sexta-feira, 13 de junho de 2008

Schubert - "Winterreise" - Gute Nacht


A canção Gute Nacht é a primeira do ciclo. Neste site poderá encontrar uma tradução para português (tradução literal não susceptível de ser cantada por causa da métrica entre outras considerações). Utilizamos esta tradução efectuando "correcções" menores de língua ou de musicalidade da frase quando a isso nos atrevemos. As "correcções" estão apontadas a azul. A tradução original é de Eduardo Gabarra.

A imagem que utilizei para ilustrar este post é de Lotte Lehmann e faz parte de um livro "Eightheen Song Cycles - Studies in Their Interpretation" que infelizmente é praticamente impossível de encontrar em livrarias. Desse mesmo livro retirei alguns comentários relativos às canções que vamos ouvir a que juntei apreciações pessoais. Não se preocupem que não vos deixarei na dúvida sobre a quem pertencem as várias opiniões que poderão aqui ler.

Diz Lehmann como conselho aos potenciais interpretes (mas também serve para ouvintes). Imaginem-se como sendo um homem na antecâmara da destruição total. Vamos fugir à noite porque tememos não ter força para o fazer de dia, pelo simples facto de a ver. Curiosamente Lehman refere que durante o interlúdio o interprete deve dar a sensação ao público de recriação, de fazer acreditar que é o cantor que está naquele momento a escrever a peça de piano, é o cantor que encarna a personagem e o que estamos a ouvir é um monólogo interior, intenso, não editado, único, espontâneo.

Boa Noite

Como estrangeiro cheguei,
Como estrangeiro parto.
Maio foi bondoso para mim
com muitos campos de flores.
Ela falou de amor,
sua mãe até de casamento;
agora o mundo está turvo
e o caminho coberto de neve.

Não consigo esperar a hora
para iniciar a minha viagem,
preciso achar meu próprio caminho
nesta escuridão.
Minha sombra, que a lua projecta,
é minha companheira de viagem,
e sobre os campos de neve
procuro as pegadas dos animais selvagens.

Por que ficaria aqui mais tempo,
para que me expulsassem ?
Que vão livres os cachorros
latir na porta de seus donos.
O amor ama viajar
de um lugar para outro,
foi Deus que assim o fez:
boa noite, minha querida.

Não quero perturbar seus sonhos,
por que turvaria sua paz ?
Você não ouvirá meus passos
quando eu suavemente fechar a porta.
Ao sair escrevo
"Boa noite" em seu portão,
para que você veja
que esteve em meu pensamento.

Para interpretar esta canção escolhemos Thomas Quasthoff acompanhado ao piano por Daniel Barenboim. Oiçam esta pequena maravilha aqui. Confesso que esta canção me deixou com muita vontade de ainda hoje fazer um segundo post ... Fantástico !

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Recomendações de Quinta-Feira

As nossas recomendações de quinta-feira hoje estão de volta novamente à quinta e começamos como sempre ao sul.

Em Tavira na Ermida de Santa Ana no dia 14 pelas 19h Josué Nunes apresentará um recital de guitarra inserido no ciclo "Música nas Igrejas". A entrada é livre.

Um pouco mais a Norte em Évora poderão ouvir um concerto de piano pelos alunos do Conservatório Regional de Évora – Eborae Mvsica. Dia 16 de Junho (Segunda-Feira), às 21h30, no Convento dos Remédios. Os alunos Carla Ferreira, Suzi Lobo, José Manuel Velez, Helena Reis, Raquel Francisco e Ana Cláudia Costa (dos professores Patrizia Giliberti e Tito Gonçalves) interpretarão obras de J. S. Bach, D. Scarlatti, J. Haydn, W. A. Mozart, L. van Beethoven, C. Czerny, F. Schubert, F. Chopin, F. Liszt, C. Debussy, A. J. Fernandes e J. Ivanovs. Pode ler um programa completo aqui.

Em Lisboa no Domingo às 19h a Escola de Música Nossa Senhora do Cabo festejará os 30 anos de existência com um concerto no CCB. Os alunos desta escola interpretarão obras de Mozart, Haydn, Eduard Lalo, Eurico Carrapatoso e Joly Braga Santos. Entradas. €5.

Ainda em Lisboa o Coral Vértice dirigido por Sérgio Fontão apresentará no Domingo às 16h na Igreja da da Madalena um concerto onde serão interpretadas obras de Francis Poulenc (1899-1963) alusivas a São Francisco de Assis e a Santo António. Este concerto está integrado nos Concertos de Música Sacra nas Igrejas da Baixa-Chiado e é organizado em colaboração com o Centro Cultural Franciscano - Lux Mundi. A entrada é livre.

Ainda na zona de Lisboa (mais precisamente Oeiras) integrado no Ciclo de Concertos da Igreja da Cartuxa Pedro Jóia e Quarteto Arabesco apresentam um concerto onde se mistura a interpretação em instrumentos de época com a linguagem ornamental arrojada de Pedro Jóia. O programa inclui o quinteto "Fandango" de Boccherini, ao estilo galante do século XVIII, bem como composições de Pedro Jóia, caracterizados por uma variedade de ritmos típicos das danças espanholas. O programa inclui também composições de Armando Augusto freire (Armandinho) e Carlos Paredes.

Continuando relativamente perto de Lisboa temos na Quinta da Piedade em Sintra integrado no Festival de Sintra o pianista Kirill Gerstein que neste recital interpretará obras de Robert Schumann, Franz Schubert, Ferrucio Busoni, Samuel Feinberg e Piotr Ilitch Tchaikovsky. Sábado dia 14 às 17h. Preços entre €25 e €5.

Finalmente em Espinho no Auditório de Espinho a Orquestra Clássica de Espinho dirigida por Jean-Marc Burfin (como solista no violoncelo Raquel Reis) apresentará 14 de Junho Sábado, às 21:30 um concerto com obras de Dvorak, Debussy e Darius Milhaud. As entradas custam entre €5 e €3.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Schubert - "Die schöne Müllerin"

Schubert publicou dois ciclos de canções que se podem considerar entre as expressões máximas desta forma de arte.

O primeiro deste ciclo foi publicado em 1824 (composto cerca de um ano antes em 1823). Trata-se de um conjunto intitulado "Die schöne Müllerin" composto sobre poemas de Wilhelm Müller.

O ciclo de poemas conta a história de um jovem que passeando pelo campo encontra um ribeiro que segue até encontrar um moinho onde conhece uma bela moleira por quem se apaixona. Infelizmente o objecto do seu amor prefere um caçador que vestido de verde lhe oferece um laço da mesma cor. O jovem desenvolve então uma obsessão pela cor verde terminando por desesperado suicidar-se no ribeiro. A ultima canção é uma ode cantada pelo ribeiro ao jovem para o apaziguar pelo amor não correspondido e pela morte nos braços das suas águas geladas.

O ciclo é composto por vinte canções sendo normalmente cantadas por um homem (Tenor ou Soprano) embora existam transcrições para vozes mais graves. Oiçam aqui Dietrich Fischer-Dieskau acompanhado ao piano por Christoph Eschenbach.

Já agora continuando no ciclo de referências a grandes músicos portugueses oiçam aqui Vianna da Motta ao piano interpretando uma transcrição para piano da segunda canção do ciclo de Schubert. Transcrição aliás ela mesmo não mesmo notável do nosso futuro conhecido Liszt. Trata-se sem dúvida de uma gravação histórica datada de 1928.

terça-feira, 10 de junho de 2008

António Rosado

Sendo hoje dia de Portugal tinha já feito um post sobre um compositor português. Estando agora a ler alguns blogs sobre música que visito com frequência (menor do que gostaria) encontrei em Arte no Tempo um destaque para uma entrevista do pianista António Rosado em Contemporâneas.

Recomendo claro a leitura da entrevista completa e também a visita ao blog Arte no Tempo. Sem ele esta entrevista ao António Rosado ter-me-ia passado completamente ao lado.

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