Como sabem os mais atentos Alex Ross está a preparar um livro sobre Wagner. Possivelmente no âmbito da pesquisa que está a efectuar (isto é especulação pura) publicou uma frase de Nietzsche no seu blog que resolvi partilhar convosco:
"The author should shut his mouth when his work opens its mouth."
Nietzsche, Mixed Opinions and Maxims
Numa tradução algo livre seria algo como:
"O autor deveria calar-se quando o seu trabalho fala por si"
O que pensam? Ah, esquecia-me do detalhe, supostamente isto era dirigido a Wagner. No que me diz respeito subscrevo e mais não digo ... ou melhor deixo precisamente a música a falar!
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
segunda-feira, 29 de abril de 2013
sexta-feira, 26 de abril de 2013
Rachmaninoff - 2º Concerto para Piano e Orquestra
O que vos posso dizer de um concerto para Piano que me faz sistematicamente chorar? Que as suas fantásticas melodias inspiradas da música popular russa estão impregnadas de tal melancolia que lhes é impossível resistir?
O que vos posso dizer de um concerto que é sistematicamente referido como um dos mais populares e preferidos em várias votações? Por exemplo em Inglaterra já foi por vários anos o preferido na votação da rádio Classical FM.
O que vos posso dizer de uma obra que está claramente entre as minhas preferidas e uma das que quando me perguntam: Nunca ouvi um concerto de música clássica. O que me recomenda? Se estamos a falar de um concerto para Piano este é um deles sem margem para dúvida.
O concerto foi composto entre o Outono de 1900 e Abril de 1901 como uma espécie de terapia do enorme fracasso que a Sinfonia Nº1 do mesmo compositor representou e que fez Rachmaninoff mergulhar numa profunda depressão. Aliás o concerto é dedicado ao psicologo Dr. Dahl que curou o compositor através de hipnose convencendo-o que o seu concerto iria ser excelente. O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano e a Orquestra dirigida pelo seu primo Siloti. A estreia foi bem sucedida tendo o compositor vindo a vencer o prémio Glinka em 1904 com este concerto.
O Primeiro Andamento (Moderato) na forma de Sonata em Dó Menor começa com uma introdução pelo piano o que não sendo original (por exemplo o quarto de Beethoven também desta forma) não é muito usual e certamente introduz desde logo uma intensidade dramática. Note-se que este primeiro andamento foi composto depois do segundo e do terceiro e logo na verdade um dos temas deste primeiro andamento foi de certa forma inspirado no ultimo (e não o inverso como poderíamos pensar pela ordem de audição). este facto no entanto confere à obra um tipo de unidade que aprecio. Não existe cadenza nem seria necessário, as dificuldades do resto são suficiente demonstração do virtuosismo do pianista. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação de Heléne Grimaud com Abaddo a dirigir a Orquestra.
O Segundo Andamento (Adagio Sostenuto) é simplesmente fantástico, dificilmente posso encontrar adjectivos para a melodia que se vos soar familiar é porque é mesmo (oiçam All by Myself para perceberem). Um andamento na forma clássica de um Rondo normalmente utilizado para os terceiros andamentos e que de certa forma estabelece a calma antes da tensão que o terceiro andamento vai despertar. De novo proponho Heléne Grimaud para este andamento.
O terceiro andamento (Allegro Scherzando) na forma de Sonatina é marcado pelo crescimento gradual de uma tensão que é resolvida num fortíssimo que expõe de novo um dos temas. Até ao fim do concerto uma coda frenética praticamente não nos deixa respirar. Oiçam de novo Helène Grimaud.
Por fim reservo-vos uma surpresa uma interpretação completa do próprio Rachmaninoff da totalidade do concerto que para além de ser um dos preferidos do público continua a ser um dos preferidos dos pianistas (embora a sua natureza neo-romântica ou romântica tardia se preferirmos) desgoste alguns que prefeririam ver num compositor desta época uma escrita mais moderna.
O que vos posso dizer de um concerto que é sistematicamente referido como um dos mais populares e preferidos em várias votações? Por exemplo em Inglaterra já foi por vários anos o preferido na votação da rádio Classical FM.
O que vos posso dizer de uma obra que está claramente entre as minhas preferidas e uma das que quando me perguntam: Nunca ouvi um concerto de música clássica. O que me recomenda? Se estamos a falar de um concerto para Piano este é um deles sem margem para dúvida.
O concerto foi composto entre o Outono de 1900 e Abril de 1901 como uma espécie de terapia do enorme fracasso que a Sinfonia Nº1 do mesmo compositor representou e que fez Rachmaninoff mergulhar numa profunda depressão. Aliás o concerto é dedicado ao psicologo Dr. Dahl que curou o compositor através de hipnose convencendo-o que o seu concerto iria ser excelente. O concerto foi estreado a 9 de Novembro de 1901 com o compositor ao piano e a Orquestra dirigida pelo seu primo Siloti. A estreia foi bem sucedida tendo o compositor vindo a vencer o prémio Glinka em 1904 com este concerto.
O Primeiro Andamento (Moderato) na forma de Sonata em Dó Menor começa com uma introdução pelo piano o que não sendo original (por exemplo o quarto de Beethoven também desta forma) não é muito usual e certamente introduz desde logo uma intensidade dramática. Note-se que este primeiro andamento foi composto depois do segundo e do terceiro e logo na verdade um dos temas deste primeiro andamento foi de certa forma inspirado no ultimo (e não o inverso como poderíamos pensar pela ordem de audição). este facto no entanto confere à obra um tipo de unidade que aprecio. Não existe cadenza nem seria necessário, as dificuldades do resto são suficiente demonstração do virtuosismo do pianista. Para ilustrar este andamento escolhemos uma interpretação de Heléne Grimaud com Abaddo a dirigir a Orquestra.
O Segundo Andamento (Adagio Sostenuto) é simplesmente fantástico, dificilmente posso encontrar adjectivos para a melodia que se vos soar familiar é porque é mesmo (oiçam All by Myself para perceberem). Um andamento na forma clássica de um Rondo normalmente utilizado para os terceiros andamentos e que de certa forma estabelece a calma antes da tensão que o terceiro andamento vai despertar. De novo proponho Heléne Grimaud para este andamento.
O terceiro andamento (Allegro Scherzando) na forma de Sonatina é marcado pelo crescimento gradual de uma tensão que é resolvida num fortíssimo que expõe de novo um dos temas. Até ao fim do concerto uma coda frenética praticamente não nos deixa respirar. Oiçam de novo Helène Grimaud.
Por fim reservo-vos uma surpresa uma interpretação completa do próprio Rachmaninoff da totalidade do concerto que para além de ser um dos preferidos do público continua a ser um dos preferidos dos pianistas (embora a sua natureza neo-romântica ou romântica tardia se preferirmos) desgoste alguns que prefeririam ver num compositor desta época uma escrita mais moderna.
quinta-feira, 25 de abril de 2013
25 de Abril - Música e Liberdade
Perdoem-me mas hoje embora tenhamos música para terminar permito-me um texto de cariz verdadeiramente politico no que o politico tem de mais nobre: Uma reflexão sobre os nossos tempos e sobre o caminho que pretendemos seguir. Num dos textos do programa oficial dos Dias da Música do fim de semana passado, creio que foi no texto sobre o brilhante concerto da OCP no Grande Auditório com a Abertura Coroliano e o Quarto Concerto para piano e orquestra de Beethoven, nesse concerto dizia-se que para Beethoven a música e a liberdade eram sinónimos.
Sim eram literalmente sinónimos, a expressão do fim dos "senhores" e dos direitos ainda quase feudais da Nobreza ou do Clero todo poderosos. Desde aí até ao final dos anos 80 princípios dos anos 90 a humanidade no seu conjunto com desvios e déspotas pelo meio fez um progresso notável garantindo em alguns casos um esquisso de igualdade de oportunidades, um vislumbre de igualdade perante a lei, alguma dignidade e um acesso quase igual à saúde e à educação.
Dizem-nos agora neste século XXI que essas coisas eram miragens, que não podem ser conseguidas, que, expressão que pretende ser final, não há dinheiro. Pois eu digo-vos que há. E explico-vos porquê. Pelo menos no mundo ocidental nós temos enquanto sociedade recursos humanos, competências organizacionais, técnicas, cientificas, estruturais para permitir que todos nós vivamos num mundo melhor com uma distribuição muito mais inteligente da riqueza produzida.
Não estou a defender estados socializantes ou comunistas nem tão pouco outras formas de organização igualitárias. Defendo isso sim que são efectivamente conquistas inalienáveis e que não podem ser sujeitas a qualquer tipo de concessão ou acesso igual à saúde, educação e justiça. Defendo que as leis laborais existentes podendo ser revistas em alguns excessos que poderão ter devem acompanhadas pela mesma revisão da consciência de quem detém o capital.
Defendo que o problema não está na falta de recursos ou de dinheiro. O problema está no nosso egoísmo colectivo se assim se pode dizer. Em primeiro lugar claro naqueles que mais têm mas não só. Porque a ânsia do materialismo está em todos nós. E sim possivelmente teremos de baixar um pouco as nossas expectativas para que todos possamos viver de forma minimamente condigna. Já sei que me vão dizer que isso é um nivelamento por baixo. Talvez seja. Eu não me importo de ceder um pouco da minha qualidade de vida se isso significar mais justiça, educação e saúde para todos.
Beethoven e a liberdade na sua única ópera. Viena, e a sua filarmónica dirigida por Bernstein. O final da ópera para o final do post. Liberdade, Fraternidade, Igualdade - o grito da revolução francesa que ecoa desde os tempos de Beethoven. 25 de Abril Sempre.
Sim eram literalmente sinónimos, a expressão do fim dos "senhores" e dos direitos ainda quase feudais da Nobreza ou do Clero todo poderosos. Desde aí até ao final dos anos 80 princípios dos anos 90 a humanidade no seu conjunto com desvios e déspotas pelo meio fez um progresso notável garantindo em alguns casos um esquisso de igualdade de oportunidades, um vislumbre de igualdade perante a lei, alguma dignidade e um acesso quase igual à saúde e à educação.
Dizem-nos agora neste século XXI que essas coisas eram miragens, que não podem ser conseguidas, que, expressão que pretende ser final, não há dinheiro. Pois eu digo-vos que há. E explico-vos porquê. Pelo menos no mundo ocidental nós temos enquanto sociedade recursos humanos, competências organizacionais, técnicas, cientificas, estruturais para permitir que todos nós vivamos num mundo melhor com uma distribuição muito mais inteligente da riqueza produzida.
Não estou a defender estados socializantes ou comunistas nem tão pouco outras formas de organização igualitárias. Defendo isso sim que são efectivamente conquistas inalienáveis e que não podem ser sujeitas a qualquer tipo de concessão ou acesso igual à saúde, educação e justiça. Defendo que as leis laborais existentes podendo ser revistas em alguns excessos que poderão ter devem acompanhadas pela mesma revisão da consciência de quem detém o capital.
Defendo que o problema não está na falta de recursos ou de dinheiro. O problema está no nosso egoísmo colectivo se assim se pode dizer. Em primeiro lugar claro naqueles que mais têm mas não só. Porque a ânsia do materialismo está em todos nós. E sim possivelmente teremos de baixar um pouco as nossas expectativas para que todos possamos viver de forma minimamente condigna. Já sei que me vão dizer que isso é um nivelamento por baixo. Talvez seja. Eu não me importo de ceder um pouco da minha qualidade de vida se isso significar mais justiça, educação e saúde para todos.
Beethoven e a liberdade na sua única ópera. Viena, e a sua filarmónica dirigida por Bernstein. O final da ópera para o final do post. Liberdade, Fraternidade, Igualdade - o grito da revolução francesa que ecoa desde os tempos de Beethoven. 25 de Abril Sempre.
domingo, 21 de abril de 2013
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