Chegou-me por email há uns dias uma noticia de que faço eco aqui porque penso ser esta uma forma que os compositores contemporâneos portugueses podem seguir para conseguir gravar as suas obras.
Trata-se de um sistema de edição de discos parcialmente baseado em Crowd Founding. No caso tratam-se de algumas obras de Luís Tinoco que serão gravadas pela Orquestra Gulbenkian com a direcção de David Allan Miller. Digo parcialmente porque neste caso existem outras entidades a suportar o projecto que conta com o apoio institucional do Serviço de Música da Fundação Gulbenkian, da Sociedade Portuguesa de Autores, da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento e da RDP Antena 2.
Têm ainda 27 dias para apoiar esta iniciativa aqui. Espero encontrar-vos a todos no dia 12 nas gravações!
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
terça-feira, 15 de maio de 2012
O Meu Primeiro Disco de ... Grandes Compositores Portugueses
Estive ontem na FNAC porque o computador do meu filho decidiu que era altura de deixar de trabalhar. Não discuto o sentido de timing pouco conveniente do referido aparelho. Antes prefiro pensar como Pangloss e Candide que foi o desígnio de Deus que quis que assim conhecesse uma série de discos para os mais pequenos intitulada "O meu primeiro disco".
Há vários discos já editados nessa colecção como por exemplo, O Meu Primeiro Disco de Bach ou o Meu Primeiro Disco de Beethoven mas o que eu adquiri e quase me fez chorar de felicidade foi O Meu Primeiro disco de Grandes Compositores Portugueses.
Que alguém tenha resolvido fazer este discos de iniciação à música clássica já só por si é absolutamente fantástico. Que ainda por cima tenham resolvido fazer um sobre compositores portugueses é de coragem e aprecia-se! A edição é da Companhia Nacional de Música e as gravações são da Naxos. O ponto nitidamente menos favorável desta edição é não mencionarem nem as orquestras nem os maestros que interpretam as obras, nitidamente um ponto a rever, não vão os mais jovens pensar que a música clássica tal como o leite aparece já feita dentro das grandes superfícies, passe a comparação das orquestras às vacas sem desprimor para nenhuma delas :-). É um ponto que futuras edições deveriam em meu entender corrigir.
Quanto à selecção dos compositores em si não se discute. Inclui todos os períodos desde a Renascença aos tempos actuais passando pelo barroco, pelo clássico e pelo romântico. Podemos assim no disco ouvir uma obra de Duarte Lobo (nitidamente a surpresa), uma obra de Carlos Seixas (Sinfonia em Si Bemol), uma obra de Marcos Portugal (abertura de Il Duca di Foix), várias Cenas Portuguesas de Vianna da Motta, a Suite Alentejana de Luís de Freitas Branco e por fim o Concerto para Cordas em Ré Maior de Joly Braga Santos.
Como dizia não se discute a selecção dos compositores nem tão pouco das obras porque seria possível fazer mais uma dezena de discos destes com escolhas diversas e igualmente correctas.
Termino recomendando fortemente não só este disco como os restantes da série (é um exclusivo da FNAC por isso só mesmo aí os poderão encontrar, mas para quem vive longe de uma a loja online é uma boa opção) mas também que visitem o site da Companhia Nacional de Música até porque já encontrei por lá alguns outros discos de que certamente virei a falar por aqui ... Para os Lisboetas a visita à loja no Chiado na Rua Nova do Almada, 60 é também uma boa ideia!
Há vários discos já editados nessa colecção como por exemplo, O Meu Primeiro Disco de Bach ou o Meu Primeiro Disco de Beethoven mas o que eu adquiri e quase me fez chorar de felicidade foi O Meu Primeiro disco de Grandes Compositores Portugueses.
Que alguém tenha resolvido fazer este discos de iniciação à música clássica já só por si é absolutamente fantástico. Que ainda por cima tenham resolvido fazer um sobre compositores portugueses é de coragem e aprecia-se! A edição é da Companhia Nacional de Música e as gravações são da Naxos. O ponto nitidamente menos favorável desta edição é não mencionarem nem as orquestras nem os maestros que interpretam as obras, nitidamente um ponto a rever, não vão os mais jovens pensar que a música clássica tal como o leite aparece já feita dentro das grandes superfícies, passe a comparação das orquestras às vacas sem desprimor para nenhuma delas :-). É um ponto que futuras edições deveriam em meu entender corrigir.
Quanto à selecção dos compositores em si não se discute. Inclui todos os períodos desde a Renascença aos tempos actuais passando pelo barroco, pelo clássico e pelo romântico. Podemos assim no disco ouvir uma obra de Duarte Lobo (nitidamente a surpresa), uma obra de Carlos Seixas (Sinfonia em Si Bemol), uma obra de Marcos Portugal (abertura de Il Duca di Foix), várias Cenas Portuguesas de Vianna da Motta, a Suite Alentejana de Luís de Freitas Branco e por fim o Concerto para Cordas em Ré Maior de Joly Braga Santos.
Como dizia não se discute a selecção dos compositores nem tão pouco das obras porque seria possível fazer mais uma dezena de discos destes com escolhas diversas e igualmente correctas.
Termino recomendando fortemente não só este disco como os restantes da série (é um exclusivo da FNAC por isso só mesmo aí os poderão encontrar, mas para quem vive longe de uma a loja online é uma boa opção) mas também que visitem o site da Companhia Nacional de Música até porque já encontrei por lá alguns outros discos de que certamente virei a falar por aqui ... Para os Lisboetas a visita à loja no Chiado na Rua Nova do Almada, 60 é também uma boa ideia!
domingo, 13 de maio de 2012
Quator à Cordes - Debussy
Hoje confesso que terei alguma dificuldade em escrever este post. A notícia do dia de ontem chocou-me e deixou-me triste. Porém como em outras ocasiões escrever faz parte da terapia; escrever sobre música ainda mais. Perdoem-me se detectarem melancolia a mais.
Este artigo faz parte de uma sequência de artigos prometidos sobre Debussy e segue-se ao já escrito sobre Prélude à l´aprés-midi d´un Faune.
Esta obra foi composta em 1893 um ano muito importante para Debussy já que marca o inicio da composição da sua ópera Pelleas e Melissande. Precede também a obra de que já falamos (Prélude) embora do ponto de vista da composição esteja muito mais próxima das anteriores Petite Suite (1889) ou mesmo da Suite Bergamasque (1890). Foi estreada em Paris na sala Pleyel a 29 de Dezembro de 1893 pelo Quarteto Ysaye.
Escolhemos falar deste compositor porque este ano marca o 150º aniversário do seu nascimento e por essa razão multiplicam-se as interpretações de obras suas ou a edição de especiais. Como referimos a Diapason deste mês tem precisamente por tema de capa Debussy e este aniversário sendo o disco indispensável do mês a interpretação deste Quarteto em Sol Menor Op. 10 pelo Quarteto de Budapeste numa gravação de 1957.
A obra em si tem um formato clássico em Quatro Andamentos mas o aspecto "clássico" termina nessa coincidência já que esta obra é um ponto de viragem também na música de câmara. Tinhamos referido na sua biografia que Debussy é sem dúvida um dos músicos mais importantes na história da música pela charneira que representa ao mesmo nível que um Stravinsky por exemplo. Este quarteto é representativo na inovação porque embora tenha uma consistência temática muito próxima de um Cesar Franck por exemplo não deixa de ter uma liberdade de expressão à volta desse tema que transcende essa ligação, embora para quem como eu aprecia essa forma não deixe por isso de seduzir também por esse aspecto.
O primeiro andamento Animé et très décidé é uma forma sonata com a exposição do tema recorrente ao longo da obra e que forma a ligação temática entre os quatro andamentos exposto logo no seu inicio. Podem ouvir este andamento aqui interpretado pelo Quarteto LowenGuth numa gravação de 1953 da Deutsche Gramophon, Grande Prémio do Disco em 1956. Salienta-se
O segundo andamento Assez vif et bien rythmé - Este segundo andamento é um Scherzo com uns tons bastante, como dizer, ibéricos. Podem ouvir este segundo andamento no mesmo vídeo que vos propus anteriormente a partir do minuto 6:07 aproximadamente.
O terceiro andamento Andantino, doucement expressif - O meu andamento preferido. A sua clareza pode por vezes levar à tentação do exagero na interpretação. Podem ouvir aqui uma interpretação com muita alma mas suficiente contenção pelo Quarteto Ebène.
O quarto andamento Très modéré - En animant peu à peu - Très mouvementé et avec passion. Com uma recapitulação inicial de todo o material, numa forma muito semelhante à nona Sinfonia de Beethoven para depois crescer em tensão e animação terminando num magnifico apogeu em Sol Maior. Podem ouvir e ver este quarto e ultimo andamento pelo quarteto Ysaye de França.
Este artigo faz parte de uma sequência de artigos prometidos sobre Debussy e segue-se ao já escrito sobre Prélude à l´aprés-midi d´un Faune.
Esta obra foi composta em 1893 um ano muito importante para Debussy já que marca o inicio da composição da sua ópera Pelleas e Melissande. Precede também a obra de que já falamos (Prélude) embora do ponto de vista da composição esteja muito mais próxima das anteriores Petite Suite (1889) ou mesmo da Suite Bergamasque (1890). Foi estreada em Paris na sala Pleyel a 29 de Dezembro de 1893 pelo Quarteto Ysaye.
Escolhemos falar deste compositor porque este ano marca o 150º aniversário do seu nascimento e por essa razão multiplicam-se as interpretações de obras suas ou a edição de especiais. Como referimos a Diapason deste mês tem precisamente por tema de capa Debussy e este aniversário sendo o disco indispensável do mês a interpretação deste Quarteto em Sol Menor Op. 10 pelo Quarteto de Budapeste numa gravação de 1957.
A obra em si tem um formato clássico em Quatro Andamentos mas o aspecto "clássico" termina nessa coincidência já que esta obra é um ponto de viragem também na música de câmara. Tinhamos referido na sua biografia que Debussy é sem dúvida um dos músicos mais importantes na história da música pela charneira que representa ao mesmo nível que um Stravinsky por exemplo. Este quarteto é representativo na inovação porque embora tenha uma consistência temática muito próxima de um Cesar Franck por exemplo não deixa de ter uma liberdade de expressão à volta desse tema que transcende essa ligação, embora para quem como eu aprecia essa forma não deixe por isso de seduzir também por esse aspecto.
O primeiro andamento Animé et très décidé é uma forma sonata com a exposição do tema recorrente ao longo da obra e que forma a ligação temática entre os quatro andamentos exposto logo no seu inicio. Podem ouvir este andamento aqui interpretado pelo Quarteto LowenGuth numa gravação de 1953 da Deutsche Gramophon, Grande Prémio do Disco em 1956. Salienta-se
O segundo andamento Assez vif et bien rythmé - Este segundo andamento é um Scherzo com uns tons bastante, como dizer, ibéricos. Podem ouvir este segundo andamento no mesmo vídeo que vos propus anteriormente a partir do minuto 6:07 aproximadamente.
O terceiro andamento Andantino, doucement expressif - O meu andamento preferido. A sua clareza pode por vezes levar à tentação do exagero na interpretação. Podem ouvir aqui uma interpretação com muita alma mas suficiente contenção pelo Quarteto Ebène.
O quarto andamento Très modéré - En animant peu à peu - Très mouvementé et avec passion. Com uma recapitulação inicial de todo o material, numa forma muito semelhante à nona Sinfonia de Beethoven para depois crescer em tensão e animação terminando num magnifico apogeu em Sol Maior. Podem ouvir e ver este quarto e ultimo andamento pelo quarteto Ysaye de França.
sexta-feira, 11 de maio de 2012
In Memoriam Bernardo Sassetti (1970-2012)
Não há muito que se possa acrescentar. De Bernardo Sassetti tínhamos falado quando vos apresentamos a excepcional banda sonora de Second Life, o filme que "vimos" apenas através da sua música. Ao vivo tive felizmente oportunidade de ouvir algumas vezes.Perdeu-se um grande compositor, um grande pianista e um grande homem. Que encontre a mesma paz que através da sua música tantas e tantas vezes nos proporcionou.
Fiquem com The Raven King do filme Second Life, música de Bernardo Sassetti.
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