terça-feira, 13 de outubro de 2009

As 10 pesquisas mais interessantes da Semana (#39)

As 10 pesquisas da semana 

  1. andamento adagio molto : Pois esta é uma designação daquelas que pode ser confusa. Adagio significa um andamento lento, e molto muito logo adagio molto significaria "muito lento. O problema é que quando se diz "muito" nós ocidentais tendemos a pensar em mais rápido ...
  2. "filipe pereira clarinete" : Por acaso (não sei se a palavra acaso estará correcta - não foi exactamente um acaso ... ), já tive a oportunidade de ouvir tocar por várias vezes o Filipe Pereira incluindo se não estou em erro no "Quator pour la fin du temps" de Messiaen. Procurei na net uma biografia deste excelente instrumentista português mas infelizmente não encontrei. Alguém me pode auxiliar ?
  3. a tilia + schubert : Uma das canções do ciclo Winterreise de Schubert de que falamos aqui.
  4. beethoven sinfonia nº2 analisada : Fizemos uma análise desta sinfonia aqui (como aliás de todas as restantes sinfonias de Beethoven). Iniciamos também neste blog a tradução das análises completas que o grande compositor francês Berlioz fez das nove sinfonias de Beethoven. O primeiro post sobre a nona Sinfonia pode ser lido aqui.
  5. bontempo : Domingos Bontempo (1775-1842) foi um dos grandes compositores do período clássico. Falámos dele no dia 10 de Junho de 2008, aqui.
  6. musica clássica para ouvir online : como já vos referi várias vezes não proporcionamos neste blog downloads de música clássica. Recomendamos o Youtube para verem e ouvirem as obras que seleccionamos. Quanto a este pedido há uma forma muito interessante de ouvirem música clássica online. Através das centenas de rádios de música clássica que existem. Há um site que lista cerca de 50 estações que operam na europa e mais umas largas dezenas nos Estados Unidos e ainda mais de vinte para o Resto do Mundo (em alguns casos poderão ouvir todas independentemente da vossa localização geográfica). Aproveitem, será praticamente impossível não estar a dar alguma coisa que gostem. Sim a lista inclui a nossa Antena 2.
  7. shinichi suzuki biografia : Já por várias vezes temos vindo a falar deste brilhante pedagogo japonês. Shinichi Suzuki (1898-1998) democratizou o ensino da música. Sabemos que o método (filosofia seria mais correcto) que preconiza gera bastante polémica. Não vamos discutir méritos ou deméritos ou tão pouco avaliar o mesmo pelos resultados que se obtêm porque acreditamos que os fins nunca justificam os meios. Preferimos referir que muito provavelmente para cada individuo existe uma forma única de aprender e por consequência uma forma única de ensinar. Esta será mais uma dessas formas adequada a alguns, desadequada para outros. Leiam aqui uma curta biografia.
  8. sinfonias melhores : De acordo com os nossos leitores as três melhores sinfonias são a Nona Sinfonia de Beethoven, a Sinfonia do Novo Mundo de Dvorack e em terceiro lugar empatadas a quarta de Brahms, a segunda de Mahler e a sétima de Beethoven. Na coluna direita deste blog podem ainda encontrar o top 10 e o top 25 segundo os nossos leitores.
  9. traducação da 7º sinfonia de beethoven : Lá está ... na música não é necessário tradução daí que esta pesquisa me tenha deixado na dúvida. Qual será efectivamente a questão? É uma interpretação, uma análise que se procura? A tradução da linguagem abstracta e metafórica em algo concreto? Nesse caso nós demos a nossa aqui, mas na verdade o meu conselho é simplesmente ligarem a vossa aparelhagem e abrirem a vossa alma ... a trdução irá literalmente caír do ceu. Para efeitos mais rápidos podem cometer o pecado (não mortal) de iniciarem a experiência pelo segundo andamento desta sinfonia.
  10. o que e a musica e porque a o dia mundial da musica : Bem a primeira parte desta questão levaria-nos muito longe. No post que fizemos por ocasião precisamente desta comemoração tentamos um misto de definição e de "raison d´être". Diriamos com Klemperer que a música é a "linguagem da alma" e com Baudelaire que ela "escava o ceu". Quanto ao dia mundial da música é uma iniciativa relativamente recente (1975) fruto da visão de um grande homem e violinista também, Yehudi Menuhin na altura presidente do International Music Council. Queria com este dia Menuhin celebrar a "paz entre os povos, a partilha das suas experiências e dos seus ideais estéticos". Queria também combater a poluição sonora tendo propondo que se fizessem nas cidades minutos de silêncio. Aliás e voltando á nossa demanda inicial colocada por esta questão abundam as definições de música que partem precisamente do silêncio, isto para já não falar da famosa obra 4´33´´ de John Cage.

Pesquisas Recorrentes

  • Biografia de Cláudio Monteverdi: Leiam aqui uma curta biografia.
  • Biografia de Henry Purcell : Temos efectivamente uma biografia de Henry Purcell no nosso blog. Podem ler aqui.
  • Biografia de Vivaldi : Leia aqui uma biografia com aspectos principais da vida deste compositor do período barroco.
  • Biografia de Jean-Pierre Rampal : Leia aqui uma biografia deste flautista do século 20 que devolveu à flauta o estatuto perdido de instrumento solista.
  • O que é a música clássica: Leia aqui uma resposta possível.
  • O que é um concerto grosso : Leiam aqui uma curta definição com links para alguns exemplos.
  • Sinfonias de Beethoven : Efectivamente analisamos as nove sinfonias de Beethoven recorrendo em parte aos textos de Berlioz. Neste post fizemos uma lista de todos os posts relativos a essas obras.
  • Grandes Maestros : Vejam aqui a lista
  • Grandes Violinistas: Vejam aqui a lista

Estatisticas


Tivemos esta semana 548 visitas (+3,79%) das quais 403 de Portugal (+12,89%) e 99 do Brasil (-23,85%). No terceiro lugar ficou França com 9 visitas. Lisboa com 121 visitas (-2,42%) foi a cidade com maior número de visitas em segundo lugar ficou o Porto com 68 visitas (+4,62%) finalmente em terceiro Ponta Delgada  com 48 visitas.

Destas 95 foram directas (-34,93%), 228 foram através de sites de referência (+55,51%) enquanto 225 foram de motores de pesquisa (-4,26%).

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

A Nona Sinfonia vista por Berlioz (Parte 1)

Sendo a nossa sinfonia preferida a Nona Sinfonia de Beethoven resolvi, como prémio de participação a todos os que por aqui passaram e votaram, fazer-vos uma pequena surpresa: Oferecer-vos uma tradução do texto com o qual Berlioz analisou a Nona Sinfonia de Beethoven. Aqui fica portanto a minha tradução do texto de Berlioz a partir do original em Francês.

O texto é por vezes um pouco técnico outras vezes revela de forma deliciosa o carácter de novidade que a obra de Beethoven "ainda" possuía no tempo de Berlioz e por isso em alguns pontos poderão encontrar um outro comentário meu (devidamente assinalados claro está). Berlioz que ele mesmo é um compositor merecedor da nossa admiração venera como veremos o grande mestre.

Finalmente tenho de vos confessar que para a atenção dos nossos dias o texto é um pouco longo e por isso resolvi dividi-lo em três partes que serão intercaladas com outros posts ... Na primeira parte teremos a Introdução, na segunda a análise a todos os movimentos excepto o quarto e por eliminação de hipóteses na terceira parte teremos o detalhe do quarto andamento.

Inicio do texto de Berlioz

Analisar tal trabalho é uma tarefa dificil que hesitei concretizar durante muito tempo. A única desculpa para uma tal aventura pode apenas repousar nos nossos esforços permanentes para ver a composição através dos olhos do compositor, penetrar o significado intimo, experimentar o seu impacto e estudar as impressões que suscitou naqueles que dispõem de uma sensibilidade excepcional assim como o público em geral.


Entre as várias análise expressas existentes deverá ser muito dificil encontrar duas concordantes. Alguns críticos consideram-na uma insanidade monstruosa; outros vêm na obra os brilhos que se apagam de um génio a morrer; outros mais cautelosamente argumentam que lhes parece por agora completamente incompreensível, mas não desesperam esperando vir a entendê-la mais tarde; a maioria no entanto daqueles que possuem sensibilidade artística considera-a uma concepção extraordinária apesar de algumas partes se manterem inexplicáveis e sem objectivo aparente.

Um pequeno número de músicos que por temperamento estão inclinados para examinar tudo o que possa expandir o reino da sua arte e que pensaram profundamente sobre a estrutura da Sinfonia Coral após terem estudado as partituras e ouvido-a atentamente várias vezes, afirmam que este trabalho lhes parece a mais perfeita expressão do génio de Beethoven: Acreditamos que já referimos que esta é a opinião que partilhamos.
 
Sem perguntar que ideias pessoais o compositor pode ter querido exprimir neste vasto poema musical - um tema completamente aberto a variadas conjecturas individuais - vamos procurar perceber se a originalidade da forma é justificada neste caso por uma intenção que é independente de qualquer pensamento filosófico ou religioso, pensamento esse que poderia parecer igualmente razoável e belo a qualquer um, seja ele um fervoroso cristão, um panteísta ou ateu, pensamento esse assim puramente musical e poético.

Beethoven já tinha escrito oito sinfonias antes de conceber esta. Para progredir em relação ao ponto que já tinha atingido apenas com recursos a instrumentos que outros meios teria disponíveis ? A resposta é a adição da voz humana. Mas para respeitar a regra do crescendo e para valorizar o poder do recurso adicional que desejava proporcionar à orquestra tinha na mesma de dar aos instrumentos o direito de serem os protagonistas na primeira do enquadramento musical que nos pretendia proporcionar. 

Uma vez estabelecido este pressuposto é fácil perceber o que levou à procura de um meio musical misto para servir de ligação às duas grandes articulações da sinfonia. O recitativo instrumental foi a ponte que ele teve audácia de utilizar entre o Coro e a Orquestra através da qual os instrumentos atravessaram e se juntaram às vozes.

Uma vez a transição estabelecido o compositor deverá ter desejado anunciar e motivar a fusão que se estaria a preparar. É nesse momento que falando através do solista do coro exclama, ao som do recitativo instrumental que tinha acabado de introduzir: Amigos! Não mais sons como estes, vamos cantar sons mais alegres, cheios de alegria ! Isto é por assim dizer o tratado de aliança entre o Coro e a Orquestra; o mesmo tema do recitativo utilizado tanto pela orquestra como pelo coro parece constituir a formula do juramento. Após isto restava ao compositor escolher o tema para a sua composição coral: Para isto Beethoven resolveu seleccionar Schiller e a sua "Ode à Alegria". Coloriu-a com incontáveis nuances que a poesia só por si nunca conseguiria transmitir e progride até ao fim adquirindo sempre mais e mais esplendor, grandeza e brilho.



Este é o racional que pode ser sugerido de forma mais ou menos plausível para o esquema geral deste imenso trabalho; vamos então agora estudar as suas partes individuais em detalhe.

Fim da primeira parte do Texto de Berlioz.

domingo, 11 de outubro de 2009

Anacruse

Esta palavra foi escolhida hoje também em homenagem ao blog Anacruses. Lê-se no preâmbulo do blog que a palavra provém do grego sendo a conjunção de duas palavras: Ana: acção de bater e Cruz : para cima. Quando utilizada em música significa um conjunto de notas que antecede o primeiro compasso completo ou de forma mais conceptual é um conjunto de notas que sendo iniciado num tempo fraco prepara o inicio da "verdadeira" melodia.

As anacruses embora possam desempenhar a sua função de várias formas têm sempre uma natureza de preparação quer pela sua "instabilidade" quer pela antecipação que proporcionam da melodia.

Um exemplo de uma anacruse célebre é o começo do terceiro andamento da Sonata para piano Op. 14 nº 2  de Beethoven.

sábado, 10 de outubro de 2009

Recomendações para o fim de semana 10/11 de Outubro 2009

Para este fim de semana começamos por vos propor uma interpretação que terá apenas lugar nos dias 20 e 21 de Outubro (às 18h e 15h respectivamente) no Grande Auditório da Escola Superior de Música de Lisboa. Trata-se da obra L´Angelica - Serenata per Música de João de Sousa Carvalho (1745-1799) numa estreia moderna desta obra que foi a primeira que este compositor produziu na corte ao serviço de D. Maria. Mais perto da data voltaremos a falar destes dois concertos mas para já aqui fica a nota.

Para este fim de semana propriamente dito e começando pelo sul teremos em Portimão no Auditório Municipal de Portimão o Coro e Orquestra do Norte dirigidos pelo Maestro José Ferreira Lobo. No programa teremos a nona Sinfonia de Beethoven. Será no Sábado às 21h e serão solistas Elvira Ferreira (soprano), Patricia Porzio (meio-soprano), Rui Taveira (tenor), Luís Rodrigues (barítono).

Ainda no Algarve em Tavira na Igreja do Carmo igualmente no Sábado dia 10 de Outubro às 21:30 teremos a Abertura da Ópera A Rainha Louca de Alexandre Delgado, o quarto concerto para violino e Orquestra de Mozart e ainda a Sinfonia nº 99 de Haydn. A orquestra será dirigida pelo maestro Osvaldo Ferreira sendo solista Katharina Krüger-Magieria (Violino)


Em Almada no Fórum Municipal Romeu Correia teremos o Coral Canto Novo no Sábado 10 de Outubro às 21:30. A entrada é livre. Embora o programa não seja conhecido este coro especializa-se em autores portugueses em particular Eurico Carrapatoso e Fernando Lopes-Graça pelo que será provável que pelo menos estes autores façam parte do programa.

Um pouco mais a Norte no Centro Cultural de Cascais sempre no Sábado 10 teremos um Recital de Violino (Luis Pacheco Cunha), Piano (Daniela Ignazzitto) e Violoncelo (Catherine Strynckx). Será às 18:30 e a entrada é livre. Serão interpretadas obras de F. Mendelssohn (Op. 49) e Schumann (Op. 63).


Ainda mais a norte no Centro Cultural e de Congressos das Caldas da Rainha teremos um recital de piano (Filipe Pinto Ribeiro) e viola (Gérard Causs). Será no Sábado dia 10 às 21:30 num programa com obras de Ludwig van Beethoven, Franz Schubert e César Franck. 
Finalmente na Casa da Música do Porto dirigida por Dmitri Liss teremos a Orquestra Nacional do Porto no Domingo dia 11 às 12h. Será interpretada a terceira sinfonia de Rachmaninoff comentada por Fátima Pombo.

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