sábado, 10 de agosto de 2013

Saint Saens - Concerto para Piano nº 2

Continuando a nossa revisão das 100 Obras que recomendamos para começar a gostar de música clássica hoje vamos falar-vos do segundo concerto para piano e Orquestra de Saint Saens.

Saint Saens foi um dos compositores franceses mais prolíficos e certamente um dos que conseguiu ter obras de referencia em praticamente todos os géneros musicais. No que diz respeito a concertos para piano e orquestra compôs cinco (falaremos do quinto concerto num próximo post) mas este segundo é o mais popular dos cinco.

Foi composto na Primavera de 1868 em apenas três semanas após o seu amigo maestro Anton Rubinstein lhe ter pedido para arranjar um concerto. Com a sala marcada e sem programa definido Saint Saens propõe escrever um concerto especificamente para a ocasião. Não admira assim que a estreia não tenha corrido especialmente bem. Pouco tempo de ensaio e uma estrutura particularmente difícil e original terão sido as causas.

Na realidade o concerto começa com um Andamento Lento (Andante sostenuto) com uma deliciosa introdução em solo muito ao estilo de Bach onde é apresentado também o primeiro tema. A Orquestra entra então de forma contrastante após o que volta o primeiro tema (a propósito um tema de Fauré) seguido de um breve segundo tema que numa sequência de crescendos (num estilo bastante semelhante a Chopin) nos leva à coda onde volta a ser recapitulado o tema inicial.  Uma das principais criticas feitas a Saint Saens é a falta de unidade da obra que dizia um dos seus colegas "começa em Bach e acaba em Offenbach". É uma injustiça pensamos porque estes contrastes são totalmente propositados e fazem parte do encanto da obra. Para a ilustração desta obra escolhemos uma interpretação do pianista francês Marc André Hamelin.



O segundo andamento (Allegro scherzando) não é o tipico andamento lento como seria de esperar mas antes é mais parecido com um Scherzo com temas leves e bem-dispostos para contrastar com a densidade emocional do primeiro andamento.



No terceiro andamento (Presto) voltamos à "normalidade" na estrutura clássica de um concerto com um andamento rápido em que numa rapidíssima Tarantella tanto o solista como a Orquestra vão ganhando volume e ritmo para terminarem numa verdadeira tempestade de arpégios. Um andamento de cortar a respiração e aproximadamente 20 minutos de música que gostávamos que recomeçassem.

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Um violino a menos neste mundo ...

Um artigo da Business Insider dá-nos a conhecer a trágica sorte de um violino. A história fosse ela escrita em tom de história infantil seria mais ou menos assim ...

Era uma vez um violino com uma assinatura que levantava algumas dúvidas. A dona por necessidade precisou de o vender e nestes tempos modernos e cibernéticos fez o equivalente de ir à feira. Levou-o a um Luthier que o avaliou e depois colocou-o à venda no Ebay.

Rapidamente surge um comprador e tudo parecia que iria acabar com um viveram felizes para todo o sempre. Mas não ... O comprador - não sabemos porquê, se por avaliação de terceiros se por sua própria avaliação - resolve contestar a assinatura (a etiqueta com o nome do fabricante) e reclama ao Pay Pal.

O Pay Pal resolve tratar o caso pela bitola normal e declara o violino uma contrafacção . De acordo com as regras uma contrafacção não pode ser devolvida pelo que se aplica a regra - destrua o objecto para poder solicitar a devolução do dinheiro. O comprador (um canadiano) segue a instrução e destrói o violino enviando a imagem de prova.

Claro que um pouco de bom senso tanto do Pay Pal como do próprio comprador e também um pouco de conhecimento do mundo dos violinos teria levado a uma decisão mais sensata mas assim reza esta história. Era uma vez um violino que já não é ... e uma dona que perdeu cerca de 2.500 dólares e o violino.

domingo, 4 de agosto de 2013

Brahms - Ein Deutsches Requiem

Como já referi estou ao pouco a completar o meu índice das 100 obras que recomendo para começarem a gostar e conhecer a música clássica. Nesse processo estive a ler o que escrevi sobre Brahms e cheguei à conclusão que os posts sobre a obra Ein Deutsches Requiem - nada menos do que 6 posts quase um por andamento - estavam dispersos e quase tinham passado desapercebidos (a avaliar pelo número de leituras).

São posts de 2008 - uma eternidade nos separa deles logo adequado a um Requiem - aqui fica o link para a sua leitura se desejarem. Os posts contêm uma tradução integral do texto do Requiem.

Parte 1 - 1º e 2º Andamentos
Parte 2 - 3º Andamento
Parte 3 - 4º Andamento
Parte 4 - 5º Andamento
Parte 5 - 6º Andamento
Parte 6 - 7º Andamento

Para quem queira saber um pouco mais desta obra sem ler (para já pelo menos) estes seis posts resolvi incluir um pequeno resumo. Trata-se de uma obra verdadeiramente original já que Brahms removeu propositadamente referências ao dogma católico utilizando livremente partes da Bíblia Luterana. Para quem considera Brahms "um conservador" existe aqui mais um elemento para análise. Note-se que até este ponto (e mesmo posteriormente) todos os Requiems são baseados aproximadamente no mesmo texto, texto que nos chega praticamente sem alterações da Idade Média. O que Brahms fez foi essencialmente pouco menos que revolucionário transformando este texto litúrgico num texto que mantendo o seu carácter sagrado deixou de ser litúrgico para adquirir uma forte dimensão humanística.

Em vez de uma missa "para os mortos" este Requiem é um texto para a humanidade um caminho para a mesma. Numa carta Brahms disse que substituiria o termo "alemão" pelo palavra "Humano" o que teria sido provavelmente demasiado para época.

A obra foi estreada aos poucos - Brahms trabalhou nela durante mais de uma década - tendo o ultimo andamento (o 5º na ordem) sido completado em Maio de 1868. A obra foi estreada pela primeira vez completa (como a conhecemos hoje) em Leipzig a 18 de Fevereiro de 1869.

Fiquem agora com uma magnifica interpretação deste Requiem pela Filarmónica de Viena e o Wiener Singverein dirigidos por Herbert von Karajan.



sábado, 3 de agosto de 2013

Lalo - Sinfonia Espanhola

Édouard Lalo (1823-1892) está longe de ser um dos mais conhecidos compositores franceses. No entanto esta sua obra continua a ser uma das mais interpretadas do reportório clássico tendo tido uma grande influência na evolução da música pelo seu carácter inovador que aliás seduziu Tchaikovsky ao ponto de lhe ter inspirado o seu concerto para Violino.

É curioso - passados tantos anos - ler o que Tchaikovsky escreve à sua mecenas Nadejda von Meck:
"Esta obra foi recentemente estreada por aquele violinista muito moderno Sarasate. É para violino solo e Orquestra e consiste em cinco andamentos independentes baseados em temas da música popular espanhola. A obra deu-me muito prazer. É tão fresca e leve e contem ritmos picantes, ritmos e melodias que são harmonizadas belissimamente. Lalo é muito cuidadoso ao evitar tudo o que é rotineiro e procura sempre novas formas sem tentar ser profundo mais preocupado com a beleza musical que com o que é tradicional"

Não me parece que exista muito mais que se possa acrescentar ao comentário de Tchaikovsky em termos de elogio. A obra efectivamente foi escrita para o violinista espanhol Pablo Sarrasate composta em 1874 e estreada no ano seguinte em Paris a 7 de Fevereiro. Apesar do nome "Sinfonia" é na verdade mais um concerto do que uma sinfonia. Relativamente a esta questão da forma o mais simples é ouvirmos o próprio Lalo que nos diz : "O nome reflecte o meu conceito - Um violino cantando por cima da rígida forma de uma sinfonia".

O primeiro andamento "Allegro non troppo" é desenvolvido na forma sonata e abre com um tema claramente espanhol cantado pela orquestra apoós o que o Violino expõe o tema principal em tercinas. O segundo tema é também introduzido pelo violino solo. Propomos este andamento numa interpretação de Leonid Kogan.



O segundo andamento "Scherzando: Allegro molto2 é uma valsa espanhola, rápida e cheia de "salero". Propomos para este andamento uma interpretação de David Oistrakh.



O terceiro andamento "Intermezzo: Allegro non troppo" foi infelzimente durante muitos anos suprimido por alguns maestros e violinistas. Na verdade esta foi a forma que Lalo encontrou para sair da forma normal de uma sinfonia, introduzindo um andamento - também rápido - antes do verdadeiro andamento lento. E é uma pena porque o tema lirico é uma das pérolas desta sinfonia. Escolhemos uma interpretação de Henryk Szeryng.



O quarto andamento "Andante" caracteriza-se por uma introdução sombria - aliás o tom do andamento de uma forma geral é bastante soturno criando um ambiente melancólico e introspectivo de uma profundidade notável. Escolhemos uma interpretação de Itzahk Perlman para a sua ilustração.



Por fim o o quinto andamento "Rondo: Allegro" voltamos aos temas leves e alegres; um rondo em ritmo de Saltarello. Escolhemos Joshua Bell para nos mostrar esta ultima parte da obra.

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