Diz o nosso Primeiro que este dia não é do Governo, diz o nosso Primeiro que este dia é do Povo. E tem toda a razão: É mesmo nosso !
Neste blog já se festejou este dia em 2011 apelando à participação cívica, em 2010 com a Festa da Música no CCB que coincidiu com este dia 25, em 2009 com um exercício de memória e em 2008 foi festejado com Beatles (If you Want to Start a Revolution) e com uma cronologia exacta dos principais eventos ...
É precisamente por ser nosso que temos também o direito de achar que o estão a roubar - tenhamos ou não razão isso é questão de debate - mas direito de achar que nos estão aos poucos a levar para um outro caminho isso temos. Essa é a essência da liberdade. Não se pode caro Primeiro reconhecer o direito de propriedade para logo a seguir desconfiar da expressão da mesma seja ela por qual cidadão for, seja de que maneira for, desde que com correcção e com respeito pelo próximo. Não vale é caro Primeiro fazer juízos de intenção ou de valor. Não se esqueça que acima de qualquer dever de representação está o dever da consciência.
Mas porque é de música que vamos falar este ano neste contexto decidi celebrar convosco com o protocolo que tenho com o meu filho há mais de 10 anos: Ver o filme Capitães de Abril. Convido-vos a procurarem uma forma de conseguirem fazê-lo (uma sugestão possível logo aqui no parágrafo seguinte)
Se não conseguirem este post destina-se também a uma outra homenagem. Á extraordinária banda sonora do filme tantas vezes esquecida autoria do Maestro Antonio Vitorino d´Almeida. Se não conseguirem encontrar forma de ver o filme (no YouTube podem encontrar aqui o filme completo) então proponho-vos a melhor coisa a seguir uma fabulosa canção dessa banda sonora, As Brumas do Futuro. Música de António Vitorino d´Almeida, letra de Pedro Ayres de Magalhães interpretada por Teresa Salgueiro e os Madredeus.
25 de Abril, Sempre !
A única música que precisa de embalagem é a música de plástico.
quarta-feira, 25 de abril de 2012
terça-feira, 24 de abril de 2012
Harutiun Dellalian (1937 -1990)
Bom em dia de homenagem depois do livro um post no Facebook chamou-me a atenção para este compositor Arménio que não conhecia confesso.
Neste dia que sei ser especial para a Arménia e para todos os Arménios já que representa o inicio do primeiro grande genocídio dos tempos modernos levado a cabo pelo Império Otomano a partir de 1915 aqui fica em música a minha homenagem a esse povo.
A titulo pessoal posso dizer-vos que desde a minha adolescência o esquecimento a que este evento da história moderna é votado não cessa de me surpreender. Estamos a falar de um genocídio planeado e executado friamente com mais de um milhão de mortos.
Conheci o drama - admito sem perceber muito bem de que se tratava - ao ouvir com a minha mãe uma canção de Aznavour mas ficou-me na memória (e com muitas perguntas à minha mãe também). Desculpem-me mas não resisto a partilhar e a convidar-vos a estudarem um pouco mais ... Azanavour - Ils sont Tombés
Quanto ao compositor arménio Harutiun Dellalian embora a sua obra seja pouco abundante e muitas obras não estejam completas o que existe não deixa dúvidas sobre o seu talento. Mas mais do que tudo o que possa dizer deixo-vos com um filme que é uma excelente biografia deste compositor. São 45 minutos que valem a pena, garanto-vos uma excelente história.
Neste dia que sei ser especial para a Arménia e para todos os Arménios já que representa o inicio do primeiro grande genocídio dos tempos modernos levado a cabo pelo Império Otomano a partir de 1915 aqui fica em música a minha homenagem a esse povo.
A titulo pessoal posso dizer-vos que desde a minha adolescência o esquecimento a que este evento da história moderna é votado não cessa de me surpreender. Estamos a falar de um genocídio planeado e executado friamente com mais de um milhão de mortos.
Conheci o drama - admito sem perceber muito bem de que se tratava - ao ouvir com a minha mãe uma canção de Aznavour mas ficou-me na memória (e com muitas perguntas à minha mãe também). Desculpem-me mas não resisto a partilhar e a convidar-vos a estudarem um pouco mais ... Azanavour - Ils sont Tombés
Quanto ao compositor arménio Harutiun Dellalian embora a sua obra seja pouco abundante e muitas obras não estejam completas o que existe não deixa dúvidas sobre o seu talento. Mas mais do que tudo o que possa dizer deixo-vos com um filme que é uma excelente biografia deste compositor. São 45 minutos que valem a pena, garanto-vos uma excelente história.
No Dia Mundial do Livro uma Homenagem ... Aos "libretistas"
Um dos elementos mais importantes de várias formas de música é o autor que se encarrega de adaptar ou escrever de raiz o texto que servirá de base a uma composição musical. No outro dia falávamos de Richard Strauss que se queixava de não conseguir encontrar um bom libretista. Não foi certamente o único na história da música que se queixou desse problema.
Em boa verdade também é justo dizer que bem o criaram (o problema) ao subalternizar quem assegura a qualidade literária do texto em que se baseiam.
Há demasiados libretos de qualidade para escolher simplesmente um que os represente porém como prometi não haver post sem música decidi mostrar-vos um de um autor que conseguiu atingir notoriedade e assegurar pelo menos uma posição de igualdade.
Fiquem portanto com Oedipus Rex uma Ópera de Igor Stravinsky com libretto de Jean Cocteau (a propósito um dos grandes defensores de Erik Satie que tem estado muito em foco neste blog ultimamente) baseado no drama com o mesmo nome escrito por Sophocles. Muito apropriadamente esta obra marca também o inicio do período neo-clássico de Stravinsky.
Em boa verdade também é justo dizer que bem o criaram (o problema) ao subalternizar quem assegura a qualidade literária do texto em que se baseiam.
Há demasiados libretos de qualidade para escolher simplesmente um que os represente porém como prometi não haver post sem música decidi mostrar-vos um de um autor que conseguiu atingir notoriedade e assegurar pelo menos uma posição de igualdade.
Fiquem portanto com Oedipus Rex uma Ópera de Igor Stravinsky com libretto de Jean Cocteau (a propósito um dos grandes defensores de Erik Satie que tem estado muito em foco neste blog ultimamente) baseado no drama com o mesmo nome escrito por Sophocles. Muito apropriadamente esta obra marca também o inicio do período neo-clássico de Stravinsky.
segunda-feira, 23 de abril de 2012
Erik Satie - Vexations e as eleições em França
Erik Satie foi um músico muito difícil de definir. Se tivéssemos de escolher uma única palavra para o definir escolheríamos revolução. E em homenagem à França, em homenagem às promessas que alguns reputam de impossíveis ou irrealizáveis deitando por terra 80 anos de evolução ao abrigo de um liberalismo de que por vezes não entendem totalmente as consequências, em homenagem a Satie habitante sempre de uma "banlieue" pobre de Paris, em homenagem ao revolucionário membro do Partido Socialista Radical e sobretudo em homenagem a quem em 1903 sem ter praticamente nada empregava uma boa parte do seu tempo no auxilio dos menos afortunados do que ele, em homenagem a tudo isso deixo-vos:
Vexations de Erik Satie
Com algumas pequenas explicações:
1) Não sou (infelizmente?) revolucionário como Satie mas não posso deixar de protestar publicamente contra a destruição de um estado social só porque dá jeito a quem já não sabe muito bem como resolver um problema que criaram, não com o estado social mas com a destruição de alguns valores que precisamente o suportam (o estado social).
2) A homenagem com esta obra que consiste em 180 notas repetidas 840 vezes é uma dupla metáfora para que fique claro a minha intenção. Em primeiro lugar esta obra faz a o papel daquilo que nos dizem nos jornais como se pela repetição infindável se tornasse mais verdade. Um pouco como Blaise Pascal defendia para a fé mas também nesse particular como aqui é uma má solução. A repetição é apenas isso mesmo repetição. Torna as coisas familiares aos nossos ouvidos, é um óptimo happening mas não se torna verdade. Espero que tenhamos a sensatez para ouvir para além dos soundbytes com que nos bombardeiam diariamente.
3) Mas dizia é uma dupla metáfora porque sendo das obras mais longas que conheço (a execução total das 840 repetições pode durar de 16 a mais de 24 horas) essa duração é a melhor expressão relativa da nossa capacidade de memória e de nos relembrarmos ou estudarmos como era a sociedade antes desse "horrível" edifício que é o estado social. Porque não tenhamos dúvidas que é para aí que se caminha se persistirmos ...
Vexations de Erik Satie
Com algumas pequenas explicações:
1) Não sou (infelizmente?) revolucionário como Satie mas não posso deixar de protestar publicamente contra a destruição de um estado social só porque dá jeito a quem já não sabe muito bem como resolver um problema que criaram, não com o estado social mas com a destruição de alguns valores que precisamente o suportam (o estado social).
2) A homenagem com esta obra que consiste em 180 notas repetidas 840 vezes é uma dupla metáfora para que fique claro a minha intenção. Em primeiro lugar esta obra faz a o papel daquilo que nos dizem nos jornais como se pela repetição infindável se tornasse mais verdade. Um pouco como Blaise Pascal defendia para a fé mas também nesse particular como aqui é uma má solução. A repetição é apenas isso mesmo repetição. Torna as coisas familiares aos nossos ouvidos, é um óptimo happening mas não se torna verdade. Espero que tenhamos a sensatez para ouvir para além dos soundbytes com que nos bombardeiam diariamente.
3) Mas dizia é uma dupla metáfora porque sendo das obras mais longas que conheço (a execução total das 840 repetições pode durar de 16 a mais de 24 horas) essa duração é a melhor expressão relativa da nossa capacidade de memória e de nos relembrarmos ou estudarmos como era a sociedade antes desse "horrível" edifício que é o estado social. Porque não tenhamos dúvidas que é para aí que se caminha se persistirmos ...
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