domingo, 20 de março de 2011

Hoje começa a Primavera (apenas às 23.52)

Na verdade normalmente diz-se que é no dia 21 de Março mas como aprendi com a Moura Aveirense é mesmo hoje (dia 20 de Março) às 23:21. Na música há variadíssimas obras que fazem referência a esta estação do ano. Não querendo ser exaustivo listo aqui (com recomendações de audição) algumas para todos os gostos ...

A mais conhecida de todas (pelo menos a mais ouvida) é o Concerto "Primavera" de António Vivaldi.  Podem por exemplo ouvir aqui uma interpretação com Julia Fischer adequadamente nos Jardins Botânicos do País de Gales.

Passando do período barroco ao clássico temos a obra de Haydn também cobrindo as Quatro Estações. Podem ouvir aqui a Primavera de Haydn.

No período romântico temos apenas o embaraço da escolha. Podemos começar com a Sonata Primavera de Beethoven (um artista de certa forma de transição entre o clássico e o romântico) numa interpretação por David Oistrakh. Já bem dentro do romântico temos uma das Canções sem Palavras de Mendelssohn. Trata-se de uma das Canções do Opus 62 mais precisamente o nº 5 e talvez uma das melodias mais conhecidas deste conjunto pelo pianista Cziffra. Ainda no período romântico a Sinfonia nº1 de Schumann também se intitula "Primavera".

Por fim no período mais recente podemos citar a Sagração da Primavera de Stravinsky (neste caso com um bailado com uma coreografia de Maurice Bejart) ou a Primavera das 4 Estações Portenhas de Piazolla.

Concerto da 2da orquestra do You Tube

É hoje e começa dentro de 15 minutos mais ou menos ... Podem ouvir e ver o feed life aqui ... Eu estou a fazê-lo. Estão agora nos bastidores a entrevistar uma oboísta coreana.

No programa Berlioz, Bach, Britten, Mendelssohn, Richard Strauss, Stravinsky entre outros. Programa muito variado e algo díspar mas é uma festa e como tal deve ser entendido. Se puderem vejam, vale a pena para se perceber que:

1) A Música Clássica é uma algo que está vivo
2) A Música Clássica pode e deve ser vivido e apreciado com alegria

Está agora quase a começar a segunda parte ... ah esqueci-me de dizer que está a decorrer em Sidney ...

Grandes imagens, a projecção exterior na Opera House é absolutamente fantástica. estou a escrever isto e a ouvir o Life Stream com Strauss.

Agora depois do final do Concerto para Violino de Tachaikovsky está a começar o Passaro de Fogo de Stravinsky - a ultima composição a ser interpretada no concerto.

sábado, 19 de março de 2011

A nona de Beethoven

Como muitos já sabem esta é a minha obra preferida. Hoje vou poder ouvi-la de novo ao vivo (e também já sabem que eu acho que Ao Vivo é Outra Coisa) sendo que este caso é especial para mim pelo facto do meu filho fazer parte da Orquestra que vai interpretar a obra - possivelmente o melhor presente do dia pai que poderia imaginar.

Na verdade pela primeira vez em Portugal uma Orquestra de jovens, a Orquestra Sinfónica Juvenil vai interpretar a Nona Sinfonia de Beethoven. Será na Aula Magna da Universidade Clássica de Lisboa hoje (dia 19 de Março de 2011) às 21:30 (tenho dúvidas quanto à hora, poderá ser eventualmente às 21h) em todo o caso para quem queira assistir recomenda-se que se chegue cedo dado que a minha previsão é que o recinto estará esgotado ...

A orquestra será dirigida por Christopher Bochmann contando com os coros do Instituto Gregoriano de Lisboa (Maestro Armando Possante) , o Coro da Universidade de Évora (Maestro Ian Mikirtoumov) e o Coro da Universidade de Lisboa (Luís Almeida). Serão solistas Sandra Medeiros (Soprano), Laryssa Savechenko (Contralto), João Queirós (Tenor), Armando Possante (Barítono).

Este concerto está integrado nas celebrações dos 100 anos da Universidade de Lisboa.

terça-feira, 8 de março de 2011

Constança Capdeville (1937-1992)

No Dia Internacional da Mulher resolvi continuar a minha viagem pelos compositores portugueses do século XX e claro que nessa viagem hoje só poderia escolher uma mulher e nessas condições Constança Capdeville foi a nossa escolha por várias razões mas fundamentalmente por ter sido indiscutivelmente um dos grandes vultos da música portuguesa do século XX.

Constança Capdeville nasceu em Barcelona a 16 de Março de 1937, faria portanto anos dentro de dias - uma razão adicional para esta escolha se alguma mais fosse necessária. Iniciou os estudos musicais em Barcelona tendo vivido em Portugal (Caxias) enquanto criança apenas se estabeleceu definitivamente em Portugal em 1951. Estudou então piano no Conservatório Nacional  com Varela Cid e composição com José Cronner de Vasconcelos.

O seu primeiro grande momento enquanto compositora foi certamente a participação no festival de Música da Gulbenkian com a obra "Diferenças sobre um Intervalo".  Creio não errar muito se disser que a principal contribuição de Constança Capdeville foi conseguir aproximar a composição musical do espaço cénico tanto teatral como do bailado. O grupo de teatro que formou Colecviva é um desses projectos mas muito outros houve como por exemplo as suas múltiplas colaborações com o Ballet Gulbenkian (faltam-me aqui referências, se me puderem ajudar agradeço) ou com o jovem compositor António Sousa Dias a música para o bailado de Margarida Bettencourt "Io so una picolla bambinna".

Constança Capdeville distinguiu-se também como notável pedagoga tendo proposto vários projectos de reformulação do ensino artístico e tendo leccionado na Academia de Música de Santa Cecilia na Escola Superior de Música de Lisboa e na Faculdade de Ciências Musicais da Universidade Nova de Lisboa.

Não poderiamos claro acabar este post sem música. Quem me conhece sabe que a música de Constança Capdeville não é propriamente "a minha chávena de chá". Estive no entanto a ouvir algumas das suas obras para poder recomendar uma. Escolhi como é óbvio uma obra ao meu gosto, não tem que ser forçosamente a mais relevante mas é uma obra que posso dizer com sinceridade que gostava que a ouvissem. Trata-se da obra Libera-me. Já agora fica por ultimo uma frase da própria compositora sobre a sua obra:

"Ao compor Libera me, situava-me no centro da terra enquanto que durante a composição de Que mon chant ne soit plus d’oiseau sentia-me num ponto central do espaço sideral"



Constança Capdeville faleceu a 5 de Fevereiro de 1992 em Caxias perto de Lisboa.

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