Inspirado pelo sentimento de urgência na reparação de uma injustiça colectiva que estamos a cometer neste blog vejo-me forçado a fazer campanha eleitoral por Mozart. Eu até não queria (não que Mozart não mereça antes pelo contrário, não deveria era precisar mas isso é outra história), mas dizia eu não queira porque, pecado capital para um amador de música clássica Mozart não me enche as medidas.
Antes que comecem a maldizer o autor deste blog uma explicação prévia. Não está em causa obviamente a genialidade do compositor. Aliás quem seria eu para a isso me atrever. É simplesmente porque em Mozart tudo é sempre tão certo, tão puro, tão claro e transparente (aliás essa é a grande dificuldade que se coloca a quem interpreta Mozart). Eu gosto de obras mais arriscadas, com mais arabescos, mais românticas se quisermos ou mais barrocas se preferirmos um passo para o passado. O período clássico e o seu expoente máximo, a perfeição da forma atingida por Haydn e Mozart nem sempre me conseguem comover. Há obviamente excepções ... Aqui fica desta forma assinalada a minha má vontade ao realizar esta campanha desculpem este longo desabafo.
Mozart escreveu como se sabe mais de trinta sonatas para violino e piano embora entre estas se encontrem 16 que são trabalhos da sua mais tenra infância e que na realidade são mais sonatas para piano com acompanhamento de violino do que o inverso. Esquecendo essas ficamos com as Sonatas Nº17 a Nº 36 das quais algumas estão incompletas ou foram completadas após a morte do compositor por alunos ou estudiosos. Em nome da verdade mesmo estas obras poderiam ser no minimo ser consideradas obras onde o piano é igualmente importante ou mesmo mais importante que o Violino. Porém hoje em dia são apresentadas desta forma e por isso as apresento nesta lista.
Escolher entre o conjunto que resta é muito difícil senão impossível. Como em outras cmapanhas eleitorais vamos escolher os andamentos que nos parecem ser melhores promessas para o vosso voto. Começamos assim com o segundo andamento (Allegro) da K.301 em Sol Maior a Sonata nº 18 composta em 1778 em Manheim e dedicada a Maria Elisabeth eleitora do Palatinado.
A segunda proposta é a sonata K. 302 em Mi Bemol Maior composta apenas uns meses depois e dedicado à mesma princesa fazendo portanto parte do mesmo ciclo intitulado "Sonatas do Palatinado".
Já num ciclo diferente a sonata K.454 em Si Bemol Maior composta em 1784 em Viena e dedicada a Regina Strinasacchi um virtuoso do violino.
E claro que depois do post sobre Clara Haskil não poderiamos terminar sem incluir uma sonata de Mozart interpretada por esta excelente dupla no caso a K. 526 em Lá Maior e escrita em 1788 eventualmente para o mesmo virtuoso violinista que a anterior.
Depois destes exemplos parece-me que pelo menos mais alguns votos terão de fluir para as obras de Mozart!
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quarta-feira, 11 de julho de 2012
segunda-feira, 9 de julho de 2012
Resultados Provisórios - Melhor obra para Violino Solo
Após mais uma semana temos agora 12 votantes num total de 75 votos expressos o que significa uma média de 6,25 votos por votante um aumento relativo à semana passada.
Na frente desta nossa votação com 50% dos votantes a terem preferido estas obras encontramos três obras totalmente diferentes na sua natureza: As sonatas e partitas de Bach - um expoente do período barroco sem dúvida um expoente da nossa civilização, a Sonata de Cesar Franck uma certa surpresa embora seja uma obra lindíssima e uma das minhas preferidas, uma representação do "outburst" do romantismo e por fim Tzigane que é uma obra que desafia um pouco qualquer qualificação, uma obra do período pós-romântico, das escolas nacionais, uma obra francesa sem dúvida mas com sonoridade do leste, uma obra bastante misteriosa portanto.
Na cauda da tabela sem surpresa ficam os compositores menos conhecidos mas ficam também algumas francas injustiças em particular meus amigos - As Sonatas para Violino de Mozart? - Só um voto? Certo bem sei que o piano foi talvez o instrumento onde melhor se exprimia mas ainda assim, ainda assim. Obrigam-me assim a iniciar a campanha eleitoral precisamente com um post sobre essas Sonatas, um pouco à contre-coeur porque gostaria de ajudar Debussy, Mendelssohn ou Elgar a subir um pouco, ficará para depois. Assim dentro de momentos voltaremos com umas sonatas de Mozart especialmente para si, caro votante.
No resto meus amigos, 12 votantes? Num dia este blog tem mais de 100 visitantes. Vá votem que não custa nada! O Post com uma descrição de cada uma das obras e com links para o You Tube para que as possam ouvir está aqui.
Bach - Sonatas e Partitas para Violino.......6
Cesar Franck - Sonata em Lá Maior............6
Ravel - Tzigane..............................6
Beethoven - Sonata Primavera.................5
Beethoven: Sonata Kreutzer...................5
Ysaye - Sonatas..............................5
Prokofiev - Sonata nº1.......................5
Paganini - 24 Caprichos......................4
Chausson - Poéme.............................4
Locatelli Op. 6 - 12 Sonatas para Violino....3
Brahms - Violin Sonata Nº1 (Sonata da Chuva).3
Debussy - Sonata para Violino em Sol Menor...3
Schubert - Sonata em La Maior................2
Schumann - Violin Sonata Nº 1................2
Fauré - Sonata nº 1..........................2
Grieg - Sonata Nº 3 em Dó Menor..............2
Janacek - Sonata para Violino e Piano........2
Bartok - Sonata nº 1.........................2
Vaughan Williams : Sonata para Violino.......2
Mozart - Sonatas para Violino................1
Mendelssohn - Sonata em Fá Menor.............1
Max Reger - Violin Sonata Nº1................1
Fritz Kreisler - Caprice Viennois............1
Korngold Violin Sonata.......................1
Elgar - Violin sonata em Mi Menor............1
Na frente desta nossa votação com 50% dos votantes a terem preferido estas obras encontramos três obras totalmente diferentes na sua natureza: As sonatas e partitas de Bach - um expoente do período barroco sem dúvida um expoente da nossa civilização, a Sonata de Cesar Franck uma certa surpresa embora seja uma obra lindíssima e uma das minhas preferidas, uma representação do "outburst" do romantismo e por fim Tzigane que é uma obra que desafia um pouco qualquer qualificação, uma obra do período pós-romântico, das escolas nacionais, uma obra francesa sem dúvida mas com sonoridade do leste, uma obra bastante misteriosa portanto.
Na cauda da tabela sem surpresa ficam os compositores menos conhecidos mas ficam também algumas francas injustiças em particular meus amigos - As Sonatas para Violino de Mozart? - Só um voto? Certo bem sei que o piano foi talvez o instrumento onde melhor se exprimia mas ainda assim, ainda assim. Obrigam-me assim a iniciar a campanha eleitoral precisamente com um post sobre essas Sonatas, um pouco à contre-coeur porque gostaria de ajudar Debussy, Mendelssohn ou Elgar a subir um pouco, ficará para depois. Assim dentro de momentos voltaremos com umas sonatas de Mozart especialmente para si, caro votante.
No resto meus amigos, 12 votantes? Num dia este blog tem mais de 100 visitantes. Vá votem que não custa nada! O Post com uma descrição de cada uma das obras e com links para o You Tube para que as possam ouvir está aqui.
Bach - Sonatas e Partitas para Violino.......6
Cesar Franck - Sonata em Lá Maior............6
Ravel - Tzigane..............................6
Beethoven - Sonata Primavera.................5
Beethoven: Sonata Kreutzer...................5
Ysaye - Sonatas..............................5
Prokofiev - Sonata nº1.......................5
Paganini - 24 Caprichos......................4
Chausson - Poéme.............................4
Locatelli Op. 6 - 12 Sonatas para Violino....3
Brahms - Violin Sonata Nº1 (Sonata da Chuva).3
Debussy - Sonata para Violino em Sol Menor...3
Schubert - Sonata em La Maior................2
Schumann - Violin Sonata Nº 1................2
Fauré - Sonata nº 1..........................2
Grieg - Sonata Nº 3 em Dó Menor..............2
Janacek - Sonata para Violino e Piano........2
Bartok - Sonata nº 1.........................2
Vaughan Williams : Sonata para Violino.......2
Mozart - Sonatas para Violino................1
Mendelssohn - Sonata em Fá Menor.............1
Max Reger - Violin Sonata Nº1................1
Fritz Kreisler - Caprice Viennois............1
Korngold Violin Sonata.......................1
Elgar - Violin sonata em Mi Menor............1
Clara Haskil (1895-1960)
O post de hoje é dedicado a Clara Haskil pianista que este mês é capa da Diapason. Uma pianista que o titulo do artigo biográfico que lhe é dedicado sub-titula "sofrimento e paixão". Sub-titulo sem dúvida justificado por uma vida dura mas na qual nunca deixou de conseguir demonstrar a sua paixão. Por acaso tínhamos falado já brevemente desta pianista na Biografia de Arthur Grumiaux com quem realizou o seu ultimo concerto mas vamos começar pelo inicio.
Clara Haskil nasceu a 7 de Janeiro de 1895 em Bucareste numa família judaica. A sua mãe Berthe era pianista amadora. Porém rapidamente a sua vida transforma-se em tragédia. O apartamento onde residia com a família incendeia-se, o pai morre vitima de pneumonia.
O irmão mais velho toma então conta da jovem e é graças a ele que Clara ainda muito jovem muda-se para Viena para estudar com Richard Robert. Estamos então no inicio do século XX e os três anos que Clara passa em Viena registam uma evolução absolutamente notável. Tanto assim é que o seu professor a recomenda a Fauré.
Muda-se então para Paris para se inscrever no Conservatório na classe de Cortot mas as relações com o professor não são as melhores apesar de terminar o conservatório em 1910. Curiosamente Clara além de interpretar magistralmente o piano era também uma excelente violinista tendo também obtido um prémio em 1909 na primeira fase da sua carreira. Mais tarde esta ambivalência vai permitir-lhe alguns momentos de grande significado musical ao trocar de instrumento com Arthur Grumiaux que ele também era excelente violinista e pianista (no seu caso por esta ordem).
Porém quando a sua carreira parece começar a despontar com contratos um pouco por toda a Europa a jovem pianista tem de se submeter a um tratamento de vários anos (entre 1914 e 1918) à escoliose que a afligia.
Deve então uma vez terminada a guerra e terminados os tratamentos recomeçar a carreira. Mas se o seu temperamento já não era fácil e a sua auto-confiança diminuta os anos de sofrimento, um irmão cada vez mais tirano e a própria vida difícil do período entre as duas grandes guerras não melhoram o panorama. Não abundam assim as oportunidades e quando estas existem o próprio carácter da pianista pouco exuberante ou simpático com o público, um pavor do palco extremo tornam os concertos não tão bem sucedidos como provavelmente mereciam musicalmente. Certamente inibem os produtores de considerar repetir contratos.
Ainda assim realiza duas tournées aos Estados Unidos (1924-1925), interpreta com Ysase no centenário da morte de Beethoven (1927), encontra Dinu Lipatti seu compatriota e com quem estabelecerá grande amizade e formará uma das suas mais relevantes parcerias musicais (as outras sendo Grumiaux e Pablo Casals). Será também nesse período que conhecerá a princesa de Polignac que irá desempenhar um papel preponderante na sua sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial: Sim porque a dureza da vida da pianista não tinha ainda acabado.
Quando a guerra se inicia Clara Haskil vive em Paris rapidamente compreendendo que deve fugir para a Zona Livre quando a França capitula. Na verdade dadas as suas origens o seu destino estaria doutra forma traçado.
Deixem-me a este propósito arriscando um post mais longo do que o costume abrir um pequeno parenteses sobre esta época negra da nossa história. Estamos quase a metade do século XX e um grupo de pessoas com base numa teoria absurda apoiando-se no medo e na violência e em pseudo-lógica da ausência de alternativas e focalizando os problemas no "exterior", nos "outros" conseguiu conduzir numa Europa civilizada um genocídio de que não havia memória e que certamente acreditaríamos ser impossível. É bom que não esqueçamos isto porque obviamente a história recente e alguns sintomas actuais parecem-me infelizmente demasiado próximos. Não esqueçamos que entre a barbárie e a civilização se encontra uma linha muito ténue: a linha da nossa consciência e a nossa coragem de dizer: Não! ...
Parenteses fechado Clara consegue fugir graças à ajuda da princesa Polignac juntando-se aos elementos da Orquestra Nacional que foge em pequenos grupos para se juntar em Marselha então na Zona Livre. É aqui que conhece Casals com quem dará alguns concertos privados. Porém apenas um ano depois (em 1942) novo problema de saúde (um tumor) obriga-a a uma rocambolesca operação feita às escondidas por um cirurgião vindo de Paris pago pelos seus amigos.
Em Setembro de 1942 é detida pela policia sendo libertada depois de nova intervenção da Princesa de Polignac. Decide então que é tempo de partir para a Suiça o que acaba por fazer num dos últimos dias em que a fronteira com esse país esteve aberta. Viverá na Suiça até à sua morte em 1960 acabando por adquirir nacionalidade Suiça.
Até ao fim da Guerra não obstante o seu talento Clara Haskil não tinha efectuado uma única gravação comercial. Mesmo considerando a época em causa esta ausência é estranha mas facilmente explicada pelos acontecimentos que relatei.
Na Suiça renasce então pela terceira vez (este termo renascimento é o utilizado no artigo da Diapason que utilizo por o considerar perfeitamente adequado). Na Suiça encontra então Michel Rossier que a ajudará a relançar a sua carreira juntamente com Casals (que a convida para o primeiro dos festivais em Prades), Grumiaux, Charles Chaplin (que diz que conheceu na vida três génios, Chruchill, Einstein e Clara) e claro o seu compatriota Lipatti.
Multiplicam-se então os concertos com as maiores orquestras e maestros. A Philips oferece-lhe um contrato de exclusividade discográfico.
Porém tal como toda a sua vida quando tudo parecia estar a caminhar bem a sua saúde deteriora-se e em 1960 termina de forma brutal quando em Bruxelas ao sair de um comboio tropeça e caindo desamparada acaba por falecer no hospital a 6 de Dezembro de 1960.
Para ilustrar o génio desta pianista obviamente apenas poderia escolher Mozart do qual aliás continua a ser considerada uma das grandes referências em termos de interpretação. Aliás a bem dizer ela detestaria esta ultima frase. Dizia na verdade Clara Haskil : " Eu não concebo Mozart, toco-o tal como está escrito". Modéstia certamente mas reveladora da sua forma de estar na música e na visão que tinha do interprete.
E claro que não poderia deixar de vos mostrar a parceria com Grumiaux. Foi para tocar com ele em Bruxelas que Clara Haskil acabou por falecer. Com Mozart também obviamente !
Clara Haskil nasceu a 7 de Janeiro de 1895 em Bucareste numa família judaica. A sua mãe Berthe era pianista amadora. Porém rapidamente a sua vida transforma-se em tragédia. O apartamento onde residia com a família incendeia-se, o pai morre vitima de pneumonia.
O irmão mais velho toma então conta da jovem e é graças a ele que Clara ainda muito jovem muda-se para Viena para estudar com Richard Robert. Estamos então no inicio do século XX e os três anos que Clara passa em Viena registam uma evolução absolutamente notável. Tanto assim é que o seu professor a recomenda a Fauré.
Muda-se então para Paris para se inscrever no Conservatório na classe de Cortot mas as relações com o professor não são as melhores apesar de terminar o conservatório em 1910. Curiosamente Clara além de interpretar magistralmente o piano era também uma excelente violinista tendo também obtido um prémio em 1909 na primeira fase da sua carreira. Mais tarde esta ambivalência vai permitir-lhe alguns momentos de grande significado musical ao trocar de instrumento com Arthur Grumiaux que ele também era excelente violinista e pianista (no seu caso por esta ordem).
Porém quando a sua carreira parece começar a despontar com contratos um pouco por toda a Europa a jovem pianista tem de se submeter a um tratamento de vários anos (entre 1914 e 1918) à escoliose que a afligia.
Deve então uma vez terminada a guerra e terminados os tratamentos recomeçar a carreira. Mas se o seu temperamento já não era fácil e a sua auto-confiança diminuta os anos de sofrimento, um irmão cada vez mais tirano e a própria vida difícil do período entre as duas grandes guerras não melhoram o panorama. Não abundam assim as oportunidades e quando estas existem o próprio carácter da pianista pouco exuberante ou simpático com o público, um pavor do palco extremo tornam os concertos não tão bem sucedidos como provavelmente mereciam musicalmente. Certamente inibem os produtores de considerar repetir contratos.
Ainda assim realiza duas tournées aos Estados Unidos (1924-1925), interpreta com Ysase no centenário da morte de Beethoven (1927), encontra Dinu Lipatti seu compatriota e com quem estabelecerá grande amizade e formará uma das suas mais relevantes parcerias musicais (as outras sendo Grumiaux e Pablo Casals). Será também nesse período que conhecerá a princesa de Polignac que irá desempenhar um papel preponderante na sua sobrevivência durante a Segunda Guerra Mundial: Sim porque a dureza da vida da pianista não tinha ainda acabado.
Quando a guerra se inicia Clara Haskil vive em Paris rapidamente compreendendo que deve fugir para a Zona Livre quando a França capitula. Na verdade dadas as suas origens o seu destino estaria doutra forma traçado.
Deixem-me a este propósito arriscando um post mais longo do que o costume abrir um pequeno parenteses sobre esta época negra da nossa história. Estamos quase a metade do século XX e um grupo de pessoas com base numa teoria absurda apoiando-se no medo e na violência e em pseudo-lógica da ausência de alternativas e focalizando os problemas no "exterior", nos "outros" conseguiu conduzir numa Europa civilizada um genocídio de que não havia memória e que certamente acreditaríamos ser impossível. É bom que não esqueçamos isto porque obviamente a história recente e alguns sintomas actuais parecem-me infelizmente demasiado próximos. Não esqueçamos que entre a barbárie e a civilização se encontra uma linha muito ténue: a linha da nossa consciência e a nossa coragem de dizer: Não! ...
Parenteses fechado Clara consegue fugir graças à ajuda da princesa Polignac juntando-se aos elementos da Orquestra Nacional que foge em pequenos grupos para se juntar em Marselha então na Zona Livre. É aqui que conhece Casals com quem dará alguns concertos privados. Porém apenas um ano depois (em 1942) novo problema de saúde (um tumor) obriga-a a uma rocambolesca operação feita às escondidas por um cirurgião vindo de Paris pago pelos seus amigos.
Em Setembro de 1942 é detida pela policia sendo libertada depois de nova intervenção da Princesa de Polignac. Decide então que é tempo de partir para a Suiça o que acaba por fazer num dos últimos dias em que a fronteira com esse país esteve aberta. Viverá na Suiça até à sua morte em 1960 acabando por adquirir nacionalidade Suiça.
Até ao fim da Guerra não obstante o seu talento Clara Haskil não tinha efectuado uma única gravação comercial. Mesmo considerando a época em causa esta ausência é estranha mas facilmente explicada pelos acontecimentos que relatei.
Na Suiça renasce então pela terceira vez (este termo renascimento é o utilizado no artigo da Diapason que utilizo por o considerar perfeitamente adequado). Na Suiça encontra então Michel Rossier que a ajudará a relançar a sua carreira juntamente com Casals (que a convida para o primeiro dos festivais em Prades), Grumiaux, Charles Chaplin (que diz que conheceu na vida três génios, Chruchill, Einstein e Clara) e claro o seu compatriota Lipatti.
Multiplicam-se então os concertos com as maiores orquestras e maestros. A Philips oferece-lhe um contrato de exclusividade discográfico.
Porém tal como toda a sua vida quando tudo parecia estar a caminhar bem a sua saúde deteriora-se e em 1960 termina de forma brutal quando em Bruxelas ao sair de um comboio tropeça e caindo desamparada acaba por falecer no hospital a 6 de Dezembro de 1960.
Para ilustrar o génio desta pianista obviamente apenas poderia escolher Mozart do qual aliás continua a ser considerada uma das grandes referências em termos de interpretação. Aliás a bem dizer ela detestaria esta ultima frase. Dizia na verdade Clara Haskil : " Eu não concebo Mozart, toco-o tal como está escrito". Modéstia certamente mas reveladora da sua forma de estar na música e na visão que tinha do interprete.
E claro que não poderia deixar de vos mostrar a parceria com Grumiaux. Foi para tocar com ele em Bruxelas que Clara Haskil acabou por falecer. Com Mozart também obviamente !
sábado, 7 de julho de 2012
Gluck - Páris e Helena
Hoje às 21:30 em Alcobaça no Cine Teatro João d´Oliva Monteiro inserido no festival Cister Música irei assistir à estreia em Portugal da ópera de Gluck , Páris e Helena. Já tinha assistido à versão não encenada no Grande Auditório da Escola Superior de Música mas agora vou ter a hipótese de assistir à estreia em Portugal da versão encenada. Do programa deixo-vos aqui a ficha técnica retirada da página de programação do mês de Julho do Festival.
Fica também a recomendação para lhe darem a devida atenção.
Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa
Nicholas McNair, direção artística
Clara Andermatt,
encenação
Carmen Matos, Carla Simões, Sara Carolina Marques, Sónia Alcobaça,
solistas
Coro do Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa
Clara Alcobia Coelho, direção
Orquestra de Música Antiga da Escola Superior de Música de Lisboa
Pedro Castro, direção musical
Rui Horta, cenografia e desenho de luz
Aleksandar Protic, figurinos
Coprodução: Escola Superior de Música de Lisboa, ACCCA - Companhia Clara Andermatt, O Espaço do Tempo e São Luiz Teatro Municipal
Já sabem - de tiverem oportunidade - deixem as pantufas em casa e vão à opera que ao vivo é MESMO outra coisa !
Quanto à opera propriamente dita ela segue as mais conhecidas Orfeo e Euridice e mesmo Alceste tendo sido estreada em Viena a 3 de Novembro de 1770 sendo o libretto de Ranieri de' Calzabigi que já tinha colaborado nas anteriores óperas do compositor.
Embora sendo a menos conhecida e a menos interpretada das três obras não deixa de ser uma obra belíssima seguindo a procura de simplicidade e pureza típica de Gluck e tantas vezes (mal) confundida com falta de expressividade.
A ópera que conta a história da chegada de Páris e da sedução de Helena até à sua partida para Tróia contem não obstante algumas árias que certamente terão já ouvido porque são regularmente interpretadas em recitais (de forma isolada). Dessas escolhemos duas para vos ilustrar a obra.
Em primeiro lugar "O del mio dolce ardor" a declaração de amor de Páris no primeiro acto.
A segunda ária que escolho é uma gravação de Claudia Muzzio de 1923 (só por si é um documento histórico) Spiagge Amate.
Estas duas árias dão uma ideia da dificuldade em encontrar cantores para este papel dado este ter sido concebido sobretudo para um Soprano Castrato.
Repetindo a primeira ária não queria deixar-vos sem a comparação da grande Teresa Berganza na primeira destas duas árias, simplesmente sublime (não que os dois outros exemplos não sejam excelentes note-se).
Fica também a recomendação para lhe darem a devida atenção.
Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa
Nicholas McNair, direção artística
Clara Andermatt,
encenação
Carmen Matos, Carla Simões, Sara Carolina Marques, Sónia Alcobaça,
solistas
Coro do Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de Lisboa
Clara Alcobia Coelho, direção
Orquestra de Música Antiga da Escola Superior de Música de Lisboa
Pedro Castro, direção musical
Rui Horta, cenografia e desenho de luz
Aleksandar Protic, figurinos
Coprodução: Escola Superior de Música de Lisboa, ACCCA - Companhia Clara Andermatt, O Espaço do Tempo e São Luiz Teatro Municipal
Já sabem - de tiverem oportunidade - deixem as pantufas em casa e vão à opera que ao vivo é MESMO outra coisa !
Quanto à opera propriamente dita ela segue as mais conhecidas Orfeo e Euridice e mesmo Alceste tendo sido estreada em Viena a 3 de Novembro de 1770 sendo o libretto de Ranieri de' Calzabigi que já tinha colaborado nas anteriores óperas do compositor.
Embora sendo a menos conhecida e a menos interpretada das três obras não deixa de ser uma obra belíssima seguindo a procura de simplicidade e pureza típica de Gluck e tantas vezes (mal) confundida com falta de expressividade.
A ópera que conta a história da chegada de Páris e da sedução de Helena até à sua partida para Tróia contem não obstante algumas árias que certamente terão já ouvido porque são regularmente interpretadas em recitais (de forma isolada). Dessas escolhemos duas para vos ilustrar a obra.
Em primeiro lugar "O del mio dolce ardor" a declaração de amor de Páris no primeiro acto.
A segunda ária que escolho é uma gravação de Claudia Muzzio de 1923 (só por si é um documento histórico) Spiagge Amate.
Estas duas árias dão uma ideia da dificuldade em encontrar cantores para este papel dado este ter sido concebido sobretudo para um Soprano Castrato.
Repetindo a primeira ária não queria deixar-vos sem a comparação da grande Teresa Berganza na primeira destas duas árias, simplesmente sublime (não que os dois outros exemplos não sejam excelentes note-se).
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