sexta-feira, 20 de julho de 2012

Duas Listas de 10 Pianistas

Vianna da Motta - Outro pianista que
poderia estar na nossa lista
Ontem no post de um amigo no facebook fiquei a conhecer uma lista de 10 pianistas, publicada pela revista Limelight que segundo um conjunto de grandes pianistas de hoje terão sido os 10 mais influentes pianistas de todos os tempos. Já sabem que não consigo resistir a listas quanto mais a listas de 10 !






Posso dizer-vos que não tenho qualquer reserva relativamente a essa lista. Admito que não conhecia o 10º Artur Schnabel (1882-1951) e que o primeiro da lista Rachmaninov (1873-1943) nunca o pude ouvir suficientemente para poder apreciar enquanto instrumentista (enquanto compositor um dos seus concertos para piano é uma das obras que mais me emociona).

O desafio que me lancei foi de construir uma lista de outro conjunto de 10 pianistas igualmente relevantes embora isto me lembre aqueles períodos de infância na escolha das equipas em que o dono da bola escolhia primeiros todos os jogadores da sua equipa, ou seja a minha lista incluíria certamente muitos dos outros mas pronto uma segunda Lista de 10 tem muito mais piada ! E acreditem que não só os há como ainda vou ter de deixar alguns de fora ...

Sem qualquer ordem por agora desde logo me veio à cabeça Claudio Arrau. Em termos humanos e artísticos dificilmente se poderá argumentar que não é um dos instrumentistas mais relevantes do século XX. Desde logo oiçam uma entrevista do pianista neste nosso outro post, precisamente sobre Claudio Arrau.

Continuando sem ordem nenhuma em particular o segundo que me veio à memória foi Van Cliburn. A sua vitória no primeiro concurso Tchaikovsky em plena Guerra Fria em pleno Moscovo com o juri a revelar a dimensão dos génios que o compunham dificilmente o poderia retirar de uma lista dos pianistas mais significativos do século XX. Mas Van Cliburn não foi apenas esse heroi improvável do Ocidente, foi também um notável interprete de Tchaikovsky e de precisamente Rachmaninoff. Só por isso e pela sua não cedência ao tocar por tocar merecia estar numa lista deste tipo.

Lembrei-me depois de Nelson Freire outro nome que claramente também podia fazer parte desta lista quanto mais não fosse pelas suas interpretações de Beethoven ou de Chopin.

Pensei também em Lang Lang passe todo o folclore à volta do pianista chinês a verdade é que como em todos os grandes artistas há qualquer coisa diferente nele. Algo que o faz saír da "simples" excelência para atingir o patamar dos verdadeiramente sublimes ou únicos.

Marta Argerich - Não havia uma única mulher na nossa lista senão. Na "deles" também não há o que só por si já é uma vantagem da nossa. Melhor do que vos dizer qualquer coisa é convidar-vos a ouvir e ver o Terceiro Concerto de Rachmaninoff .

Ultrapassando a metade da lista em sexto proponho Vladimir Askhenazy . O que vos posso dizer deste Islandês (desde 1968) ? Nada o melhor é mesmo ouvirem este Nocturno de Chopin por ele interpretado. assim mesmo sem mais nada, uma música simples mas vão perceber porque razão este homem tem de estar nesta lista.

Depois Ignace Paderewski (1860-1941), pianista e primeiro-ministro da República Polaca antes da barbara invasão Nazi e depois no exilio em Londres. Podem ouvir e ver uma interpretação magistral de Liszt se tiverem duvidas.

Em oitavo (mas como digo sem ordem particular) Daniel Barenboim - Nem vale a pena falar mais. Pianistas influentes do século XX? E não é pela sua actividade extra-musical , é mesmo enquanto pianista que merece estar nesta lista embora seja verdade que a influência artística possa provir mais do talento enquanto maestro.

Em penúltimo na nossa lista Arturo Michelangeli : Como poderíamos deixar de fora um dos poetas do piano?

E por fim Robert Casadesus - Estamos no século XX e este pianista trabalha com ravel ajudando a transformar a música para sempre ... Termino as minhas sugestões musicais a propósito ou a despropósito desta lista com Ravel - Sonatina.

E como disse haveria mais - mesmo não quebrando a regra de não incluir pianistas sem gravações substanciais e dessa forma excluindo Vianna da Motta que doutra forma teria de estar nesta lista - há certamente uma outra boa dezena de nomes relevantes.

Caros leitores querem aceitar o desafio de sugerirem nomes para a terceira equipa? Só para vos ajudar em nenhuma das listas está Kissin ou Helene Grimaud por exemplo, nem tão pouco Gershwin ou Bernstein ... estão a ver é fácil só assim de repente já vos dei quatro nomes - Still six more to go :-) - Your turn now :-)

quinta-feira, 19 de julho de 2012

A Publicidade e a Arte - Carta Aberta aos meus colegas Marketeers

Vem este post a propósito de um comentário de um dos nossos mais antigos leitores, lalage, que nos perguntava se seguíamos o blog De Rerum Natura . Confesso que não seguia mas esse pecado foi rapidamente eliminado.

O tema do post que motivou o comentário de lalage era a utilização de música clássica em publicidade. Nós já tínhamos falado disso a propósito do anúncio do óleo Fula.

Daniel Barenboim no seu livro "Está tudo ligado" de que por acaso (bom não bem por acaso dado sermos fanáticos apoiantes do maestro) também já havíamos falado precisamente a propósito da sua presença em Portugal quando do lançamento do livro e também obviamente pelo seu trabalho com a  West Divã Orquestra pela Paz.

Fechando os longos  parênteses introdutórios que têm vindo a tornar-se hábito por aqui (as minhas desculpas) como vos tinha dito a utilização de música clássica em publicidade ou mais geralmente em comunicação ou  pela mesa razão a utilização de qualquer outro tipo de arte não me parece forçosamente errada.

O que está errado isso sim  não é portanto a dessacralização do objecto artístico ou o insulto aparente ao seu autor mas antes a estupidez da utilização sem critério - algum critério que aproveite o fundamento da obra de arte e o coloque ao serviço do que se pretende comunicar.

A utilização sem critério, sem contexto, para além da ignorância que deixa perceber (mas essa é desculpável) demonstra uma outra coisa que essa sim é um pecado mortal: A Preguiça. Porque não tenham dúvida que em todos os maus exemplos citados com algum trabalho seria possível encontrar uma obra musical mais adequada a transmitir o que se pretende, com ganhos para todas as partes: Para a peça de comunicação que ficaria francamente melhor e para a arte em si que ganharia dessa forma uma forma de divulgação que doutra forma dificilmente atingiria.

É verdade que depois será difícil ouvi-la (a obra de arte) da mesma forma mas acreditem que se a obra for mesmo boa ao fim de um tempo esta permanecerá, muito mais conhecida, enquanto o anuncio em si cairá no esquecimento. A não ser claro que o anuncio seja ele também uma obra de arte que suplante a própria música (não é impossível, não sendo propriamente música clássica quem não se lembra do anuncio da Regisconta e aquela máquina?). A questão é que nesse caso e em outros trabalhou-se para que a música não estivesse ali simplesmente para servir de fundo. Faz parte da peça de comunicação e foi escolhida por um motivo.

Por outras palavras caros publicitários e colegas de profissão, caros marketeers. Querem utilizar obras de arte musicais ou outras nas vossas produções de comunicação? Óptimo. Grande ideia. Façam então o obséquio de o merecer e de trabalharem por isso não vos limitando a escolher a música de fundo da casa de banho. Se quiserem comunicar um seguro desde já vos digo que Beethoven está pronto para assinar um contrato com a batida do destino da sua 5ª ... Façam por o merecer, façam por o merecer ... E por Amor de Deus deixem o Vivaldi e as Quatro Estações em Paz, ou pelo menos se entenderem falar da morte usem o Inverno e não a Primavera sempre faz mais sentido.

Não saber, não ter conhecimento, não está errado per se. O que está errado isso sim é a recusa de aprender e glorificação da ignorância. Isso sim está errado.

domingo, 15 de julho de 2012

Telemann - Tafelmusik

Num dos primeiros post deste blog (de Novembro de 2007 vejam lá) já vos tinha falado desta obra deste compositor alemão do período barroco contemporâneo de Bach. Porém não estou satisfeito com o que na altura vos disse e por isso resolvi voltar ao tema até porque esta obra faz parte das minhas 100 recomendações.

Telemann era contemporâneo de Bach e acreditem ou não no seu tempo era considerado um compositor bem mais relevante do que Bach ao ponto de ter conseguido sempre melhores posições, maior número de publicações e melhores salários e sobretudo uma reputação muitíssimo melhor enquanto músico. Não foi aliás nessa época o único músico a suplantar Bach já que Christoph Graupner também o fez. Aliás a bem dizer se Bach obteve o posto em Leipzig que acabou por o levar à fama um século mais tarde foi porque tanto Telemann como Graupner não quiseram esse mesmo lugar. Curiosamente Telemann era aliás amigo pessoal de Bach tendo sido padrinho de um dos filhos do compositor (precisamente o mais conhecido Carl Emanuel Bach).

Uma reacção a esta circunstância quase tão absurda como o facto que relatamos é reduzir estes dois compositores à insignificância, uma espécie de vingança uns quatro séculos depois ... Injustificada pois qualquer um destes dois músicos (sobretudo Telemann) tem o seu lugar na história da música.

Claro que Telemann também ajudou pelo facto de mais do que outro qualquer músico da época se ter preocupado com o seu marketing pessoal e da sua obra. Muitas vezes erradamente esse argumento é utilizado do ponto de vista negativo para denegrir a qualidade intrínseca das suas obras como se uma coisa proibisse a outra.

Acresce que Telemann foi um compositor extraordinariamente prolífico (aliás faz parte do Guiness Book of Records como sendo o compositor com mais obras publicadas) o que também não terá contribuído favoravelmente para a sua reputação qualitativa.

Fechando o longo parênteses e falando da obra em questão ela foi publicada em 1733 sendo constituída quase certamente por obras que não foram compostas para este fim. A obra está dividida em três partes cada uma constituída por 6 peças que forma uma espécie de suite. Cada uma das suites é concebida para formações com dimensões diferentes progredindo de obras para Orquestras de Câmara passando por obras para quartetos e trios e sonatas para instrumentos solo terminando de novo com uma orquestração para o mesmo conjunto orquestral do inicio.

Este conjunto de obras demonstra a enorme versatilidade de Telemann quer de estilos quer de formas que incluem estilos Polacos, Franceses e Italianos além da variedade orquestral e instrumental já referida.

Como vos explicamos o nome Tafelmusik significa "música de mesa" embora seja um pouco excessivo qualifica-la como música ambiente na verdade destinava-se a ser interpretada em ocasiões festivas.

Quando foi publicada a obra foi desde logo subscrita por mais de 200 pessoas entre nobres, clero e outros compositores (entre os quais Handel). Aliás o facto das encomendas terem nessa altura vindo um pouco de toda a Europa é ao mesmo tempo um elogio à capacidade de Telemann enquanto compositor mas também enquanto marketeer: Nessa altura um evento deste tipo pan-europeu estava longe de ser fácil. esta obra assegurou a Telemann considerável rendimento e desafogo financeiro.

Para vos demonstrar a latitude de estilos e de orquestração que esta obra inclui resolvi incluir bocados de cada uma das partes (também chamadas "suites" ou "produções").

Da primeira produção e como exemplo da música orquestral presente neste conjunto escolhi a abertura em Mi Menor (relembro que além da introdução a conclusão também é orquestral).



Da segunda produção e como exemplo da música de câmara escolhi o andante para quarteto em Ré Menor.

 

Da terceira produção escolhi a sonata para Oboe e Cravo como exemplo da música para solistas.

Estatísticas e Mensagens Populares da Semana (08.07.2012 a 14.07.2012)

Retomamos hoje os nossos posts regulares sobre algumas estatísticas interessantes deste blog.  Irei tentar que sejam semanais logo veremos se conseguimos manter essa frequência.

Na semana de 8 de Julho a 14 de Julho de 2012 tivemos 691 visitas de 557 visitantes únicos que no seu conjunto leram 1.001 páginas diferentes numa média de 1,45 páginas por visita num tempo médio de 1:17 por visita. 75,7% dos visitantes foram novos, 24,3% repetentes.

O maior número de visitantes veio do Brasil (382) seguindo-se Portugal (274) e num longínquo terceiro a França (6). Por cidades Lisboa continua a ser a principal fonte de visitas (124) seguindo-se São Paulo (59) e em terceiro o Rio de Janeiro (37).

Os nossos visitantes vieram em 76% como resultado de pesquisas, 11% de sites que nos referiram e 11% também de tráfego directo (bookmarks, memória ou outros em que o endereço foi digitado directamente).

Se excluirmos as páginas de topo e as mensagens a elas relacionadas as mensagens mais lidas esta semana foram:

Rhapsody in Blue ............... 14
Vivaldi as Quatro Estações ..... 12
Dia Mundial da Música (2011) ... 11
Clara Haskil ................... 10
Paris e Helena ................. 10 


No que diz respeito a essas páginas de topo ou mensagens relacionadas a estatística é a seguinte:


As melhores músicas clássicas ....... 47
Lista dos melhores Violinistas ...... 44
As 25 melhores Sinfonias ............ 40
Lista dos Grandes Maestros .......... 26
As dez melhores músicas clássicas ... 22

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