sábado, 3 de dezembro de 2011

Alban Berg (1885-1935)

Tinhamos falado ainda que brevemente sobre este compositor num post em que referíamos um livro Alan Berg e o seu Mundo. Porém não falamos do compositor nem da sua obra. Ora seguindo o Guia da Música de Câmara o próximo compositor que não abordamos era este e logo será ele o tema do post de hoje.

Membro da segunda escola de Viena (com Schoenberg e Webern) nasceu precisamente nessa cidade a 9 de Fevereiro de 1885. Mais interessado em literatura do que em música iniciou a sua formação musical relativamente tarde e logo com Schoenberg. Apesar disso a sua primeira obra a Sonata para Piano enquanto primeira obra foi desde logo o sinal do génio. 

A sua paixão pela literatura obviamente viria a guiar uma parte da sua vida enquanto compositor já que algumas das composições mais notáveis são precisamente Lieder ou Óperas. No primeiro caso o ciclo 
Sieben Frühe Lieder contém algumas canções lindíssimas de que posso por exemplo destacar Die Nachtigall. No primeiro caso (das operas) claro que teriamos de abordar Wozzeck.

O que para mim é particularmente interessante é a capacidade de Berg de aliar algum romantismo quer à atonalidade quer mesmo ao dodecafonismo. Em ambos os casos Berg interpretou-as de forma muito diversa do resto da segunda escola vienense e talvez por isso seja por vezes considerado o mais abordável do três.

Queria para finalizar propor-vos o Quarteto para Cordas (Op. 3) completamente atonal neste caso e em dois andamentos, o primeiro numa forma de Sonata relativamente livre o segundo seguindo a estrutura de um Rondo. Mentiria se vos dissesse que está na lista dos meus preferidos ... Se querem mesmo ficar com uma única destas sugestões eu recomendaria os Sieben Frühe Lieder de que vos deixo então um outro exemplo dos sete, neste caso a No.6 Liebesode neste caso interpretado por Renée Fleming.

Alan Berg faleceu em circunstâncias bastante dramáticas de um envenenamento do sangue devido à falta de cuidados médicos em grande parte consequência de uma ferida mal tratada.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Mais um protesto da série "Ocupar Wall Street"

No primeiro post de hoje falei-vos deste protesto mas sem explicar do que se tratava porque na verdade não tinha tido tempo de analisar o fundamento do mesmo. Depois de ler e reler o texto do Alex Ross confesso-vos que continuo sem perceber completamente. Pelo que entendi o autor da referida obra tem objecções à diferença existente entre a moral transmitida pela sua peça e os mecanismos de financiamento da máquina que a tornam possível.

Por essa razão resolveu organizar uma espécie de happening à saída da referida obra ... lendo uma passagem do texto da dita.

Confesso que fico sem saber bem o que pensar a não ser talvez que chorar com a barriga cheia é fácil? Se tem objecções porque não as expressar antes e até não permitir que a sua obra - ou pelo menos esta que tem um tipo de conteúdo especial - seja interpretada neste palco?  Tenho neste caso alguma dificuldade em colocar-me do lado do artista.

Por outro lado registe-se que em Nova Iorque no mesmo dia aproximadamente à mesma hora havia pelo menos dois grandes espectáculos a decorrer perto um do outro ... a 10ª de Mahler a que Ross foi assistir e a tal representação da opera de Glass. Nesse particular sei bem o que pensar e não é nada cristão: Que inveja !

Por fim não quero terminar sem chamar a atenção para o final do texto em que se comparam os preços dos bilhetes de vários tipos de espectáculo. Não sei se por cá a proporção será bem a descrita no texto (seria engraçado fazer a comparação, vou tentar ... ) mas deixa-nos a pensar o que é efectivamente elitismo se tomarmos como base esse critério de julgamento.

Tempo de Protesto : Alex Ross: The Rest Is Noise: The Satyagraha protest

Bem parece mesmo que os protestos estão na ordem do dia. Sabemos que a Gi não gostou desta ópera, não sabemos se esteve em Nova Iorque :-) ... Por agora só link, mais tarde os comentários ...

Alex Ross: The Rest Is Noise: The Satyagraha protest:

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quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

1 Dezembro de 1640 - D. João IV e Adeste Fideles

No dia de hoje há mais de 5 séculos terminou um período da história de Portugal em que deixamos de ser independentes e fomos submetidos à coroa Espanhola. Nesse período de 60 anos Portugal perdeu uma parte substancial da sua posição no Mundo tendo pago caro a "ajuda" que recebeu de Inglaterra ...

Como sabem aqui neste blog comemoramos com música e por isso nada mais adequado do que o fazer com a recordação de D. João IV, primeiro Rei de Portugal após a Restauração. E é adequado porque este rei foi apelidado, justamente diga-se, o Rei Músico pela sua erudição quer enquanto estudioso e teórico quer enquanto compositor.

A sua biblioteca infelizmente perdida no terramoto de 1755 era considerada uma das mais completas da Europa no que à música diz respeito.

Para comemorar esta data com música e estando perto do Natal resolvemos mostrar-vos Adeste Fideles embora seja hoje muito controversa a sua autoria foi durante muito tempo atribuída ao nosso Rei e a verdade é que bem poderia ter sido (ou foi, na verdade os factos estão longe de ser lineares). A versão que escolhemos é lindíssima em todo o caso. A nossa forma de comemorar os dias especiais: Com música pelo Restaurador da independência.

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