Continuando em Berlioz e nas Nuits d´été enquanto ainda nos lembramos como eram hoje vamos ouvir "Sur les lagunes". Lembramos de novo que os poemas são de Teophile Gautier e que este ciclo é composto de seis canções, sendo esta a terceira. A tradução do original em francês para português é minha.
Oiçam aqui Janet Baker com a Orquestra da Rádio Dinamarquesa dirigida por Herbert Blomstedt numa gravação de 1972.
Nas Lagoas
A minha bela amiga faleceu,
Chorarei para sempre
para o seu túmulo ela leva
a minha alma e o meu amor
Para o céu sem me esperar
ela voltou
O anjo que a levou
Não quis também me levar
Quão amargo é o meu destino!
Ah! Ir para o mar sem amor!
A branca criatura
está deitada no seu caixão
como na natureza
tudo me parece em luto
a pomba esquecida
chora, chora e pensa na ausente
a minha alma chora e sente
que está sem par
Quão amargo é o meu destino!
Ah! Ir para o mar sem amor!
Sobre mim a noite imensa
estende-se como uma névoa
canto o meu romance
que apenas a noite entende
Ah! como ela era bela!
E como eu a amava!
Nunca mais amarei
uma mulher tanto como ela!
Quão amargo é o meu destino!
Ah! Ir para o mar sem amor!
... Ir para o mar sem amor! Ah! Ah!
Sur les Lagunes
Ma belle ami est morte,
Je pleurerai toujours;
Sous la tombe elle emporte
Mon âme et mes amours.
Dans le ciel sans m’attendre
Elle s’en retourna;
L’ange qui l’emmena
Ne voulut pas me prendre.
Que mon sort est amer!
Ah! sans amour s’en aller sur la mer!
La blanche créature
Est couchée au cercueil;
Comme dans la nature
Tout me parait en deuil!
La colombe oubliée
Pleure, pleure et songe à l’absent
Mon âme pleure et sent
Qu’elle est dépareillée.
Que mon sort est amer!
Ah! sans amour s’en aller sur la mer!
Sur moi la nuit immense
S’étend comme un linceul;
Je chante ma romance
Que la nuit entend seul.
Ah! comme elle était belle!
Et comme je l’aimais!
Je n’aimerai jamais
Une femme autant qu’elle!
Que mon sort est amer!
Ah! sans amour s’en aller sur la mer!
..s’en aller sur la mer! Ah! Ah!
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sábado, 30 de agosto de 2008
sexta-feira, 29 de agosto de 2008
Berlioz - Les Nuits d´été (Op. 7) - Segunda Parte
Continuando hoje a nossa viagem pelas obras de Berlioz vamos falar da segunda das canções deste ciclo (o poema relembramos é de Théophile Gautier). Chama-se a canção o "Espectro da Rosa". A tradução do poema do original em francês para o português é minha. As minhas desculpas pela menor qualidade (deixo o original também para que possam seguir a canção).
O Espectro da Rosa
Abre a tua pálpebra fechada
Que um pensamento virginal aflora
Sou o espectro da rosa
Que ontem passeavas no baile
Apanhaste-me ainda cheio de pérolas
Das lágrimas de prata do regador
E na festa estrelada
Levaste-me a passear, levaste-me a passear toda a noite
Oh tu que da minha morte foste a causa
Sem que o possas dispensar
todas as noites o meu espectro rosa
à tua cabeceira virá dançar
Não temas, não reclamo
nem missa nem De Profundis
esse leve perfume é a minha alma
esse leve perfume é a minha alma
e eu venho do paraíso
chego do paraíso
O meu destino foi digno de inveja
e para ter tal sorte
muitos teriam dado a vida
porque no teu seio tenho o meu túmulo
E no alabastro onde repouso
um poeta com um beijo
escreveu: "Aqui jaz uma rosa
de que todos os Reis vão ter ciúmes"
Escolhi uma interpretação de que gosto particularmente (é uma das vozes mais doces que conheço). Oiçam aqui Regine Crespin com a Orquestra da Radio de France conduzida por Jean-Claude Hartemann.
Le Spectre de la Rose
Soulève ta paupière close
Qu’effleure un songe virginal!
Je suis le spectre d’une rose
Que tu portais hier au bal.
Un poète avec un baiser
Écrivit: “Ci git une rose,
Que tous les rois vont jalouser.”
O Espectro da Rosa
Abre a tua pálpebra fechada
Que um pensamento virginal aflora
Sou o espectro da rosa
Que ontem passeavas no baile
Apanhaste-me ainda cheio de pérolas
Das lágrimas de prata do regador
E na festa estrelada
Levaste-me a passear, levaste-me a passear toda a noite
Oh tu que da minha morte foste a causa
Sem que o possas dispensar
todas as noites o meu espectro rosa
à tua cabeceira virá dançar
Não temas, não reclamo
nem missa nem De Profundis
esse leve perfume é a minha alma
esse leve perfume é a minha alma
e eu venho do paraíso
chego do paraíso
O meu destino foi digno de inveja
e para ter tal sorte
muitos teriam dado a vida
porque no teu seio tenho o meu túmulo
E no alabastro onde repouso
um poeta com um beijo
escreveu: "Aqui jaz uma rosa
de que todos os Reis vão ter ciúmes"
Escolhi uma interpretação de que gosto particularmente (é uma das vozes mais doces que conheço). Oiçam aqui Regine Crespin com a Orquestra da Radio de France conduzida por Jean-Claude Hartemann.
Le Spectre de la Rose
Soulève ta paupière close
Qu’effleure un songe virginal!
Je suis le spectre d’une rose
Que tu portais hier au bal.
Tu me pris encore emperlée
Des pleurs d’ argent de l’arrosoir,
Et parmi la fête étoileée
Tu me promenas, tu me promenas tout le soir.
O toi qui de ma mort fut cause,
Sans que tu puisses le chasser,
Toutes les nuits mon spectre rose
A ton chevet viendra danser;
Mais ne crains rien, je ne réclame
Ni messe ni De Profundis.
Ce leger parfum est mon âme,
Ce leger parfum est mon âme,
Et j’arrive du paradis,
J’arrive du paradis.
Mon destin fut digne d’envie,
Et pour avoir un sort si beau,
Plus d’ un aurait donné sa vie;
Car sur ton sein j’ai mon tombeau,
Un poète avec un baiser
Écrivit: “Ci git une rose,
Que tous les rois vont jalouser.”
quinta-feira, 28 de agosto de 2008
Recomendações de Quinta-Feira (28.08.2008) : Música Clássica ao Vivo
Aparentemente o país continua de férias. Gostaria de vos poder dar mais recomendação mas as minhas fontes habituais de concertos estão de férias. Em todo o caso embora não tendo uma cobertura nacional completa conseguimos algumas propostas interessantes graças aos nossos amigos da Sercultur.
Em primeiro lugar começamos por uma recomendação que não é de música ao vivo mas de ensino de algumas artes. Um nosso amigo fez-nos chegar informações sobre o ARTlier que vai abrir os seus cursos já em Setembro. Poderá aprender Restauro e Reciclagem de Móveis (com Margarida CF), Teatro (com Mariana Amaral), Pintura (com Isabel Contreras Botelho), Teatro para Crianças (com Mariana Amaral) e Pintura com História (com Vera Rebelo Pinto). Para informações sobre preços, datas, idades e tudo o mais visite ARTlier, vale a pena.
Começando agora as nossas recomendações musicais em Vila Viçosa hoje sexta-feira 29 no Paço Ducal de Vila Viçosa poderão ouvir Ana Leonor Pereira, Fernando Gomes e José Manuel Tavares num recital de canto, guitarra e percussão. Será às 21h e a Entrada é Livre. Programa composto por Modinhas, Música Brasileira e Portuguesa C. 1800.
Em Évora o Quarteto de Cordas "Intermezzo" estará na Igreja de São Vicente (Évora) no Sábado 30 às 21:30. Não sei preços. Nogueira e Luis Rufo, nos violinos, Marta Nogueira, na viola-d'arco e Sérgio Pliz, no violoncelo interpretarão obras de W. A. Mozart, Haydn, Dvorák, Leroy Anderson, Cole Porter e George Gershwin.
Em Grândola no Parque de Feiras e Exposições de Grândola integrada na Feira de Agosto, Turismo, Ambiente e Desenvolvimento 2008 estará sexta-feira a Banda da Armada pelas 22h e no Domingo também às 22h o SMOFG (Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense) mais conhecida por Música Velha. Não sei preços.
Em Lisboa integrado nos Concertos de Verão da Fundação Oriente 2008 poderão ouvir «Viagem na Nau do Tempo» - Il Dolcimelo no Museu do Oriente na Sexta-Feira às 18h. Preço: €5. Não é bem música clássica dado que se trata de um grupo de música renascentista mas está dentro do espírito :-).
Na Figueira da Foz (uma estreia em termos de recomendações) poderá ouvir uma «Gala de Ópera» - pela Companhia Portuguesa de Ópera no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz (CAE). Sexta-Feira às 21:30. Preço: €20. Serão interpretados alguns momentos inesquecíveis de óperas famosas como "Barbeiro de Sevilha", "Elixir do Amor", "La Traviata", "Nabucco", "La Bohème", "Carmen".
E é tudo por hoje. Divirtam-se e já sabem, saiam para ouvir música porque Ao vivo é outra coisa.
Em primeiro lugar começamos por uma recomendação que não é de música ao vivo mas de ensino de algumas artes. Um nosso amigo fez-nos chegar informações sobre o ARTlier que vai abrir os seus cursos já em Setembro. Poderá aprender Restauro e Reciclagem de Móveis (com Margarida CF), Teatro (com Mariana Amaral), Pintura (com Isabel Contreras Botelho), Teatro para Crianças (com Mariana Amaral) e Pintura com História (com Vera Rebelo Pinto). Para informações sobre preços, datas, idades e tudo o mais visite ARTlier, vale a pena.
Começando agora as nossas recomendações musicais em Vila Viçosa hoje sexta-feira 29 no Paço Ducal de Vila Viçosa poderão ouvir Ana Leonor Pereira, Fernando Gomes e José Manuel Tavares num recital de canto, guitarra e percussão. Será às 21h e a Entrada é Livre. Programa composto por Modinhas, Música Brasileira e Portuguesa C. 1800.
Em Évora o Quarteto de Cordas "Intermezzo" estará na Igreja de São Vicente (Évora) no Sábado 30 às 21:30. Não sei preços. Nogueira e Luis Rufo, nos violinos, Marta Nogueira, na viola-d'arco e Sérgio Pliz, no violoncelo interpretarão obras de W. A. Mozart, Haydn, Dvorák, Leroy Anderson, Cole Porter e George Gershwin.
Em Grândola no Parque de Feiras e Exposições de Grândola integrada na Feira de Agosto, Turismo, Ambiente e Desenvolvimento 2008 estará sexta-feira a Banda da Armada pelas 22h e no Domingo também às 22h o SMOFG (Sociedade Musical Fraternidade Operária Grandolense) mais conhecida por Música Velha. Não sei preços.
Em Lisboa integrado nos Concertos de Verão da Fundação Oriente 2008 poderão ouvir «Viagem na Nau do Tempo» - Il Dolcimelo no Museu do Oriente na Sexta-Feira às 18h. Preço: €5. Não é bem música clássica dado que se trata de um grupo de música renascentista mas está dentro do espírito :-).
Na Figueira da Foz (uma estreia em termos de recomendações) poderá ouvir uma «Gala de Ópera» - pela Companhia Portuguesa de Ópera no Centro de Artes e Espectáculos da Figueira da Foz (CAE). Sexta-Feira às 21:30. Preço: €20. Serão interpretados alguns momentos inesquecíveis de óperas famosas como "Barbeiro de Sevilha", "Elixir do Amor", "La Traviata", "Nabucco", "La Bohème", "Carmen".
E é tudo por hoje. Divirtam-se e já sabem, saiam para ouvir música porque Ao vivo é outra coisa.
quarta-feira, 27 de agosto de 2008
Berlioz - Te Deum (Op. 22)
Hoje vamos por momentos interromper a nossa visita ao ciclo de canções Les Nuits d´été que começamos aqui para nos debruçarmos numa outra obra vocal: Te Deum (Op. 22).
Esta obra foi composta em 1849 tendo sido originalmente concebida como um hino para celebração de alguma vitória militar ou pelo parece ter cristalizado material não utilizado de uma grande sinfonia em honra de Napoleão. Aliás esta obra contém mais partes "emprestadas" de outras obras de Berlioz como por exemplo o Requiem de falaremos também em breve.
Não tendo sido uma encomenda Berlioz teve de encontrar uma razão para estrear o seu Te Deum. Acabou por o conseguir em 1855 embora não existindo uma razão militar para celebrar um dos andamentos da obra foi suprimido (e hoje é raramente tocado dado que existem instruções para que este apenas seja interpretado nesse tipo de ocasiões).
A obra segue o texto litúrgico Te Deum embora Berlioz se tenha concedido a liberdade poética de efectuar algumas alterações na ordem para aumentar o efeito dramático. Para vos mostrar esta obra vamos contar com a ajuda da Filarmónica de Viena dirigida por Claudio Abbado.
1. Te Deum laudamus
Este andamento começa como poderão ouvir por cinco acordes profundos, fortes. Este é um dos dois andamentos onde Berlioz utiliza o coro de crianças (embora especificasse que poderia ser suprimido caso necessário).
Primeira Parte - Te Deum Laudamus
2. Tibi omnes
Existem especialistas de orquestração que pensam que este é uma das obras primas de orquestração deste compositor. depois de um começo que diríamos uma inocente e primária introdução do órgão somos surpreendidos por uma entrada lindíssima do coro que será aos poucos conduzido a um clímax sonoro que se repetirá de forma sempre diferente mais duas vezes.
Segunda Parte - Tibi Omnes
3. Prelúdio
Este andamento é apenas instrumental e aquele que Berlioz especificou que não deveria ser tocado nos casos em que o Te Deum não fosse interpretado para uma celebração militar. Desta forma este andamento não é hoje praticamente interpretado (e nunca o foi na vida de Berlioz).
4. Marcha para a apresentação das Bandeiras
Este andamento também é hoje raramente tocado. No entanto contrariamente ao prelúdio Berlioz considerava que este andamento fazia parte integrante da obra e não poderia ser suprimido. Na interpretação de 1855 Berlioz colocou este andamento logo a seguir ao Tibi Omnes. Porém nas actuais edições musicais é colocado no fim e muito raramente tocado. Um dos factores que levará porventura a este facto é a necessidade de 12 Harpas para a sua execução o que torna o mesmo um pesadelo de logística.
5. Dignare
Um movimento bastante meditativo, calmo.
Terceira Parte: Dignare
6. Christe, rex gloriæ
Se o anterior andamento é introvertido, calmo, contemplativo e conducente ao recolhimento e reflexão este andamento é o seu oposto. Extrovertido, alegre com o coro frequentemente em plena utilização das suas capacidades vocais.
Quarta Parte - Christe, rex gloriæ
5. Te ergo quæsumus
Quinta Parte - Te Ergo quæsumus
6. Judex crederis
Sexta e Sétima Parte
Esta obra foi composta em 1849 tendo sido originalmente concebida como um hino para celebração de alguma vitória militar ou pelo parece ter cristalizado material não utilizado de uma grande sinfonia em honra de Napoleão. Aliás esta obra contém mais partes "emprestadas" de outras obras de Berlioz como por exemplo o Requiem de falaremos também em breve.
Não tendo sido uma encomenda Berlioz teve de encontrar uma razão para estrear o seu Te Deum. Acabou por o conseguir em 1855 embora não existindo uma razão militar para celebrar um dos andamentos da obra foi suprimido (e hoje é raramente tocado dado que existem instruções para que este apenas seja interpretado nesse tipo de ocasiões).
A obra segue o texto litúrgico Te Deum embora Berlioz se tenha concedido a liberdade poética de efectuar algumas alterações na ordem para aumentar o efeito dramático. Para vos mostrar esta obra vamos contar com a ajuda da Filarmónica de Viena dirigida por Claudio Abbado.
1. Te Deum laudamus
Este andamento começa como poderão ouvir por cinco acordes profundos, fortes. Este é um dos dois andamentos onde Berlioz utiliza o coro de crianças (embora especificasse que poderia ser suprimido caso necessário).
Primeira Parte - Te Deum Laudamus
2. Tibi omnes
Existem especialistas de orquestração que pensam que este é uma das obras primas de orquestração deste compositor. depois de um começo que diríamos uma inocente e primária introdução do órgão somos surpreendidos por uma entrada lindíssima do coro que será aos poucos conduzido a um clímax sonoro que se repetirá de forma sempre diferente mais duas vezes.
Segunda Parte - Tibi Omnes
3. Prelúdio
Este andamento é apenas instrumental e aquele que Berlioz especificou que não deveria ser tocado nos casos em que o Te Deum não fosse interpretado para uma celebração militar. Desta forma este andamento não é hoje praticamente interpretado (e nunca o foi na vida de Berlioz).
4. Marcha para a apresentação das Bandeiras
Este andamento também é hoje raramente tocado. No entanto contrariamente ao prelúdio Berlioz considerava que este andamento fazia parte integrante da obra e não poderia ser suprimido. Na interpretação de 1855 Berlioz colocou este andamento logo a seguir ao Tibi Omnes. Porém nas actuais edições musicais é colocado no fim e muito raramente tocado. Um dos factores que levará porventura a este facto é a necessidade de 12 Harpas para a sua execução o que torna o mesmo um pesadelo de logística.
5. Dignare
Um movimento bastante meditativo, calmo.
Terceira Parte: Dignare
6. Christe, rex gloriæ
Se o anterior andamento é introvertido, calmo, contemplativo e conducente ao recolhimento e reflexão este andamento é o seu oposto. Extrovertido, alegre com o coro frequentemente em plena utilização das suas capacidades vocais.
Quarta Parte - Christe, rex gloriæ
5. Te ergo quæsumus
Quinta Parte - Te Ergo quæsumus
6. Judex crederis
Sexta e Sétima Parte
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