domingo, 20 de fevereiro de 2011

A melhor pesquisa de ontem (#6) : As melhores Sinfonias do Mundo

Bem há muito tempo atrás, ou seja há alguns anos o que na blogosfera é uma eternidade, organizamos neste blog uma votação. Começamos com uma lista bastante alargada  (tem mais de 60 sinfonias) que queríamos que fosse representativa de todos os géneros e épocas. A votação foi à Australiana ou seja fomos eliminando progressivamente sinfonias pela votação dos leitores. Assim dessa primeira lista chegamos a uma outra com "apenas" 25 Sinfonias. Dessa lista também por votação os nossos leitores elegeram então um Top 10 que por sua vez foi votado tendo sido ordenado desta forma:

Beethoven nº 9 ............................28 (33%)
Dvorak "Novo Mundo" .......................25 (30%)
Brahms nº 4 ...............................20 (24%)
Mahler nº 2 ...............................20 (24%)
Beethoven nº 7 ............................20 (24%)
Beethoven nº5 .............................18 (21%)
Brahms nº 2 ...............................17 (20%)
Beethoven nº 3 ............................12 (14%)
Schubert nº 9 .............................10 (12%)
Mendelssohn "Italiana".....................08 (9%)

E foi esta a vossa escolha, muito romântica conforme podem ver pela lista. Talvez um dia destes voltemos a fazer uma nova escolha para vermos em conjunto se os nossos gostos se modificaram ou se antes pelo contrário se mantêm ...

Fernando Alípio de Vasconcelos - Ilha Menina (Quase Poema de S. Miguel)

Nos poemas do meu avô, Fernando Alípio de Vasconcelos há um em que penso quase sempre que vejo uma das fotografias do blog do Geocrusoe. Sei que é também um dos poemas do meu avô que o meu pai prefere. foi escrito em Ponta Delgada em Julho de 1968. Música para este poema?  Lieder Ohne Wort de Mendelssohn numa interpretação por Barenboim que faz realçar de forma extraordinária a melodia (Op. 30 nº 1) penso que esta nos seus momentos de calma e de maior ansiedade se conjugam de forma perfeita com o poema por isso a minha sugestão será: ponham o video e leiam em simultâneo ...




ILHA – MENINA
(Quase-poema de S. Miguel)

A ilha é Menina deitada no Mar…
cercada de espuma,
coroada de bruma,
a ilha é Menina que está p’ra noivar!

Senhor Santo-Cristo, de Ponta Delgada,
a Ilha-Menina com quem vai casar?

Seus picos são seios erguidos ao céu!...
E a terra queimada
é carne morena que a lava aqueceu!
Menina vaidosa, de verde vestida,
com novos enfeites em cada estação;
nas tardes de Maio, de azáleas florida
e o azul das hortenses no pino do Verão!

Senhor Santo-Cristo, de Ponta Delgada,
a Ilha-Menina com quem vai casar?
Esposa do Sol ou Noiva do Mar?...

Do Sol que a aquece e afaga num beijo?...
Do Mar que lhe canta suave balada?...

Do Mar ou do Sol, carícia mais doce
na carne morena lhe acende o desejo
E a Ilha estremece!...

- Valei-nos , Senhor!
Que a lava que é sangue, de novo se aquece
E a Ilha-Menina se entrega na posse
e morre de Amor!...

Senhor Santo-Cristo, de Ponta Delgada,
fazei o milagre de não a casar!
Deixai-a tranquila, vestida de verde,
de um verde tão verde que a vista se perde
e já não distingue as rendas de espuma,
o brilho das flores, os tules da bruma…

Deixai-a tranquila, sonhando ao luar…

S. Miguel – Ponta Delgada
Julho de 1968
F. Alípio de Vasconcelos

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Antonín Dvorák (1841-1904)

Este é um dos compositores de que me tardava mais falar porque está naquela categoria de músicos que tem pelo uma obra que me faz literalmente viajar à volta do mundo. Além de que como muitos outros é um compositor muitas vezes subestimado. Uma das obras que me serve de referência considera-o por exemplo inferior a Smetana ...

Dvorak nasceu a 8 de Setembro de 1841 em Nelahozeves perto de Praga. O pai era músico (embora não profissional)  desejava que ele seguisse a sua profissão (talhante) embora lhe permitisse seguir estudos musicais que cedo revelaram uma aptidão fora do comum.

Dvorak vai então estudar para Praga para a escola de órgão a única que para além do instrumento também tinha aulas de composição que Dvorak segue (esta terá sido talvez a única formação formal do compositor o que apenas torna mais notável a sua obra). Com 18 anos Dvorak é já um músico a tempo inteiro compondo essencialmente música de câmara e ganhando a vida tocando Viola de Arco e Violino em Orquestras ligeiras. Tem no entanto dificuldade em sobreviver com o parco salário. Por essa razão acaba também por dar aulas de piano actividade em que acaba por conhecer a irmã daquela que viria a ser sua mulher e com quem teria nove filhos.

Entre 1892 e 1895 Dvorak viveu nos estados Unidos mais precisamente em Nova Iorque onde foi director do Conservatório Nacional de Música (uma ideia dum filantropo que acabaria por não ter grande sucesso em termos de duração embora tenha desempenhado um papel interessante na criação de uma identidade americana na música).

De volta à Europa Dvorak concentra-se na música de câmara e sobretudo na Ópera e direcção do conservatório de Praga a partir de 1901. Dvorak faleceu em Praga a 1 de Maio de 1904 de falha cardíaca.

No que diz respeito à sua obra musical claramente a sua obra Sinfónica está entre a mais conhecida quer pelas sinfonias propriamente ditas em particular a Nº9 "From the New World" quer pelos seus poemas sinfónicos de que podemos destacar Water Goblin inspirado no poema Vodnik do poeta checo Karel Erben (1853). Dvorak notabilizou-se também na produção de música de câmara da qual podemos destacar o Op. 90 o famoso Trio Dumky de que propomos uma interpretação por um notável trio consistindo de Yo-Yo Ma no violoncelo, Perlman no violino e Rudolf Firkusny no Piano (se preferirem podem ouvir não menos notável o Beaux Arts Trio - constituido por Menahem Pressler (Piano), Hope (Violino) e António Meneses (Violoncelo)).

Embora fosse crente e muito possivelmente uma grande parte da sua "formação" musical se desse nas igrejas da sua boémia natal Dvorak compôs relativamente pouca música sacra. Porém a bem da verdade o seu Stabat Matter foi possivelmente a razão da sua enorme popularidade em Inglaterra onde rivaliza nesse aspecto com Haydn.

Guardamos para o fim deste post sobre Dvorak os seus três concertos. Se o de piano é geralmente considerado uma das suas obras menores tanto o Concerto para Violino e Orquestra em Lá Menor Op. 53 como o Concerto para Violoncelo e Orquestra em Si Menor Op. 104 são absolutamente notáveis. Para o primeiro escolhemos uma interpretação de Josef Suk neto do compositor de mesmo nome que se casou com a filha mais velha de Dvorak e um dos seus discípulos. Este violinista é portanto bisneto de Dvorak. Acreditamos que a escolha não poderia ser mais apropriada. Para o concerto de violoncelo escolhemos uma interpretação de Jacqueline de Pré.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

Para Ti - Dedicado a Maria de São José de Fernando Alipio de Vasconcelos

Um dos outros poemas do meu avô que decidi partilhar convosco é especialmente adequado a este dia 14 de Fevereiro. Foi um poema que o meu avô escreveu no Fundão em 1935 a 8 Dezembro e que dedicou à minha avó Maria de São José.

PARA TI

Foi numa tarde
à luz do Sol poente
à hora em que a terra
mais rescende
que nos beijámos
ambos longamente. . .
e longamente te disse
do amor que a ti me prende.
E penso desde então,
que ideia louca,
que tenho os teus lábios
eternamente em flor,
a perfumar de beijos minha boca.

Fernando Alípio de Vasconcelos - Fundão 08.12.1935

Que me desculpem mas para ilustrar este poema só consigo pensar num outro de Ary dos Santos, Estrela da Tarde. Espero que tenham todos namorado muito hoje ... 

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