Faleceu no passado dia 17 de Setembro Kurt Sanderling. Conhecido por ter sido bastante próximo de Schostakovich de quem temos falado ultimamente mas também pelo seus inegáveis dotes de direcção de orquestra, certamente entre os melhores do século XX.
Mahler e Beethoven talvez fossem os compositores em que exprimia melhor o seu talento tendo sido aliás um dos primeiros a interpretar a 10ª Sinfonia de Mahler na versão completada por Deryck Cooke. As suas interpretações da 9ª de Mahler ou das obras de Schostakovich são uma referência.
Nascido a 19 de Setembro de 1912 faltavam apenas 2 dias para completar 99 anos ... Dizia meio em jeito de anedota meio em jeito de homenagem que tinha sobrevivido aos três ditadores mais duros da Europa. Uma referência à sua origem germano-judaica que o levou a saír da Alemanha de Hitler para a Russia de Estaline e que mais tarde o fez retornar à então Republica Democrática Alemã de Honecker.
Dirigiu no Ocidente a Orquestra Philarmonia, a Royal Concert Concertgebouw tendo sido convidado para dirigir a Filarmónica de Los Angeles que recusou devido a compromissos anteriores. Tinha-se retirado em 2002.
Como sempre deixo-vos com música dirigida neste caso pelo Maestro Kurt Sanderling. Creio que gostaria que este post se terminasse com Das Lied von der Erde.
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
segunda-feira, 19 de setembro de 2011
Wikileaks, music, and power - Alex Ross: The Rest Is Noise:
Escolhemos para post de hoje uma relação curiosa entre a música clássica, o poder e as Wikileaks. Um blog nunca estaria completo sem pelo menos uma referência a essas "fugas" (não no sentido musical do termo bem entendido :-))
'via Blog this'
sábado, 17 de setembro de 2011
Dimitri Shostakovich (1906-1975) - A primeira crise
Passaram-se dois anos entre a estreia da ópera Lady Macbeth of the Mtsensk District em 1934 (aliás com considerável sucesso) até ao ano de 1936 em que surgem vários ataques a Schostakovich em particular um artigo intitulado "caos em vez de música".
Quando o Politburo vem ver a estreia da obra no Bolschoi (incluindo o próprio Stalin) Schostakovich também está na assistência tendo sido avisado por amigos de que o deveria fazer. Horrorizado o compositor percebe que Stalin detesta a obra. Note-se que estes dois factos correspondiam na altura a uma pena de morte (e isto não é uma metáfora artística, estamos a falar da efectiva eliminação física do compositor). Não admira assim que Schostakovich receie a partir desse momento Stalin e recear será certamente um eufemismo, pavor ou terror seria possivelmente mais adequado.
Facto é que os críticos que tinham aplaudido a ópera rapidamente se retractaram dizendo que não tinham reparado nas óbvias falhas da ópera sendo igualmente facto que o rendimento de Schostakovich desceu consideravelmente. As poucas oportunidades que apareciam eram para obras de propaganda ...
Schostakovich aplicava-se a sério nestas obras e de certa forma isso poderá ter-lhe literalmente salvo a vida. A resposta oficial do compositor deu-se com a Quinta Sinfonia que por isso é por vezes também apelidada "A Resposta Criativa de um artista soviético justamente criticado". A sinceridade como que Schostakovich se terá retractado e respectiva polémica associado merecerá obviamente um post. Por agora ficamos apenas com a música.
A Quinta Sinfonia representou uma reabilitação parcial e permitiu a Schostakovich respirar um pouco mais tranquilamente tendo igualmente iniciado a compor música de câmara de forma mais sistemática forma que também lhe permitia explorar outras ideias, como dizer mais "formalistas" ... Um bom exemplo desse trabalho é o Quarteto nº1 em Dó Maior (Op. 49 de 1938).
Outro bom exemplo é o Op. 57 - Quinteto para Piano em Sol Menor (1940) (este extracto vale a pena ser ouvido dado que no Piano está Marta Argerich, no primeiro violino Joshua Bell e no violoncelo Maisky). Aliás este quinteto vale-lhe o seu primeiro prémio Lenine consolidando de certa forma a reabilitação. Dizemos de certa forma porque pelo meio houve uma Sexta Sinfonia recebida friamente.
Pouco depois a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas vê-se envolvida na segunda guerra mundial apesar do pacto Germano-Soviético. Começa então em Leninegrado a composição da Sétima Sinfonia e o próximo post desta série ...
Quando o Politburo vem ver a estreia da obra no Bolschoi (incluindo o próprio Stalin) Schostakovich também está na assistência tendo sido avisado por amigos de que o deveria fazer. Horrorizado o compositor percebe que Stalin detesta a obra. Note-se que estes dois factos correspondiam na altura a uma pena de morte (e isto não é uma metáfora artística, estamos a falar da efectiva eliminação física do compositor). Não admira assim que Schostakovich receie a partir desse momento Stalin e recear será certamente um eufemismo, pavor ou terror seria possivelmente mais adequado.
Facto é que os críticos que tinham aplaudido a ópera rapidamente se retractaram dizendo que não tinham reparado nas óbvias falhas da ópera sendo igualmente facto que o rendimento de Schostakovich desceu consideravelmente. As poucas oportunidades que apareciam eram para obras de propaganda ...
Schostakovich aplicava-se a sério nestas obras e de certa forma isso poderá ter-lhe literalmente salvo a vida. A resposta oficial do compositor deu-se com a Quinta Sinfonia que por isso é por vezes também apelidada "A Resposta Criativa de um artista soviético justamente criticado". A sinceridade como que Schostakovich se terá retractado e respectiva polémica associado merecerá obviamente um post. Por agora ficamos apenas com a música.
A Quinta Sinfonia representou uma reabilitação parcial e permitiu a Schostakovich respirar um pouco mais tranquilamente tendo igualmente iniciado a compor música de câmara de forma mais sistemática forma que também lhe permitia explorar outras ideias, como dizer mais "formalistas" ... Um bom exemplo desse trabalho é o Quarteto nº1 em Dó Maior (Op. 49 de 1938).
Outro bom exemplo é o Op. 57 - Quinteto para Piano em Sol Menor (1940) (este extracto vale a pena ser ouvido dado que no Piano está Marta Argerich, no primeiro violino Joshua Bell e no violoncelo Maisky). Aliás este quinteto vale-lhe o seu primeiro prémio Lenine consolidando de certa forma a reabilitação. Dizemos de certa forma porque pelo meio houve uma Sexta Sinfonia recebida friamente.
Pouco depois a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas vê-se envolvida na segunda guerra mundial apesar do pacto Germano-Soviético. Começa então em Leninegrado a composição da Sétima Sinfonia e o próximo post desta série ...
sexta-feira, 16 de setembro de 2011
Tiago Cabrita - Duas Peças
Os que conhecem este blog sabem que a música contemporânea não é de forma geral "my cup of tea" mas ultimamente tenho estado aos poucos a mudar de percepção embora existam coisas que continuo sem conseguir ouvir ...
Serve este preâmbulo para vos propor (porque gostei) duas obras de um jovem compositor português, Tiago Cabrita, ambas interpretadas por músicos portugueses. Não consigo definir com total certeza qual das duas prefiro embora caso tivesse mesmo que escolher talvez me inclinasse para AntiClockwise interpretada por Artur Mouradian na Eliminatória do Prémio Jovens Músicos, Violino Nível Superior (aliás sobre este prémio voltaremos a falar em breve com uma proposta de uns dias bem passados).
A outra obra Rasgo de Melodia que vos proponho é interpretada por um quarteto composto por Isa Antunes (Piano), Mariana Pinto (Violino), Bárbara Pires (Viola) e Mariana Lobo Fernandes (Violoncelo).
Fiquem portanto com música portuguesa, feita por músicos portugueses neste regresso do vosso escriba que se pretende regular daqui em diante.
Serve este preâmbulo para vos propor (porque gostei) duas obras de um jovem compositor português, Tiago Cabrita, ambas interpretadas por músicos portugueses. Não consigo definir com total certeza qual das duas prefiro embora caso tivesse mesmo que escolher talvez me inclinasse para AntiClockwise interpretada por Artur Mouradian na Eliminatória do Prémio Jovens Músicos, Violino Nível Superior (aliás sobre este prémio voltaremos a falar em breve com uma proposta de uns dias bem passados).
A outra obra Rasgo de Melodia que vos proponho é interpretada por um quarteto composto por Isa Antunes (Piano), Mariana Pinto (Violino), Bárbara Pires (Viola) e Mariana Lobo Fernandes (Violoncelo).
Fiquem portanto com música portuguesa, feita por músicos portugueses neste regresso do vosso escriba que se pretende regular daqui em diante.
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