Nos Estados Unidos hoje a Wikipedia e o Google estão em blackout em protesto contra os projectos de lei SOPA e PIPA. Este post vem na sequência do anterior e representa um posicionamento do autor (e sublinho o autor) deste blog contra legislação cujo objectivo é cercear a liberdade que a Internet nos proporciona sobre as mais esfarrapadas desculpas de protecção de um direito que é na sua essência legitimo.
Podem acreditar que a Internet é como é hoje porque os meios de comunicação social tradicionais e os poderes que os regulam e controlam, os mesmos que permitem que nos digam disparates o dia inteiro, os mesmos que nos tomam por idiotas, os mesmos que persistem em apresentar os factos apenas sobre o prisma que dá mais jeito aos seus donos estavam distraídos. Se não estivessem teríamos a internet subjugada e servil.
Hoje digo-vos que tenho mais e melhor informação, verdadeira informação, verdadeira opinião - de direita de esquerda, do centro - de todas as cores e feitios - na net do que nesses órgãos de comunicação. Não é por acaso que Murdoch se revolta contra o Google. É o controlo que o preocupa o facto de não o poder comprar.
O direito dos autores, o direito da propriedade intelectual deve ser defendido é verdade e como sabem também sou em absoluto contra a pirataria. Deve ser defendido mas não contra a liberdade de expressão. Leiam a página da Wikipedia que explica tudo o que há a saber.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
terça-feira, 17 de janeiro de 2012
O Projecto Lei PL118 - A defesa do direito da industria à sobrevivência
Tinha pensado que não iria falar disto mas depois de hoje ter lido algumas das implicações deste projecto não posso deixar de comentar e de vos incitar a informarem-se sobre o que está em causa.
Em primeiro lugar, os leitores deste blog sabem que não defendo a pirataria. Sabem que defendo que se comprem os CDs e DVDs e/ou as respectivas músicas em formato digital. No que me diz respeito compro religiosamente as mesmas no ITunes ou em outras lojas virtuais. Compro também de tempos a tempos CDs e DVDs em lojas físicas embora muito menos. A razão para isso já a expus em outros locais mas fundamentalmente está relacionada com o valor que esses produtos efectivamente têm face ao seu preço. O verdadeiro problema que a industria (e sublinho industria, não a arte ou os artistas) teima em não reconhecer.
Este projecto de decreto lei como podem ler redefine uma lei já existente e procura e cito "reforçar o legítimo interesse dos diversos titulares de direitos abrangidos pelo regime normalmente designado por “cópia privada”, mediante a criação de condições que garantam a percepção de uma compensação equitativa pela reprodução de obras intelectuais, prestações e produtos legalmente protegidos". O interesse dos autores é legitimo já se a SPA os representa seria outra história embora o paragrafo anterior deixe antever o que penso do assunto.
O decreto lei no essencial fixa valores a ser pagos por discos, cartões de memória, pens, ... sobre o argumento que podem ser utilizados para copiar obras protegidas por direitos de autor. Esta presunção de utilização já por si perfeitamente descabida (é escusado dizerem-me que é feita em outras áreas, outros países ou outros contextos porque isso apenas prova que se repete o erro e nas sábias palavras de Descartes se Errar é Humano perseverar no erro é obra do diabo) é ainda agravada por erros técnicos gravíssimos que tornarão esta lei obsoleta em meia dúzia de meses - ou o que é pior - impedirão na prática a comercialização de alguns tipos de dispositivos em Portugal (o erro está relacionado com a forma de taxação da capacidade que é perfeitamente ridícula e obviamente se baseia no pressuposto que quanto mais capacidade mais obras se pode manter em cópia).
Importa pouco ao legislador perceber se o que está a ser armazenado é efectivamente sujeito a direito (o cumulo do ridículo é que um cartão de memória colocado numa máquina fotográfica pagará imposto!) porque diz-se é impossível controlar essa utilização. Pois graças a Deus que é efectivamente impossível porque senão nem sei o que inventariam mas já estou a ver que não falta vontade de uma versão digital da policia do Fahrenheit 451.
Eu que sou autor, que compro legitimamente as minhas musicas que faço backup das mesmas vou ser taxado três vezes. Diz o legislador que esse custo será suportado pelo retalho ou pelos fabricantes. Deixem-me rir. Não só em alguns produtos isso é matematicamente impossível (e pelo que expus à pouco rapidamente vai atingir o ponto da inviabilidade) como ainda por cima a taxa é aplicada ANTES do IVA pelo que o estado arrecada mais 23% do montante da taxa, habilidoso não? Esse custo é de certeza suportado pelo consumidor. Uma impressora de jacto de tinta multifunções (basta ter duas - impressão e fax por exemplo) €7 a mais? Porque posso imprimir ou fazer scans ????? Até 17 Kg apenas porque se for mais aí vai para uma categoria diferente onde obviamente será ainda mais taxada. Deixem-me ir a uma loja online só para verificar uma coisa. Multifunções começam a €40 portanto €7 são mais 18% ... Calculos idênticos em discos podem dar acréscimos de custo de 50% ou mais (e isto agora sem fazer a previsão do lógico crescimento das capacidades dos mesmos e redução do custo por TB unitário).
Por fim se a lei contribuísse em alguma coisa para a cultura em Portugal, para a defesa do legitimo direito dos autores eu ainda poderia contemplar a hipótese de dizer: Ok, são mais uns Euros que ficam como uma doação, uma espécie de mecenato, afinal de contas eu faço uma doação anual para a Wikipedia porque não também para os autores portugueses. Mas desenganem-se os que assim pensam. Esta lei não defende autores, defende industrias e essas há muito que não têm nada a ver com os mesmos e muito menos com as respectivas artes de que se outorgam o direito de defesa como se sem eles não existisse música ou músicos, cinema ou cineastas, literatura ou escritores, pintores ou pintura.
Acredito que os grandes vultos que no final do século XIX criaram estas sociedades um pouco por todo o mundo vissem o que agora andam a fazer dariam uma volta completa na tumba. Um deles tenho a certeza que reescreveria o Carnaval dos Animais para incluir outra espécie.
Recomendo-vos fortemente que leiam o Blog Jonasnut que contém a compilação de tudo o que há a saber sobre o assunto e muito democraticamente expõe em muitos casos a tese e antítese. No que me diz respeito já resolvi o que penso acerca deste projecto de lei: Simpaticamente diria que é um pouco mau demais para ser verdade.
Uma decreto lei injustificável sobre o pronto de vista da filosofia e do principio do mesmo e para acréscimo mal pensado. Como digo sempre quando me querem justificar a bondade de um caminho pela bondade do fim a que se destina fico logo com o pé atrás. É que me ensinaram que os fins nunca justificam os meios.
Em primeiro lugar, os leitores deste blog sabem que não defendo a pirataria. Sabem que defendo que se comprem os CDs e DVDs e/ou as respectivas músicas em formato digital. No que me diz respeito compro religiosamente as mesmas no ITunes ou em outras lojas virtuais. Compro também de tempos a tempos CDs e DVDs em lojas físicas embora muito menos. A razão para isso já a expus em outros locais mas fundamentalmente está relacionada com o valor que esses produtos efectivamente têm face ao seu preço. O verdadeiro problema que a industria (e sublinho industria, não a arte ou os artistas) teima em não reconhecer.
Este projecto de decreto lei como podem ler redefine uma lei já existente e procura e cito "reforçar o legítimo interesse dos diversos titulares de direitos abrangidos pelo regime normalmente designado por “cópia privada”, mediante a criação de condições que garantam a percepção de uma compensação equitativa pela reprodução de obras intelectuais, prestações e produtos legalmente protegidos". O interesse dos autores é legitimo já se a SPA os representa seria outra história embora o paragrafo anterior deixe antever o que penso do assunto.
O decreto lei no essencial fixa valores a ser pagos por discos, cartões de memória, pens, ... sobre o argumento que podem ser utilizados para copiar obras protegidas por direitos de autor. Esta presunção de utilização já por si perfeitamente descabida (é escusado dizerem-me que é feita em outras áreas, outros países ou outros contextos porque isso apenas prova que se repete o erro e nas sábias palavras de Descartes se Errar é Humano perseverar no erro é obra do diabo) é ainda agravada por erros técnicos gravíssimos que tornarão esta lei obsoleta em meia dúzia de meses - ou o que é pior - impedirão na prática a comercialização de alguns tipos de dispositivos em Portugal (o erro está relacionado com a forma de taxação da capacidade que é perfeitamente ridícula e obviamente se baseia no pressuposto que quanto mais capacidade mais obras se pode manter em cópia).
Importa pouco ao legislador perceber se o que está a ser armazenado é efectivamente sujeito a direito (o cumulo do ridículo é que um cartão de memória colocado numa máquina fotográfica pagará imposto!) porque diz-se é impossível controlar essa utilização. Pois graças a Deus que é efectivamente impossível porque senão nem sei o que inventariam mas já estou a ver que não falta vontade de uma versão digital da policia do Fahrenheit 451.
Eu que sou autor, que compro legitimamente as minhas musicas que faço backup das mesmas vou ser taxado três vezes. Diz o legislador que esse custo será suportado pelo retalho ou pelos fabricantes. Deixem-me rir. Não só em alguns produtos isso é matematicamente impossível (e pelo que expus à pouco rapidamente vai atingir o ponto da inviabilidade) como ainda por cima a taxa é aplicada ANTES do IVA pelo que o estado arrecada mais 23% do montante da taxa, habilidoso não? Esse custo é de certeza suportado pelo consumidor. Uma impressora de jacto de tinta multifunções (basta ter duas - impressão e fax por exemplo) €7 a mais? Porque posso imprimir ou fazer scans ????? Até 17 Kg apenas porque se for mais aí vai para uma categoria diferente onde obviamente será ainda mais taxada. Deixem-me ir a uma loja online só para verificar uma coisa. Multifunções começam a €40 portanto €7 são mais 18% ... Calculos idênticos em discos podem dar acréscimos de custo de 50% ou mais (e isto agora sem fazer a previsão do lógico crescimento das capacidades dos mesmos e redução do custo por TB unitário).
Por fim se a lei contribuísse em alguma coisa para a cultura em Portugal, para a defesa do legitimo direito dos autores eu ainda poderia contemplar a hipótese de dizer: Ok, são mais uns Euros que ficam como uma doação, uma espécie de mecenato, afinal de contas eu faço uma doação anual para a Wikipedia porque não também para os autores portugueses. Mas desenganem-se os que assim pensam. Esta lei não defende autores, defende industrias e essas há muito que não têm nada a ver com os mesmos e muito menos com as respectivas artes de que se outorgam o direito de defesa como se sem eles não existisse música ou músicos, cinema ou cineastas, literatura ou escritores, pintores ou pintura.
Acredito que os grandes vultos que no final do século XIX criaram estas sociedades um pouco por todo o mundo vissem o que agora andam a fazer dariam uma volta completa na tumba. Um deles tenho a certeza que reescreveria o Carnaval dos Animais para incluir outra espécie.
Recomendo-vos fortemente que leiam o Blog Jonasnut que contém a compilação de tudo o que há a saber sobre o assunto e muito democraticamente expõe em muitos casos a tese e antítese. No que me diz respeito já resolvi o que penso acerca deste projecto de lei: Simpaticamente diria que é um pouco mau demais para ser verdade.
Uma decreto lei injustificável sobre o pronto de vista da filosofia e do principio do mesmo e para acréscimo mal pensado. Como digo sempre quando me querem justificar a bondade de um caminho pela bondade do fim a que se destina fico logo com o pé atrás. É que me ensinaram que os fins nunca justificam os meios.
Diz que não gosta de música clássica a votação
Pois é caros leitores o nosso blog está a votação para blog do ano na categoria de música no concurso de Blogs promovido pelo Aventar. Como não deixamos de gostar de uma sã disputa convidamos os nossos leitores a darem uma vista de olhos à lista e a votarem em uma ou mais categorias.
Na categoria de música enfim espero que votem bem (em consciência mas bem ;-)) e mais não digo ...
Na categoria de música enfim espero que votem bem (em consciência mas bem ;-)) e mais não digo ...
domingo, 15 de janeiro de 2012
Lavoisier
Dizia Lavoisier que na natureza nada se perde tudo se transforma. Neste blog acreditamos que pelo menos nada se deve perder e como tal vamos abrir aqui uma das nossas excepções para falar de música que não é "clássica".
Fomos ontem à noite ouvir na Fábrica da Pólvora (a propósito um local que se recomenda em absoluto) um grupo composto por dois jovens músicos precisamente chamados Lavoisier e precisamente pela razão que apresentamos, o que desde logo nos encantou. Gostamos ainda mais de os ouvir falar da recolha de música popular de Fernando Lopes Graça e a partir daí o nosso coração estava conquistado.
Na verdade a recuperação que estes jovens fazem de temas populares portugueses (de cantos de trabalho e outros) é verdadeiramente notável. Notável não só pela originalidade, pela qualidade vocal e instrumental mas sobretudo (e é o mais importante) pela emoção que conseguem transmitir à audiência. Mesmo a "vulgar" Machadinha (sim é mesmo o que estão a pensar e sim tiveram a "coragem" de a interpretar) ganha uma dimensão diferente que não consigo qualificar: Que nos leva directamente para uma Portugalidade profunda mas sem ser pela porta do passado ou da saudade; é para o futuro que se dirigem.
E é para futuro porque como também nos confessaram bebem (ou comem como referiram) em outras culturas. E fazem-no bem porque ouvi uma versão de uma canção do Milton Nascimento que já ouvi centenas de vezes cantada pela Elis Regina e digo-vos que o que ouvi não ficou nada a dever a essa interpretação.
Como sempre neste blog (ou quase sempre) tem que existir música para ilustrar o que vos digo e por isso neste caso vos proponho uma das minhas preferida da noite: Senhora do Almurtão (da outra infelizmente não encontro gravação mas a versão que ouvi de Vala, Vala, Vala é simplesmente transcendental).
Apontem assim o vosso browser para aqui e oiçam logo a primeira faixa ...
Ainda a propósito destes jovens deixem-me só repetir-vos o que vem escrito no booklet do disco (ainda artesanal infelizmente - infelizmente note-se não pela produção mas porque mereciam ser editados ... ). O que vos vou repetir é o texto de Fernando Lopes Graça
"Porque amamos nós a nossa canção popular e porque entendemos que a devem amar os portugueses? Em primeiro lugar porque é bela. No entanto forçoso reconhecê-lo, a sua beleza, a sua indiscutível qualidade estética está ainda a bem dizer por descobrir, e não é nos espécimes correntemente tidos e apreciados na cidade como típicos e representativos do nosso folclore que podemos descobrir essa beleza essa qualidade estética".
Pois bem sabe bem dizer que está agora Lopes Graça "enganado", pois agora é possível descobri-lo mesmo na cidade ...
Fomos ontem à noite ouvir na Fábrica da Pólvora (a propósito um local que se recomenda em absoluto) um grupo composto por dois jovens músicos precisamente chamados Lavoisier e precisamente pela razão que apresentamos, o que desde logo nos encantou. Gostamos ainda mais de os ouvir falar da recolha de música popular de Fernando Lopes Graça e a partir daí o nosso coração estava conquistado.
Na verdade a recuperação que estes jovens fazem de temas populares portugueses (de cantos de trabalho e outros) é verdadeiramente notável. Notável não só pela originalidade, pela qualidade vocal e instrumental mas sobretudo (e é o mais importante) pela emoção que conseguem transmitir à audiência. Mesmo a "vulgar" Machadinha (sim é mesmo o que estão a pensar e sim tiveram a "coragem" de a interpretar) ganha uma dimensão diferente que não consigo qualificar: Que nos leva directamente para uma Portugalidade profunda mas sem ser pela porta do passado ou da saudade; é para o futuro que se dirigem.
E é para futuro porque como também nos confessaram bebem (ou comem como referiram) em outras culturas. E fazem-no bem porque ouvi uma versão de uma canção do Milton Nascimento que já ouvi centenas de vezes cantada pela Elis Regina e digo-vos que o que ouvi não ficou nada a dever a essa interpretação.
Como sempre neste blog (ou quase sempre) tem que existir música para ilustrar o que vos digo e por isso neste caso vos proponho uma das minhas preferida da noite: Senhora do Almurtão (da outra infelizmente não encontro gravação mas a versão que ouvi de Vala, Vala, Vala é simplesmente transcendental).
Apontem assim o vosso browser para aqui e oiçam logo a primeira faixa ...
Ainda a propósito destes jovens deixem-me só repetir-vos o que vem escrito no booklet do disco (ainda artesanal infelizmente - infelizmente note-se não pela produção mas porque mereciam ser editados ... ). O que vos vou repetir é o texto de Fernando Lopes Graça
"Porque amamos nós a nossa canção popular e porque entendemos que a devem amar os portugueses? Em primeiro lugar porque é bela. No entanto forçoso reconhecê-lo, a sua beleza, a sua indiscutível qualidade estética está ainda a bem dizer por descobrir, e não é nos espécimes correntemente tidos e apreciados na cidade como típicos e representativos do nosso folclore que podemos descobrir essa beleza essa qualidade estética".
Pois bem sabe bem dizer que está agora Lopes Graça "enganado", pois agora é possível descobri-lo mesmo na cidade ...
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