sexta-feira, 3 de junho de 2011

Concerto Compositores Portugueses Sec. XXI

No Domingo antes ou depois de votarem (bem obviamente) - recomendo que seja depois para não estarem stressados não percam este concerto de música sacra de compositores portugueses do século XXI com a estreia absoluta de duas obras uma de Sérgio Azevedo (Missa Brevis) e uma outra missa de Nuno da Rocha intitulada "Assim, do tempo em que me falavas". Só o nome desta ultima missa é inspirador ... Entrada Livre. Não deixem de estar presentes se puderem.

Concerto Compositores Portugueses Sec. XXI

Eventos por categoria - 6º Programa Orquestras ESML - Orquestra Sinfónica

Sábado, 21h no Auditório da Escola Superior de Música de Lisboa (Auditório Viana da Mota) se puderem não deixem escapar a oportunidade de ouvir a Orquestra Sinfónica da ESML e a solista Ângela Carneiro que interpretará o Concerto nº1 para Violoncelo e Orquestra de Shostakovich. Obras de Ravel e Honegger completam o programa. A entrada é livre sujeita à lotação da sala.

Bem sei que ali perto no Estádio da Luz toca-se outra música mas ... bem eu estarei no auditório!

Eventos por categoria - 6º Programa Orquestras ESML - Orquestra Sinfónica

domingo, 29 de maio de 2011

Concertos à Conversa

Hoje fui ao CCB ouvir mais um Concerto à Conversa. Neste caso havia três excelentes razões para ir. Em primeiro lugar pela Sonata de Cesar Franck que é uma das minhas obras preferidas pela enorme densidade poética, confesso que raramente consigo conter pelo menos uma lágrima mais ou menos rebelde ... Neste caso a interpretação a cargo de duas jovens foi fabulosa, verdadeiramente única! Tanto Tamila Kharambura no violino como Inês Andrade no piano ofereceram-nos uma leitura fresca e original de uma sonata que nunca me canso de ouvir ...

A segunda excelente razão era a interpretação de uma obra de António Fragoso. Pensava até à pouco que esta teria sido a sua ultima obra mas estudos recentes demonstram que não. Pouco importa o Allegro da Sonata Inacabada não deixa de ser uma obra fantástica. A interpretação a cargo de Ana Pereira (Violino) e Paulo Pacheco (Piano) também foi excelente. Não encontro no You Tube uma versão desta obra mas podem em vez disso ficar com uma das minhas peças preferidas de António Fragoso o Nocturno em Ré Bemol por Miguel Henriques.

Por fim mas não menos relevante ao contrário havia uma obra em estreia, Quasi una Sonata. Eu confesso-vos que quando escrevo aqui que na estreia de uma determinada obra de digamos Stravinsky um teatro cheio aplaudiu num primeiro tempo tenho inveja mas depois penso que afinal temos a oportunidade agora de viver momentos semelhantes em que se estreiam obras. Neste caso uma obra de António Pinho Vargas de que gostei, tem os elementos da "Média Dourada" de Mozart. Suficiente para os não especialistas como eu gostarem e certamente os elementos mais sofisticados que apenas ouvidos mais educados atingirão. Foram excelentes interpretes Miguel Henriques (Piano) e Gareguin Aroutiounian. Só é pena que para uma estreia absoluta não se tivesse enchido uma sala ... mas o problema aí não está na qualidade da obra mas antes na distracção do público. Não vos posso mostrar obviamente um link com a peça mas em compensação podem ouvir este Nocturno Diurno do mesmo compositor.

sábado, 28 de maio de 2011

Sergei Prokofiev (1891-1953) Segunda Parte


Continuamos hoje a biografia de Sergei Prokofiev que tínhamos começado aqui (Anos de Juventude). Nesta altura Prokofiev já compôs dois dos seus concertos para piano, estabeleceu uma sólida reputação enquanto pianista mas continua a lutar para se estabelecer enquanto compositor.

Entretanto estamos em 1914 e começa a primeira guerra mundial e mais importante no que diz respeito à vertente artistica Stravinsky é nesta altura considerado como a avant-guarde da música lugar que Prokofiev deseja atingir. Não surpreende assim que tente emular os "escândalos" que este ia conhecendo com ballets russos de Dhiagilev. Mostra-lhe o seu segundo concerto para piano e o produtor russo fica suficientemente entusiasmado para lhe encomendar um ballet que no entanto viria a recusar dois anos mais tarde quando este finalmente lho apresenta.

Prokofiev transformou esse ballet numa suite Orquestral Scythian Suite que foi um monumental fracasso no que diz respeito à critica quando se estreou em São Petersburgo em Janeiro de 1916. Já o publico gostou ao que terá ajudado o facto de grande parte dele já conhecer Prokofiev dos seus tempos do conservatório e do ciclo de música contemporânea que tinha ajudado a dinamizar nessa altura.

No ano seguinte eclode na Rússia a revolução Bolchevique e Prokofiev que desejava ter repouso para trabalhar retira-se para o Cáucaso onde se mantém relativamente neutro às facções em conflito. Esse ano é especialmente produtivo tendo o compositor terminado a sua Terceira e Quarta Sonatas (escolhemos aqui interpretações de Gilels e Richter) para piano o seu Concerto nº1 para Violino e ainda  a sua Sinfonia Clássica (nº 1) .  Isto para além de iniciar a concepção do seu terceiro concerto para piano e da obra coral "sete, eles são sete" (que viria a terminar ainda em 1918 embora já em S. Pertersburgo). Uma produção verdadeiramente fantástica.

Com a revolução caiu sobre a Rússia a censura quer imposta pelo regime (nenhuma obra podia ser publicada ou interpretada em público sem aprovação prévia) mas contrariamente a muitos compositores que se viram forçados a fugir Prokofiev conseguiu manter-se nas boas graças do regime bolchevista tentando não comprometer a sua identidade musical e mantendo a liberdade para se deslocar ao Ocidente para poder desenvolver a sua actividade artística. Um jogo difícil mas em que foi mestre.

Ainda em 1918 parte para Vladivostok e depois inicia um grande período de quase completa ausência da Russia viajando primeiro para o Japão depois para os Estados e finalmente para a Europa Ocidental onde ficaria até 1932. É desses anos que vos falaremos na terceira parte desta biografia.

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