu violino, que era violeta (ou roxo ou o que for ... não sou perito em designações de cores portanto os leitores especializados que se pronunciem se desejarem).
Os argumentos utilizados pelo professor são curiosos e vão desde a qualidade do violino (diferença na afinação e no som) até aos pedagógicos (provocaria distracção).
Confesso-vos que não sou grande fã de violinos pintados. Confesso-vos que não gostaria de os ver numa orquestra adulta. Porém sinceramente para uma miúda de 11 anos que certamente o escolheu fruto da idade que tem (e há idades para isso) parece-me que é uma decisão no mínimo pouco inteligente e que contribuirá muito pouco para que continue a gostar de tocar e de ouvir ...
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
In Memoriam - Luiz Goes (1933-2012)
Como sabem de vez em quando abro as portas deste blog a outros estilos de música quer por intermédio de interpretes quer por canções ou eventos. Neste caso como o título indica não será para vos dar uma noticia até porque já viria atrasada.
É um post que pretende ser uma homenagem à canção de Coimbra, ao Fado de Coimbra de que digo já antes que façam comentários depreciativos gosto muito (e não é apenas por Coimbra ser a cidade onde nasci, gosto mesmo da forma musical).
Luiz Goes era sem dúvida uma das vozes e dos poetas mais conhecidos da canção coimbrã, um daqueles de que tinha e tenho pelo menos um disco e na memória algumas partes de algumas canções que por vezes me vêm aos lábios (não me atrevo a trautear por razões que saberão alguns).
E porque de memória deve tratar este post e porque se Luiz Goes faleceu a sua música permanece resolvi escolher algumas canções seguindo o critério pessoal e discutível da minha memória (curta) neste domínio. Fiquem com estas canções que como diz outro músico e poeta as saudades são a única coisa que é bom matar ...
Romagem à Lapa
Se um dia a vida parasse
E a gente voltasse
Ao tempo que havia
E se o Mondego passasse
E a todos levasse
A um velho dia
Talvez a Lapa cantasse
E em pedra gravasse
A nossa alegria
Talvez a Lapa sorrisse
E à pedra se ouvisse
"Olá Poesia"
Se agora o rio pudesse
Juntar quem padece
De tal nostalgia
E tanta gente viesse
Sem sonhos nem preces
E sem rebeldia
Talvez a Lapa chorasse
E em pedra gravasse
A nossa agonia
Talvez a Lapa sofresse
E à pedra dissesse
"Adeus Poesia"
É Preciso Acreditar
Fado da Despedida
É um post que pretende ser uma homenagem à canção de Coimbra, ao Fado de Coimbra de que digo já antes que façam comentários depreciativos gosto muito (e não é apenas por Coimbra ser a cidade onde nasci, gosto mesmo da forma musical).
Luiz Goes era sem dúvida uma das vozes e dos poetas mais conhecidos da canção coimbrã, um daqueles de que tinha e tenho pelo menos um disco e na memória algumas partes de algumas canções que por vezes me vêm aos lábios (não me atrevo a trautear por razões que saberão alguns).
E porque de memória deve tratar este post e porque se Luiz Goes faleceu a sua música permanece resolvi escolher algumas canções seguindo o critério pessoal e discutível da minha memória (curta) neste domínio. Fiquem com estas canções que como diz outro músico e poeta as saudades são a única coisa que é bom matar ...
Romagem à Lapa
Se um dia a vida parasse
E a gente voltasse
Ao tempo que havia
E se o Mondego passasse
E a todos levasse
A um velho dia
Talvez a Lapa cantasse
E em pedra gravasse
A nossa alegria
Talvez a Lapa sorrisse
E à pedra se ouvisse
"Olá Poesia"
Se agora o rio pudesse
Juntar quem padece
De tal nostalgia
E tanta gente viesse
Sem sonhos nem preces
E sem rebeldia
Talvez a Lapa chorasse
E em pedra gravasse
A nossa agonia
Talvez a Lapa sofresse
E à pedra dissesse
"Adeus Poesia"
É Preciso Acreditar
Fado da Despedida
Uma nova loja de música - AvA
De vez em quando sabe bem dar uma boa noticia. Na verdade é com prazer que vos comunicamos que abriu, na Rua Nova do Loureiro 14 (junto do conservatório) a loja de música AvA Musical Editions/Paleta dos Sons. Saúda-se sempre uma nova iniciativa. Que vendam muitas e boas partituras são os nossos desejos.
Fica também o nosso convite a todas as lojas de música do país (deveria dizer dos países dado que neste momento mais de 50% do tráfego provém do Brasil) que desejem que nos contem da vossa existência. Não só publicarei os vossos comentários como prometo que farei sempre um post e quem sabe um dia uma lista!
Fica o desafio feito ! No que diz respeito aos Lisboetas não há desculpa. Em romaria para a Rua Nova do Loureiro já!
Fica também o nosso convite a todas as lojas de música do país (deveria dizer dos países dado que neste momento mais de 50% do tráfego provém do Brasil) que desejem que nos contem da vossa existência. Não só publicarei os vossos comentários como prometo que farei sempre um post e quem sabe um dia uma lista!
Fica o desafio feito ! No que diz respeito aos Lisboetas não há desculpa. Em romaria para a Rua Nova do Loureiro já!
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Ibéria - Albéniz
Em primeiro lugar, já me conhecem, vou reclamar da vossa falta de participação. Só 4 votantes? Bem sei que a lista ainda não tem links para todas as obras e é uma lista extensa mas ainda assim votem por eliminação se desejarem, não se esqueçam que nesta fase apenas vamos depurar, retirar alguns nomes ...
Continuando a dar-vos a conhecer algumas obras e compositores menos conhecidos que coloquei na lista hoje vamos falar da obra Ibéria de Isaac Albeniz (1860-1909) grande compositor e pianista espanhol.
A obra que colocamos a votação foi composta entre 1905 e 1909 sendo portanto uma das obras do fim da vida de Albéniz. A obra é composta por quatro livros cada um contendo três obras. Do ponto de vista do estilo a obra pode ser enquadrada no impressionismo embora como em todas as obras de Albeniz a ligação ao elemento nacional e mesmo popular seja absolutamente marcante. Podemos assim dizer que Albeniz e esta obra também é uma das ancoras da escola espanhola na ruptura que marcou o final do romantismo em que muitos compositores procuraram formas de expressão nacionais no quadro da música erudita.
Não vos vou aqui mostrar extractos de todas as partes da obra embora vos liste os quatro livros e as doze obras que a compõem.
Livro 1 - Estreado na Sala Pleyel em París a 9 de Maio de 1906 por Blanche Selva
1. Evocación.
2. El Puerto.
3. El Corpus en Sevilla.
Livro 2 - Estreado em San Jean de Luz a 11 de Setembro de 1907
4.Rondeña.
5.Almería.
6.Triana : Esta é uma das mais conhecidas a propósito. Oiçam e vejam por exemplo Lugansky ao vivo ...
Livro 3 - Estreado em París na casa da Princesa de Polignac a 2 de Janeiro de 1908.
7. El Albaicín.
8. El Polo.
9. Lavapiés.
Livro 4 - Estreado a 9 de Fevereiro de 1909 em París, na Sociedade Nacional de Música (escassos 3 meses antes do falecimento do compositor ocorrido em Maio do mesmo ano).
10.Málaga.
11.Jerez.
12.Eritaña.
Para ilustrar esta obra proponho que escutem a terceira obra do primeiro livro "El Corpus Christi en Sevilha". Como vêm o nome reflecte bem a direcção impressionista e programática da obra o som creio que não deixará dúvidas quanto ao resto também não ... Escolhi desta vez Alicia de Larrocha (1923-2009) obviamente uma das grandes pianistas espanholas de sempre e um talvez a pianista que mais vezes gravou a integral destas obras (gravou-as por três vezes).
Aliás se tiverem curiosidade podem ouvir Alicia de Larrocha no you tube precisamente numa dessas gravações integrais (o conjunto das doze peças tem uma duração de aproximadamente uma hora e meia mas juro-vos que vale a pena).
Continuando a dar-vos a conhecer algumas obras e compositores menos conhecidos que coloquei na lista hoje vamos falar da obra Ibéria de Isaac Albeniz (1860-1909) grande compositor e pianista espanhol.
A obra que colocamos a votação foi composta entre 1905 e 1909 sendo portanto uma das obras do fim da vida de Albéniz. A obra é composta por quatro livros cada um contendo três obras. Do ponto de vista do estilo a obra pode ser enquadrada no impressionismo embora como em todas as obras de Albeniz a ligação ao elemento nacional e mesmo popular seja absolutamente marcante. Podemos assim dizer que Albeniz e esta obra também é uma das ancoras da escola espanhola na ruptura que marcou o final do romantismo em que muitos compositores procuraram formas de expressão nacionais no quadro da música erudita.
Não vos vou aqui mostrar extractos de todas as partes da obra embora vos liste os quatro livros e as doze obras que a compõem.
Livro 1 - Estreado na Sala Pleyel em París a 9 de Maio de 1906 por Blanche Selva
1. Evocación.
2. El Puerto.
3. El Corpus en Sevilla.
Livro 2 - Estreado em San Jean de Luz a 11 de Setembro de 1907
4.Rondeña.
5.Almería.
6.Triana : Esta é uma das mais conhecidas a propósito. Oiçam e vejam por exemplo Lugansky ao vivo ...
Livro 3 - Estreado em París na casa da Princesa de Polignac a 2 de Janeiro de 1908.
7. El Albaicín.
8. El Polo.
9. Lavapiés.
Livro 4 - Estreado a 9 de Fevereiro de 1909 em París, na Sociedade Nacional de Música (escassos 3 meses antes do falecimento do compositor ocorrido em Maio do mesmo ano).
10.Málaga.
11.Jerez.
12.Eritaña.
Para ilustrar esta obra proponho que escutem a terceira obra do primeiro livro "El Corpus Christi en Sevilha". Como vêm o nome reflecte bem a direcção impressionista e programática da obra o som creio que não deixará dúvidas quanto ao resto também não ... Escolhi desta vez Alicia de Larrocha (1923-2009) obviamente uma das grandes pianistas espanholas de sempre e um talvez a pianista que mais vezes gravou a integral destas obras (gravou-as por três vezes).
Aliás se tiverem curiosidade podem ouvir Alicia de Larrocha no you tube precisamente numa dessas gravações integrais (o conjunto das doze peças tem uma duração de aproximadamente uma hora e meia mas juro-vos que vale a pena).
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