domingo, 7 de novembro de 2010

Barbeiro de Sevilha (Rossini) - Sexta Parte

Podem ler as restantes partes desta história nos seguintes posts:


Os dois amantes tentam então fugir pela escada que no entanto desapareceu. Entram então Basílio acompanhado pelo notário. Basílio é comprado e aceita que o contrato de casamento seja assinado entre Rosina e o Conde. quando Bartolo enfim chega já é demasiado tarde. Bartolo acaba por resignar-se com a oferta do Conde Almaviva de manter o dote e a fortuna de Rosina em nome do seu cuidado na sua educação. Com este fim feliz chega-se então ao grande final.

sábado, 6 de novembro de 2010

Recomendações para o fim de semana (2010 - #44) - 6 e 7 Novembro de 2010

Começamos as recomendações para este fim de semana pela cidade de Ponta delgada onde no Coliseu Micaelense teremos o "O Barbeiro de Sevilha" pela Compañia Estúdio Lírico de Madrid será no Sábado às 21:30.

Em Évora integrado no VI Ciclo de Concertos “Música do Inverno” teremos no Convento dos Remédios um recital com Sandra Medeiros (soprano), Francisco Sassetti (piano), Rogério Medeiros (violoncelo). Será no Sábado às 18h.

Agora na zona de Lisboa teremos no dia 6 (Sábado) às 21h na Igreja de S. Roque a Orquestra Sinfónica Juvenil com o Coro do Instituto Gregoriano de Lisboa dirigidos por Christopher Bochmann. Será interpretada a Missa Nelson de Haydn. Serão solistas Elsa Cortez (Soprano) Larissa Savchenko (Contralto),  João Queirós (Tenor) e Armando Possante (Barítono).

Ainda na zona de Lisboa teremos no dia 6 às 17h no Grande Auditório da Escola Superior de Música a
Orquestra Sinfónica da ESML dirigida por Vasco Pearce de Azevedo. O programa é constituído pelo Entreacto nº 3 de Rosamunde (1823) de Schubert o Concerto para Violino e Orquestra nº 5 em Lá M KV 219 (1775) de Mozart e a Sinfonia nº 5 em Sib M D 485 (1816) também de Schubert. Uma mistura portanto de clássico e romântico (embora a 5ª sinfonia de Schubert seja bastante Haydiana e Mozartiana ...) . Será solista Tamila Kharambura no concerto para violino de Mozart. Este programa repete no dia 7 de Novembro (Domingo) às 16h no Teatro Municipal de Almada (Novo).

Ainda na zona de Lisboa mais precisamente na belíssima Igreja de Carcavelos no Domingo 7 de Novembro, às 16h não se esqueçam do Coro Vox Maris como vos falava aqui.

Sempre em Lisboa (este fim de semana a dificuldade da escolha é grande) no Teatro Nacional de São Carlos poderão ouvir "Contar Uma Ópera: Cavalleria Rusticana". Sábado e Domingo às 16h. A ópera será contada por Beatriz Batarda, com interpretação de Orquestra Sinfónica Portuguesa e Coro do Teatro Nacional de São Carlos dirigidos por Martin André.

Continuando por Lisboa teremos a Orquestra de Camara de Cascais e Oeiras dirigida por Kermit Poling e acompanhada por Sequeira Costa num concerto intitulado "Homenagem a Chopin". Será no Sábado às 18h no Auditório Municipal Ruy de Carvalho (Carnaxide) e a entrada é livre. No programa obras de Chopin (claro) e Mozart.

Um pouco mais a Norte na Ericeira (Casa da Cultura Jaime Lobo e Silva) teremos o quarteto Carlos Damas (violino), José Teixeira (violino), Valentin Petrov (viola), Jian Hong (violoncelo) e Anna Tomasik (piano) . Será no Sábado dia 6 às 22h com um programa constituído por obras de Maurice Ravel e César Franck.

No Cartaxo teremos os Solistas da Orquestra Metropolitana de Lisboa no Centro Cultural Município do Cartaxo num concerto intitulado "Concertos para Oboé e Cordas". Será no Sábado dia 6 de Novembro às 21:30. Serão solistas Sally Dean (oboé), Elena Komissarova (violino), Andrej Ratnikov (viola), Vladimir Kouznetsov (contrabaixo) e Marcos Magalhães (cravo). No programa obras de Handel, Telemann e Haydn.

Em Aveiro no Teatro Aveirense teremos um "Concerto Promenade" pelos alunos do Alunos do Conservatório de Música e Aveiro. Será no Domingo 7 de Novembro às 11h.

Na invicta cidade do Porto teremos também no Domingo dia 7 de Novembro ao meio-dia na Casa da Música do Porto a Orquestra Sinfónica do Porto dirigida por Yves Abel num concerto intitulado "Histórias de Encantar" . No programa obras de Ravel.

No Sábado dia 6 às 21:30 também na Invicta cidade do Porto teremos uma interpretação de "Nabucco" de Giuseppe Verdi pela Orquestra do Norte dirigida por José Ferreira Lobo

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Listen to This - Capitulo 1 - Crossing the border from Classical to Pop

Obviamente não vos vou (até por questões de direitos de autor) traduzir o livro todo ... vou apenas capitulo a capitulo dar-vos uma ideia da linha principal de raciocínio seguida. Vou neste momento já no capitulo 3 da leitura (escrever estes posts exige um pouco de distanciamento temporal) e pelo que li digo-vos desde já que é absolutamente um livro a ler. Notem ainda que ainda que este post seja inspirado no livro as palavras e interpretação são minhas e podem ser sujeitas a outras leituras.

Como vos referi o autor começa o capitulo com uma frase que imediatamente capta a nossa atenção:"Eu odeio a música clássica: Não a música em si, mas o nome. Congela uma forma de arte viva num parque temático do passado". Na verdade o autor começa por referir que a forma elitista e pretensamente superior como é tratada a música clássica leva-a a ser considerada como uma forma de arte imutável (porque perfeita) e logo morta, quando deverá ser tudo menos isso.

Considera em seguida que em boa verdade este é já um caso de uma morte anunciada de forma permanente porque já há 20, 30, 40, 50 ou mesmo mais tempo se anunciava o seu declínio citando a esse respeito Charles Rosen que afirma: "A morte da música clássica é talvez a sua mais antiga tradição".

De seguida Alex Ross descreve a sua infância e a forma como apenas ouvia música clássica, pelo discos dos seus pais. Fala em particular de uma interpretação da 3ª de Beethoven dirigida por Bernstein e que continha um guia de audição. Nesse guia Bernstein falava de uma nota especifica um Dó Sustenido como sendo uma autentica "punhalada" (stab). Diz o autor que não se pode pensar na terceira com um suspiro dizendo "ah isto é civilização". Não as músicas devem ser ouvidas independentemente do seu género pelo que nos inspiram e nesse particular a terceira é tão revolucionária como um rap.

Alex Ross diz-nos que descobriu o "pop" bastante tarde, no liceu onde se apercebeu que mais ninguém gostava de música clássica. Explica-nos então que talvez por isso vê esse tipo de música com uma maturidade diferente, ao passo que para ele a música clássica é sempre uma remanescência da força da adolescência. Em todo o caso recusa-se a aceitar que um qualquer tipo seja superior a um outro ou que um seja uma música para a alma enquanto outra é para a mente. Depende da alma e da mente do destinatário.

Explica-nos então que o gosto por música do passado é relativamente recente - como sabem os leitores deste blog começou talvez no fim do barroco com Bach tendo atingido padrões mais ou menos semelhantes aos actuais no inicio do século XX (embora nessa altura ainda estivessem vivos e logo a produzir muitos dos músicos que hoje englobamos na categoria "clássicos"). Como se lembram compositores como Mendelssohn e Mahler por exemplo tiveram nesse particular especial relevância ao "descobrirem" obras de Bach por exemplo entre muitas outras. Não é que essas obras não fossem conhecidas antes. Eram-no, mas apenas nos ciclos "académicos". Considerava-se então que não interessariam os "gostos modernos". Lembra-vos alguma coisa? Alex ross identifica mesmo um livro em particular uma Biografia de Bach por Johann Nikolaus Forkel que pode representar na perfeição o incio desse movimento.

Em paralelo (e por consequência) com esse gosto pelo passado o autor refere que aos poucos os locais de concerto e os próprios concertos foram-se tornando uma espécie de locais de culto, cada vez mais formais sacralizando os compositores, banindo a improvisação e a espontaneidade. Contrariamente ao que acontecia os ouvintes foram gradualmente banindo o novo preferindo o antigo e formalizando a audição e criando um código de comportamento contido próprio à "grandeza" e à reverência devida "a grande música" e aos grandes compositores. Em consequência os próprios compositores no inicio apreciaram esta mudança de comportamento. Assim em vez de ruidoso o público poderia em silêncio apreciar as subtilezas escondidas nas suas composições. Claro que isto esconde um perigo ou um problema se quisermos. É que se escrevemos composições que requerem esse nível de atenção e de conhecimento estamos obviamente a tornar mais difícil a sua apreciação ao ponto em que a música de hoje é possivelmente um tratado formal de composição: Erudito mas pouco amável. Ou seja os compositores foram ganhando um público mais atento mas ao mesmo tempo foram deixando de ter a sua preferência porque a formalização da audiência os levava a preferir o passado e porque eles próprios se foram afastando tornando cada vez mais subtis e difíceis as suas composições começando literalmente a escrever para eles próprios e para um circulo de iluminados ...

Defende ainda Alex Ross que os vários tipos de música passam por vários estágios, vários ciclos, toda a música se tornando clássica no seu "fim". Não é por acaso que hoje falamos de Rock Clássico ou de Jazz Clássico. Imagina ainda um amante do Pop que por acaso se tenta converter à música clássica começando por comprar um disco e depois indo a um concerto onde esbarra com o convencionalismo do traje até às idiossincrasias da sala de concerto e sobretudo à falta de alma e de paixão que observa por todo o lado. Dos músicos ao publico que dorme ou se preocupa apenas com o respeito absoluto dos protocolos.

De certa forma este blog quando foi iniciado foi precisamente para tentar facilitar a "conversão". Não porque achemos que a música clássica é superior a qualquer outra forma mas porque achamos que merece ser ouvida. Mas como diz Alex Ross não o merece por ser passado. Merece-o por ser precisamente presente e poder ser reinventada a cada interpretação.

No segundo capitulo do livro iremos falar do significado intrínseco da melodia na música por isso mantenham-se atentos.

domingo, 31 de outubro de 2010

Post nº 1000 - Epilogo das comemorações dos 1000 Posts

Como tínhamos prometido haveria um ultimo post em que fariamos um resumo das várias sugestões feitas para esta comemoração e uma indexação para as 42 partes que constituíram estes posts. Para aqueles de vós que como eu são doidos por estatísticas posso dizer-vos que neste momento temos 1247 posts e 2022 comentários.

A ideia para o lançamento desta comemoração começou com este post em que vos pedia sugestões de como comemorar o acontecimento e onde tivemos de imediato uma meia dúzia de sugestões diferentes (não se preocupem que já vos conto quais foram). Uns dias mais tarde neste outro post reforçamos o pedido de ideias e onde obtivemos desde logo mais três ideias. A quinze posts do mágico número 1000 fizemos uma resumo das ideias existentes.

Por fim no Post nº 999 comunicava-vos a decisão de dedicar o post nº 1000 aos vossos comentários. Mal eu sabia então que teria de o fazer em 42 partes diferentes mais um epilogo, mas valeu a pena. Tal como vos disse então este blog não existiria sem os vossos comentários. Quem participa dando a sua opinião, corrigindo, criticando ou louvando é pelo menos tanto como eu responsável por aquilo que por aqui se pode ler e seguramente pela minha vontade em continuar.

Para terem uma listagem de todos os posts de comemoração o mais simples é seguirem a TAG respectiva ...

Agora quanto às sugestões que me deram e que não foram concretizadas claro que merecem aqui uma palavra especial. Assim e por ordem de sugestão aqui vão:
1) Dialectos de Ternura : "E que tal aproveitar o «diz que não gosta de música clássica»
como ponto de partida para a letra de uma melodia? Falo sério! Mas também não me desagradaria uma dissertação sobre o significado da palavra «timbre», nos instrumentos, nos executantes, e no vocal. Se não fôr pedir muito, claro! Se fôr, obrigada na mesma. O verdadeiro desafio é chegar mesmo aos mil até o final do ano, sou péssima a contas, mas acho que não vai ser pêra dôce. Mas como apreciadora incondicional do seu trabalho e esforço dedicado ao reconhecimento deste belíssimo género musical faço votos para que consiga alcançar o seu/nosso objectivo. Bom fim de semana! Faça sol ou faça chuva, a ´música é sempre bela!". Como disse na altura uma música ou um poema estão fora de alcance ... A definição de timbre porque não, creio que ainda não o fizemos mas é um tema possível para o nosso dicionário.
2) RJ : "E que tal um livro do estilo "Música Classica para Totós""? Bem é uma ideia engraçada, de certa forma a ideia deste blog é um pouco essa e por isso podemos considerar que aos poucos está a ser realizada.
3) De Verdi a Monteverdi : "Parabéns pelo blog!! Para comemorar o post número 1000, um desafio: Que tal uma lista com as suas 1000 obras preferidas? Muito trabalho listar, levaria muito tempo. Mas pelo menos as 100 de que você mais gosta!! Obrigada pelos posts de cada dia. Abraços". 1000 é realmente muito. Para já começamos por 100 quem sabe se vamos um dia chegar às 1000 ...
4) O Sofá Amarelo : "Talvez uma sondagem sobre o tipo de música que os artistas ouvem. Ou os compositores de que mais gostam. Um forte abraço e parabéns antecipados!!!" Bom ora aqui está uma sugestão que não sei como realizar nem sei se essas preferências serão assim tão diferentes das nossas e se o forem se são reveladoras de alguma coisa. No livro de Alex Ross que vos tenho vindo a falar há alguns tópicos perto desta questão pelo que me palpita que vamos falar um pouco disto.
5) Fantasia Musical : "Eu sei que foge um pouco à ideia geral deste blogue, mas gostaria de saber um pouco mais acerca dos grupos portugueses que têm surgido na onda da música com materiais não convencionais, do género dos STOMP. Já ouvi falar nos "Bidons"(?!) e num grupo de raparigas, mas pouco sei sobre o assunto e seria interessante até por causa dos meus alunos ;)" Realmente bastante fora embora perto pelos objectivos. Não creio que será para tão cedo.
6) lalage : "Parabéns! E que tal um jogo de adivinhas musicais? Sei lá, identificar intérpretes pelas fotos, associar músicas a situações em que ocorreram. Um pouco na onda do http://diasquevoam.blogspot.com/". É uma ideia interessante talvez a venhamos a utilizar no futuro.
7) Geocrusoe : "Que tal comemorar com apresentação de uma selecção de obras-primas da música de erudita portuguesa para as várias épocas da história da música? Promover o que é do país pode ser uma forma diferente de comemorar, afirmo que conheço mal a música nacional". Temos vindo de vez em quando a fazer alguns post sobre compositores e obras portuguesas. Falta uma estruturação geral mas é um tema que tem vindo aos poucos a ser abordado.
8) Pianoman : "Eu proporia um Quiz (trabalho extra para o Fernando...pois...). Uma espécie de "teste" de escolha múltipla, por exemplo. O vencedor receberia um CD ou qualquer coisa assim do género (encargos - $$$ - para o Fernando...pois...) de preferência com alguma das obras vencedoras das votações realizadas no blogue.". Talvez no próximo aniversário ...
9) Mário : "Fernando,é uma sugestão óbvia e trivial, mas lá vai, é o melhor que posso: esmiuçar a sinfonia dos 1000 de Mahler ( a 8ª). Com som de computador é difíil arranjar trechos de qualidade. Mas como é uma obra complexa e das mal-amadas de Mahler, talvez uma análise e textos ajudassem a motivar para a audição. Confesso que é obra onde ainda não consigo chegar. Há quem diga que é o mais próximo que Mahler esteve de compor ópera...". Esta sugestão até porque estamos num duplo aniversário Mahleriano vai ser para breve.
10) Il Mondo Classico : "Olá caro Luciano! Adorei essa idéia de ter um assunto certo para o post nº1000 e desde já te parabenizo pelo maravilhoso blog, que você sabe muito bem que gosto muito! Adorei a idéia das 1000 músicas, mas é claro que é muito trabalhoso um post desse assunto e também achei ótima a idéia de post sobre grandes compositores portugueses! Darei uma opinião: por que não fazes um post em cada fim de semana sugerindo dez obras de compositores famoso como de compositores portugueses? Assim no final de 100 semanas estaria completa sua meta de 1000 músicas! haha Um grande abraço de um amigo Brasileiro!". Sobre as 1000 já falamos.

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