domingo, 14 de dezembro de 2008

As pesquisas interessantes da semana (#15)

sarah shang violinista: Podem ler uma curta biografia neste post.

Sexta sinfonia de beethoven foi composta em que ano: A Sexta Sinfonia de Beethoven foi composta entre 1804/1805 e 1808 e estreada em 1808.

quem era compositor Accolay: Foi um compositor e pedagogo belga essencialmente conhecido hoje em dia pelo seu concerto para violino num único movimento e utilizado por vários métodos de ensino desse instrumento. Leiam mais aqui.

orquestras mundiais: Bem suponho que o objectivo era ter uma lista das grandes orquestras mundiais. Fizemos uma lista para a Europa aqui e uma lista para os Estados Unidos aqui.

o que hans von bullow dizia sobre brahms : Hans von Bullow começou era um dos defensores de Wagner o que à partida o colocaria no campo dos adversários de Brahms. Porém fosse porque a sua mulher Cosima (filha de Lizst) o traiu precisamente com Wagner, fosse porque Hans von Bullow era um verdadeiro defensor de todos os grandes músicos, Bullow considerava Brahms o digno sucessor de Beethoven. Disse por exemplo da primeira sinfonia de Brahms que ela era digna de ser a décima de Beethoven.

gossec hino liberdade : Supomos que estão a falar do "Choeur à la liberté" com poema de M.-J. Chénier para quatro vozes, coro misto e orquestra. Criado em Abril de 1792.

sábado, 13 de dezembro de 2008

Tchaikovsky - Sinfonia nº 4 (Fá menor) - Op. 36

Para ler o artigo sobre a Terceira Sinfonia de Tchaikovsky clique aqui.

Tchaikovsky concebeu a quarta sinfonia entre Março e Dezembro de 1877. Foi interpretada pela primeira vez em Moscovo em 22 de Fevereiro de 1878 dirigida por Nikolai Rubinstein.

A sinfonia é dedicada à patrona de Tchaikovsky, Nadehzda von Meck, tendo o compositor escrito na primeira página "à minha melhor amiga". Do ponto de vista pessoal convém notar que esta obra coincide com o casamento falhado com Antonina Miliukova que foi muito delicado do ponto de vista emocional mas que curiosamente acabou por, apesar de existirem cartas de Tchaikovsky que indicam o contrário, aumentar de forma significativa a sua criatividade. Na verdade para além desta quarta sinfonia durante este período Tchaikovsky estava também a trabalhar no seu concerto para violino e também a sua ópera Eugene Oniegin. Muitas obras primas em simultâneo na verdade !

A reacção do público a esta sinfonia como foi quase tradição nas obras de Tchaikovsky não foi de imediata euforia mas pode considerar-se que foi uma obra relativamente bem recebida.

Curiosamente em relação a esta obra Tchaikovsky esclareceu de forma relativamente completa a sua intenção graças precisamente à explicação que forneceu à sua patrona sobre as suas intenções e também mais tarde pela polémica que teve com Serguei Taneev. Estas cartas são maravilhosas e a sua relevância vai muito para além da obra em causa dado que nos permitem sem dúvida ter uma percepção do que significava para Tchaikovsky o conceito de música programática e pode mesmo ser visto como uma excelente introdução teórica a esse conceito. Fiquemos então com algumas palavras de Tchaikovsky sobre esta obra dirigidas a sua patrona:

"Perguntou-me se há um "programa" para esta sinfonia. Normalmente a minha resposta para esta pergunta num trabalho sinfónico seria: "Absolutamente nenhum". E na verdade essa é a minha resposta para a sua questão. Como podemos por palavras em sentimentos tão intangíveis como as nossas próprias experiências quando escrevemos uma obra instrumental sem um tema especifico ? Este é um processo puramente lírico e essencialmente uma forma de libertar a alma em música semelhante à forma como um poeta se exprime em versos ... Na nossa sinfonia (à margem deste texto notem como Tchaikovsky atribui à sua patrona um papel igual na concepção da sinfonia, algo que era típico das relações entre patrono e artistas fundadas na igualdade, no quase companheirismo) existe um programa, isto é, é possível exprimir em palavras o que estou a tentar dizer, e para si, apenas para si (oops, estamos aqui a quebrar um segredo mas também me verdade era um segredo um tanto mal guardado) consigo e estou disposto a tentar explicar o significado do todo e de cada um dos movimentos em separado. Claro que apenas é possível fazer isto de forma bastante abstracta."

A introdução que é a semente de toda a sinfonia, indiscutivelmente a ideia principal. É o destino: É aquela força fatal que impede o impulso para a felicidade, que com inveja impede que a paz e a felicidade sejam completa e sem nuvens que está sobre as nossas cabeças como uma espada de Damocles constantemente envenenando a alma. Uma força invencível, uma força que nunca pode ser derrotada, apenas suportada, miseravelmente suportada.

Esta obra foi sempre uma das preferidas do compositor que a considerava uma das sua sobras primas. É correntemente uma das suas obras mais vezes interpretada embora não tanto como a Sexta Sinfonia ou o seu primeiro Concerto para Piano ...

Para vos ilustrar esta sinfonia escolhemos uma interpretação da Sinfónica de Chicago na abertura da época de 1997 dirigida por Barenboim.

O primeiro andamento (Andante sostenuto—Moderato con anima) em Fá menor é mais longo da sinfonia e começa com o chamamento do destino, um pouco à imagem da Quinta de Beethoven. Retomando o que Tchaikovsky dizia à sua patrona:

"E então é a vida nas suas alternâncias continuas de dura realidade com os breves sonhos e visões de felicidade ... Não existe céu ... Navegar sem rumo no mar até que este nos submerge nas suas profundezas. Este é de forma geral o "programa" deste primeiro andamento". Oiçam-no aqui e aqui.

Para nos descrever o segundo andamento (Andantino in modo di canzona) em Si bemol menor (assim como os restantes) vamos continuar com Tchiakovsky na sua abençoada carta ...

"O segundo movimento expressa outra fase de tristeza. É a melancolia que de fim de tarde quando cansados das provações do dia nos sentamos com um livro mas que cai da nossa mão, cansada. Vêm então as memórias. É ao mesmo tempo triste tanto porque tanto é passado e não volta como é agradável recordar a juventude mas não desejando voltar a vivê-la de novo. A vida cansa. É agradável descansar e olhar em volta. Há muitas memórias. Momentos felizes quando o sangue jovem ardia e a vida nos satisfazia; há também memórias dolorosas, perdas irreversíveis. E tudo isto é agora distante. É ao mesmo tempo triste mas de certa forma doce estar submergido no passado."

Oiçam este segundo andamento aqui.

Diz Tchaikovski do Terceiro andamento (Scherzo. Pizzicato ostinato. Allegro) em Fá maior o seguinte:

"O terceiro andamento não exprime nenhum sentimento especifico. É feito de arabescos caprichosos, de imagens fugazes que dissolvem depressa na imaginação depois de bebermos um pouco de vinho e sentirmos as primeiras fases da intoxicação. O espírito não é alegre nem triste. Pensando em nada dando livre curso à imaginação que de repente começa a pintar figuras estranhas. Entre essas memórias surge a imagem de camponeses bêbados e uma canção de rua ... então ao longe passa uma coluna militar. São imagens dispares que nos passam pela cabeça enquanto dormitamos. Não têm qualquer relação com a realidade; são estranhas, selvagens e disjuntas."

Oiçam o terceiro andamento aqui.

O quarto andamento (Finale. Allegro con fuoco) em Fá maior. Este andamento utiliza a canção popular russa "No campo erguia-se uma árvore". Voltando a Tchaikovsky:

"Se dentro de si não encontrar motivos de alegria então olhe para outros. Junte-se às pessoas. Veja como elas conseguem divertir-se, deixando-se ir em pensamentos verdadeiramente felizes. Lembre-se da alegria natural das pessoas comuns. Aos poucos embora com dificuldade conseguirá esquecer-se de si própria e deixar-se ir pelo espectáculo de alegria dos outros. Então volta a face incontornável do destino que lhe relembra a sua existência. Os demais não se preocupam consigo e não notam que está sozinha e triste. Oh, como se divertem.Como estão felizes e os seus sentimentos são simples.Não poderá fazer outra coisa senão criticar-se a si própria. A alegria é simples mas poderosa. Alegre-se na alegria dos outros. Viver ainda é possível."

Oiçam o quarto andamento aqui.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

Glenn Gould (1932-1982) - O período de concertista virtuoso

Tínhamos deixado Glenn Gould imediatamente após o seu primeiro concerto nos Estados Unidos e a sua primeira gravação neste post.

Na sequência desse concerto e dessa gravação Glenn Gould iria nos nove anos seguintes seguir uma carreira normal de pianista virtuoso até em 1964 retirar-se dessa forma de expressão. Veremos daqui a pouco porquê.

Merecem especiais destaques o regresso ao Massey Hall - Toronto (1956), os dois concertos no Carnegie Hall (1957 e 1959), a tournée na Europa em especial a parte que se desenrolou na Rússia em Moscovo e Leninegrado (1957) - foi dos primeiros ocidentais a fazê-lo depois de se ter iniciado a guerra fria - os seus concertos em Israel, as suas apresentações com os maestros Herbert von Karajan, Josef Krips e Boyd Neel - no festival de Salzburgo onde viria várias vezes nesses nove anos.

Claro que é também referência o famoso concerto com Bernstein de que já falamos aqui e que demonstra bem a forma muito própria como Gould via a sua arte, sem compromissos, com uma interpretação própria das intenções do autor, sem submissão aos canons estabelecidos mas sempre com seriedade.

Merece finalmente referência a primeira apresentação no Canadá do Concerto de Schoenberg (1960). O seu ultimo concerto (recital) ao vivo foi a 10 de Abril de 1964 no Wilshire Ebell Theatre em Los Angeles.

Glenn Gould no auge da sua carreira decidiu suspender as actuações ao vivo. Infelizmente estamos em desacordo profundo no que diz respeito às razões pelas quais terminou a sua carreira enquanto solista e interprete ao vivo. Ele achava que a experiência de audição ideal era na gravação. Pensava que o público ao vivo e o aplauso eram formas pouco fiáveis e que conduziriam rapidamente à descaracterização da arte.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Recomendações de Música Clássica ao Vivo (11.12.2008)

Este post também é publicado no blog Folhas Pautadas.

Começando como de costume esta nossa viagem pelo sul teremos no dia 13 de Dezembro Sábado pelas 21:30 no Teatro das Figuras em Faro a obra O Elixir d´Amor de Gaetano Donizetti pela Orquestra do Algarve dirigida por Cesário Costa. Serão solistas Carla Caramujo (Soprano), João Cipriano Martins (Tenor), Nuno Dias (Baixo), Diogo Oliveira (Barítono) e Alexandra Moura (Soprano). Actuará também o Coro de Câmara Lisboa Cantat. A encenação é de Maria Emília Correia e a versão portuguesa de Nuno Côrte-Real.

Um pouco mais a Norte na bonita vila ducal de Vila Viçosa teremos no Paço Ducal de Vila Viçosa o recital de Natal na Sexta-Feira 12 de Dezembro às 21h pelo ensemble "Capella Patriarchal" formado pelos músicos Mónica Santos (soprano), Carolina Figueiredo (contralto), João Moreira (tenor), Manuel Rebelo (baixo). São dirigidos pelo maestro e organista João Vaz . A entrada é livre.

Ainda no Alentejo na também fantástica cidade de Évora teremos no Domingo dia 14 de Dezembro pelas 18h na Sé de Évora o Magnificat de Bach (informação pelo blog Belogue de Notas, não tenho mais detalhes).

Em Lisboa integrado no ciclo "Concertos em Igrejas - Natal em Lisboa" teremos na Sé Patriarcal de Lisboa Os Violinhos dirigidos por Filipa Poêjo no Sábado 13 de Dezembro pelas 16h. A entrada é livre. Serão interpretadas obras de Bach, Massenet, Vivaldi para além das canções de Natal em que o público é convidado a cantar e partilhar assim este concerto muito especial para os Violinhos.

Ainda em Lisboa e também integrado no mesmo ciclo e no mesmo dia mas um pouco mais tarde às 19h na Igreja de São Nicolau teremos a Sinfonietta de Lisboa dirigida por Vasco Pearce de Azevedo e António Lourenço. Serão interpretadas obras de lexandre Delgado, João Francisco Nascimento, G. Friedrich Händel e Piotr Illich Tchaikovsky.

Continuando em Lisboa e ainda nesse mesmo dia teremos pelas 21:30 na Aula Magna da reitoria da Universidade Clássica de Lisboa a Gala de Ópera da Orquestra Sinfónica Juvenil. Se tiverem coragem é possível ir a estes três concertos Lisboetas embora este ultimo normalmente esteja cheio.

No Domingo 14 de dezembro às 18h no Auditório do Centro Social e Paroquial de Nova Oeiras teremos o "CONCERTO DE NATAL" pela Orquestra de Câmara de Cascais e Oeiras, o Coro dos Pequenos Cantores do Estoril e a solista Sílvia Cancela (Flauta). A Orquestra será dirigida pelo maestro Maestro Nikolay Lalov. Serão interpretadas obras de Pergolesi, Bach e Mozart.

Em Alcobaça no Cine-Teatro de Alcobaça teremos o já habitual "Concerto de Natal" pela Academia de Música de Alcobaça no Sábado 13 pelas 21:30. A entrada é livre para sócios. €3 para o restante público.

Em Leiria teremos Luís Batalha num recital de Piano no Teatro Miguel Franco no dia 12 (Sexta-Feira) pelas 21:30. A entrada é livre.

Em Guimarães teremos a Orquestra do Norte dirigida por Álvaro Cassuto na Igreja de São Francisco (Guimarães). Será às 21:30 e serão intepretadas obras de Luís de Freitas Branco - "Suite Alentejana N.º2"; "Sinfonia N.º3". As entradas são livres.

Na Guarda teremos o Concerto dos Laureados do Concurso de Piano da Cidade da Guarda no Teatro Municipal da Guarda (TMG) Sexta-Feira pelas 21h30. Interpretarão neste concertos os pianistas: Maria Laura Nunes, Cláudia Inês Fernandes, Pedro Oliveira, Marta Patrocínio, Maria Leonor Lopes, Pedro Lopes e Nuno Cernadas.

Oportunidades na Amazon