segunda-feira, 17 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 9 Op. 125 em Ré Menor

Passaram-se mais de dez anos entre a estreia da oitava e a estreia da nona sinfonia também apelidada de Coral. Não foram para Beethoven anos fáceis e este facto deve-nos recomendar cautela quando procuramos relacionar a vida de um compositor e a sua obra.

Esta sinfonia é sem dúvida um dos icons da cultura ocidental, um momento inultrapassável na evolução da espécie humana.

É uma sinfonia que me leva sempre às lágrimas pela sua fé no homem. Se tivermos em conta como referimos o que Beethoven passou durante esses anos, a morte de muitos dos seus mais queridos amigos, a morte do seu irmão, dificuldades financeiras várias e sobretudo a surdez, drama sem dúvida terrível para um músico como podemos ficar indiferentes a esta expressão de solidariedade? Eu não consigo e a bem dizer não quero.

Diz-se que esta peça marca o inicio do romantismo pela sua expressão de sentimentos sem restrição, pela sua forma inaudita. Na verdade nunca antes uma sinfonia tinha utilizado um coro. Nunca antes se tinha escrito de forma tão apaixonada tão irrestricta, tão perto dos limites. Como já perceberam vamos passar alguns posts com esta obra porque não resisto a saborear convosco em grande detalhe esta composição.

O primeiro andamento (Allegro ma non troppo, un poco maestoso) foi escrito na forma de sonata. Deste andamento diz-nos Berlioz que nos será difícil ouvir algo de mais profundamente trágico. Eu diria que nos será dificil ouvir algo de mais profundamente trágico e pungente.

Há muitas interpretações históricas desta sinfonia. Para começar e para vos mostrar este primeiro andamento fiquem com Toscanini em 1948 em Nova Iorque com a orquestra da NBC aqui e aqui.

domingo, 16 de março de 2008

Darfur - Um exemplo dado por alunos do 8º ano

No blog Fantasia Musical, sempre atento a blogs que demonstrem como este meio pode ser utilizado para fins construtivos e didácticos houve um post sobre um trabalho sobre o Darfur executado por uns alunos que me chamou a atenção. Fui ver de que se tratava e fiquei rendido.

Fiquei rendido de tal forma que aqui fica o convite para o visitarem. E porque acredito que estes alunos merecem o nosso aplauso não lhes regateiem o apoio, nem ao Darfur claro está.

Beethoven - 8ª Sinfonia Op. 93 em Fá Maior

Tal como a 4ª sinfonia a 8ª também sofre do problema de ter sido composta entre duas obras de tal forma marcantes que face a estas parece uma obra menor. Na realidade não poderíamos estar mais longe da verdade. A 8ª sinfonia de Beethoven é ela também uma obra de arte notável e não fosse existirem as restantes e estaríamos aqui a dizer: Ah, a oitava sinfonia de Beethoven.

Aliás o próprio Beethoven que era pouco dado a comparar as suas obras dizia da mal amada oitava : " Um dia ainda hão-de gostar dela. É uma questão de tempo". Porém na verdade no seu tempo a oitava sinfonia pareceu a muitos ser um retrocesso. A negação de toda a expansão do género sinfónico que Beethoven havia conseguido nas suas anteriores sinfonias 3, 5, 6 e 7. Como demonstraremos trata-se no entanto de um equivoco.

A oitava sinfonia foi composta em 1812 tendo sido estreada em 1814 uns meses após a sétima num concerto em que esta também foi tocada. Esta sinfonia em Fá Maior (Op. 93) é constituída por quatro andamentos.

O primeiro andamento (Allegro vivace e con brio) : Contrariamente às sinfonias anteriores nesta não existe qualquer tipo de introdução sendo tocado de imediato o primeiro tema.

Do segundo andamento (Scherzando - Allegretto) Berlioz diz que é como se tivesse sido escrito de uma só vez, à primeira tal a naturalidade que transmite. Sabemos porém que muitas vezes essa aparente facilidade apenas se consegue com um trabalho intenso.

O terceiro andamento (Tempo di Menuetto) é um aparente regresso de Beethoven às origens do género sinfónico. Este é um dos andamentos que justifica a opinião prevalecente de que este é um regresso ao passado, a Haydn. Mas trata-se de uma ilusão provocada pelo "tempo de minueto" dado que nunca Haydn ou Mozart teriam escrito um andamento assim. A forma "antiga" não espartilha a criatividade.

O quarto andamento (Allegro vivace) é o corolário de uma obra que só é comum na sua aparência. Este quarto andamento é o mais significativo de toda a obra, nomeadamente pelo facto da coda do mesmo ser uma das mais elaboradas de todas as obras de Beethoven.

Oiçam aqui a interpretação de Herbet von Karajan desta sinfonia.

Recomendação quase em cima da hora (Aveiro - 21:30)

Eu sei que é uma recomendação em cima da hora. Mas se estais a ler-me na zona de Aveiro sugeria-vos o seguinte concerto. Este texto foi retirado - sem permissão, desculpa mas estou de saída para o concerto dos violinhos no CCB - do blog Moura Aveirense, onde poderão encontrar a restante informação (o programa por exemplo). Já sabem o meu conselho, não se deixem vencer pelo sofá, pelas pantufas ou pela caixa mágica e vão ver música ao vivo porque: Ao vivo é outra coisa.

Concerto de Páscoa pela Orquestra Filarmonia das Beiras na Igreja da Misericórdia

O Concerto de Páscoa pela Orquestra Filarmonia das Beiras que irá interpretar “Missa em Sol Maior, BWV 236” de J. S. Bach e “Stabat Mater” de Pergolesi, realiza-se este Domingo, dia 16 de Março, às 21.30 horas, na Igreja da Misericórdia. Tem entrada livre.

No âmbito da iniciativa “Viver Aveiro – Quaresma Páscoa” realiza-se este Concerto de Páscoa pela Orquestra Filarmonia das Beiras. O programa de animação tem como finalidade assinalar a Páscoa em Aveiro, integrando uma série de actividades culturais realizadas no concelho.

Interpretada pela Orquestra Filarmonia das Beiras, o concerto conta ainda com as participações do Coro de Santa Joana; Carolina Raposo, soprano; Margarida Reis, contralto; João Cipriano Martins, tenor; Tiago Matos, barítono; e António Mário Costa, será o maestro convidado.

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