sábado, 7 de setembro de 2013

Grieg - Peer Gynt

Cartaz para a peça Peer Gynt com música de Gieg
por Eduard Munch
Bom na nossa lista de 100 Obras pela ordem das que me faltam deveria hoje falar-vos do Concerto de Piano  para a Mão esquerda de Ravel porém como na semana passada foi o aniversário do seu falecimento resolvemos mudar a ordem e recomendar a suite Peer Gynt uma das duas obras de Grieg que estão nesta lista sendo a outra o seu extraordinário Concerto para Piano.

Esta obra foi composta para servir como música para a peça de teatro do mesmo nome de Ibsen. Aliás foi Ibsen que convidou Grieg a desenvolver este projecto. Na altura Grieg tinha já uma forte reputação adquirida pelo seu Concerto para Piano. Talvez mais importante para Ibsen fosse no entanto a sua experiência em trabalhos semelhantes e claro a sua tendência fortemente nacionalista que agradava a ambos. Ibsen era na altura não só um dos melhores escritores do mundo mas também um dos ícones do nacionalismo norueguês tal como Grieg.

Não se pense no entanto que a relação artística entre os dois homens foi fácil. Na verdade tinham opiniões bastante diferentes sobre a obra. As ideias de música para Ibsen eram um pouco ilustrativas demais para Grieg; por exemplo Ibsen queria que cada lugar por onde Peer Gynt passasse fosse ilustrado por uma música popular desse país, Grieg limitou-se a um pequeno apontamento. Por outro lado Ibsen achava que a música de Grieg tinha tirado poder ao conto tornando-o mais "bonito" enquanto a intenção do dramaturgo era bem mais sombria.

A estreia teve lugar em Oslo (então Christiania) a 24 de Fevereiro de 1876 tendo sido um sucesso absoluto. Apesar de não estar totalmente satisfeito com a obra Grieg deu entrada no seu registo de obras como Op. 26 tendo também retirado da mesma duas suites orquestrais Op. 46 em 1888 e Op. 55 em 1891 obras estas que são as que ouvimos hoje em dia mais frequentemente nas salas de concerto. Conforme poderão constatar as suites não mantêm a ordem original e devem ser entendidas como música programática sem dúvida mas sem uma relação demasiado fixa com o original.


Suite No. 1, Op. 46

Morning Mood : Esta peça originalmente fazia parte da abertura do Quarto acto. Nessa altura Peer Gynt está em África tendo-se tornado rico mas rodeado de falsos amigos. Grieg avisava contra o excesso de interpretação programática não obstante sempre referindo que "imaginava com esta música os primeiros raios de sol por cima do horizonte ao som dos primeiros fortes". O facto é que esta melodia é sem dúvida uma das mais conhecidas e uma das que mais rapidamente associamos ao amanhecer.

The Death of Åse : Na peça de Ibsen esta música serve tanto para a introdução do terceiro acto como para o seu fecho. O herói volta para perto de Solveg e da sua mulher Ase que está às portes da morte. Uma música de lamento portanto.

Anitra's Dance : Voltamos aqui ao Quarto Acto na peça original e a uma festa onde Peer Gynt é seduzido por Anitra, filha do grupo de beduínos que o acolhe depois de mais uma fuga. esta dança em tempo de Mazurka é também uma melodia muito conhecida e certamente uma das mais voluptuosas da música clássica.

In the Hall of the Mountain King : Na peça original este episódio situa-se perto do fim do segundo acto quando Peer Gynt se situa na terra dos Trolls e conquista a filha do rei da montanha. Porém os seus subditos não recebem bem esta conquista e Peer Gynt tem de, mais uma vez, fugir para se salvar. Uma melodia rítmica, propositadamente rústica e "barbara" que procura ilustrar os mais básicos, grotescos e animalescos comportamentos da espécie humana.

Suite No. 2, Op. 55

The Abduction of the Bride. Ingrid's Lament : Originalmente esta música abria o acto II. Ilustrava o rapto de Ingrid por Peer Gynt e a sua fuga para a montanha. Um andamento que começa rápido representando o rapto mas que acaba em tons dramáticos tristes quando Peer Gynt abandona Ingrid.

Arabian Dance (Arabisk dans) : Uma das outras danças do Quarto Acto na tenda do rei beduíno. Uma melodia que procura ilustrar o exotismo do norte de África.

Peer Gynt's Homecoming (Stormy Evening on the Sea) :  Nestes dois últimos andamentos Grieg retoma a ordem normal. No original esta peça fazia parte do inicio do quinto acto e ilustra o regresso de Peer Gynt a casa. Um regresso que seria calmo não fosse a tempestade no mar que acaba por o transformar num naufrago. Um andamento que ilustra assim os contrastes da natureza e do mar.

Solveig's Song : Peer Gynt finalmente volta para o seu amor sendo que esta peça terminava o quinto e ultimo acto. Ilustra o amor eterno e a redenção. Uma lindíssima melodia e mais uma vez uma das mais reconhecidas da música clássica.

Faço-vos notar que é na verdade espantoso o número de melodias que conhecemos e que provêm desta obra ...



Nota: Sim leram bem o cartaz para a peça foi da autoria do pintor Eduard Munch - o do famoso Grito e outras obras. Notável trio ...


quinta-feira, 5 de setembro de 2013

Um graffiti diferente

Um Facebook perto de nós mostrou-nos esta fotografia de um grafitti diferente. Que alguém nos nossos dias sinta suficientemente Mahler para  escrever o seu nome numa parede é fantástico. Conhecendo Mahler creio que ele teria gostado que fosse acrescentada uma palavra: Gustav Mahler - Ständig :-)



quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O efeito Chopin

Por causa disto é que penso que tenho de aprender algum Chopin ...


E pronto caros leitores aqui fica Chopin para o caso de estarem a precisar. Eu estou ... Rubinstein, nocturno nº1 em Dó Menor.

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Noticia de ultima hora - Federer vai deixar o ténis e dedicar-se ao violino

Depois da sua eliminação do US Open ontem à noite quando foi atropelado por um certo jogador espanhol Roger Federer decidiu dedicar-se ao violino como demonstra este vídeo. A promessa é que daqui a 25 anos estaremos em condição de o poder ouvir. Por agora o reportório é limitado e resume-se a alguma música contemporânea de autor desconhecido. Não obstante esteve na shortlist da Gramophone ...


Pronto agora a sério ... É uma campanha do festival de Música de Lucerne e que prova que é possível fazer humor com música clássica sendo verdadeiro e mesmo assim com piada - pela personagem em causa claro mas não só. A forma como "testa" o violino tem um subtil humor que mesmo quem não sabe nada de ténis percebe. Um contra exemplo para um outro post que esteve na moda estes últimos dias ...

PS: Que me desculpem os compositores contemporâneos e a Gramophone. Essa parte da piada não tem nada a ver com o vídeo e é um "pun" particular. Se quiserem e estiverem mesmo zangados comigo podem mudar-lhe a ultima letra ...

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