segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Concerto de Homenagem a António Victorino d´Almeida - 27 de Novembro às 21h

Como já vos contei neste blog uma das pessoas a quem devo o meu gosto pela música (toda a música e não apenas a clássica) foi o maestro António Vitorino d´Almeida. Não que já o tenha conhecido pessoalmente mas através da televisão foi um dos comunicadores que mais que marcou na minha juventude.

Soubemos agora que está programado um concerto de Homenagem aquele que para além do grande comunicador que já referimos é também certamente um dos mais significativos compositores e maestros portugueses de sempre. Poderia provavelmente ter atingido a mesma dimensão enquanto interprete mas muito cedo preferiu essas outras formas de expressão - não deixa por isso de ser igualmente um pianista de eleição.

Assim porque como vos digo sempre, ao vivo é outra coisa e porque as homenagens devem ser prestadas em vida não só recomendo como vos urjo que estejam presentes no Auditório da Universidade Nova (Campus de Campolide) no dia 27 de Novembro pelas 21h para este merecido Concerto que será interpretado pela Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida pelo maestro Alberto Roque. Fazem parte do programa duas obras do maestro e uma de sua filha Anne Victorino de Almeida. A entrada é livre.

domingo, 21 de novembro de 2010

Mais recomendações para Aveiro

Como nos referiu a nossa leitora Moura Aveirense em Aveiro integrado nos Festivais de Outono vai haver muita  música até ao dia 24 de Novembro (data da nossa recomendação). Podem consulta a lista completa aqui. desta forma se estiverem na zona de Aveiro não deixem de ir porque como digo ao vivo é mesmo diferente. A propósito terminei ontem de ler o Terceiro Capítulo do livro de Axel Ross que aborda precisamente esse tema ... muito mas muito interessante, para hoje prometo-vos a sinopse do Segundo Capitulo não menos interessante.

sábado, 20 de novembro de 2010

Recomendações para o fim de semana ( 2010 - #46) - 20 e 21 de Novembro

Começando as nossas recomendações como sempre pelo sul teremos no Algarve integrado no IV Festival de Órgão de Faro teremos um recital de orgão por Edite Rocha  na Igreja do Carmo (Faro). Será no Sábado às 21:30h.

Em Lisboa mais precisamente em Oeiras no Museu da Música Portuguesa - Casa Verdades de Faria teremos os solistas da OCCO e António Victorino D'Almeida dirigidos por Nikolay Lalov que interpretarão a obra de Chopin "Trio para piano, violino e violoncelo em Sol menor Op. 8".

Também pela OCCO e no dia seguinte (Domingo 21) agora às 17 teremos um recital de Canto (Cláudia Pereira Pinto) e Piano (João Vale) no Palácio dos Aciprestes. O programa inclui obras de F. Lopes-Graça, C. Azevedo, F. Lapa e A. Vasques Dias.

Continuando em Lisboa o Coro de Câmara da Universidade de Lisboa integrado no ciclo "Música em São Roque" organizado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa num concerto intitulado "Despontar do Barroco". Será no Sábado às 21:30h. Programa inteiramente dedicado à obra de João Lourenço Rebelo.

Ainda em Lisboa teremos um concerto pela Orquestra "Os Violinhos" na Igreja de Santa Catarina (Paulista) num concerto intitulado "Ode a Santa Cecília" e dedicado à padroeira dos músicos. No programa um reportório inteiramente composto por obras do período barroco. Será no Domingo às 18h. A entrada é livre.

Aproximadamente à mesma hora (na realidade uma hora mais cedo - às 17h) teremos um concerto intitulado  "O Meu Primeiro Concerto" com a Orquestra Metropolitana de Lisboa dirigida por Michael Zilm na Reitoria da Universidade Nova de Lisboa. No programa a Sinfonia n.º 3 em Mi bemol maior, Op. 55, Eroica" de Beethoven.

Um pouco mais a Norte em Montemor-o-Novo na Igreja da  Misericórdia teremos o Doppio Ensemble no Sábado às 21:30. Este duo constituído por Evandra Gonçalves (violino) e Ana Queirós (piano) interpretarão obras de Jean-Marie Leclair, Robert Schumann, Jean-François Lézé, Olivier Messiaen e Astor Piazzolla.

Em Coimbra integrado no Festival de Música de Coimbra 2010 teremos um concerto de Órgão e Canto na Igreja de Santa Cruz (Coimbra) pelo Ensemble Cum Jubilo será no Domingo às 16h sendo interpretadas obras de Frescobaldi e Clérambault.

Em Aveiro integrado nos Festivais de Outono - Aveiro 2010 teremos um recital de Violoncelo e Piano intitulado "Página Esquecida: Música Portuguesa para Violoncelo e Piano" por Luísa Tender e Bruno Borralhinho . Será no Museu de Aveiro no dia 25 às 21:30 (atenção que não é no fim de semana, no entanto como até lá não haverão mais recomendações fica já aqui por antecipação). Adequadamente este concerto está muito em linha com a sequência de posts que estamos a fazer sobre compositores portugueses dado que serão interpretadas obras de Joly Braga Santos, António Victorino d'Almeida, Fernando Lopes-Graça, Luis de Freitas Branco e Nuno Figueiredo

Por fim na Invicta cidade do Porto teremos a Orquestra Sinfónica do Porto e António Rosado dirigida por Pedro Neves na Casa da Música do Porto num concerto intitulado "O Código de Mozart". Será no Sábado (hoje) às 18h - dentro de duas horas - por isso ainda estão a tempo. No programa a estreia de uma obra do jovem compositor Daniel Martinho, Mozart e Bontempo (Concerto para Piano nº 3).

domingo, 14 de novembro de 2010

Luís de Freitas Branco (1890 - 1955)

Dedicamos esta biografia não só a memória de um dos maiores compositores portugueses de todos os tempos mas também como lembrança a todos aqueles que perante a crise actual defendem soluções autoritárias. Lembrem-se que são essas soluções que limitam o talento, que centralizam, que promovem a visão de que a solução vem de um estado omnipresente e todo poderoso. São essas pseudo-soluções que nos conduziram ao estado de subserviência e de incapacidade de encontrar soluções por nós próprios, de nos revoltarmos mas não "contra" mas sim a favor de alguma coisa, de enfim fazer pelo nosso país. Sabem porque razão quando estão fora revelam os portugueses todo o seu talento? Porque tal como as crianças fora da casa dos pais já não esperam a protecção do seu messias. Desculpem-me esta introdução : Luís de Freitas Branco merecerá agora toda a nossa atenção mas não creio que se importasse ou desdenhasse este preâmbulo.

Esta biografia (comentada) foi baseada em vários textos de que vos recomendamos uma leitura atenta. Do site da Academia de Música de Santa Cecília o texto do professor Henrique da Luz Fernandes, da Base de Dados de Compositores Portugueses do Movimento Patrimonial da Música Portuguesa além da nossa habitual fonte (Grove Music Online). Para uma curta biografia como sempre um excelente começo na Naxos.

Luís de Freitas Branco nasceu em Lisboa a 12 de Outubro de 1890. Nascido numa família aristocrática e intelectual desde cedo demonstrou grande interesse e capacidades musicais tendo iniciado os seus estudos em Portugal com Tomás Borba e Augusto Machado. Aos 14 anos compõe aquela que foi a sua primeira composição e que ainda hoje é frequentemente interpretada. Podem ouvir por exemplo João Merino no concerto final da Master Class de Tom Krause no teatro São carlos (Set. 2010) acompanhado ao piano por Nicholas Mcnair. Há também desta canção entre outras  um registo gravado pela soprano Filomena Amaro acompanhada ao piano  por Gabriela Canavilhas.

Estuda também Orgão com o músico belga Desiré Pâque então residente em Lisboa que lhe introduz as teorias musicais de Vincent d´Indy. Será talvez esta uma das razões das raízes mais francófonas da sua música. Com apenas 17 anos termina a 1ª Sonata para Violino e Piano de que vos proponho o primeiro andamento interpretado por Tibor Varga (violino) e  Roberto Szidon (Piano) - lindissima melodia esta a do primeiro andamento.

Com 18 anos Luís de Freitas Branco compõe vários poemas Sinfónicos baseados em autores portugueses ligação entre poesia e música que continuaria sempre ao longo da sua vida com vários autores portugueses e franceses (por exemplo Baudelaire ou Mallarmé). A titulo de exemplo oiçam Solemnia Verba (1950-51) uma das suas ultimas obras baseado num poema homónimo de Antero de Quental.

Disse ao meu coração olha por quantos 
caminhos vãos andamos! Considera
agora, desta altura fria e austera, 
Os ermos que regaram os nossos prantos

Aliás Luís de Freitas Branco - permitam-me a interpretação pessoal - numa linha impressionista sempre manteve uma preocupação quase programática em grande parte da sua música. No meu entender esta característica é bem visível no elevado número de brilhantes poemas sinfónicos que escreveu ao longo da sua carreira.

Paraísos Artificiais (1910)
Tentações de S. Frei Gil  (1911)
Vathek (1913)
Viriato (1916)

Esta ligação à poesia ou à literatura fez-se tanto na forma de poemas sinfónicos como na forma de canções das quais podemos destacar os Madrigais Camonianos (1930-1943) . Estes Madrigais estão disponíveis numa gravação da Numérica pelo Coro Gulbenkian (referência : PS 5010).

Mas de volta à ordem cronológica em 1910 sai pela primeira vez de Portugal na companhia de seu tio para uma visita a Berlim onde é aceite como aluno por Humperdinck mas as aulas não o satisfazem completamente. Ainda nesse ano casa-se com D. Stella de Ávila e Sousa (reza a lenda que a superstição o levou a não esperar pelo final do ano por este ser bissexto). Vai viver uns anos para a Madeira voltando a Lisboa em 1913. Embora de família abastadas passa então por algumas dificuldades económicas que o levam a iniciar uma carreira de critico e escritor - para nossa felicidade dado que como veremos lhe devemos a esse respeito algumas obras notáveis.

Em 1918 nomeado para a comissão de reforma do Conservatório propõe a reestruturação completa do curso criando as bases para uma geração de novos compositores que não deixarão de reconhecer em Luís de Freitas Branco um dos seus mentores: Lopes Graça e Joly Braga Santos terão sido os mais notáveis. Em 1918 termina os dez preludios para Piano que dedica a Vianna da Motta. Proponho-vos o Preludio nº 1 por Tatiana Pavlova. Existe também uma gravação por António Rosado da Numérica Ref.: NUM 1143 - Desculpem mas o site da Numérica não dá para colocar um link directo, tem de ser pela referência).

Quando Vianna da Mota é nomeado director do Conservatório escolhe Luís de Freitas Branco para sub-director cargo que viria a desempenhar até 1930 quando abandonou o cargo por este lhe roubar demasiado tempo, não lhe deixando assim disponibilidade para compôr. Desempenharia funções lectivas até 1939 altura em que não resistiu as purgas no conservatório então já dirigido por Ivo Cruz em substituição de Vianna da Motta. Luís de Freitas Branco além de notável compositor foi também um professor e mentor extraordinário tendo deixado no conservatório como já referimos um notável trabalho de base além da sua natureza e carácter ter sido fonte de inspiração e motivação para mais do que um. A este respeito nada melhor do que relembrar as palavras do próprio Joly Braga Santos:

"Ao significado da sua obra notabilíssima, da sua personalidade fecunda e dominadora, há a juntar a verdadeira paixão que possuía pela Juventude, o entusiasmo com que via os novos triunfar, a sua luta diária, durante cinquenta anos, pelo renovamento, pela europeízação da cultura portuguesa, e ainda a generosidade do seu grande coração, sempre disposto a ajudar os que começavam e vivendo com o mesmo entusiasmo as obras dos próprios discípulos, que pretendia sempre colocar à frente das suas."

Em 1924 termina a 1ª Sinfonia que dedica precisamente a seu filho nascido dois anos antes a 10 de Janeiro de 1922. Em 1926 termina a segunda sinfonia desta vez dedicada à sua irmã Maria e em 1926 a Segunda Suite Alentejana (a Primeira Suite Alentejana datava de 1919). Em 1928 termina a Segunda Sonata para Violino e Piano e em 1929 funda a revista "Arte Musical" que viria a dirigir até esta ser fechada 20 anos depois.

Em 1943 termina a sua Terceira Sinfonia dedicada ao seu aluno Pedro do Prado que até 1951 por dirigir os serviços de música da Emissora Nacional lhe garantiu e nos proporcionou excelentes programas radiofónicos. Nessa data Luís de Freitas Branco for também exonerado da referida emissora por razões politicas.

Em 1948 participa na criação da Juventude Musical Portuguesa de quem será o primeiro presidente da mesa da Assembleia Geral e em 1952 termina a sua Quarta Sinfonia que dedica a Joly Braga Santos seu discípulo.

Faleceu a 27 de Janeiro de 1956 em Lisboa após um ataque cardíaco ocorrido uns dias antes. No ultimo ano de sua vida trabalhou no 1º acto da Voz da Terra - uma ópera , um dos sonhos que nunca concretizaria tendo também planeado o regresso à Emissora Nacional para um programa que se deveria intitular "O Gosto pela Música" . Este programa haveria de ver o dia a partir de 1956 sendo liderado pelo seu filho João de Freitas Branco, programa que haveria de durar 29 anos e de que falamos aqui.

Poderiamos ainda falar das suas inumeras canções populares ou da música sacra e também do seu trabalho enquanto autor de vários livros muitos dos quais utilizados no Conservatório Nacional (e um que me encheu de curiosidade - A Personalidade de Beethoven) mas prefiro terminar com música. Para isso nada como o Concerto para Violino e Orquestra uma obra de 1916.

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