sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Mensagem de Natal 2010

Diz-se muitas vezes que “O Natal é sempre que um homem quiser” ao ponto de se ter tornado kitsch dizê-lo, quase ridículo mesmo – pensamos por vezes. Talvez porque as palavras de tantas vezes repetidas parecem perder o seu verdadeiro poder ou mesmo significado. Porque na verdade haveria poucas palavras tão poderosas e tão certas como as anteriores. Se necessário fosse uma prova desse poder poderia contar-vos a história que Ernest Heminghay por volta de 1920 escreveu, num desafio, numa aposta entre amigos : a mais curta história de sempre com apenas seis palavras*.

Por outras palavras a força das mesmas está tanto na alegria e sinceridade com que as escrevemos como também no espírito aberto e na atenção que lhes concedemos ao lê-las para que sejam sempre novas. É assim acreditem com muita sinceridade que vos deixo os votos de Um Santo Natal junto dos que vos são próximos e um 2011 cheio de fronteiras vencidas. Todas as fronteiras que vos ditar a vossa vontade. Nas palavras de Miguel Torga:

Ter um destino é não caber
no Berço onde o corpo nasceu
É transpor as fronteiras uma a uma
e morrer sem nenhuma

Deixo-vos como prometido com música desta vez do compositor franco-suíço Honneger. Falamos ontem do Rei David a obra que o projectou para o sucesso. A obra com que hoje vos deixamos, a Cantata de Natal (1953) é por oposição uma obra do fim da sua vida quando o compositor já se encontrava com uma saúde bastante debilitada e sem dúvida o seu ultimo grande sucesso ao ponto de ser possivelmente uma das suas obras mais vezes interpretadas nos nossos dias (juntamente com o Rei David). Fiquem assim com o final desta magnifica obra:

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Le Roi David - Honegger

(Por razões pessoais este post foi escrito no dia 5 de dezembro mas só agora o estou a publicar). Assim os ontem referem-se obviamente ao dia 4 de Dezembro.

Confesso que neste momento tenho dois posts em rascunho que me estão a dar muito trabalho e que tenho muita vontade de vos mostrar mas que simplesmente ainda não estão prontos ... Um é sobre o segundo capitulo do Livro de Alex Ross e o outro sobre Joly Braga Santos - post este que faz parte da sequência que estou a fazer sobre compositores portugueses do fim do século XIX e do século XX. Ontem depois de ouvir o Maestro António Vitorino d´Almeida falar de Joly Braga Santos (de que foi aluno) fiquei ainda com mais vontade de acabar esse post. Veremos quando terei ocasião de o terminar.

Por agora queria falar-vos ainda que de forma bastante sucinta de Honegger e da sua obra "Le Roi David" que fui ver ontem ao grande auditório da Escola Superior de Música. Honegger foi um músico franco-suíço nascido na cidade de Le Havre em 1892 de pais suíços. Honegger viveu uma parte substancial da sua vida em Paris fazendo parte do "grupo dos seis", um grupo um pouco à imagem dos "cinco" russos e que foi responsável pela criação nesse inicio de século XX de uma linguagem musical francesa. Bem pelo menos foi responsável pela semente dado que o grupo manteve-se coeso relativamente pouco tempo.

Honegger após uma breve ligação com a soprano Claire Croiza foi casado durante o restante da sua vida com a pianista Andrée Vaurabourg. Curiosamente e porque Honegger necessitava de completa solidão para compor raramente viveram juntos. A obra de que vos falo aqui foi composta em 1921 sendo uma encomenda para um espectáculo de René Morax (director de um teatro Suiço). Honneger revê a obra posteriormente para a adaptar à forma de oratório com um recitador sendo esta a forma em que é hoje interpretada. Enquanto compositor Honneger sempre se revelou pelo seu grande sentido da estrutura. Foi esta obra que projectou em grande parte o compositor Suiço mas nascido em França (Le Havre) e tendo vivido uma larga parte da sua vida em Paris cidade onde nasceu e que amava mais do que qualquer outra.

Esta obra inicialmente composta como música incidental da referida peça de teatro e composta em apenas algumas semanas depois revista e orquestrada para Orquestra como referimos divide-se em três partes e 27 cânticos. Proponho que oiçam aqui uma parte desta obra pela Orquestra da Suiça Romande e coro da Igreja Nacional Vaudoise.

Fica prometido para mais tarde uma biografia completa do compositor tanto mais que amanhã no nosso post de Natal também teremos uma obra de Honneger.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Bilhetes ainda sem comentários ...

Então estais distraídos ? Oferecem-se bilhetes e não há sequer um único participante? O programa não é assim tão mau :-) ... Brinco claro, o programa é excelente ! Só restam umas horas ... Leiam isto e participem !

Barenboim - Na defesa da cultura em Itália

Retirado do Guardian:

Barenboim was made principal guest conductor of La Scala four years ago, with the title of maestro scaligero. Before raising his baton at the start of Richard Wagner's Die Walküre (The Valkyrie), the Israeli conductor turned to Italy's president, Giorgio Napolitano, who was in the audience, and said: "For that title, and also in the names of the colleagues who play, sing, dance and work, not only here but in all theatres, I am here to tell you we are deeply worried for the future of culture in the country and in Europe."


He then read out the ninth article of the Italian constitution, which says that the republic promotes "the development of culture and scientific and technical research". The same article also promises that governments will safeguard the country's "historical and artistic heritage". The audience broke into applause, with Napolitano joining in.

Em Itália a cultura é considerada como algo que vale a pena defender e o presidente não se esquiva em manifestações dúbias, aplaude. No exterior imagine-se houve distúrbios por causa destes anunciados cortes ... Não que defenda a violência, que não defendo, nem acho que seja solução para absolutamente nada mas tenho de confessar que não deixo de ter um certo prazer em perceber a emoção que uma decisão deste género provoca.

Quanto a Barenboim e ao que ele diz citando a constituição portuguesa que bem que nos faria alguém que tivesse a estatura para se levantar desta forma. A propósito a nossa constituição no Artigo 73 também diz que:

3. O Estado promove a democratização da cultura, incentivando e assegurando o acesso de todos os cidadãos à fruição e criação cultural, em colaboração com os órgãos de comunicação social, as associações e fundações de fins culturais, as colectividades de cultura e recreio, as associações de defesa do património cultural, as organizações de moradores e outros agentes culturais.

e depois no artigo 75:

1. Todos têm direito à fruição e criação cultural, bem como o dever de preservar, defender e valorizar o património cultural.

2. Incumbe ao Estado, em colaboração com todos os agentes culturais:

a) Incentivar e assegurar o acesso de todos os cidadãos aos meios e instrumentos de acção cultural, bem como corrigir as assimetrias existentes no país em tal domínio;
b) Apoiar as iniciativas que estimulem a criação individual e colectiva, nas suas múltiplas formas e expressões, e uma maior circulação das obras e dos bens culturais de qualidade;
c) Promover a salvaguarda e a valorização do património cultural, tornando-o elemento vivificador da identidade cultural comum;
d) Desenvolver as relações culturais com todos os povos, especialmente os de língua portuguesa, e assegurar a defesa e a promoção da cultura portuguesa no estrangeiro;
e) Articular a política cultural e as demais políticas sectoriais.

Oportunidades na Amazon