segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Delibes - Lakmé

Lakmé é uma das várias óperas que Delibes escreveu e que permanece no reportório de ópera em grande parte por causa de duas árias famosas: O "sous le dôme épais" (dueto das flores) e o "L´air des clochettes". Sem prejuízo da popularidade dessas árias a verdade é que esta obra composta entre 1881 e 1882 merece estar nesta lista.

Uma obra profundamente marcada pelo "folclore" oriental que estava na moda e influenciava uma grande parte da produção artística francesa da época. Uma história de um amor impossível entre um oficial britânico e uma jovem Hindu que acaba de forma trágica. A obra foi estreada a 14 de Abril de 1883 com enorme sucesso.

Das duas árias de que falamos a primeira é a cena em que o jovem britânico conhece Lakmé o dueto sendo entre Lakmé e a sua aia que colhem flores. Fiquem com uma interpretação notável de Netbreko e Garanca não encenada.



A segunda ária (eventualmente até mais conhecida antes dos anúncios da British Airways e outros filmes que utilizaram este primeiro tema) acontece logo no segundo acto em que esta canção é utilizada para obrigar o jovem oficial britânico a revelar-se o que leva a ser apunhalado pela aia.

sábado, 14 de setembro de 2013

A música é celebração e partilha

Ontem fui ver o concerto de aniversário do St. Dominics Gospel Choir. Bom para dizer verdade fui ver apenas parte porque tinha uma cadela à minha espera para fazer ... (nada de marotices era um exemplar do tipo canino mesmo, aliás quem tinha mesmo de a ir passear era o meu sobrinho que estava comigo). Assim infelizmente tive de saír antes do fim.

Resolvi partilhar convosco porque praticamente no inicio do concerto, na segunda ou terceira música o regente (não sei sinceramente qual o titulo num coro - podemos utilizar maestro?) disse uma coisa que me ficou na memória. Disse que Gospel é louvor e celebração e que o coro não o podia fazer sem a audiência e que tinha de nos sentir com eles.

Isso fez-me pensar que na verdade toda a música deveria ser celebração, louvor e partilha. Talvez sem esses elementos não exista mesmo música e talvez seja por isso que ao vivo é mesmo outra coisa.

Quanto à música foi excelente (o som não estava perfeito mas o local não deve ser nada fácil em termos de acústica) e tive sinceramente pena da minha necessidade de saída prematura. Uma experiência que recomendo e a repetir. Ah e um ultimo conselho. Quem conseguir cantar, melhor que tudo é inscrever-se num coro ... Fiquem com um extracto de um outro concerto do mesmo grupo num outro aniversário (o nono em vez do décimo primeiro). Lamento mas ontem com a excepção do concerto foi um dia para esquecer. O meu telemóvel estava sem bateria e recusou-se a filmar.

sábado, 7 de setembro de 2013

Grieg - Peer Gynt

Cartaz para a peça Peer Gynt com música de Gieg
por Eduard Munch
Bom na nossa lista de 100 Obras pela ordem das que me faltam deveria hoje falar-vos do Concerto de Piano  para a Mão esquerda de Ravel porém como na semana passada foi o aniversário do seu falecimento resolvemos mudar a ordem e recomendar a suite Peer Gynt uma das duas obras de Grieg que estão nesta lista sendo a outra o seu extraordinário Concerto para Piano.

Esta obra foi composta para servir como música para a peça de teatro do mesmo nome de Ibsen. Aliás foi Ibsen que convidou Grieg a desenvolver este projecto. Na altura Grieg tinha já uma forte reputação adquirida pelo seu Concerto para Piano. Talvez mais importante para Ibsen fosse no entanto a sua experiência em trabalhos semelhantes e claro a sua tendência fortemente nacionalista que agradava a ambos. Ibsen era na altura não só um dos melhores escritores do mundo mas também um dos ícones do nacionalismo norueguês tal como Grieg.

Não se pense no entanto que a relação artística entre os dois homens foi fácil. Na verdade tinham opiniões bastante diferentes sobre a obra. As ideias de música para Ibsen eram um pouco ilustrativas demais para Grieg; por exemplo Ibsen queria que cada lugar por onde Peer Gynt passasse fosse ilustrado por uma música popular desse país, Grieg limitou-se a um pequeno apontamento. Por outro lado Ibsen achava que a música de Grieg tinha tirado poder ao conto tornando-o mais "bonito" enquanto a intenção do dramaturgo era bem mais sombria.

A estreia teve lugar em Oslo (então Christiania) a 24 de Fevereiro de 1876 tendo sido um sucesso absoluto. Apesar de não estar totalmente satisfeito com a obra Grieg deu entrada no seu registo de obras como Op. 26 tendo também retirado da mesma duas suites orquestrais Op. 46 em 1888 e Op. 55 em 1891 obras estas que são as que ouvimos hoje em dia mais frequentemente nas salas de concerto. Conforme poderão constatar as suites não mantêm a ordem original e devem ser entendidas como música programática sem dúvida mas sem uma relação demasiado fixa com o original.


Suite No. 1, Op. 46

Morning Mood : Esta peça originalmente fazia parte da abertura do Quarto acto. Nessa altura Peer Gynt está em África tendo-se tornado rico mas rodeado de falsos amigos. Grieg avisava contra o excesso de interpretação programática não obstante sempre referindo que "imaginava com esta música os primeiros raios de sol por cima do horizonte ao som dos primeiros fortes". O facto é que esta melodia é sem dúvida uma das mais conhecidas e uma das que mais rapidamente associamos ao amanhecer.

The Death of Åse : Na peça de Ibsen esta música serve tanto para a introdução do terceiro acto como para o seu fecho. O herói volta para perto de Solveg e da sua mulher Ase que está às portes da morte. Uma música de lamento portanto.

Anitra's Dance : Voltamos aqui ao Quarto Acto na peça original e a uma festa onde Peer Gynt é seduzido por Anitra, filha do grupo de beduínos que o acolhe depois de mais uma fuga. esta dança em tempo de Mazurka é também uma melodia muito conhecida e certamente uma das mais voluptuosas da música clássica.

In the Hall of the Mountain King : Na peça original este episódio situa-se perto do fim do segundo acto quando Peer Gynt se situa na terra dos Trolls e conquista a filha do rei da montanha. Porém os seus subditos não recebem bem esta conquista e Peer Gynt tem de, mais uma vez, fugir para se salvar. Uma melodia rítmica, propositadamente rústica e "barbara" que procura ilustrar os mais básicos, grotescos e animalescos comportamentos da espécie humana.

Suite No. 2, Op. 55

The Abduction of the Bride. Ingrid's Lament : Originalmente esta música abria o acto II. Ilustrava o rapto de Ingrid por Peer Gynt e a sua fuga para a montanha. Um andamento que começa rápido representando o rapto mas que acaba em tons dramáticos tristes quando Peer Gynt abandona Ingrid.

Arabian Dance (Arabisk dans) : Uma das outras danças do Quarto Acto na tenda do rei beduíno. Uma melodia que procura ilustrar o exotismo do norte de África.

Peer Gynt's Homecoming (Stormy Evening on the Sea) :  Nestes dois últimos andamentos Grieg retoma a ordem normal. No original esta peça fazia parte do inicio do quinto acto e ilustra o regresso de Peer Gynt a casa. Um regresso que seria calmo não fosse a tempestade no mar que acaba por o transformar num naufrago. Um andamento que ilustra assim os contrastes da natureza e do mar.

Solveig's Song : Peer Gynt finalmente volta para o seu amor sendo que esta peça terminava o quinto e ultimo acto. Ilustra o amor eterno e a redenção. Uma lindíssima melodia e mais uma vez uma das mais reconhecidas da música clássica.

Faço-vos notar que é na verdade espantoso o número de melodias que conhecemos e que provêm desta obra ...



Nota: Sim leram bem o cartaz para a peça foi da autoria do pintor Eduard Munch - o do famoso Grito e outras obras. Notável trio ...


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