Dussek nasceu a 12 de Fevereiro de 1760 em Čáslav numa família desde há muito ligada à música. Depois de ter estudado na Boémia durante os primeiros anos da sua carreira rapidamente chegou à corte de Catarina a Grande em S. Petersburgo onde se tornou o protegido da rainha. Tinha entretanto passado por Londres onde conheceu e casou com a Harpista Sophia Corri. Teve de sair à pressa da Rússia perseguido pela polícia por razões desconhecidas. Bem não serão totalmente desconhecidas se considerarmos que a vida de Jan Dussek se caracterizou, como dizê-lo, por um forte pendor romântico e conquistador ...
Dussek escreveu um número considerável de peças nomeadamente concertos para piano que pelo virtuosismo que exigem podem ser consideradas percursores do período romântico.
Não querendo menosprezar a importância de Dussek como compositor a maior influência que terá tido na história da música terá sido ao convencer o seu sogro a tornar-se editor de música e ao persuadir o construtor de pianos Broadwood a aumentar a gama dos teclados de piano. Foi num destes pianos que Beethoven compôs algumas das suas composições.
Em 1799 em Hamburgo entre ao serviço do Rei Luis Ferdinand da Prússia cuja morte chorou numa sonata que ficou célebre. Passou os últimos da sua vida sobre a protecção do ministro Talleyrand em Paris onde viria a falecer em 1812.
Dussek escreveu também bastante para música de câmara em particular para Violino, Harpa e Piano. Neste género inovou ao ser o primeiro a utilizar percussão ou pelo menos dos primeiros.
Deixamos-vos aqui com uma parte de uma das obras mais célebres do compositor intitulada "O sofrimento da Raínha de França" Op. 23 em Dó Menor. Podem ouvir aqui a segunda parte.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
sexta-feira, 4 de abril de 2008
quinta-feira, 3 de abril de 2008
As recomendações de quinta-feira (03.04.2008)
Bom hoje estamos de volta ao dia certo !
Começando pelo Sul mais precisamente em Évora no Pavilhão Municipal Multiusos teremos a Orquestra do Algarve acompanhada por Samuel Bastos no oboé e dirigidos por Laurent Wagner. O concerto será no Domingo 6 de Abril às 17h. Obras de Mendelssohn e Mozart.
Em Lisboa integrado no Ciclo de Páscoa e Santos - Concertos de Música Sacra da Baixa-Chiado. No Domingo às 16h na Igreja da Madalena teremos um concerto intitulado «Da Quaresma à Páscoa» pelo Ensemble Mensura com obras de Frei Manuel Cardoso e Estêvão de Brito. A entrada é livre.
No Seixal no dia 5 de Abril (Sábado) no Forum Seixal às 21.30 - Excertos da ópera "Così fan tutte" de W. A. Mozart em versão de concerto com os cantores Elsa Cortez (Fiordiligi), Susana Teixeira (Dorabella), Margarida Marecos (Despina), Fernando Guimarães (Ferrando), Jorge Martins (Guglielmo), Manuel Pedro Santos (Don Alfonso) e o pianista Eduardo Regula.
Agora mais ao Norte, fazemos-vos parte de uma sessão extra em Espinho do espectáculo Café Chinez, Domingo, dia 6 de Abril, às 18:00. O preço dos bilhetes mantém-se: 5 euros para bilhete normal, 3 euros para menores de 25 anos e maiores de 65.
Ainda ao Norte a Orquestra do Norte interpretará um programa composto por obras de Joly Braga Santos (Concerto em Ré para orquestra de cordas Op.17) e Luís de Freitas Branco (Concerto para violino e Orquestra). Será no dia 6 de Abril, Domingo, 18h00 no Grande Auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Entrada: 5 euros. Duração 70 m
Começando pelo Sul mais precisamente em Évora no Pavilhão Municipal Multiusos teremos a Orquestra do Algarve acompanhada por Samuel Bastos no oboé e dirigidos por Laurent Wagner. O concerto será no Domingo 6 de Abril às 17h. Obras de Mendelssohn e Mozart.
Em Lisboa integrado no Ciclo de Páscoa e Santos - Concertos de Música Sacra da Baixa-Chiado. No Domingo às 16h na Igreja da Madalena teremos um concerto intitulado «Da Quaresma à Páscoa» pelo Ensemble Mensura com obras de Frei Manuel Cardoso e Estêvão de Brito. A entrada é livre.
No Seixal no dia 5 de Abril (Sábado) no Forum Seixal às 21.30 - Excertos da ópera "Così fan tutte" de W. A. Mozart em versão de concerto com os cantores Elsa Cortez (Fiordiligi), Susana Teixeira (Dorabella), Margarida Marecos (Despina), Fernando Guimarães (Ferrando), Jorge Martins (Guglielmo), Manuel Pedro Santos (Don Alfonso) e o pianista Eduardo Regula.
Agora mais ao Norte, fazemos-vos parte de uma sessão extra em Espinho do espectáculo Café Chinez, Domingo, dia 6 de Abril, às 18:00. O preço dos bilhetes mantém-se: 5 euros para bilhete normal, 3 euros para menores de 25 anos e maiores de 65.
Ainda ao Norte a Orquestra do Norte interpretará um programa composto por obras de Joly Braga Santos (Concerto em Ré para orquestra de cordas Op.17) e Luís de Freitas Branco (Concerto para violino e Orquestra). Será no dia 6 de Abril, Domingo, 18h00 no Grande Auditório da Casa das Artes de Vila Nova de Famalicão. Entrada: 5 euros. Duração 70 m
quarta-feira, 2 de abril de 2008
Louis Spohr (1784-1859)
Este post deveria ser escrito no dia 5 de Abril a data de nascimento (em 1784) de Louis Spohr em Kassel na Alemanha. No entanto para o dia 5 temos um outro aniversário para comemorar (podem tentar adivinhar não é muito difícil) e por isso Spohr fica mesmo com o dia hoje ...
A sua formação começou com o Maestro Dufour que reconhecendo a capacidade musical do jovem recomendou à sua família que o enviasse para Braunschweig para que continuasse a sua formação musical. Aí impressionou tanto o duque Herzog Ferdinand que este o contratou para o seu grupo de música de câmara apesar de na altura Spohr ter apenas 15 anos.
Alguns anos mais tarde sobre a influência do Duque tornou-se aluno de Franz Eck que o acompanhou na sua primeira tournée que o levou até São Petersburgo. Datam também desta altura (1802) as suas primeiras composições incluindo o seu primeiro concerto para Violino.
Entre 1813 e 1815 trabalhou como maestro no teatro de Viena onde se tornou amigo de Beethoven. A partir de 1822 e até à sua morte foi director musical na corte de Kassel a sua cidade natal onde faleceu em 1859.
Spohr foi um compositor bastante prolífico tendo composto mais de 150 obras com opus e uma outra centena não numerada. As suas composições situam-se na fronteira entre o clássico e o romantismo.
Para além de compositor Spohr foi também um notável violinista e professor. Como violinista diz-se que apenas teve paralelo em Paganini e como professor o seu método de ensino fez escola.
No que diz respeito à composição das suas noves sinfonias não existe muita memória com a excepção da sexta dita a "Histórica" que é uma paródia a vários géneros musicais. Porém algumas das suas peças nomeadamente o oitavo concerto para violino que se tornou popular através das interpretações de Heifezt e mais recentemente Hilary Hahn. Podem ouvir aqui uma interpretação deste concerto (prometo que um dia colocarei a da Hilary ou do Heufetz)
No que diz respeito às suas obras vocais, aliás curiosamente Spohr escrevia para Violino como se escrevesse para a voz humana que foi o facto que o levou a escrever também canções as suas Seis Canções (Op. 72). Podem ver aqui uma interpretação de uma dessas seis canções.
Além destas obras os concertos para clarinete e orquestra são também ainda hoje em dia bastantes executados sendo inclusivamente regularmente exigidas como provas de admissão. Pode ver aqui uma parte de um destes concertos.
A sua formação começou com o Maestro Dufour que reconhecendo a capacidade musical do jovem recomendou à sua família que o enviasse para Braunschweig para que continuasse a sua formação musical. Aí impressionou tanto o duque Herzog Ferdinand que este o contratou para o seu grupo de música de câmara apesar de na altura Spohr ter apenas 15 anos.
Alguns anos mais tarde sobre a influência do Duque tornou-se aluno de Franz Eck que o acompanhou na sua primeira tournée que o levou até São Petersburgo. Datam também desta altura (1802) as suas primeiras composições incluindo o seu primeiro concerto para Violino.
Entre 1813 e 1815 trabalhou como maestro no teatro de Viena onde se tornou amigo de Beethoven. A partir de 1822 e até à sua morte foi director musical na corte de Kassel a sua cidade natal onde faleceu em 1859.
Spohr foi um compositor bastante prolífico tendo composto mais de 150 obras com opus e uma outra centena não numerada. As suas composições situam-se na fronteira entre o clássico e o romantismo.
Para além de compositor Spohr foi também um notável violinista e professor. Como violinista diz-se que apenas teve paralelo em Paganini e como professor o seu método de ensino fez escola.
No que diz respeito à composição das suas noves sinfonias não existe muita memória com a excepção da sexta dita a "Histórica" que é uma paródia a vários géneros musicais. Porém algumas das suas peças nomeadamente o oitavo concerto para violino que se tornou popular através das interpretações de Heifezt e mais recentemente Hilary Hahn. Podem ouvir aqui uma interpretação deste concerto (prometo que um dia colocarei a da Hilary ou do Heufetz)
No que diz respeito às suas obras vocais, aliás curiosamente Spohr escrevia para Violino como se escrevesse para a voz humana que foi o facto que o levou a escrever também canções as suas Seis Canções (Op. 72). Podem ver aqui uma interpretação de uma dessas seis canções.
Além destas obras os concertos para clarinete e orquestra são também ainda hoje em dia bastantes executados sendo inclusivamente regularmente exigidas como provas de admissão. Pode ver aqui uma parte de um destes concertos.
terça-feira, 1 de abril de 2008
Biografia de John Field (1782-1837)
De John Field pode-se dizer que foi um romântico antes do romantismo. Na verdade o seu estilo é muito semelhante ao de Chopin. É no entanto curiosa esta comparação dado que de facto Field precedeu Chopin.
Aliás na realidade as semelhanças entre ambos não acabam aí dado que Field foi sem dúvida percursor do conceito de Nocturno que hoje se atribui a Chopin de forma um pouco injusta tal como também o é o relativo esquecimento a que foi votado.
Field nasceu em Dublin a 26 de Julho de 1782 no seio de uma família de músicos (o pai tocava violino e tinha uma escola de música) enquanto o avô era organista numa das principais igrejas da cidade. Foram aliás os dois, pai e avô que ensinaram o rapaz os primeiros passos no instrumento.
Cedo no entanto se percebeu que Field tinha capacidades muito para além do ordinário tendo por isso o seu pai contratado o professor Tommaso Giordani. As primeiras apresentações públicas (com oito anos segundo os programas da altura - uma óbvia mentira dada a data dessa estreia 1792) foram verdadeiros sucessos mediáticos.
Nessa altura no entanto a família foi forçada a saír de Dublin indo para Bath onde estiveram cerca de dois meses para se fixarem em Londres onde o pai encontrou trabalho na Haymarket Theatre Orchestra. Na verdade esta mudança acabou por ser muito favorável para Field dado que o seu pai o apresentou a Muzio Clementi que imediatamente reconheceu o talento do jovem e que viria a ser o seu mestre e mentor.
Embora as primeiras composições de Field datem de 1792 (ainda em Dublin e com apenas 10 anos) datam de 1800 as primeiras referências a Field como compositor primeiro nas comunicações entre Clementi e a casa Pleyel e depois pela publicação de três sonatas em 1802 dedicadas ao seu mestre Clementi.
Data também de 1802 a primeira tournée de Field e Clementi que os levou a Paris, Viena e finalmente S. Petersburgo com enorme sucesso. Spohr (outro compositor do período clássico de que falaremos em breve) falou destes concertos de forma muito elogiosa. Dizia ele que apesar da sua timidez do fato datado e obviamente curto e inadequado tudo isso desaparecia assim que jorravam as primeiras notas ...
Field ficou em S. Petersburgo tornando-se professor e adquirindo uma clientela aristocrática. Indolente e boémio casou-se em 1808 com a actriz de origem francesa Mlle. Percheron.
Em 1812 compõe a grande marcha triunfal e sobretudo em 1814 compõe os três primeiros nocturnos. O inicio de um novo género musical.
Entre 1815 e 1819 Field continua a dar numerosos concertos em S. Petersburgo onde a sua reputação como professor é excelente. desta forma Glinka e Mayer (compositores do período romântico e da escola russa de que falaremos em breve) são seus alunos que não lhe poupam elogios. Este período é também o mais proveitoso enquanto compositor dado que datam deste período cinco concertos para piano, uma sinfonia, três nocturnos, dois divertimentos , uma polaca, uma valsa entre outras composições.
Fixou-se então em Moscovo entre 1822 e 1831 onde com Hummel realiza vários concertos. Em 1831 aceita ir tocar a Londres por convite da Sociedade Filarmónica de Londres onde por coincidência se encontra quando do falecimento do seu velho mestre Clementi.
Em 1832 colta a Paris onde mais uma vez é recebido em apoteose e donde parte para uma tournée por vários países da Europa. No entanto o seu estilo de vida pouco regrado (pequeno eufemismo aqui) leva-o a um débil estado de saúde em Nápoles em 1834/1835 onde só não falece pela intervenção de uma familia nobre Russa, os Rachmanoff que insistem em levá-lo de volta a Moscovo.
De passagem em Viena Field faz a sua ultima aparição profissional a pedido de Carl Czerny e compõe mais um concerto para piano e um nocturno mas era evidente já então que a sua saúde era débil. Resistiu ainda até chegar a Moscovo onde faleceu a 11 de Janeiro de 1837 em Moscovo.
Embora os seus concertos para piano sejam obras notáveis sem dúvida o seu contributo principal para a história da música foi a criaão de um género: O Nocturno. Neste sentido aqui fica um exemplo de uma interpretação do Nocturno nº 5.
Aliás na realidade as semelhanças entre ambos não acabam aí dado que Field foi sem dúvida percursor do conceito de Nocturno que hoje se atribui a Chopin de forma um pouco injusta tal como também o é o relativo esquecimento a que foi votado.
Field nasceu em Dublin a 26 de Julho de 1782 no seio de uma família de músicos (o pai tocava violino e tinha uma escola de música) enquanto o avô era organista numa das principais igrejas da cidade. Foram aliás os dois, pai e avô que ensinaram o rapaz os primeiros passos no instrumento.
Cedo no entanto se percebeu que Field tinha capacidades muito para além do ordinário tendo por isso o seu pai contratado o professor Tommaso Giordani. As primeiras apresentações públicas (com oito anos segundo os programas da altura - uma óbvia mentira dada a data dessa estreia 1792) foram verdadeiros sucessos mediáticos.
Nessa altura no entanto a família foi forçada a saír de Dublin indo para Bath onde estiveram cerca de dois meses para se fixarem em Londres onde o pai encontrou trabalho na Haymarket Theatre Orchestra. Na verdade esta mudança acabou por ser muito favorável para Field dado que o seu pai o apresentou a Muzio Clementi que imediatamente reconheceu o talento do jovem e que viria a ser o seu mestre e mentor.
Embora as primeiras composições de Field datem de 1792 (ainda em Dublin e com apenas 10 anos) datam de 1800 as primeiras referências a Field como compositor primeiro nas comunicações entre Clementi e a casa Pleyel e depois pela publicação de três sonatas em 1802 dedicadas ao seu mestre Clementi.
Data também de 1802 a primeira tournée de Field e Clementi que os levou a Paris, Viena e finalmente S. Petersburgo com enorme sucesso. Spohr (outro compositor do período clássico de que falaremos em breve) falou destes concertos de forma muito elogiosa. Dizia ele que apesar da sua timidez do fato datado e obviamente curto e inadequado tudo isso desaparecia assim que jorravam as primeiras notas ...
Field ficou em S. Petersburgo tornando-se professor e adquirindo uma clientela aristocrática. Indolente e boémio casou-se em 1808 com a actriz de origem francesa Mlle. Percheron.
Em 1812 compõe a grande marcha triunfal e sobretudo em 1814 compõe os três primeiros nocturnos. O inicio de um novo género musical.
Entre 1815 e 1819 Field continua a dar numerosos concertos em S. Petersburgo onde a sua reputação como professor é excelente. desta forma Glinka e Mayer (compositores do período romântico e da escola russa de que falaremos em breve) são seus alunos que não lhe poupam elogios. Este período é também o mais proveitoso enquanto compositor dado que datam deste período cinco concertos para piano, uma sinfonia, três nocturnos, dois divertimentos , uma polaca, uma valsa entre outras composições.
Fixou-se então em Moscovo entre 1822 e 1831 onde com Hummel realiza vários concertos. Em 1831 aceita ir tocar a Londres por convite da Sociedade Filarmónica de Londres onde por coincidência se encontra quando do falecimento do seu velho mestre Clementi.
Em 1832 colta a Paris onde mais uma vez é recebido em apoteose e donde parte para uma tournée por vários países da Europa. No entanto o seu estilo de vida pouco regrado (pequeno eufemismo aqui) leva-o a um débil estado de saúde em Nápoles em 1834/1835 onde só não falece pela intervenção de uma familia nobre Russa, os Rachmanoff que insistem em levá-lo de volta a Moscovo.
De passagem em Viena Field faz a sua ultima aparição profissional a pedido de Carl Czerny e compõe mais um concerto para piano e um nocturno mas era evidente já então que a sua saúde era débil. Resistiu ainda até chegar a Moscovo onde faleceu a 11 de Janeiro de 1837 em Moscovo.
Embora os seus concertos para piano sejam obras notáveis sem dúvida o seu contributo principal para a história da música foi a criaão de um género: O Nocturno. Neste sentido aqui fica um exemplo de uma interpretação do Nocturno nº 5.
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