Continuando a série sobre os concertos para Violino da nossa lista que está a votação vamos hoje falar do concerto de Korngold Op. 35 em Ré Maior.
Da lista que vos submeti a votação este concerto, o concerto de Philipe Glass e o de Glazunov confesso que nunca tinha ouvido na sua totalidade, foram sugestões de leitores deste blog. E ainda bem que as fizeram porque estes concertos são realmente muito interessantes. Fiquei assim com mais algumas obras para explorar.
Este concerto foi composto em 1945 e foi dedicado a Alma Mahler viúva de Gustav Mahler que tinha sido o mentor de Korngold na sua infância. Aliás essa história merece um parenteses. Na verdade Korngold tinha então 10 anos quando o seu pai o levou a conhecer Gustav Mahler que achou que o rapaz tinha tanto talento que convenceu Alexander Zemlinsky (o único professor de Schoenberg e obviamente um compositor e maestro de grande talento) a dar-lhe aulas.
Sobre a sua orientação o jovem Korngold produz com 11 anos uma pantomina que é estreada com enorme sucesso na ópera de Viena. Com 13 anos era já uma figura de relevo tendo sido comparado inclusivamente a Mozart ! Rapidamente com outras composições de relevo passou do estatuto de menino prodígio para uma certeza no campo da composição.
A história deste concerto de violino fica obviamente marcada por este começo de vida de compositor a que Korngold sempre ficou grato. Korngold foi convencido a escrever este concerto por Bronislaw Huberman (grande violinista Polaco de origem judaica) porém este foi escrito para Heifetz que o interpretou na estreia a 15 de Fevereiro de 1947 com a Orquestra Sinfónixa de Saint Louis dirigida por Vladimir Golschmann.
O concerto é baseado em parte no trabalho que Korngold vinha desenvolvendo deste 1934 para a indústria de filmes de Hollywood e que se tinha reforçado desde 1938 quando Korngold foi forçado a residir nos Estados Unidos em virtude da invasão da Aústria pelos Nazis.
O concerto é composto de três andamentos como na forma clássica. Utilizamos sempre para ilustrar este concerto uma interpretação do próprio Heifetz.
Primeiro Andamento (Moderato nobile) : O primeiro solo deste andamento é do filme Another Dawn enquanto o segundo tema é de Juárez. Oiçam aqui.
Segundo Andamento (Romance): O tema principal deste andamento é do filme Anthony Adverse . Oiçam aqui este andamento.
Terceiro Andamento (Finale - Allegro assai vivace ) : O tema principal é baseado no filme The Prince and the Pauper. O final é simplesmente espectacular ! Oiçam aqui este andamento.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 15 de março de 2009
sábado, 14 de março de 2009
Camille Saint Saens - Concerto para Violino nº3
Da nossa lista de 20 concertos este também é um dos que está a precisar de um pouco de campanha eleitoral dado que recebeu apenas um voto até agora.
Este terceiro concerto foi dedicado a Pablo de Sarasate que foi o solista na estreia da obra a 2 de Janeiro de 1881 em Chatelêt (Paris). O trabalho foi composto durante o ano de 1880 e inscreve-se num ciclo de 20 em que foram produzidas a maior parte da obra de Saint Saens.
Este concerto tem uma forma clássica em três andamentos embora os seus tempos não sigam a forma canónica rápido-lento-rápido. Dos três concertos de Saint Saens este foi o que permaneceu no reportório de forma mais premente possivelmente porque é também aquele que é musicalmente mais expressivo transcendendo em muito a simples demonstração de virtuosismo técnico.
Esta interpretação que escolhi é de Silvia Marcovici (violinista romena nascida em Bucareste em 1952 e que se tivermos sorte veremos neste blog quando falarmos do concerto de Glazunov). Este concerto que teve lugar em 1985 era de homenagem a Yehudi Menuhin de quem já falamos por várias vezes neste blog.
1º Andamento (Allegro non troppo) : Oiçam aqui este andamento. Chamo a vossa atenção para uma parte mais lírica no minuto 3:00 ou então logo o inicio que são as partes de que mais gosto.
2º Andamento (Andantino quasi allegretto) : Oiçam aqui o segundo andamento.
3º Andamento (Molto moderato e maestoso): Oiçam aqui o terceiro andamento.
Este terceiro concerto foi dedicado a Pablo de Sarasate que foi o solista na estreia da obra a 2 de Janeiro de 1881 em Chatelêt (Paris). O trabalho foi composto durante o ano de 1880 e inscreve-se num ciclo de 20 em que foram produzidas a maior parte da obra de Saint Saens.
Este concerto tem uma forma clássica em três andamentos embora os seus tempos não sigam a forma canónica rápido-lento-rápido. Dos três concertos de Saint Saens este foi o que permaneceu no reportório de forma mais premente possivelmente porque é também aquele que é musicalmente mais expressivo transcendendo em muito a simples demonstração de virtuosismo técnico.
Esta interpretação que escolhi é de Silvia Marcovici (violinista romena nascida em Bucareste em 1952 e que se tivermos sorte veremos neste blog quando falarmos do concerto de Glazunov). Este concerto que teve lugar em 1985 era de homenagem a Yehudi Menuhin de quem já falamos por várias vezes neste blog.
1º Andamento (Allegro non troppo) : Oiçam aqui este andamento. Chamo a vossa atenção para uma parte mais lírica no minuto 3:00 ou então logo o inicio que são as partes de que mais gosto.
2º Andamento (Andantino quasi allegretto) : Oiçam aqui o segundo andamento.
3º Andamento (Molto moderato e maestoso): Oiçam aqui o terceiro andamento.
sexta-feira, 13 de março de 2009
Mais concertos para violino - Khachaturian
Dos concertos para violino que estão na lista a votação este será um dos menos conhecidos. Teve até agora dois votos o que o coloca na cauda das votações ...
Este concerto composto em 1940 é mais um dos que é dedicado a David Oistrakh ... Khachaturian era com Shostakovich e Prokofief o "trio fantástico" do regime soviético. Khachaturian era aliás um fervoroso adepto do comunismo que nem mesmo a proibição de serem interpretadas obras suas - foi um dos alvos do decreto que também proibiu as obras de Shostakovich por serem demasiado "formalistas" e anti-populares - o demoveu dessa "fé" embora tenha ficado bastante abalado por essa injustiça flagrante.
Não foi o concerto para violino de que estamos a falar que desencadeou essa reacção no entanto mas sim uma obra peça sua - um poema sinfónico. Aliás este concerto valeu-lhe o prémio Lenine em 1941.
Este concerto foi estreado em plena segunda guerra mundial a 16 de Novembro de 1940 sendo o solista David Oistrakh e claro a Orquestra dirigida pelo compositor. Este concerto é clássico na sua forma. E composto por três andamentos na sequência normal rápido-lento-rápido. Vou sempre utilizar como ilustração de todo o concerto a gravação de 1954 dirigida por Khachaturian e interpretada por Oistrakh tal como na estreia da peça.
1º Andamento (Allegro con fermezza) : Adoro a parte inicial deste andamento que podem ouvir aqui . Oiçam aqui a segunda parte deste segundo andamento (nesta segunda parte oiçam a partir do minuto 2:30 aproximadamente a re-exposição do tema principal)
2º Andamento (Andante sostenuto) : Oiçam aqui a segunda parte deste segundo andamento (oiçam logo o principio desta segunda parte - lindo!). A primeira parte podem ouvi-la aqui.
3º Andamento (Allegro vivace) : Oiçam aqui este terceiro andamento.
E agora digam-me: Vale ou não vale um voto vosso ?
Este concerto composto em 1940 é mais um dos que é dedicado a David Oistrakh ... Khachaturian era com Shostakovich e Prokofief o "trio fantástico" do regime soviético. Khachaturian era aliás um fervoroso adepto do comunismo que nem mesmo a proibição de serem interpretadas obras suas - foi um dos alvos do decreto que também proibiu as obras de Shostakovich por serem demasiado "formalistas" e anti-populares - o demoveu dessa "fé" embora tenha ficado bastante abalado por essa injustiça flagrante.
Não foi o concerto para violino de que estamos a falar que desencadeou essa reacção no entanto mas sim uma obra peça sua - um poema sinfónico. Aliás este concerto valeu-lhe o prémio Lenine em 1941.
Este concerto foi estreado em plena segunda guerra mundial a 16 de Novembro de 1940 sendo o solista David Oistrakh e claro a Orquestra dirigida pelo compositor. Este concerto é clássico na sua forma. E composto por três andamentos na sequência normal rápido-lento-rápido. Vou sempre utilizar como ilustração de todo o concerto a gravação de 1954 dirigida por Khachaturian e interpretada por Oistrakh tal como na estreia da peça.
1º Andamento (Allegro con fermezza) : Adoro a parte inicial deste andamento que podem ouvir aqui . Oiçam aqui a segunda parte deste segundo andamento (nesta segunda parte oiçam a partir do minuto 2:30 aproximadamente a re-exposição do tema principal)
2º Andamento (Andante sostenuto) : Oiçam aqui a segunda parte deste segundo andamento (oiçam logo o principio desta segunda parte - lindo!). A primeira parte podem ouvi-la aqui.
3º Andamento (Allegro vivace) : Oiçam aqui este terceiro andamento.
E agora digam-me: Vale ou não vale um voto vosso ?
quinta-feira, 12 de março de 2009
Recomendacoes de Quinta Feira - Um dos melhores clarenetistas em Lisboa
Como de costume à Quinta-Feira aqui ficam algumas sugestões musicais para o fim de semana. Este post também é publicado no blog Folhas Pautadas.
Porém para contrariar um pouco a disposição normal vamos começar estas recomendações por Lisboa porque vai estar entre nós amanhã Guy Deplus que é "apenas" um dos maiores clarinetistas mundiais. Dele disse Stravinsky que "Parmi les instrumentistes exceptionnels, Guy DEPLUS a réellement atteint de nouvelles facultés instrumentales et musicales" ou seja "Entre os instrumentistas excepcionais Deplus atingiu realmente novas capacidades instrumentais e musicais".
Este concerto, precisamente de homenagem a Guy Deplus está integrado no 12º Encontro Internacional de Clarinete de Lisboa. será no São Luís hoje pelas 21h no Teatro Municipal São Luiz. O concerto terá a participação, para além do próprio Guy Deplus, de Aniko Harangi (piano) e do Quarteto de Clarinetes de Lisboa.
Ainda antes das recomendações normais e continuando em Lisboa os nossos amigos do coro Vox Maris enviaram esta sugestão num comentário de um dos posts desta semana a que quero dar o devido destaque
"Gosta de música coral e sacra ?
Venha assistir ao concerto do dia 15 de Março às 16h no Salão Paroquial da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa. Entrada livre.
Para mais informação, consulte o blogue do coro VOX MARIS."
Portanto vamos todos arrumar as pantufas de vez que a primavera já está aí, vamos gozar o sol mas guardemos um cantinho para a música porque já sabem que ao vivo é outra coisa.
Voltando agora à ordem normal das coisas temos em Loulé no Centro Cultural São Lourenço um recital de piano por Pedro Ferro. Será no Sábado às 19:30. Serão interpretadas obras de Haydn, Liszt, Chopin, Duttileux, Ravel e Prokofiev.
Em Beja no Teatro Municipal Pax Julia teremos no Sábado às 21:30 a Orquestra do Algarve acompanhada por Fausto Corneo (Solista - Clarinete) e dirigida por Laurent Wagner que interpretará obras de Stravinsky, Mozart e Beethoven.
Integrado no 12º Encontro Internacional de Clarinete de Lisboa de que vos falámos no inicio deste post temos no Sábado no São Luiz às 19h Javier Balaguer e Aniko Harang. Integrado neste mesmo festival teremos no Domingo a OML com o solista Michel Portal neste caso às 18h.
Em Queluz salientamos pela originalidade da proposta um Recital de piano a 6 mãos com João Vasco de Almeida, Tatiana Balyuk e António Ferreira. Será mais precisamente no Palácio Nacional de Queluz no Sábado às 17h00. Programa muito variado deste Czerny, Verdi até Vianna da Motta, Rachmaninov e mesmo Chico Buarque de Holanda.
Um pouco mais a norte, em Santarém teremos orgão a quatro mãos por António Duarte e João Vaz na Igreja de Santa Maria de Marvila. Será no Sábado às 18h.
Finalmente na Invicta cidade do Porto teremos a ONP dirigida por Klaus Weise com o violoncelista brasileiro António Meneses. Será na Casa da Música do Porto no Sábado às 18h. Este concerto é inserido no Festival Suggia e tem inicio com Saint-Saëns (não sei se com a obra que Suggia costumava tocar ... ). Este violoncelista é excelente sendo para além de extraordinário instrumentista notável também enquanto musicíologo pela recuperação de obras clássicas brasileiras nomeadamente os dois concertos para violoncelo de Villa-Lobos. Assim se estiverem na Invicta ou perto dela ... Não percam mesmo !
Porém para contrariar um pouco a disposição normal vamos começar estas recomendações por Lisboa porque vai estar entre nós amanhã Guy Deplus que é "apenas" um dos maiores clarinetistas mundiais. Dele disse Stravinsky que "Parmi les instrumentistes exceptionnels, Guy DEPLUS a réellement atteint de nouvelles facultés instrumentales et musicales" ou seja "Entre os instrumentistas excepcionais Deplus atingiu realmente novas capacidades instrumentais e musicais".
Este concerto, precisamente de homenagem a Guy Deplus está integrado no 12º Encontro Internacional de Clarinete de Lisboa. será no São Luís hoje pelas 21h no Teatro Municipal São Luiz. O concerto terá a participação, para além do próprio Guy Deplus, de Aniko Harangi (piano) e do Quarteto de Clarinetes de Lisboa.
Ainda antes das recomendações normais e continuando em Lisboa os nossos amigos do coro Vox Maris enviaram esta sugestão num comentário de um dos posts desta semana a que quero dar o devido destaque
"Gosta de música coral e sacra ?
Venha assistir ao concerto do dia 15 de Março às 16h no Salão Paroquial da Igreja do Sagrado Coração de Jesus em Lisboa. Entrada livre.
Para mais informação, consulte o blogue do coro VOX MARIS."
Portanto vamos todos arrumar as pantufas de vez que a primavera já está aí, vamos gozar o sol mas guardemos um cantinho para a música porque já sabem que ao vivo é outra coisa.
Voltando agora à ordem normal das coisas temos em Loulé no Centro Cultural São Lourenço um recital de piano por Pedro Ferro. Será no Sábado às 19:30. Serão interpretadas obras de Haydn, Liszt, Chopin, Duttileux, Ravel e Prokofiev.
Em Beja no Teatro Municipal Pax Julia teremos no Sábado às 21:30 a Orquestra do Algarve acompanhada por Fausto Corneo (Solista - Clarinete) e dirigida por Laurent Wagner que interpretará obras de Stravinsky, Mozart e Beethoven.
Integrado no 12º Encontro Internacional de Clarinete de Lisboa de que vos falámos no inicio deste post temos no Sábado no São Luiz às 19h Javier Balaguer e Aniko Harang. Integrado neste mesmo festival teremos no Domingo a OML com o solista Michel Portal neste caso às 18h.
Em Queluz salientamos pela originalidade da proposta um Recital de piano a 6 mãos com João Vasco de Almeida, Tatiana Balyuk e António Ferreira. Será mais precisamente no Palácio Nacional de Queluz no Sábado às 17h00. Programa muito variado deste Czerny, Verdi até Vianna da Motta, Rachmaninov e mesmo Chico Buarque de Holanda.
Um pouco mais a norte, em Santarém teremos orgão a quatro mãos por António Duarte e João Vaz na Igreja de Santa Maria de Marvila. Será no Sábado às 18h.
Finalmente na Invicta cidade do Porto teremos a ONP dirigida por Klaus Weise com o violoncelista brasileiro António Meneses. Será na Casa da Música do Porto no Sábado às 18h. Este concerto é inserido no Festival Suggia e tem inicio com Saint-Saëns (não sei se com a obra que Suggia costumava tocar ... ). Este violoncelista é excelente sendo para além de extraordinário instrumentista notável também enquanto musicíologo pela recuperação de obras clássicas brasileiras nomeadamente os dois concertos para violoncelo de Villa-Lobos. Assim se estiverem na Invicta ou perto dela ... Não percam mesmo !
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