Podem ler as duas primeiras partes desta biografia nestes dois posts:
Primeira Parte : Um talento precoce
Segunda Parte. Os Anos Antes da Guerra
A segunda guerra mundial interrompe a carreira de Menuhin de forma dramática (há quem defenda que mesmo antes da guerra Menuhin já teria perdido o fulgor dos primeiros anos, supõe-se que devido a uma lesão) mas obviamente quando se fala de guerra este tipo de problemas é irrelevante.
Por outro lado a guerra veio catalisar uma faceta no instrumentista que se apercebe da dimensão humana que a música pode trazer à espécie humana. Na verdade Yehudi Menuhin não mais parará de procurar com a música trazer paz, alegria e bom senso aos homens.
O inicio da guerra é marcada pelo nascimento dos seus dois primeiros filhos em 1939 e 1940 (embora nessa altura os Estados Unidos não estivessem ainda formalmente em guerra ...). Durante esta Menuhin vai fazer mais de 500 concertos para as tropas aliadas. Neste video podemos ver um extracto de uma interpretação num hospital de uma obra de Dvorak.
Numa dessas viagens haveria de conhecer a sua segunda mulher Diana Gould dançarina talentosa de quem teria também dois filhos.
Em 1945 com Benjamin Britten desloca-se a Bergen-Belsen para um recital no recentemente libertado campo de concentração num concerto destinado aos sobreviventes. Demonstrando uma alma enorme em 1947 aceita interpretar com a Sinfónica de Berlim dirigida por Furtwangler (nessa altura muito atacado pela sua suposta conivência com o regime nazi). Menuhin relembra então ao mundo que não só Furtwangler tinha ajudado imensos músicos judeus a fugir da Alemanha. Conseguir nessa altura pensar em reconciliação requeria na verdade uma alma superior. Neste vídeo podemos ouvir Menuhin falar de Furtwangler.
Durante a guerra nos Estados Unidos encontra Bartok em grandes dificuldades financeiras e encomenda-lhe uma sonata para violino. Não consigo encontrar extractos de Menuhin a interpretar esta obra que hoje faz parte do reportório de violino mas em compensação proponho-vos para terminar este post uma interpretação já depois da guerra (1953) do Concerto para Violino e Orquestra de Bela Bartok com a Philarmonia Orchestra dirigida por Furtwangler.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 30 de outubro de 2011
Música Açoriana: Encontros de Música Antiga 2011
Para os meus amigos leitores deste blog que sejam de Ponta Delgada ou que não sendo de lá estejam por alguma razão nessa belíssima terra não percam estes encontros nem tão pouco a palestra do Rui Vieira Nery.
Música Açoriana: Encontros de Música Antiga 2011:
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sábado, 29 de outubro de 2011
sexta-feira, 28 de outubro de 2011
Canções e poemas de que gostávamos ...
Vinicius sempre nos acompanhou, desde o inicio, fiquem bem hoje com mais este desvio (ou não, certamente que não) à música clássica :-)
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Até ao grande amor ...
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor. Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor. Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor. Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor. É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor. É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor. Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
Quando a luz dos olhos meus
E a luz dos olhos teus
Resolvem se encontrar
Ai que bom que isso é meu Deus
Que frio que me dá o encontro desse olhar
Mas se a luz dos olhos teus
Resiste aos olhos meus só p'ra me provocar
Meu amor, juro por Deus me sinto incendiar
Meu amor, juro por Deus
Que a luz dos olhos meus já não pode esperar
Quero a luz dos olhos meus
Na luz dos olhos teus sem mais lará-lará
Pela luz dos olhos teus
Eu acho meu amor que só se pode achar
Que a luz dos olhos meus precisa se casar.
Até ao grande amor ...
Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... — não tem nenhum valor. Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro — seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada — para viver um grande amor. Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor. Para viver um amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fidelidade — para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor. Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô — para viver um grande amor. Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito — peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor. É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista — muito mais, muito mais que na modista! — para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor... Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs — comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica e gostosa farofinha, para o seu grande amor? Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto — pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente — e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia — para viver um grande amor. É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que — que não quer nada com o amor. Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva oscura e desvairada não se souber achar a bem-amada — para viver um grande amor.
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