segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Violoncelo : Um som profundamente humano (parte 2)

Esta é a segunda parte do post sobre o Violoncelo. Pode encontrar a primeira parte aqui.

Ainda no período romântico não podemos deixar de falar do concerto para Violoncelo de Schumann que pode ouvir aqui numa interpretação de Rostropovich.

No período das grandes escolas nacionalistas teremos certamente de falar dos concertos para Violoncelo de Dvorak de que propomos uma interpretação do primeiro destes por Yo-Yo Ma , aqui.

Mais tarde o Concerto de Elgar para Violoncelo tornou-se uma peça importantíssima no reportório deste instrumento. Claramente apenas poderíamos escolher uma interprete para esta peça: Jacqueline du Pré.

No século XX o concerto de Shostakovich aqui interpretado por Rostropovich e a sinfonia concertante de Prokofiev aqui igualmente interpretada por Rostropovich têm um papel de relevo.

Para terminar gostaria de vos propor Jacqueline du Pré neste Kol Nidrei de Max Bruch.

domingo, 14 de setembro de 2008

Violoncelo : Um som profundamente humano

Não vamos fazer neste post uma história detalhada do instrumento. Basta referir que este evoluiu a partir da "viola da braccio" (viola de braços se quisermos traduzir literalmente) que era na prática um violino maior com um braço maior com um som mais grave. Este instrumento era na prática um pouco maior que o actual violoncelo.

O seu formato e dimensão foram evoluindo ao longo do século XVI e XVII apenas se fixando por volta de meados do século XVIII.

Durante bastante tempo as obras para violoncelo solo ou como instrumento solista foram relativamente escassas dado que este era essencialmente tido como um instrumento de acompanhamento, isto não obstante os muitos concertos de Vivaldi e Bocherinni para este instrumento. Claro que havia as suites para violoncelo solo de Bach mas estas eram raramente tocadas. Aliás foram recuperadas por Casals no inicio do século XX, Casals que podemos ouvir aqui precisamente a interpretar estas peças verdadeiramente fantásticas (pode também ouvir a segunda parte aqui).

Do período clássico poderíamos destacar os dois concertos de Haydn de que escolhemos o segundo aqui interpretado e dirigido por Rostropovich e claro o triplo concerto de Beethoven para Violino, Violoncelo e Piano. Para o ouvir temos a dificuldade da escolha em dois trios fantásticos Itzhak Perlman, Yo-Yo Ma e Daniel Barenboim ou David Oistrakh, Mstislav Rostropovich, Sviatoslav Richter.

Do período romântico podemos reter o concerto para Violoncelo de Saint-Saëns aqui interpretado por Pierre Fournier, o Duplo Concerto para Violino e Violoncelo de Brahms de que escolhemos uma interpretação de
David Oistrakh and Mstislav Rostropovich.

Amanhã continuaremos com uma segunda parte com mais obras de referência para este instrumento. Leia aqui a segunda parte deste post.

As pesquisas interessantes da semana

Numa altura em que faltam 10 horas para a votação acabar a escolha neste momento recai sobre Brahms mas pela mais curta das margens. Apenas um voto ! 14-13 ! Mesmo Schumann não está longe com 10 votos ... Ainda vão a tempo de fazer lobby.

vídeos de músicas de andamentos lento : A escolha é dificil dado que existiriam milhares de possibilidades ... A escolher um andamento lento vou dar a hipótese entre a Marcha Fúnebre da terceira de Beethoven e o Adágio da Sétima de Beethoven.

violoncelo disse : Sim tinha prometido. Ainda hoje vai haver um post só sobre o instrumento e algumas das minhas peças preferidas para o mesmo.

telemann principais obras : Podem começar por aqui . Depois podem utilizar a caixa de pesquisa para encontrar todos os posts que fizemos sobre este compositor.

o que e "strings" na musica : A palavra inglesa strings significa cordas e diz normalmente respeito aos instrumentos de corda friccionada (violino, viola, violoncelo, contrabaixo, ...)

o que significa musica erudita ? : É um sinónimo de "Música Clássica". Utiliza-se por se pensar erradamente que apenas quem possui erudição pode entender e gostar de música clássica
musicas de leonard bernstein : Bem este tema fica para um post posterior. Uma das nossas promessas ...

como comportar concerto de música clássica: Bem, fazer silêncio, não se mexer na cadeira mais do que o razoável, não aplaudir entre os andamentos de uma peça (ter um programa é uma boa ideia), de uma forma geral evitar perturbar o ambiente criado pela música, se tiver MESMO que tossir o meu conselho é esperar por uma parte mais "forte" da música

caixa de musica do filme lagoa azul : Já tinha respondido a esta questão aqui . Assim segundo este site a composição em causa é o Nocturno Op.9 nº2 de Chopin que podem ouvir aqui.

"há qualquer coisa certa neste mundo"
"fim da música clássica" : Há sempre algumas pesquisas que me deixam intrigado. Esta semana foram estas duas ... Sim há qualquer coisa certa neste mundo e quanto ao fim da música clássica como dizia o outro "as noticias da sua morte foram grandemente exageradas.

sábado, 13 de setembro de 2008

Jacques Brel - As canções, a Poesia

Este tema estava também prometido. Conforme perceberam estamos hoje a cumprir algumas promessas antigas, muitas têm a ver com temas que não estando directamente dentro do tópico deste blog, fazem parte das minhas referências culturais e por isso faço aqui um parênteses para eles (elas).

Jacques Brel é para mim um dos maiores poetas de sempre. O que ele escreveu, como escreveu e como cantou, a forma como interpretava fazem dele uma figura única na história da literatura e da música. Dirão alguns que estou a exagerar, que manifestem e fundamentem a sua opinião ...

É dificil escolher apenas algumas canções de Brel por isso vou tentar fazer isto de uma outra forma ...

A minha infância passou como a do Poeta, embora com poucos nevoeiros e muitas batalhas. Era sempre indío e sempre certo que os meus tios me haviam roubado o far west (Mon Enfance). E se contrariamente a Brel o meu país tem montanhas não deixa de ser verdade que também nós sofremos com o vento Norte (Le Plat Pays) como rapidamente aprendemos na escola e em comum o amor da terra que nos viu nascer. Do tango da Rosa tive uma breve introdução, um ano de Latim chegou para perceber que essa não era a minha vocação (Rosa).

Do amor diria que se nunca conheci nenhuma Marieke conheci com toda a certeza a mesma estúpida (e adorável) esperança de conquistar uma Madeleine e de sofrer com o regresso de uma tal de Mathilde. Porém como todos em algum momento da nossa vida pedimos ou desejamos pedir que não nos deixem (Ne me quitte pas).

E se no amor somos irmãos na contestação somos soldados no mesmo exército sem armas (Quand on n´a que l´amour). Dificilmente pode haver canção mais subversiva que Au Suivant .

Posso nunca ter estado em Bruxelas nem agora nem no inicio do século mas é como se lá estivesse estado Au temps ou Bruxelles Bruxellait. Tão pouco estive em Amsterdão mas não é dificil imaginar o porto e os marinheiros, mesmo sem imagens (Amsterdam) e também não nos é difícil imaginar assim o gosto da aventura, da liberdade.

Se Brel exprimiu de forma brilhante a aventura também o fez relativamente à amizade. Quem não gostaria de ter um amigo como Brel em Jeff , quem não sentiu que na verdade haverá poucas coisas piores que ver um amigo chorar (Voir un ami pleurer).

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