Este é mais um post na nossa sequência sobre Glenn Gould. Podem ler o anterior post em que falávamos das suas gravações aqui.
Glenn Gould além da sua actividade enquanto pianista era também um notável escritor. Não só acerca de música chegando mesmo à poesia. Aliás Gould dizia que se não fosse músico seria poeta. Do que escreveu e do que tenho vindo a conhecer ao escrever esta série de posts hoje vou-vos traduzir um artigo interessantíssimo que Gould escreveu para a revista High Fidelity em Fevereiro de 1974. O artigo é bastante longo porém creio que vale a pena ganharem uns minutos do vosso tempo a lerem-no dado que não só ficam a saber muito sobre a forma como Gould pensava, como ainda podem rir um pouco (as perguntas e o diálogo que ele imagina têm por vezes muita piada), como adicionalmente ainda ganham uma forma completamente diferente de percepcionar a arte (para além da música).
Claro que nós, que gostamos de música ao vivo discordamos absolutamente de uma parte da teoria de Gould mas não obstante - como diria Bernstein - Gould é suficientemente interessante e intelectualmente honesto para que decidamos publica-lo :-)
Porque este artigo é muito longo dividimos-lo em várias partes. Esta é a primeira parte. O original em Inglês pode ser lido aqui onde podem encontrar para além deste texto muitos outros documentos interessantes escritos por e sobre Gould, nitidamente um site a visitar para aprofundarem o vosso conhecimento sobre este génio da música. Eu já o fiz e garanto-vos que tenho agora uma ideia completamente diferente sobre ele.
Em alguns pontos deste artigo introduzimos alguns comentários nossos quer para discordar de Gould (desculpem, mas não resistimos) quer para explicar o contexto e tornar o texto compreensível. Estes comentários estão claramente indicados por estarem escritos assim. Por outro lado a tradução que fiz procurou sempre que possível ser fiel ao nível de linguagem utilizado, coloquial por vezes erudito noutras. O artigo original tem essa dicotomia que procuramos manter embora em português não resulte tão bem eventualmente porque não existe esse tipo de tradição na nossa linguagem escrita e certamente também por óbvia falta de talento por parte do tradutor.
Glenn Gould entrevista Glenn Gould sobre Glenn Gould - High Fidelity, Fevereiro 1974.
Glenn Gould (como jornalista : g.g.): Sr. Gould Creio que - perdoe-me o facto de estar a ser tão directo - creio que tem a reputação de ser uma "noz dificil de quebrar" no que diz respeito a entrevistas?
GLENN GOULD (como ele próprio : G.G.): Nunca ouvi tal coisa!
g.g.: Bem na verdade é o tipo de rumor que nós jornalistas apanhamos de fontes espalhadas por aí, mas quero assegurar-lhe que estou pronto a retirar qualquer pergunta que considere menos apropriada.
G.G.: Oh, não consigo antever qualquer problema desse tipo.
g.g.: Então para tudo ficar claro desde já, há algum tema que não possamos de todo tratar?
G.G.: Bem certamente não consigo pensar em nenhum tema fora de limites. Música à parte claro.
g.g.: Bem Mr. Gould eu não quero voltar atrás com a minha palavra. Sei que a sua participação nesta entrevista nunca foi estabelecida contratualmente, mas foi firmada com um aperto de mãos.
G.G.: Figurativamente claro está.
g.g.: Claro, e assumi que passaríamos uma grande parte do nosso tempo debatendo assuntos de índole musical.
G.G.: Bem, acha que é essencial? É que sabe a minha visão pessoal de entrevista - e como eventualmente sabe fiz umas quantas - é que a matéria mais relevante, mais inspiracional normalmente provem de áreas não relacionadas com a especialidade do entrevistado.
g.g.: Por exemplo ?
G.G.: Bem por exemplo quando preparei documentários para rádio entrevistei um teólogo sobre tecnologia, um hidrógrafo acerca de William James, um economista acerca de pacifismo e uma dona de casa acerca do mercado de arte.
William James (1842-1910) foi um psicólogo e filósofo americano pioneiro na psicologia da educação, experiências religiosas e misticismo.
g.g.: Mas seguramente também entrevistou músicos acerca de música?
G.G.: Ah sim, claro. Normalmente para os pôr à vontade à frente do microfone. Mas foi muito mais interessante falar com Pablo Casals sobre por exemplo o conceito de Zeitgeist que, claro, não está relacionado com música.
Pablo Casals sabeis quem é certamente. Zeitgeist: O espírito do tempo ou de uma geração. Poderia também ser uma personagem da Marvel Comics ...
g.g.: Sim ia precisamente arriscar esse comentário.
G.G.:Ou Leopold Stokowski acerca da possibilidade de viagens interplanetárias, o que é - penso que concordará - não obstante Stanley Kubrick - uma grande digressão.
Leopold Stokowski (1882-1970) grande maestro conhecido pelo seu espírito dinâmico e grande esforço na obtenção de um som perfeito nas gravações orquestrais. A referência a Kubrick está obviamente relacionada com o filme 2001 - Odisseia no Espaço em que viagens interplanetárias e música ficaram intimamente relacionadas com a cena da nave a acostar ao som de Strauss entre outros ...
g.g.:Bem isto na realidade coloca um problema Mr. Gould, mas deixe-me tentar colocar-lhe a questão de forma mais assertiva. Existe um tema que gostaria particularmente de discutir ?
G.G.: Bom, na realidade não pensei muito nisso, mas assim de repente poderíamos falar da situação política no Labrador ?
Labrador - Estado Federal do Canadá. Não faço ideia do problema que existia na altura, ou sequer se existia problema. Eventualmente a junção com Newfoundland poderia ser discutida na altura.
g.g.: Estou certo que isso poderia produzir um diálogo estimulante, Mr. Gould, mas penso que devemos ter em atenção que High Fidelity é uma revista essencialmente para os Estados Unidos da América.
High Fidelity : Revista impressa entre 1951 e 1989 cobrindo equipamento e assuntos relacionados com música.
G.G.: Sim claro. Nesse caso que tal os direitos aborígenes no Oeste do Alaska?
g.g.:Sim. Não quero certamente ignorar temas tão interessantes quanto esses em termos de audiência porém dado que High Fidelity é essencialmente orientada para uma audiência interessada em música deveríamos pelo menos começar a nossa conversa com um tema relacionado com as artes.
G.G.: Oh, certamente. Que tal então examinarmos a questão dos direitos aborígenes reflectidos nos estudos etno-musicais realizados em Point-Barrow?
g.g: Bem tenho de confessar que esperava uma linha mais convencional por assim dizer, Mr. Gould. Como estou certo que sabe, a questão quase obrigatória que diz respeito à sua carreira é a controvérsia concerto-vs-gravação, e penso que devemos pelo menos tocá-la.
G.G.: Bem não tenho qualquer objecção em repsonder a umas quantas questões sobre esse tema. No que me diz respeito envolve primariamente questões morais mais do que musicais portanto esteja à vontade.
g.g.: É muito simpático da sua parte aceder a essa questão. Vou tentar ser breve então para que possamos cobrir outros assuntos.
G.G.: É justo.
g.g.: Bem foi citado por várias vezes dizendo que o seu envolvimento com a gravação - com os media em geral - representam um envolvimento com o futuro.
G.G.: Está correcto. Até o disse nas páginas deste excelente jornal.
g.g.: Exacto. E disse também que ao invés a sala de concerto, o palco de recital, a casa de ópera representa o passado - um aspecto do seu passado em particular, talvez, mas também o passado da música em geral.
G.G.: É verdade, embora deva admitir que o meu único contacto com uma opera foi através de uma inflamação da traqueia que apanhei quando toquei no velho Festspielhaus em Salzburgo. Como sabe era um edifício bastante ventoso e eu ...
g.g.: Bem talvez possamos discutir a sua saúde num outro momento mais oportuno Mr. Gould mas ocorre-me que - e espero que me desculpe por dizê-lo - existe algo inerentemente egoísta acerca de opiniões deste tipo. Afinal decidiu deixar todas as interpretações em público há quanto tempo - dez anos?
G.G.: Nove anos e onze meses na data deste número precisamente.
g.g.: E admite que a maioria das pessoas que optam por mudanças radicais na sua carreira mantêm a noção de que, embora relutante, o futuro está do lado delas?
G.G.:É encorajador pensar assim, claro, mas tenho de contrariar a utilização do termo "radical". É certo que dei o salto baseado na convicção que dado o estado da arte, uma imersão total nos media representaria um desenvolvimento lógico - e continuo convencido disso. Mas muito francamente muito embora gostemos todos de equacionar formulas "passado-futuro" os principais patrocinadores de tais convicções, as principais motivações dessas mudanças radicais para utilizar o seu termo, estão normalmente relacionadas com uma situação tão prosaica como a resolução do desconforto do presente.
g.g.: Não tenho a certeza de ter apanhado o comboio, Mr. Gould.
G.G.: Bem por exemplo, deixe-me sugerir que a motivação mais forte para a invenção do expectorante tenha sido uma garganta dorida. Claro que depois de inventado o expectorante poderíamos especular o quanto a invenção representaria o futuro e a garganta dorida o passado, mas duvido que nos sentíssemos inclinados a pensar nesses termos enquanto a infecção e a dor estivessem presentes. Não será preciso dizer que a minha inflamação da traqueia em Salzburgo, uma medicação desse tipo ...
g.g.: Desculpe-me Mr. Gould, estou certo que será louvado pelas suas desventuras em Salzburgo mas preciso de ir um pouco além neste ponto. Devo entender então que a sua retirada dos palcos de concerto e subsequente envolvimento com os media foi motivado pelo equivalente musical de uma garganta dorida?
G.G.: Acha isso errado?
g.g.: Bem para ser totalmente franco, acho isso absolutamente narcisista. E para mim é também completamente oposto à sua declaração de que objecções morais estiveram na base da sua decisão.
G.G.: Bem não vejo qualquer contradição - excepto se na sua opinião o desconforto deva ser visto com uma virtude positiva.
g.g: As minhas opiniões não são o objecto desta entrevista Mr. Gould mas para responder à sua questão, o desconforto em si não é o problema. Acredito simplesmente que um artista que mereça esse epíteto deve estar preparado para sacrificar o seu conforto pessoal.
G.G.: Com que fim?
g.g.: No interesse da preservação das grandes tradições da experiência musical e teatral, de manter a nobre responsabilidade do artista em relação à sua audiência.
G.G.: E não lhe parece que uma sensação de desconforto, de não à vontade seria a melhor conselheira tanto para o artista como para a audiência ?
g.g.: Não apenas sinto que o Sr., Mr Gould ou nunca se permitiu saborear ...
G.G.: A gratificação do ego ?
g.g.: Ia dizer o privilégio de comunicar com uma audiência ...
G.G: Numa base de poder ?
g.g.: de um proscênio no qual a sua humanidade está completamente visível, não editada e não adornada.
G.G.: Podia pelo menos ter a vantagem do fraque, talvez?
g.g.: Mr. Gould, penso que não deveríamos deixar que este diálogo degenerasse numa simples brincadeira ociosa. É óbvio que nunca saboreou a alegria de uma relação um-para-um com um ouvinte.
G.G.: Sempre pensei que, do ponto de vista de gestão, uma relação de dois mil e oitecentos para um era o ideal numa sala de concertos.
g.g.: Não quero discutir estatísticas consigo. Tentei colocar candidamente a questão e ...
G.G: então pronto. Tentarei responder com igual candura. Parece-me que se vamos ser alvo de uma guerra de números então vou ter que argumentar pela relação de zero-para-um entre audiência e artista e é aí que a objecção moral entra.
g.g: Receio que não tenha entendido, Mr. Gould. Importa-se de explicar de novo?
G.G.: Penso simplesmente que ao artista deve ser concedido tanto para o seu bem como para o do seu público (deixe-me que lhe diga desde já que não estou nada satisfeito com palavras como público e artista: Não estou de acordo com a hierarquia subjacente a essa terminologia) que lhe deveria ser dado o direito ao anonimato. deveria poder operar em segredo como se não estivesse relacionado ou melhor como se não estivesse consciente das necessidades presumidas do mercado necessidades essas que dada suficiente indiferença por um suficiente número de artistas simplesmente desapareceriam. E tendo desaparecido o artista abandonaria então o seu falso sentido de responsabilidade pública e o seu público prescindiria do seu papel de servil dependência.
g.g.: E atrevo-me a dizer para nunca mais se encontrarem!
G.G.: Não, encontrar-se-ão mas num nível diferente, com muito mais significado do que seria possível num palco.
Fim da primeira parte.
Podem ler a segunda parte aqui .
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
segunda-feira, 29 de dezembro de 2008
Tchaikovsky - Os Bailados - O Lago dos Cisnes
Tendo terminado as sinfonias e sendo certo que queremos guardar para o fim os concertos para piano e violino resolvemos hoje começar a falar sobre a música para bailado composta por Tchaikovsky.
Vamos começar este périplo pelo Lago dos Cisnes que contém, aviso já, uma das minhas valsas preferidas.
Este bailado (Op. 20) foi o primeiro dos três grandes bailados a ser composto por Tchaikovsky tendo sido concebido entre 1875-1876.
A base para a história do bailado é fonte de grande controvérsia (e terá sido uma das razões pelas quais foi recebido com frieza na sua estreia em 27 de Fevereiro de 1877 no Teatro Bolschoi em Moscovo. Na verdade a história de base é alemã embora existam fontes que consideram que ao contrário a base é um conto popular russo. Não vamos aqui esclarecer este assunto até porque temos de acabar este post ainda hoje.
O certo é que o ballet foi recebido com frieza. Apesar disso e até ao falecimento de Tchaikovsky foi interpretado mais de 40 vezes o que prova que apesar de tudo havia quem acreditava no valor da obra.
Pouco tempo antes da sua morte Tchaikovsky teria concordado em fazer uma revisão ao bailado porém a sua morte prematura não o permitiu. Assim a grande revisão do Ballet e a partitura sobre a qual repousam uma grande parte das performances a que assistimos é da autoria de Riccardo Drigo no que diz respeito à música e a Petitpas e Ivanov no que diz respeito à coreografia.
Tchaikovsky apreciava imenso este maestro que considerava um especialista na arte do ballet. Aliás convém notar que Tchaikovsky foi o primeiro compositor "sinfónico" a compor música para um Ballet esta tarefa sendo até então um "monopólio" de compositores especializados. Contrariamente ao que aconteceu com os seus dois outros bailados não existem neste caso notas que indiquem que Tchaikovsky tenha recebido instruções precisas sobre o tipo de música a compor. Isto e uma certa incompetência do coreógrafo (Julius Wentzel Reisinger) explica a razão pela qual a primeira versão do ballet apesar da excelência da música foi considerado fraco.
As alterações efectuadas por Petitpas, Ivanov e Drigo foram substanciais e nunca foram aprovadas por Tchaikovsky com excepção de algumas interpolações feitas por Drigo. No entanto a julgar pela reacção do compositor e pela confiança que este depositava no maestro podemos estar relativamente seguros que ele as teria aprovado.
Acto 1 - Num parque à frente de um Castelo.
O príncipe Siegfried, herdeiro ao trono tem de escolher uma noiva no baile que comemora o seu aniversário. Por não desejar casar sem amor foge para a floresta vendo um grupo de cisnes vai em sua perseguição.
Para ilustrar este acto vejam aqui a Valsa , a tal que é uma das minhas preferidas ...
Acto 2 - No meio da Floresta na orla de uma clareira
O príncipe prepara-se para matar um dos cisnes mas à ultima hora não consegue porque se apercebe que a criatura é mais mulher que cisne. Apaixonado ambos dançam e o cisne diz-lhe então que é a Princesa Odete que um feiticeiro transformou em mulher à noite e cisne de dia.
O feiticeiro então aparece e Siegfried que matá-lo mas Odete não deixa dizendo que se o matar antes do feitiço ser desfeito este será irreversível.
Para ilustrar este acto vejam aqui Rudolf Nureyev e Margot Fontaine.
Acto 3 - De novo no Castelo agora no salão de baile
Von Rothbart - o feiticeiro - leva a sua filha Odile ao baile tentando fazê-la passar por Odette e assim evitar que o feitiço se desfaça fazendo o príncipe jurar amor à sua filha. O esquema funciona, Siegfried pensando que está a falar com Odette jura o seu amor e promete casa com ela. O feiticeiro mostra então a Siegfried o seu trágico erro.
Para ilustrar este terceiro acto vejam aqui o seu inicio.
Acto 4 - Mesma cena que no Acto 2
Siegfried volta ao lago e encontra Odette onde ela o desculpa do erro. Von Robbart aparece tentando separá-los. Os dois preferem afogar-se no lago a serem separados. O Feiticeiro perdendo os seus poderes morrer também. Notem que existem algumas versões com fins menos trágicos ...
Para ilustrar este quarto acto vejam aqui o fim do acto e do ballet.
Vamos começar este périplo pelo Lago dos Cisnes que contém, aviso já, uma das minhas valsas preferidas.
Este bailado (Op. 20) foi o primeiro dos três grandes bailados a ser composto por Tchaikovsky tendo sido concebido entre 1875-1876.
A base para a história do bailado é fonte de grande controvérsia (e terá sido uma das razões pelas quais foi recebido com frieza na sua estreia em 27 de Fevereiro de 1877 no Teatro Bolschoi em Moscovo. Na verdade a história de base é alemã embora existam fontes que consideram que ao contrário a base é um conto popular russo. Não vamos aqui esclarecer este assunto até porque temos de acabar este post ainda hoje.
O certo é que o ballet foi recebido com frieza. Apesar disso e até ao falecimento de Tchaikovsky foi interpretado mais de 40 vezes o que prova que apesar de tudo havia quem acreditava no valor da obra.
Pouco tempo antes da sua morte Tchaikovsky teria concordado em fazer uma revisão ao bailado porém a sua morte prematura não o permitiu. Assim a grande revisão do Ballet e a partitura sobre a qual repousam uma grande parte das performances a que assistimos é da autoria de Riccardo Drigo no que diz respeito à música e a Petitpas e Ivanov no que diz respeito à coreografia.
Tchaikovsky apreciava imenso este maestro que considerava um especialista na arte do ballet. Aliás convém notar que Tchaikovsky foi o primeiro compositor "sinfónico" a compor música para um Ballet esta tarefa sendo até então um "monopólio" de compositores especializados. Contrariamente ao que aconteceu com os seus dois outros bailados não existem neste caso notas que indiquem que Tchaikovsky tenha recebido instruções precisas sobre o tipo de música a compor. Isto e uma certa incompetência do coreógrafo (Julius Wentzel Reisinger) explica a razão pela qual a primeira versão do ballet apesar da excelência da música foi considerado fraco.
As alterações efectuadas por Petitpas, Ivanov e Drigo foram substanciais e nunca foram aprovadas por Tchaikovsky com excepção de algumas interpolações feitas por Drigo. No entanto a julgar pela reacção do compositor e pela confiança que este depositava no maestro podemos estar relativamente seguros que ele as teria aprovado.
Acto 1 - Num parque à frente de um Castelo.
O príncipe Siegfried, herdeiro ao trono tem de escolher uma noiva no baile que comemora o seu aniversário. Por não desejar casar sem amor foge para a floresta vendo um grupo de cisnes vai em sua perseguição.
Para ilustrar este acto vejam aqui a Valsa , a tal que é uma das minhas preferidas ...
Acto 2 - No meio da Floresta na orla de uma clareira
O príncipe prepara-se para matar um dos cisnes mas à ultima hora não consegue porque se apercebe que a criatura é mais mulher que cisne. Apaixonado ambos dançam e o cisne diz-lhe então que é a Princesa Odete que um feiticeiro transformou em mulher à noite e cisne de dia.
O feiticeiro então aparece e Siegfried que matá-lo mas Odete não deixa dizendo que se o matar antes do feitiço ser desfeito este será irreversível.
Para ilustrar este acto vejam aqui Rudolf Nureyev e Margot Fontaine.
Acto 3 - De novo no Castelo agora no salão de baile
Von Rothbart - o feiticeiro - leva a sua filha Odile ao baile tentando fazê-la passar por Odette e assim evitar que o feitiço se desfaça fazendo o príncipe jurar amor à sua filha. O esquema funciona, Siegfried pensando que está a falar com Odette jura o seu amor e promete casa com ela. O feiticeiro mostra então a Siegfried o seu trágico erro.
Para ilustrar este terceiro acto vejam aqui o seu inicio.
Acto 4 - Mesma cena que no Acto 2
Siegfried volta ao lago e encontra Odette onde ela o desculpa do erro. Von Robbart aparece tentando separá-los. Os dois preferem afogar-se no lago a serem separados. O Feiticeiro perdendo os seus poderes morrer também. Notem que existem algumas versões com fins menos trágicos ...
Para ilustrar este quarto acto vejam aqui o fim do acto e do ballet.
domingo, 28 de dezembro de 2008
Pesquisas interessantes da semana (#16)
Nota prévia: Como podem ver adicionamos (á experiência) um pequeno "widget" da Amazon com sugestões de discos de música clássica. Por enquanto a selecção está automática nos "deals" ou seja nos items fortemente descontados do preço de tabela. Algumas das sugestões que passam, enfim, não posso dizer que sejam do meu inteiro agrado mas outras são bastante interessantes.
Enfim espero que se divirtam com este conteúdo adicional. Antes que perguntem se ganho alguma coisa com isso, sim ganho uma percentagem se efectivamente adquirirem um produto ... Sou cliente da Amazon ainda antes de ser o gigante que é hoje (na altura ainda não existia a loja uk) . Posso dizer-vos que até hoje nunca tive uma má experiência e por isso não me incomoda absolutamente nada fazer esta recomendação, tanto mais que os produtos que aqui vão passar por um lado são relevantes (bem alguns são :-)) e por outro lado são boas oportunidades relativamente ao preço ...
Quanto às pesquisas interessantes este post vai também passar a incluir uma pequena nota sobre quantos visitantes tivemos semanalmente, de que países e localidades, enfim algumas trivialidades por certo irrelevantes mas a que acho piada.
Esta semana tivemos 523 visitas de 14 países diferentes. Como acontece desde há uns meses o Brasil é o país donde vêm mais visitantes, 278 contra 219 de Portugal e 5 de França. No que diz respeito a cidades Lisboa com 94 , São Paulo com 51 e o Porto com 34 foram as três primeiras. Das 523 visitas que mencionei houve um total de 343 que encontraram o nosso blog a partir de pesquisas. Destas 343 pesquisas seleccionei as seguintes que me pareceram mais interessantes:
qual o nome de um padre brasileiro de musica clássica ? : Embora existam mais exemplos de padres que no Brasil foram compositores certamente refere-se esta pergunta ao Padre José Maurício Garcia de que falamos aqui.
musica erudita maestros: Para começar vejam a nossa lista de grandes maestros aqui. Se gostarem de algum e não encontrarem nada deste vosso blog digam-nos ... Poderemos certamente escrever um post especial sobre ele.
o que é um nocturno em termos de musica: Nocturno é um termos que se refere a uma composição (qualquer tipo de composição) que se refira à noite. Os primeiros Nocturnos a serem denominados com este nome foram compostos pelo Irlandês John Field de quem já falamos aqui.
como ser um jascha heifetz : Bem com algum talento e com muito esforço, nas palavras do próprio aliás repetidas por inúmeros virtuosos pelo mundo inteiro. O talento é importante mas apenas com ele nada se consegue. Por outro lado com muito trabalho mesmo pessoas com menos talento conseguem com trabalho e inteligência encontrar a sua própria voz e serem bons músicos. Sobre o próprio Heifetz podem ler a sua biografia aqui.
hideaki oshiro musica concerto pianista: Falamos neste blog por duas vezes deste pianista. Em ambos os casos quando referíamos um recital que teve lugar em Carnaxide. Este pianista japonês foi laureado do prémio Vianna da Motta tendo-se doutorado em piano com Sequeira e Costa na Universidade de Kansas nos Estados Unidos.
luis conceição recital de piano : Temos falado por vezes de Luís Conceição nas nossas recomendações de quinta-feira. Procuramos saber um pouco mais deste pianista na net mas não tem uma página pessoal ou pelo menos não a encontramos. Se alguém tiver conhecimento de mais informação deste (ou de outros artistas portugueses)diga-nos porque obviamente teremos o maior prazer em divulgar aqui. Pelo que pesquisamos, a menos que seja coincidência de nomes, sabemos também que Luís Conceição é igualmente compositor e director da Academia de Música de Tavira.
musica de Beethoven em 1970 : 1970 ? Bom primeiro não percebi a questão mas depois reparei que esse ano corresponderia ao seu ducentésimo aniversário. Se a questão é saber o que se organizou na altura para a comemoração deste aniversário é efectivamente uma boa questão. Não faço a mínima ideia ... E também não consegui encontrar na net, nem sequer na Casa Beethoven de Bona aqui. Se alguém conhecer um local onde se possa obter um programa das celebrações desse aniversário ... Entretanto podemos já começar a preparar 2020 com os 250 anos ou então um pouco depois em 2027 os 250 do seu falecimento.
E o prémio perplexidade da semana vai para "quem diz que nao,quem diz que nao,quem nao vier,nao gosta do sao joao" ... Certo. Eu gosto do S. João que fique registado :-)
Enfim espero que se divirtam com este conteúdo adicional. Antes que perguntem se ganho alguma coisa com isso, sim ganho uma percentagem se efectivamente adquirirem um produto ... Sou cliente da Amazon ainda antes de ser o gigante que é hoje (na altura ainda não existia a loja uk) . Posso dizer-vos que até hoje nunca tive uma má experiência e por isso não me incomoda absolutamente nada fazer esta recomendação, tanto mais que os produtos que aqui vão passar por um lado são relevantes (bem alguns são :-)) e por outro lado são boas oportunidades relativamente ao preço ...
Quanto às pesquisas interessantes este post vai também passar a incluir uma pequena nota sobre quantos visitantes tivemos semanalmente, de que países e localidades, enfim algumas trivialidades por certo irrelevantes mas a que acho piada.
Esta semana tivemos 523 visitas de 14 países diferentes. Como acontece desde há uns meses o Brasil é o país donde vêm mais visitantes, 278 contra 219 de Portugal e 5 de França. No que diz respeito a cidades Lisboa com 94 , São Paulo com 51 e o Porto com 34 foram as três primeiras. Das 523 visitas que mencionei houve um total de 343 que encontraram o nosso blog a partir de pesquisas. Destas 343 pesquisas seleccionei as seguintes que me pareceram mais interessantes:
qual o nome de um padre brasileiro de musica clássica ? : Embora existam mais exemplos de padres que no Brasil foram compositores certamente refere-se esta pergunta ao Padre José Maurício Garcia de que falamos aqui.
musica erudita maestros: Para começar vejam a nossa lista de grandes maestros aqui. Se gostarem de algum e não encontrarem nada deste vosso blog digam-nos ... Poderemos certamente escrever um post especial sobre ele.
o que é um nocturno em termos de musica: Nocturno é um termos que se refere a uma composição (qualquer tipo de composição) que se refira à noite. Os primeiros Nocturnos a serem denominados com este nome foram compostos pelo Irlandês John Field de quem já falamos aqui.
como ser um jascha heifetz : Bem com algum talento e com muito esforço, nas palavras do próprio aliás repetidas por inúmeros virtuosos pelo mundo inteiro. O talento é importante mas apenas com ele nada se consegue. Por outro lado com muito trabalho mesmo pessoas com menos talento conseguem com trabalho e inteligência encontrar a sua própria voz e serem bons músicos. Sobre o próprio Heifetz podem ler a sua biografia aqui.
hideaki oshiro musica concerto pianista: Falamos neste blog por duas vezes deste pianista. Em ambos os casos quando referíamos um recital que teve lugar em Carnaxide. Este pianista japonês foi laureado do prémio Vianna da Motta tendo-se doutorado em piano com Sequeira e Costa na Universidade de Kansas nos Estados Unidos.
luis conceição recital de piano : Temos falado por vezes de Luís Conceição nas nossas recomendações de quinta-feira. Procuramos saber um pouco mais deste pianista na net mas não tem uma página pessoal ou pelo menos não a encontramos. Se alguém tiver conhecimento de mais informação deste (ou de outros artistas portugueses)diga-nos porque obviamente teremos o maior prazer em divulgar aqui. Pelo que pesquisamos, a menos que seja coincidência de nomes, sabemos também que Luís Conceição é igualmente compositor e director da Academia de Música de Tavira.
musica de Beethoven em 1970 : 1970 ? Bom primeiro não percebi a questão mas depois reparei que esse ano corresponderia ao seu ducentésimo aniversário. Se a questão é saber o que se organizou na altura para a comemoração deste aniversário é efectivamente uma boa questão. Não faço a mínima ideia ... E também não consegui encontrar na net, nem sequer na Casa Beethoven de Bona aqui. Se alguém conhecer um local onde se possa obter um programa das celebrações desse aniversário ... Entretanto podemos já começar a preparar 2020 com os 250 anos ou então um pouco depois em 2027 os 250 do seu falecimento.
E o prémio perplexidade da semana vai para "quem diz que nao,quem diz que nao,quem nao vier,nao gosta do sao joao" ... Certo. Eu gosto do S. João que fique registado :-)
sábado, 27 de dezembro de 2008
Tchaikovsky - Sinfonia nº 6 (Si menor) - Op. 74
Esta sinfonia termina a série de posts sobre as sinfonias de Tchaikovsky. Podem ler o artigo sobre a quinta sinfonia aqui.
Esta sinfonia foi composta entre Fevereiro e Agosto de 1893 tendo sido a ultima obra publicada do compositor (as restantes são obras publicadas após a sua morte). A Sexta Sinfonia foi também a ultima obra que o compositor dirigiu, precisamente a estreia da mesma em São Petersburgo no dia 28 de Outubro de 1893, uns escassos dias antes da sua morte. A sinfonia é dedicada ao seu sobrinho Vladimir Davydov.
As circunstâncias que a envolvem, a própria característica da composição - sombria quase sempre com explosões de fúria e de grande lirismo só poderiam levar a imaginação humana a atribuir-lhe um significado quase autobiográfico.
Os poucos factos que se conhecem e que nos podem ajudar na procura de uma verdade mais factual ainda que porventura menos romântica são relativamente escassos. Sabe-se que o próprio compositor a nomeou de "Pathétique" (apesar de ter sido aparentemente sobre proposta do irmão Modest). A palavra portuguesa "Patética" no seu uso actual não traduz a intenção do compositor que nos queria dar com esta indicação a noção de que esta era uma obra para ser ouvida "com o coração", uma obra que pretendia desencadear emoções fortes.
A segunda pista que temos quanto ao "programa" de Tchaikovsky relativo a esta peça pode encontrar-se numa carta que enviou ao seu sobrinho explicando
"Sabes que destruí uma sinfonia que estava a compor este Outono. Durante a minha viagem tive uma ideia para uma outra sinfonia, desta vez com um programa, mas um programa que vai ser um enigma para todos - Deixa-los adivinhar; a sinfonia terá o nome "Sinfonia com Programa" ... O Programa em si mesmo estará cheio de subjectividade e chorei bastantes vezes na minha viagem enquanto a compunha mentalmente.[...]"
Como podem ver por esta carta Tchaikovsky chegou a pensar num outro nome para a sinfonia mas resolveu aceitar a sugestão do irmão dado que este outro nome apenas iria chamar a atenção para o programa subjacente que não pretendia revelar pelo menos não no imediato. Embora em quatro andamentos esta sinfonia tem como elemento distintivo ultimo andamento lento.
O primeiro andamento (Adagio—Allegro non troppo) em Si Menor é uma verdadeira montanha russa de emoções cheia de tensão de passagens sombrias lentas, outras igualmente sombrias mas rápidas que formam um conjunto notável com duas belíssimas melodias sobretudo o segundo tema do desenvolvimento. Podem ouvir aqui a primeira parte do primeiro andamento e aqui a segunda parte.
O segundo andamento (Allegro con grazia) em Ré Maior é uma extraordinária melodia que contrasta com o primeiro andamento e que serve de contraponto à tensão exercida. É um movimento relativamente alegre no tom mas que nunca deixa a sensação do destino que se pode abater a qualquer instante. Acalma mas não o suficiente para nos tranquilizar completamente. Podem ouvir aqui este segundo andamento.
O terceiro andamento (Allegro molto vivace) em Sol Maior é uma espécie de marcha sem no entanto ser verdadeiramente triunfante, tal como o segundo andamento poderia ser uma alegre valsa sem nunca realmente o ser, nem pelo tempo que não é exactamente o de uma valsa nem pelo espírito. Numa interpretação pessoal diria que Tchaikovsky nestes dois movimentos procura transmitir-nos metaforicamente a instabilidade, o frágil equilíbrio em que repousa a nossa felicidade e o todo poderoso e tenebroso destino ao qual sempre nos abandonamos. Podem ouvir aqui este andamento cheio de energia e muito especial. Aliás este andamento acaba de tal forma que muitas vezes as pessoas acreditam que a sinfonia acabou.
O quarto andamento (Finale. Adagio lamentoso) em Si Maior retoma assim novamente o tom lúgubre do primeiro andamento. A vitória do tenebroso destino, quando se pensava a vitória. As partituras para Orquestra são bastante originais dado que a melodia é partilhada pelos primeiros e segundos violinos (efeito aliás reproduzido noutros naipes). Podem ouvir este quarto andamento aqui.
Esta sinfonia foi composta entre Fevereiro e Agosto de 1893 tendo sido a ultima obra publicada do compositor (as restantes são obras publicadas após a sua morte). A Sexta Sinfonia foi também a ultima obra que o compositor dirigiu, precisamente a estreia da mesma em São Petersburgo no dia 28 de Outubro de 1893, uns escassos dias antes da sua morte. A sinfonia é dedicada ao seu sobrinho Vladimir Davydov.
As circunstâncias que a envolvem, a própria característica da composição - sombria quase sempre com explosões de fúria e de grande lirismo só poderiam levar a imaginação humana a atribuir-lhe um significado quase autobiográfico.
Os poucos factos que se conhecem e que nos podem ajudar na procura de uma verdade mais factual ainda que porventura menos romântica são relativamente escassos. Sabe-se que o próprio compositor a nomeou de "Pathétique" (apesar de ter sido aparentemente sobre proposta do irmão Modest). A palavra portuguesa "Patética" no seu uso actual não traduz a intenção do compositor que nos queria dar com esta indicação a noção de que esta era uma obra para ser ouvida "com o coração", uma obra que pretendia desencadear emoções fortes.
A segunda pista que temos quanto ao "programa" de Tchaikovsky relativo a esta peça pode encontrar-se numa carta que enviou ao seu sobrinho explicando
"Sabes que destruí uma sinfonia que estava a compor este Outono. Durante a minha viagem tive uma ideia para uma outra sinfonia, desta vez com um programa, mas um programa que vai ser um enigma para todos - Deixa-los adivinhar; a sinfonia terá o nome "Sinfonia com Programa" ... O Programa em si mesmo estará cheio de subjectividade e chorei bastantes vezes na minha viagem enquanto a compunha mentalmente.[...]"
Como podem ver por esta carta Tchaikovsky chegou a pensar num outro nome para a sinfonia mas resolveu aceitar a sugestão do irmão dado que este outro nome apenas iria chamar a atenção para o programa subjacente que não pretendia revelar pelo menos não no imediato. Embora em quatro andamentos esta sinfonia tem como elemento distintivo ultimo andamento lento.
O primeiro andamento (Adagio—Allegro non troppo) em Si Menor é uma verdadeira montanha russa de emoções cheia de tensão de passagens sombrias lentas, outras igualmente sombrias mas rápidas que formam um conjunto notável com duas belíssimas melodias sobretudo o segundo tema do desenvolvimento. Podem ouvir aqui a primeira parte do primeiro andamento e aqui a segunda parte.
O segundo andamento (Allegro con grazia) em Ré Maior é uma extraordinária melodia que contrasta com o primeiro andamento e que serve de contraponto à tensão exercida. É um movimento relativamente alegre no tom mas que nunca deixa a sensação do destino que se pode abater a qualquer instante. Acalma mas não o suficiente para nos tranquilizar completamente. Podem ouvir aqui este segundo andamento.
O terceiro andamento (Allegro molto vivace) em Sol Maior é uma espécie de marcha sem no entanto ser verdadeiramente triunfante, tal como o segundo andamento poderia ser uma alegre valsa sem nunca realmente o ser, nem pelo tempo que não é exactamente o de uma valsa nem pelo espírito. Numa interpretação pessoal diria que Tchaikovsky nestes dois movimentos procura transmitir-nos metaforicamente a instabilidade, o frágil equilíbrio em que repousa a nossa felicidade e o todo poderoso e tenebroso destino ao qual sempre nos abandonamos. Podem ouvir aqui este andamento cheio de energia e muito especial. Aliás este andamento acaba de tal forma que muitas vezes as pessoas acreditam que a sinfonia acabou.
O quarto andamento (Finale. Adagio lamentoso) em Si Maior retoma assim novamente o tom lúgubre do primeiro andamento. A vitória do tenebroso destino, quando se pensava a vitória. As partituras para Orquestra são bastante originais dado que a melodia é partilhada pelos primeiros e segundos violinos (efeito aliás reproduzido noutros naipes). Podem ouvir este quarto andamento aqui.
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