Considerando que esta votação termina já na próxima Segunda-feira esta é a ultima actualização que publico relativamente aos resultados.
Temos neste momento 399 votos (+65 do que na semana passada). Não se esqueçam que temos um guia de audição para poderem votar em consciência, o nosso Guia das 25 Obras Preferidas. Faltam três dias para o final da votação.
Estamos já no final do período de votação e gostava mesmo de poder contar com muito mais votos! Consultem o Guia de Votação e votem!
A Sinfonia nº 99 em Mi Bemol Maior deverá ter sido composta em Viena (1793) em preparação já para a segunda viagem. Foi estreada a 10 de Fevereiro de 1794. Haydn opta pela mesma configuração, 4 andamentos começando o primeiro andamento com uma introdução lenta seguida de um alegro um tema lento no segundo andamento um minueto no terceiro e por fim um andamento rápido. Nesta sinfonia destaca-se um desenvolvimento notável do primeiro andamento mas sobretudo o segundo andamento que se diz ser uma elegia à sua amiga Marianne von Genzinger que tinha falecido recentemente. Mesmo que assim não seja é verdade que esse andamento atinge uma profundidade emocional notável para uma obra do período clássico com toda a sua contenção sentimental.
A Sinfonia nº 100 (Militar) em Sol Maior deve o seu cognome ao segundo andamento que neste caso abandona o típico andamento lento pela utilização intensiva da percussão. Na verdade em toda a sinfonia podem ser com alguma imaginação detectados elementos "marciais" muito pelos ritmos utilizados. esta sinfonia foi estreada a 31 de Março de 1794 tendo sido provavelmente escrita tanto em Londres como em Viena entre os anos de 1793/1794.
A Sinfonia nº 101 em Ré Maior é intitulada "Relógio" de novo pelo ritmo introduzido no segundo andamento que se assemelha ao ruído desse mecanismo de precisão. Foi estreada a 3 de Março de 1794 sendo desde logo um enorme sucesso (considerada a melhor obra de Haydn até então).
A Sinfonia nº 102 em Si Bemol Maior será de acordo com os estudos mais recentes a que verdadeiramente se deveria chamar "Milagre" dado que o evento do candelabro terá efectivamente acontecido durante a sua estreia (e não na 96 como se pensou durante bastante tempo). Pelo facto de não ter nenhum sub-titulo é relativamente menos conhecida que a nº 100 ou 101 o que é uma injustiça porque por se trata de uma obra em que podemos encontrar tudo o que caracteriza Haydn. No primeiro andamento temos o elevado nível de tensão e agressividade que Haydn tão bem sabe gerir para criar verdadeiras montanhas russas. No segundo andamento é uma longa, delicada e complexa cantilena típico do génio de Haydn. O terceiro andamento por seu lado representa o aspecto "campestre" e simples de Haydn. Robusto mesmo. Simples. Por fim o ultimo andamento é um hino à alegria com os seus silêncios súbitos e transbordante energia; típicas "piadas" musicais de que Haydn tanto gosta.
A Sinfonia nº 103 - "Drum roll" - por motivos óbvios se ouvirem logo o inicio foi estreada a 2 de Março de 1795. Esta sinfonia em Mi Bemol Maior tem a estrutura mais comum das sinfonias de Londres abrindo com um adagio que se se transforma num Allegro seguido de um andamento lento que foi um dos grandes sucessos na estreia tendo sido pedida a sua repetição. Note-se a este propósito que nesta altura era frequente as obras serem interrompidas para ser repetido o andamento a pedido do público o que se pensarmos bem não deixa de fazer sentido numa altura em que não havia forma de aceder a esta forma de arte a não ser através da música tocada ao vivo ... Uma pessoa na sua vida se pudesse ouvir digamos uma sinfonia por mês teria muita sorte e faria com toda a certeza parte de alguns poucos privilegiados. O quarto andamento desta sinfonia é verdadeiramente uma das obras de primas de Haydn. Aliás para ser sincero as Sinfonias 102 a 104 representam o expoente da Sinfonia no Período clássico. Curiosamente destaca-se um solo para o primeiro violino que na estreia foi interpretado por Viotti, compositor de quem já falamos.
A Sinfonia nº 104 (Londres) tem um sobrenome algo esquisito dado que na verdade todas as 12 sinfonias de que vos falámos mereciam igualmente este nome; talvez por ser a ultima tendo sido estreada em 4 de Maio de 1795. Estruturalmente segue o esquema da maioria das restantes sinfonias deste conjunto.
Continuando a completar a nossa lista de 100 obras com descrições um pouco mais detalhadas de cada uma das obras hoje vamos abordar as 12 sinfonias que Haydn escreveu quando das suas duas visitas a Londres, um número apreciável mas ainda assim pequeno se comparado com o total de 106 sinfonias que Haydn completou. Embora seja verdade que estas obras sejam de dimensão muito mais curta do que as suas sucessoras do período romântico não deixa de ser um número apreciável.
Convém ainda dizer que Haydn é justamente considerado o pai do género Sinfónico por ter definido a forma e o ambito de uma composição em que a Orquestra no seu todo é "o solista". Uma sinfonia é uma obra em que é à Orquestra que no seu conjunto cabe o protagonismo. Uma obra essencialmente abstracta por natureza em que através da composição se melodias e harmonias os compositores conseguem transmitir sentimentos ou pelo menos sugeri-los.
Não tivesse o príncipe Esterhazy, empregador de Haydn desde 1760, falecido em 1790 e grande parte da Orquestra da corte sido dissolvida e o mundo não teria provavelmente tido a oportunidade de conhecer totalmente o génio de Haydn enquanto grande orquestrador. Na verdade com a morte do seu patrono Haydn embora tivesse retido o seu título foi finalmente autorizado a deslocar-se a Londres a convite de Johann Peter Solomon, violinista e grande editor que lhe encomendou precisamente 12 sinfonias retendo os direitos exclusivos de publicação.
A Sinfonia nº 93 foi composta em 1791, tem 4 andamentos começando com um Adágio-Allegro seguindo-se um andamento lento neste caso um Largo Cantabile para depois o terceiro andamento ser um Minueto terminando com um Presto. Foi estreada em Londres a 17 de Fevereiro de 1792. Tem como principal característica distintiva um elemento de surpresa no andamento lento típico do humor de Haydn que gostava de surpreender o seu público com elementos inesperados. Neste caso isto acontece no andamento lento no seu fim em que um fortíssimo do Fagote interrompe uma decrescendo gradual da orquestra totalmente a despropósito.
A Sinfonia nº 94 (A Surpresa) foi composta no mesmo ano (1791) e estreada a 23 de Março de 1791. Tal como a anterior possui 4 andamentos aproximadamente na mesma estrutura Adagio-Vivace Assai, Andante (também aqui com uma surpresa semelhante à descrita na Sinfonia nº 93), um terceiro andamento que também é um Minueto (Allegro) para terminar com um andamento rápido (Allegro Molto). Das sinfonias de Londres esta permanece uma das mais populares.
A Sinfonia nº 95 é a única das sinfonias de Londres que está escrita numa tonalidade menor (Dó Menor) sendo também a única que não tem no primeiro andamento uma introdução lenta. É talvez por essas duas razões aquela que parece emocionalmente mais profunda (o tema do primeiro andamento também ajuda significativamente a essa impressão) ou se preferirmos mais introspectiva. Não se conhece a data precisa da sua estreia embora se creia que esta possa ter ocorrido em 1791. Conhece-se pouco da estreia embora se saiba que foi recebida com pouco entusiasmo o que explica provavelmente a razão pela qual é única numa tonalidade menor que talvez não se ajustasse ao gosto de Londres na altura. Convirá dizer que sendo estas as poucas obras que Haydn escreveu com ênfase no publico procurou na verdade ajustar a sua escrita ao gosto que suponha ser prevalecente sendo também essa a razão pela qual introduziu várias novidades e surpresas nas composições, sempre no intuito de ter sucesso junto do público.
A Sinfonia nº 96 chamada "Milagre" deve o seu nome a um evento que aconteceu, se tiver na realidade ocorrido o que é incerto na estreia da Sinfonia nº 102 e não nesta. O que se passou foi que um candelabro caiu na sala não tendo provocado nenhum ferido pelo facto da audiência se concentrar na sala o mais perto possível do compositor tal era a vontade de o ver de mais perto libertando dessa forma a parte central onde caiu o dito objecto. Certo é que esta obra deverá ter sido a primeira a ser ouvida em Londres a 11 de Março de 1791. Como já devem ter percebido a numeração das sinfonias não corresponde à data da sua estreia.
A Sinfonia nº 97 (Solomon) é a quinta das sinfonias de Haydn tendo sido estreada a 3 ou 4 de Maio de 1792. Em Dó maior e com a construção mais frequente deste conjunto de sinfonias, a saber um primeiro andamento rápido com uma introdução lenta, depois um andamento lento seguido de um minueto com trio que neste caso dá o nome à Sinfonia dado que nos últimos 8 compassos o compositor indica que o concertino deverá tocar uma oitava acima dos restantes (concertino que neste caso era precisamente o violinista Solomon). Convirá notar que na altura em Inglaterra era usal o maestro dirigir a partir do "piano" o que Haydn fez na estreia desta obra.
A Sinfonia nº 98 a ultima da primeira parte deste ciclo de sinfonias foi estreada a 2 Março de 1792. Trata-se da primeira obra que Haydn escreveu nesta tonalidade e abre de forma bastante dramática com uma sequência melódica que nos deixa antever um andamento sombrio impressão que é rapidamente afastada pelo resto do desenvolvimento de todo o andamento seguindo desta forma a norma das Sinfonias de Londres. O ultimo andamento desta obra é o mais longo andamento final que Haydn escreveu sendo notável a vários títulos nomeadamente pelo aparecimento de um solo de violino acompanhado uns momentos mais tarde por um solo de piano.
No dia de Natal já tivemos neste blog uma grande variedade de temas. Desde os mais polémicos como uma dissertação sobre o papel do estado na protecção e no fomento da arte até à paz através da música quando vos falei da East-Western Divan Orchestra o maravilhoso projecto de Barenboim e Said.
Tivemos também neste dia compositores como Handel (Messiah), Bach (Oratória de Natal) ou Haydn (As Estações). Confesso-vos que este ano estava dividido sobre o teor do post tanto que o iniciei sem titulo esperando que esta retrospectiva me desse inspiração para o tema. Como por vezes acontece a inspiração surge do inesperado. Estava precisamente a debater-me sobre o que vos iria deixar musicalmente hoje quando oiço o meu filho a tocar a terceira partita de Bach a única numa tonalidade maior.
Assim e por inspiração "filial" voltamos hoje a Bach e a esta Terceira Partita BWV 1006 em Mi Maior que vos deixo com Itzhak Perlman (em duas partes).