quinta-feira, 20 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 9 Op. 125 em Ré Menor - Segundo Andamento

Tinhamos na segunda-feira visto o primeiro andamento aqui . Hoje vamos falar um pouco do segundo andamento.

Este segundo andamento é um Scherzo com um tema semelhante ao primeiro andamento. Trata-se de um andamento fortemente ritmado. Tanto quanto se sabe este foi a primeira parte da sinfonia a ser composta. Curiosamente é o único caso em que o Scherzo (apesar de não estar anotado como tal) é colocado logo após o movimento de abertura.

Diz-se deste andamento que é o milagre da repetição sem monotonia e na verdade este andamento é essencialmente constituído por uma frase repetida várias vezes em diversas opções de orquestração. Esta frase é repetida quatro vezes nos primeiros 8 compassos do andamento.

Contam-se várias histórias sobre este andamento. Karl Holtz diz por exemplo que após a sua execução na audição de estreia os músicos estavam a chorar e o público começou a aplaudir entusiasmado. Conta-se ainda que na estreia em Paris Rossini terá dito ao saír "O segundo andamento é a coisa mais bonita que já ouvi. Não conseguiria fazer nada para a melhorar".

Mais dramática, ou mais romântica se tivermos em conta a música de Glinka o compositor russo este terá aparentemente chorado compulsivamente ao ouvir o sherzo e dito "on ne touche pas lá" ...

Podem ouvir a interpretação de Karajan deste andamento aqui (coloquem o tempo no minuto 15:09 se quiserem ouvir apenas o segundo andamento, antes disso têm o não menos fantástico primeiro ... )
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quarta-feira, 19 de março de 2008

O Hot Clube faz hoje 60 anos

Lembro-me que não gostava de Jazz. Ou melhor achava que não gostava. Na verdade precisava de um blog chamado "Diz que não gosta de Jazz?". Mas na altura não havia Internet. Mas (já) havia o Hot Clube e os amigos. No meu caso a minha introdução ao Jazz não poderia ter sido melhor.

Bernardo Moreira e o seu primo Francisco passaram literalmente horas a tentar convencer-nos que Jazz é que era. Passávamos os minutos do recreio no Liceu Francês ou nos intervalos para almoço (claro que quando não havia bola) em discussões metafísicas sobre a primazia da música exacta (que eu defendia) o rock e pop que também tinha os seus defensores e o Jazz por quem o Francisco e o Bernardo lutavam. E tanto falaram que acabaram por me contagiar ... Desconfio que não tive o mesmo sucesso com a música clássica. Certamente falta de mérito meu.

E vem isto a propósito dos 60 anos do Hot Clube fundado por Luís Villas-Boas que provavelmente terá desempenhado o papel dos meus amigos para muitos dos apreciadores de Jazz em Portugal. Recomendo claro está uma visita e só para que fiquemos todos em sintonia musical e porque este blog é um blog plural com uma definição de "clássica" ampla, deixo-vos neste post com uma das minhas preferidas: John Coltrane em My Favorite Thing (Baden-Baden 1961), aqui.

Tenho pena de não ter podido recomendar o concerto comemorativo no S. Jorge porque foi hoje às 22:00. Fica para a próxima e a promessa de um pouco mais de atenção ao Jazz "clássico". Com esta, homens e mulheres do Jazz, podem bater-me, mas previno-vos que como leram já tive bons professores ...

Faleceu Arthur C. Clarke

Estava a ver televisão quando tomei conhecimento pelo rodapé anunciando o falecimento de Arthur C. Clarke. Estava a ver um canal de noticias inglês não me perguntem qual.

Conforme provavelmente sabem se já leram alguma vez o meu perfil sou um fanático de ficção cientifica, um dos meus grandes defeitos :-). ...

Terá pouco a ver com música clássica dirão. Bem sim e não. Na verdade Arthur c. Clarke está ligado à musica clássica através da adaptação para cinema de uma das suas obras mais emblemáticas e um dos melhores filmes de sempre: 2001 Odisseia no Espaço. Não é só na sequência inicial que a música clássia é utilizada mas também em várias partes deste filme que é sem dúvida uma referência no género e não só.

Fiquem com a sequência inicial aqui.

segunda-feira, 17 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 9 Op. 125 em Ré Menor

Passaram-se mais de dez anos entre a estreia da oitava e a estreia da nona sinfonia também apelidada de Coral. Não foram para Beethoven anos fáceis e este facto deve-nos recomendar cautela quando procuramos relacionar a vida de um compositor e a sua obra.

Esta sinfonia é sem dúvida um dos icons da cultura ocidental, um momento inultrapassável na evolução da espécie humana.

É uma sinfonia que me leva sempre às lágrimas pela sua fé no homem. Se tivermos em conta como referimos o que Beethoven passou durante esses anos, a morte de muitos dos seus mais queridos amigos, a morte do seu irmão, dificuldades financeiras várias e sobretudo a surdez, drama sem dúvida terrível para um músico como podemos ficar indiferentes a esta expressão de solidariedade? Eu não consigo e a bem dizer não quero.

Diz-se que esta peça marca o inicio do romantismo pela sua expressão de sentimentos sem restrição, pela sua forma inaudita. Na verdade nunca antes uma sinfonia tinha utilizado um coro. Nunca antes se tinha escrito de forma tão apaixonada tão irrestricta, tão perto dos limites. Como já perceberam vamos passar alguns posts com esta obra porque não resisto a saborear convosco em grande detalhe esta composição.

O primeiro andamento (Allegro ma non troppo, un poco maestoso) foi escrito na forma de sonata. Deste andamento diz-nos Berlioz que nos será difícil ouvir algo de mais profundamente trágico. Eu diria que nos será dificil ouvir algo de mais profundamente trágico e pungente.

Há muitas interpretações históricas desta sinfonia. Para começar e para vos mostrar este primeiro andamento fiquem com Toscanini em 1948 em Nova Iorque com a orquestra da NBC aqui e aqui.

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