terça-feira, 5 de outubro de 2010

Alfredo Keil (1850-1907)

Alfredo Keil (1850-1907) Em comemoração do centésimo aniversário da Implantação da República e como tínhamos prometido ontem (antes que se levantem as vozes dos  meus amigos monárquicos digo-vos desde já que embora republicano sou em absoluto a favor de um referendo, afinal de contas a República foi implantada  através de um processo revolucionário e nunca foi sufragada) vamos hoje, como prometemos aqui, falar do compositor Alfredo Keil o autor do nosso hino (da melodia) o poema sendo de Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931).

Alfredo Keil nasceu em Lisboa a 3 de Julho de 1850 filho de dois cidadãos alemães radicados em Portugal. O pai alfaiate da corte rapidamente adquire fortuna graças ao seu talento quer na costura quer na condução de negócios imobiliários permitindo assim que Alfredo Keil beneficie de uma educação esmerada primeiro em Portugal onde estudou com António Soller e com o pianista Húngaro Oscar de la Cinna.

Alfredo Keil foi um artista verdadeiramente multi-facetado. Foi um pintor prolifico tendo deixado mais de 2000 obras. Muitas vezes (demasiadas em meu entender) acusado de ser um diletante e um simples amador muito possivelmente pela diversidade dos seus interesses, acreditamos que é demasiado simplista e injusta semelhante afirmação. Não só porque a sua educação superior na Academia de Belas Artes de Nuremberga e depois com Luppi quando  volta a Lisboa não o deixa supor mas sobretudo porque a sua obra embora parecendo um pouco deslocada no tempo na verdade tanto na pintura como na música mais do que simplesmente romântica é precursora do nacionalismo, facto que seria de todo injusto não reconhecer.

Enquanto compositor as suas obras mais conhecidas são as três óperas D. Branca (1883), Irene (1893) e Serrana (1899) a primeira ópera escrita em Português e considerada então a melhor ópera portuguesa. esta ultima ópera além do mais incluindo elementos estilizados de folclore português é, apesar da sua aparente configuração romântica, uma verdadeira obra "nacionalista" no sentido que marca o inicio de uma escrita clássica portuguesa. Também nesta dimensão seria completamente injusto não reconhecer este facto.

Tal como também é profundamente injusto reduzir este compositor ao hino e a estas três óperas. Alfredo Keil escreveu várias belíssimas obras para piano, na mais profunda tradição romântica é verdade. Proponho-vos que ouçam a nossa ministra da cultura Gabriela Canavilhas numa interpretação do Op. 9 Murmúrios nº 2. Nas obras para piano e voz proponho o Op. 101 Canção do Cego (também com Gabriela Canavilhas ao piano e com a Soprano Ana Ferraz). Aliás o disco da Numérica Keil - Canções e Obras para Piano recomenda-se. Isto claro além da conhecida Marcha Fúnebre ou da Marcha de Gualdim Pais que seria o argumento final para fixar definitivamente Alfredo Keil como o precursor do nacionalismo musical português como aliás é referido no dicionário de música Grove Music Online que creio dispensa apresentações (aqui falando da ópera Serrana - a propósito libretto de Henrique Lopes de Mendonça baseado em obra de Camilo Castelo Branco "Como ela Amava"):

"Serrana was also seen by critics as the most successful of his attempts, and the most successful attempt of any composer up to that time, to create a Portuguese musical idiom, and for these reasons he is usually granted the position of founder of Portuguese national opera."

Menos conhecida mas não menos notável e precisamente reveladora do espírito de recolha musical e da envergadura da sua visão foi a sua coleção de instrumentos antigos que infelizmente foi parcialmente dispersa após a sua morte. Uma parte desta coleção encontra-se em exibição no Museu da Música (para quem não sabe fica na Estação de Metro do Alto dos Moinhos em Lisboa) de que obviamente se recomenda a visita.

D. Branca uma das óperas que mencionamos depois de mais de um século voltará ao S. Carlos. A ultima recita será hoje 5 de Outubro às 16h. Será possivelmente tarde demais para a maioria de vós mas se puderem não deixem de ir ...

Alfredo Keil faleceu em Hamburgo a 4 de Outubro de 1907. Curiosamente antes da implantação da República e antes de ver a sua composição ser escolhida para Hino Nacional. Não sabemos se aprovaria a escolha ...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Este blog está quase, quase a fazer 3 anos ... e a República 100 ...

Serão 3 anos no dia 6 de Outubro, 100 anos de República no dia 5 de Outubro  e os 46 anos do vosso escriba também no dia 6 Outubro. Consta na familia que na verdade nasci no dia 5 mas para não entristecer o meu avô monárquico como foi por uma questão de horas passaram-me por assim dizer para o dia 6.

Nunca pude confirmar esta teoria e a bem dizer também prefiro que se mantenha o romance ... O ano passado comemoramos os 99 da República com este post (em que fazíamos uma comparação dos hinos).  Este ano vamos comemorar através de música falando-vos de  Alfredo Keil (1850-1907) autor da música da portuguesa - o poema é de Henrique Lopes de Mendonça (1856-1931). Esse post será amanhã ...

Estou certo que os meus amigos monárquicos me perdoarão esta singela comemoração musical até porque no ano passado já confessei que até gosto mais do hino real ...

Para a comemoração dos três anos deste blog vamos ter algumas surpresas com alguns regressos e algumas novas ideias ... mas isso será assunto para dia 6 ...

Pesquisas de ontem: "sobre o op. 39 nº 15 de Brahms"

O opus nº 39  são um conjunto de 16 valsas que Brahms dedicou ao musicólogo, critico e amigo Eduard Hanslick. Foram compostas em 1865 e foram um dos grandes sucessos comerciais do compositor (nessa altura a venda de partituras e os contratos com as editoras das mesmas eram uma das fontes de rendimentos mais importantes dos compositores).

Originalmente para piano a quatro mãos Brahms mais tarde adaptou-as as piano solo (1867) tendo também para a grande maioria delas escrito versões simplificadas destinadas a amadores de música menos dotados tecnicamente.

Esta obra juntamente com a Op. 52, os primeiros dois livros das Danças Húngaras, e o Op. 49 nº 4 asseguraram a Brahms enorme popularidade entre os músicos amadores da época e possivelmente terão contribuído para uma injusta reputação de músico menor que certamente não é.

O nº15 de que o leitor fala é possivelmente a mais conhecida de todas as valsas do Op. 39. Neste outro post já vos tinha dado um link para uma excelente interpretação.

sábado, 2 de outubro de 2010

Post nº 1000 : Os vossos comentários a este blog (Parte 40 - 15 a 30 de Novembro de 2009)

No dia 19 de Novembro Moura Aveirense ficou contente por não nos termos esquecido de Aveiro nas nossas recomendações da semana : "Ahhhh, não se esqueceu de Aveiro :) Obrigada pela referência... o recital de hoje foi excelente, o pianista era mesmo muito, muito bom! Bom fim de semana, Moura Aveirense"

A 22 de Novembro num post em que falávamos de um período de ausência Gi comentava sobre as minhas lições de piano : "Aulas de piano? Boa! Eu gostava de aprender a cantar, mas parece-me um bocado utópico.Força, Fernando." Então como agora respondo: Nunca é tarde, nunca é tarde ou utópico. Ou melhor, as grandes coisas sempre começaram de utopias e para que uma coisa seja grande, para que valha a pena, nas palavras do poeta, basta que a alma não seja pequena. A sua Gi não será pequena jamais, logo ...

A 24 de Novembro Pianoman traduzia num post sobre Escalas (do nosso dicionário de termos musicais) dois termos de que não sabíamos o equivalente português : "Ionian= Jónio, Aeolian= Eólio". Geocrusoe por seu lado gostou de ler o texto em português : "Embora conheça o assunto, faz sempre bem pôr esta informação disponível a quem a quiser consultar em língua lusitana."

A 30 de Novembro Mário concordava connosco quanto à Joana Carneiro : "Sem dúvida, uma das certezas. Já a vi dirigir duas vezes a ONP e notou-se a diferença. A direcção da Joana Carneiro é muito segura e consegue uma boa coerência da orquestra. A sonoridade tende para o suave mas também sabe ser intensa."

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