sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Venceu Guilhermina Suggia (1885 -1950)

Bom nos votos nitidamente resulta que temos uma comunidade de violoncelistas muito activa. Bateram-se o número de votantes (58) e o número de votos (74) por uma larga margem. A grande vencedora foi a nossa Guilhermina Suggia que obteve um total de 31 votos (42%).

Pablo Casals (1876 – 1973) : 11 (15%)
Mstislav Rostropovich (1927 – 2007) : 11 (15%)
Jacqueline du Pré(1945 – 1987) : 15 (20%)
Julian Lloyd Webber (1951) : 06 (08%)
Guilhermina Suggia (1885 -1950) : 31 (42%)

(Os votos resultam do acumulado com os resultados obtidos antes da introdução da Guilhermina Suggia).

Assim espero ainda este fim de semana colocar neste blog um especial sobre esta extraordinária violoncelista. Para já recomendamos a leitura atenta do excelente blog Guilhermina Suggia . Vai ser difícil dizer alguma coisa sobre a violoncelista que não esteja já nesse espaço excepcional de promoção da música e da arte mas vamos tentar. No Domingo teremos uma nova votação.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Recomendações de Quinta-Feira (06.11.2008)

Relembramos que podem ler este post também em Folhas Pautadas.

Como de costume começamos as nossas recomendações de Quinta-Feira no sul do país mais precisamente em Faro na Universidade da cidade poderemos ouvir a Orquestra do Algarve dirigida por Cesário Costa . Será na Sexta-Feira dia 7 de Novembro às 18:30. Poderemos ouvir Las Quatro Estaciones Porteñas e Aconcagua de Astor Piazzola (1921-1992). Será solista Gonçalo Pescada (Acordeão).

Em Loulé teremos o Coral Ideias do Levante dirigido por Francisco Brazão no dia 8 Sábado às 16:30 no Castelo de Loulé.

No Museu da Música em Lisboa teremos um recital de violoncelo e piano por Laura Buruiana e Andrei Vieru na Sexta-Feira às 19h. Obras de Debussy, Enescu e Vieru num concerto promovido pelo Instituto Cultural Romeno.

Ainda na zona de Lisboa (Oeiras/Cascais - Vejam o site da Orquesta de Camara de Oeiras e Cascais para informação detalhada sobre os locais indicados) teremos um Domingo dedicado à família e aos mais novos. Assim às 11h no Teatro Municipal Amélia Rey Colaço teremos um concerto intitulado "A Música faz-nos sentir melhor". Concerto didático para pais e filhos. Ás 17h no Conservatório de Música de Cascais termos um concerto intitulado "Um instrumento mágico" que procura ilustrar A história do violino, a sua construção, os grandes virtuosos e as suas obras.

Em Almada teremos um trio fantástico composto por Ana Bela Chaves, António Saiote e António Rosado num Recital de Viola, Clarinete e Piano no Teatro Municipal de Almada (Novo). Será no Sábado às 21:30. Obras de Joly Braga Santos, Bruch e Mozart.

No Fórum Cultural de Alcochete na Sexta-Feira às 21:45 teremos o «Requiem à memória de Passos Manuel» de Eurico Carrapatoso pela Sinfonietta de Lisboa e Coro Ricercare.

Em Atouguia da Baleia (concelho de Peniche) teremos na Igreja de São Leonardo o Coral Vértice dirigido por Sérgio Fontão. É na Sexta-feira, 7 de Novembro, às 21.30. Serão interpretadas obras de música medieval e renascentista. Palestrina, Gaspar Fernandes e Juan Gutiérrez de Padilla. A entrada é livre.

No Entroncamento teremos «Tesouros da Ópera Barroca» pelo grupo Vox Angelis. Será no Centro Cultural do Entroncamento no Sábado às 21:30. Entrada Livre.

Finalmente no Porto, na Casa da Música do Porto teremos o Remix Ensemble dirigido por Emilio Pomàrico na Sexta-Feira às 21h.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Leonard Bernstein - Quinta Parte - Os Concertos e Integrais com a Filarmónica de Viena

A Filarmónica de Viena tinha sido a Orquestra de Mahler. Era na altura (meados dos anos sessenta) uma das melhores orquestras da Europa. Embora continuasse ligado à sua Filarmónica de Nova Iorque Bernstein iniciou uma ligação com estas duas orquestras que foi de certa forma surpreendente tendo em conta que havia ainda uma certa hostilidade da cidade em relação ao maestro. Porém a paixão de ambos por Beethoven e Mahler tudo pode conciliar.

Bernstein começou a trabalhar em Viena em 1966 com a Vienna State Opera tendo estreado com Falstaff de Verdi e com o grande Dietrich Fischer Diskau no papel de Falstaff. Porém sem dúvida o que marcou esta passagem de Bernstein por Viena foram as integrais das sinfonias de Beethoven e Brahms e algumas gravações de Mahler. Estes eram os elos emocionais mais fortes que ligavam Bernstein a estas duas orquestras.

Desta forma proponho que oiçam dois extractos de Bernstein com esta Orquestra. Em primeiro lugar Beethoven e a quinta Sinfonia aqui . Depois Mahler e a sua quarta sinfonia aqui.

Esta ligação com as duas orquestras viria a durar até ao ano do seu falecimento em 1990 com mais de 24 épocas de colaboração.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

James Galway (1939-)

Uma grande parte deste post é baseado na autobiografia de James Galway.

James Galway nasceu em Belfast na Irlanda do Norte a 8 de Dezembro de 1939 numa família de recursos bastante modestos.

Os anos da sua infância e adolescência foram normais, bom tão normais quanto poderia ser uma infância em Belfast na segunda grande-guerra e imediatamente após. Tanto o pai como a mãe eram músicos embora não pudessem viver dessa actividade numa Belfast pobre e dividida (embora Galway negue que isso se tivesse repercutido no seu dia a dia). James era então um miúdo normal bastante irrequieto e audacioso (conta-nos como ia ficando sem um dedo numa experiência com munições) mas desde muito cedo fascinado pela música.

Esteve quase para aprender violino mas uma experiência pedagógica menos conseguida faz com que rapidamente se dedique à flauta. O pai embora sem uma educação musical formal foi instrumental no desenvolvimento musical do jovem Galway ao impor um ritmo de trabalho e de estudo e introduzindo-o a peças clássicas, embora de forma pouco ortodoxa.

Quando sentiu que tinha chegado o momento de um professor mais conhecedor soube encontra-lo por várias ocasiões. O primeiro foi Ardwell Dunning que o levou a ganhar o seu primeiro prémio o "Irish Flute Championship" que venceu com apenas 10 anos.

Este prémio fez perceber ao seu pai que o rapaz tinha um dom especial e por isso mais um vez o teimoso irlandês investigou tendo encontrado Muriel Dawn uma antiga cantora e vocalista e também professora de flauta que introduziu Galway ao método francês através do método de Marcel Moyse.

Foi Muriel Dawn que permitiu a James Galway tocar para Geoffrey Gilbert e para John Francis reputados professores em Londres e com quem James Galway iria estudar mais tarde. Na realidade isso aconteceu assim que Muriel conseguiu encontrar uma forma para que lhe fosse concedida uma bolsa de estudo.

Começou por estudar com John Francis no Royal College of Music e depois com Geoffrey Gilbert na Guilhall School of Music. James Galway não esconde que nos seus estudos musicais apreciou imenso a técnica mas muito pouco a teoria tendo tido problemas em qualquer uma destas escolas. Conta a autobiografia que todas as desculpas eram boas para faltar às aulas teóricas.

Mais tarde estudou também em Paris com os professores Gaston Crunelle e Jean Pierre Rampal tendo também tido lições privadas com Marcel Moyse (sim um dos outros flautistas que estavam na nossa votação). Galway não gostou muito de Paris embora reconhecesse que o conservatório funcionasse de uma forma diferente do ensino Inglês com muito maior enfase na competição entre os alunos. Galway achava que isso era bom porque permitia que cada um se esforçasse ao máximo.

Depois de terminados os estudos Galway embora sempre um pouco a contra-gosto começou uma carreira de em várias orquestras. Dizemos a contragosto porque este artista sempre exprimiu um desejo de fazer ouvir a sua própria voz, ou seja de abarcar uma carreira de solista. Foi no entanto aconselhado pelos seus amigos e professores a não o fazer. Note-se que nesta altura Rampal ainda mal tinha começado a recuperar a flauta como instrumento solista e efectivamente este tipo de carreira era um risco considerável.

Galway começou a sua carreira com a Philharmonia Orchestra tendo depois passado pela Sadler's Wells Opera (Covent Garden Opera) - que deixou pela necessidade de fazer música "a metro".

Tocou depois na London Symphony Orchestra e na Royal Philharmonic Orchestra tendo em 1969 decidido ir prestar provas para a Filarmónica de Berlim então dirigida por Karajan. As coisas estiveram quase para correr mal conforme podemos ler na sua autobiografia. Na verdade Galway inadvertidamente chegou atrasado (a hora da audição foi mudada sem que o tivessem avisado a tempo). Ora quando chega a Berlim dizem-lhe precisamente isso - que a audição já terminou e que já foi escolhido o primeiro flautista. Galway revolta-se e diz consegue na mesma a audição - tocando no auditório várias peças que lhe são pedidas sucessivamente.

No fim quando passado uns minutos lhe comunicam o resultado Galway diz que tendo sido maltratado não sabe se este é um sitio onde quer tocar. Acaba por voltar a Londres mas aceita o posto em Berlim onde acabaria por ficar até 1975.

A partir de 1975 após ter deixado a Filarmónica de Berlim James Galway dedicou-se então a uma carreira de solista que inclui várias gravações de vários géneros musicais. As suas participações na Rua Sésamo estão provavelmente na memória de muitos miúdos.

É "Sir" desde 2001 o que conhecendo o seu espírito rebelde não deixa de ser uma curiosa contradição. O que já não é uma contradição e está perfeitamente adequado a um homem que preza imenso as pessoas com quem aprendeu - os seus professores - é a sua luta para que melhore a educação musical na Inglaterra, e atreveria-me a dizer no mundo.

São famosas as suas Master Classes e o seu site oficial é um paraíso para quem está a aprender flauta pela quantidade de recursos presentes. É também notável o seu trabalho em várias fundações que procuram promover o ensino da música ou da flauta. É presidente da Flutewise desde 2003 (associação que empresta flautas a jovens com dificuldades financeiras) e membro fundador do Music Education Consortium que procura pressionar o governo britânico para melhorar a qualidade do ensino da música em Inglaterra.

Dos vários trabalhos e arranjos que publicou permito-me salientar,porque nos são culturalmente próximas, as Aria Bachianas Brasileiras No. 5 para Flauta e Piano de Heitor Villa-Lobos.

Para quem quiser ouvir o excelente som deste grande flautista nas suas gravações radiofónicas dos anos 60 o melhor é mesmo visitarem o site oficial e apontarem o vosso browser para aqui. Depois é só escolher entre Telemann, Prokofiev, Hindemith , ...

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