No passado dia 23 de Fevereiro fui ouvir na ESML um recital com um trio de excelentes músicos portugueses que interpretaram uma obra que conheço relativamente bem e uma outra que sinceramente foi uma excelente surpresa. Infelizmente apenas hoje consegui terminar este post.
O trio era constituído por Alexandra Mendes (Violino), Clélia Vital (Violoncelo), Paulo Pacheco (Piano). Uma primeira nota para referir a pena que me dá ouvir tão bons músicos, numa sala perfeita e com tão pouco público, ainda por cima tratando-se de um concerto com entrada gratuita. Não há desculpa meus caros amigos, não há desculpa. Na verdade ficou a perder quem não foi porque como sempre vos digo a música ao vivo é sempre outra coisa.
Começando pela obra mais conhecida (a segunda a ser interpretada no recital), o Trio Dumky Op. 90 de Dvorak uma das suas composições mais interpretadas e sem dúvida um bom exemplo de música de câmara que não é baseada na forma de Sonata. Na verdade nesta obra Dvorak optou por uma forma bastante livre inspirada numa forma eslava de canção chamada "dumka" e simplesmente juntou seis destas canções. Numa altura em que a forma quase unânime de música de câmara se baseava na forma de 4 andamentos, rápido-lento-scherzo-final esta obra só pela forma foi uma pequena revolução. Dissemos seis canções mas então como evitar a monotonia? Bem simplesmente porque embora todas partilhando um mesmo carácter cada uma contém elementos contrastantes quer na tonalidade quer no ritmo. Esta obra foi estreada em Praga a 11 de Abril de 1891. Para vos ilustrar o que ouvi escolhi uma interpretação de um trio fabuloso com Oistrackh no violino, Lev Oborin no Piano e Knushetvski no Violoncelo uma gravação de 1951.
A segunda obra que ouvi e que sinceramente foi uma estreia para mim foi o trio nº 1 Op. 8 de Schostakovich. Uma obra de 1923 quando Schostakovich tinha apenas 17 anos e estava então a recuperar da tuberculose no Mar Cáspio. Dedicada a uma paixão do momento (e que se manteve por mais alguns anos), uma obra totalmente neo-romântica e que embora aparentemente desconexa apresenta uma unidade em termos de composição que surpreendeu os professores do compositor. Para ilustrar esta obra escolhi uma interpretação com Lily Maisky (piano)
Alissa Margulis (violino) e Mischa Maisky (violoncelo). Uma obra que não conhecia, uma excelente surpresa.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
domingo, 10 de março de 2013
terça-feira, 5 de março de 2013
Diapason de Março 2013
Na Diapason do mês de Março 2013 temos de salientar uma entrevista com Sir Simon Rattle que anunciou que não continuará na Filarmónica de Berlim depois de 2018. A entrevista é muito interessante dado que são colocadas algumas questões relacionadas com o tradicionalismo da Orquestra face a uma série de inovações que o Maestro introduziu.
No resto o CD com os indispensáveis da Diapason é constituído por uma gravação integral de Winterreise com Fischer-Dieskau, uma gravação de um programa de rádio emitido a partir de Prades em 1955, um registo absolutamente histórico portanto.
Por fim e voltando à revista a obra do mês o concerto "A memória de um anjo" de Berg é um texto que merece ser lido.
No resto o CD com os indispensáveis da Diapason é constituído por uma gravação integral de Winterreise com Fischer-Dieskau, uma gravação de um programa de rádio emitido a partir de Prades em 1955, um registo absolutamente histórico portanto.
Por fim e voltando à revista a obra do mês o concerto "A memória de um anjo" de Berg é um texto que merece ser lido.
sábado, 2 de março de 2013
Recital de Violino no Palácio Foz - Para memória futura
Na passada Segunda-Feira fiz-vos uma recomendação de no fim da tarde irem ver um recital de violino no Palácio Foz. Durante a semana não tive tempo de vos falar sobre o recital e portanto ficou adiada essa conversa até agora.
O recital ... Já agora permitam-me um parênteses relativamente a este termo. Na introdução ao mesmo foi-nos referido pela apresentadora que na verdade se deveria chamar concerto dado que as peças a executar eram todas Concertos, mais precisamente os primeiros andamentos de cinco dos concertos mais conhecidos do reportório violinistico. Bom é verdade que a natureza original das obras interpretadas é essa, porem as versões que ouvimos embora a parte do solista seja praticamente a mesma da versão da orquestra e a noção clássica e romântica de concerto tenha uma predominância tal no solista que esta é a parte mais relevante do "concerto" (existem excepções claro sobretudo no período romântico) a verdade é que quando se retira a orquestra para a substituir por uma transcrição de piano para mim estamos mais perto de um recital do que de um concerto, mas é uma opinião pessoal.
Ouvimos portanto cinco primeiros andamentos de cinco concertos dos mais relevantes do reportório. Começamos com Mozart, o concerto nº4 em Ré Maior que vos deixo aqui com uma interpretação de Henryk Szeryng com a New Philarmonia Orchetra dirigida por Sir Alexander Gibson e que no nosso recital foi interpretado por David Duarte.
Depois avançamos para o coração do período romântico com Mendelssohn e o seu Concerto em Mi Menor de que vos proponho uma interpretação de Hilary Hahn com a orquestra da Rádio de Frankfourt dirigida por Paavo Jarvi . No recital este concerto foi interpretado por Francisco Henriques.
O terceiro concerto para os mais distraídos era o menos conhecido do conjunto. Podemos ouvir o concerto nº2 em Ré Maior de Wieniawski. Escolhi uma interpretação de Shlomo Mintz com a Orquestra do Sudoeste da Alemanha dirigida por Myung-Whun Chung . No recital foi excelentemente interpretado por Filipe Abreu.
O quarto concerto que ouvimos já tem de ser classificado como pós-romântico. Este é o único concerto que gravei (por razões que espero sejam óbvias) e de forma bastante amadora (as minhas desculpas) mas que ainda assim partilho convosco. Concerto em Ré Maior de Aram Kachaturian (e não Khachatryan como estava no programa - erro que é compreensível dado que este outro nome também é arménio e por acaso nome de um violinista arménio da actualidade bastante conhecido) por Miguel Vasconcelos.
Por fim o quinto concerto de Sibelius em Ré Menor (e não em Ré Maior como está no programa) de que vos proponho uma interpretação de Maxim Vengerov com a Orquestra Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. No recital foi magnificamente interpretado por Manuel de Almeida Ferrer.
O recital ... Já agora permitam-me um parênteses relativamente a este termo. Na introdução ao mesmo foi-nos referido pela apresentadora que na verdade se deveria chamar concerto dado que as peças a executar eram todas Concertos, mais precisamente os primeiros andamentos de cinco dos concertos mais conhecidos do reportório violinistico. Bom é verdade que a natureza original das obras interpretadas é essa, porem as versões que ouvimos embora a parte do solista seja praticamente a mesma da versão da orquestra e a noção clássica e romântica de concerto tenha uma predominância tal no solista que esta é a parte mais relevante do "concerto" (existem excepções claro sobretudo no período romântico) a verdade é que quando se retira a orquestra para a substituir por uma transcrição de piano para mim estamos mais perto de um recital do que de um concerto, mas é uma opinião pessoal.
Ouvimos portanto cinco primeiros andamentos de cinco concertos dos mais relevantes do reportório. Começamos com Mozart, o concerto nº4 em Ré Maior que vos deixo aqui com uma interpretação de Henryk Szeryng com a New Philarmonia Orchetra dirigida por Sir Alexander Gibson e que no nosso recital foi interpretado por David Duarte.
Depois avançamos para o coração do período romântico com Mendelssohn e o seu Concerto em Mi Menor de que vos proponho uma interpretação de Hilary Hahn com a orquestra da Rádio de Frankfourt dirigida por Paavo Jarvi . No recital este concerto foi interpretado por Francisco Henriques.
O terceiro concerto para os mais distraídos era o menos conhecido do conjunto. Podemos ouvir o concerto nº2 em Ré Maior de Wieniawski. Escolhi uma interpretação de Shlomo Mintz com a Orquestra do Sudoeste da Alemanha dirigida por Myung-Whun Chung . No recital foi excelentemente interpretado por Filipe Abreu.
O quarto concerto que ouvimos já tem de ser classificado como pós-romântico. Este é o único concerto que gravei (por razões que espero sejam óbvias) e de forma bastante amadora (as minhas desculpas) mas que ainda assim partilho convosco. Concerto em Ré Maior de Aram Kachaturian (e não Khachatryan como estava no programa - erro que é compreensível dado que este outro nome também é arménio e por acaso nome de um violinista arménio da actualidade bastante conhecido) por Miguel Vasconcelos.
Por fim o quinto concerto de Sibelius em Ré Menor (e não em Ré Maior como está no programa) de que vos proponho uma interpretação de Maxim Vengerov com a Orquestra Sinfónica de Chicago dirigida por Daniel Barenboim. No recital foi magnificamente interpretado por Manuel de Almeida Ferrer.
Violinhos no CCB com Carlos do Carmo
Ok, eu sei que hoje há manifestação. De qualquer forma não estaria na mesma e para quem como eu também não estaria aqui fica uma recomendação rápida. Ás 16h no CCB os Violinhos no CCB no seu habitual concerto desta vez com Carlos do Carmo. Eu vou lá estar.A propósito não é que não ache a manifestação legitima ou importante. É legitima e é importante. Não estaria porque continuo sem concordar com uma grande parte dos pressupostos da mesma. Espero que tal como a anterior se paute pelo civismo, porque nesse caso, concorde-se ou não a verdade é que é uma lição de democracia.
Já agora para quem critica a manifestação dizendo que a democracia é na urnas também tenho de vos dizer uma coisa. A democracia não se esgota no voto. A democracia exige uma cidadania avançada e a participação e atenção de todos. Esta manifestação concorde-se ou não é uma demonstração dessa cidadania. Recusa-la, diminui-la, fazer de conta que não existe ou questionar a sua bondade é questionar a essência da democracia: a participação.
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