segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Pesquisas interessantes da semana (#8)

musica clássica violoncelo mais conhecida: Bem é dificil dizer qual é a mais conhecida mas a escolher uma teria de escolher as suites para violoncelo de Bach. Entretanto neste post ou neste outro podem descobrir algumas outras composições para este fantástico instrumento.

existe a oitava sinfonia de bach: Não não existe. Aliás a bem dizer nem a primeira existe. A sinfonia é uma forma criada no período clássico e não no período barroco a que Bach pertence. Se estivermos a falar de concertos na realidade Bach no total compôs mais de 8 concertos porém foram para instrumentos diferentes pelo que não é usual contabilizá-los em conjunto. Assim a resposta clara e curta para a pergunta formulada por todas as razões mencionadas é: Não , não existe. Para saber um pouco mais sobre a obra de Bach recomendamos este post.

vida jan sibelius para quem não gosta de musica clássica: Ora bem, suponho que não pretendem propriamente uma novela estilo Morangos com Açúcar embora talvez fosse possível tentar. Não esperem, não dá. Sibelius foi demasiado "certinho" ou "betinho" para sermos mais "radicais" para uma história desse tipo. Brinco claro. Falando agora mais a sério na verdade para mim Sibelius foi um dos mais geniais compositores do século XX mas esta opinião está longe de ser consensual. É preciso notar que Sibelius persistiu até à data da sua morte na composição estritamente tonal quando em outras partes da Europa tínhamos um Stockhausen ou um Schoenberg para já não falar em Stravinsky. Foi amado e odiado. Dele escreveram alguns críticos tratar-se do pior compositor de sempre, do mais incapaz de todos. Injusto na minha modesta opinião. Fica prometido para breve uma história detalhada sobre este compositor. Vale a pena para fundamentar uma reflexão sobre conservadorismo e progressismo na arte.

tota pulchra de José Maurício : Primeira obra publicada de José Maurício. Trata-se de uma antífona conjunto de textos bíblicos utilizados na liturgia. Do Padre José Maurício Garcia já tínhamos falamos aqui.

primeira catata de natal fernando lopes graça pauta : Não temos pautas neste site por enquanto. Esta obra de um dos grandes compositores portugueses foi composta entre 1945 e 1950 e repousa em cantos tradicionais portugueses da natividade.

paganini melhor concerto: Se estivermos a falar de um concerto "mesmo" sem dúvida o melhor é o Concerto nº1 em Ré Maior de que por acaso já falamos aqui.

musica clássica viola de arco : Bem é uma boa sugestão. Falámos em tempos aqui do primeiro concerto para Viola de Telemann. É um instrumento para o qual existe relativamente pouca obra publicada (para solista bem entendido) e logo é uma boa ideia falarmos disto. Fica prometido.

musica de mischa elman: Excelente escolha. Mischa Elman foi um excelente violinista ucraniano. Como estamos a completar a nossa lista de grandes violinistas do século XX este fica na lista como o próximo de quem vamos falar.

domingo, 19 de outubro de 2008

Ganhou James Galway

Bom, desta vez não houve grande emoção na votação e também e eventualmente por causa disso não se bateu nem de perto nem de longe o record de votos. Tivemos 28 votantes sendo que James Galway conseguiu mais de metade desses conseguindo 15 votos (53%). Os restantes flautistas ficaram muito próximos Marcel Moyse e Julius Baker com 7 votos (25% cada) e por fim Elaine Shaffer com 6 votos (21%). Sim nós sabemos que o total dá mais do que 28 o que acontece porque nós permitimos mais do que uma escolha por votante.

Assim vamos ter em breve o especial sobre este flautista que juntamente com Jean Pierre Rampal recriaram este instrumento enquanto solista no século XX.

sábado, 18 de outubro de 2008

Jascha Heifetz (1901–1987)

Jascha Heifetz nasceu na Lituânia (Vilnius) em 1901 então parte do império russo.

Alguns historiadores pensam que Heifetz terá na verdade nascido ainda no século XIX e que a sua mãe atrasou voluntariamente a data de nascimento para incrementar o factor de menino prodígio. Na verdade Heifetz ensinado pelo pai também ele violinista começou a tocar com apenas três anos tendo tocado pela primeira vez em público com apenas sete anos em Kaunas tocando apenas o concerto em Mi Menor de Mendelssohn. Não temos obviamente registo desse evento mas encontramos aqui um extracto de um filme (They Shall Have Music - 1939) em que Heifetz entra "as himself" e salva uma escola de música de ser fechada tocando Mendelssohn (os jovens que estão na orquestra são os alunos dessa escola).

Em 1910 ou seja com 9 anos entrou no conservatório de São Petersburgo para estudar com Leopold Auer . Com apenas 12 anos numa tournée na Alemanha teve a oportunidade de tocar para Fritz Kreisler (o grande violinista) que disse "Bem podemos partir já os nossos violinos".

A 27 de Outubro de 1917 estreou-se no Carnegie Hall sendo desde esse instante e absolutamente do dia para a noite uma autêntica estrela nos Estados Unidos. A história de amor foi felizmente reciproca tendo Heifetz rapidamente assumido a cultura norte americana e tornado-se cidadão americano em 1925. Este facto valeu-lhe ser considerado como traidor na União Soviética durante a guerra fria só tendo por uma vez deslocado-se ao seu país Natal.

Em 1930 transcreve a toca a peça "Hora Staccatto" de Grigoras Dinicu de quem Heifetz disse ser o melhor violinista que ouviu. Oiçam aqui Heifetz numa interpretação dessa peça.

Durante a guerra Heifetz participou no esforço de guerra dando inúmeros concertos nomeadamente nas frentes africanas sendo que logo a seguir à guerra e sob pseudónimo escreve "When You Make Love To Me - Don't Make Believe." canção gravada tanto por Bing Crosby como por Margaret Whiting.

Em 1958 torna-se professor na UCLA tendo posteriormente (1960) mudado para a University of Southern California onde ensinou durante largos anos e onde ficaram famosas as suas master classes. Vejam por exemplo aqui um aluno interpretar uma canção brasileira "Ao pé da Fogueira" do compositor Valle num arranjo do próprio Heifetz (penso).

Heifetz foi aos poucos deixando de tocar em público devido a uma lesão no ombro tendo o seu ultimo concerto decorrido em Los Angeles em 1972. A gravação deste concerto é também a sua ultima edição discográfica.

Em 1983 terminou a sua longa associação com a USC embora tenha continuado a ensinar em privado.

Heifetz é ainda hoje considerado por muitos o maior violinista de sempre pela qualidade do seu som e afinação impecável. Dizia-se que era incapaz de falhar uma nota. Foi muitas vezes criticado por ser demasiado mecânico e pouco emotivo. Tinha um feitio difícil e terá abandonado a carreira como interprete de obras orquestrais por não conseguir conviver com visões diferentes da sua.

Do ponto de vista pessoal era também uma pessoa de extremos dando muita importância ao dinheiro mas sendo também capaz de participar em actividades altruístas como campanhas para a criação do número de emergência na Califórnia.

Uma personagem sem dúvida complexa que provavelmente se exprimia no seu melhor pela música. Por isso fiquem aqui com um trio de Mendelssohn com o seu amigo Violoncelista Piatigorsky e o pianista Arthur Rubinstein.

Heifetz faleceu em Los Angeles a 10 de Dezembro de 1987.

Brahms - As sonatas para Violino - Terceira Parte

Embora tenha sido começada a ser composta quase a seguir à Sonata nº 2 Brahms acabou por por de lado este trabalho para apenas o retomar em 1888 o que explica de certa forma a profunda diferença entre as duas obras. Enquanto que o Op. 100 é uma obra que radia emoção de uma forma calma quase pacifica a Op. 108 em Ré Menor é precisamente o inverso. Também ela é extraordinariamente emotiva mas aqui estamos a falar de uma forma de expressão muito mais épica e atlética.

Também na estrutura esta obra é diferente dado que Brahms voltou aos quatro andamentos clássicos na forma de Sonata.

O carácter forte da obra, nervoso, é marcado logo no primeiro andamento ou melhor logo destas as primeiras notas que são quase preocupantes pela energia que transmitem que não deixa de ter um certo tom sinistro transmitido pelo ritmo quebrado. Podem ouvir aqui este andamento por uma dupla de luxo que aliás vamos acompanhar ao longo desta obra - com a excepção do ultimo andamento onde serão substituídos por uma outra dupla de igual peso - Perlman no Violino e Daniel Barenboim ao piano.

O segundo andamento é sem exagero um autentico "Lied" sem palavras. Uma composição de que Schubert não desdenharia com certeza a melodia. Uma melodia quase inteiramente exposta pelo Violino tendo aqui o piano um papel secundário. Podem ouvir aqui este andamento.

O terceiro andamento "Um Poco presto e com sentimento" foi descrito de formas muito diferentes. A mais curiosa de todas terá sido a de Clara Schumann que disse deste andamento ser "a imagem de uma bela jovem brincando com o seu amante". Outros viram neste andamento melancolia ou tristeza. Neste andamento o piano ganha o protagonismo cedido ao violino no segundo andamento. Podem ouvir aqui este andamento.

Retomando a forma clássica da Sonata o grande dramatismo, as grandes explosões de emoções estão reservadas para o quarto andamento (Presto Agitato) que é também o mais virtuoso dos quatro como é normal nesta forma musical. Podem ouvir aqui este andamento por David Oistrack e Karl Richter como vêem outra dupla de peso.

A obra foi interpretada em publico pela primeira vez em Budapeste no dia 22 de Dezembro de 1888. Brahms estava nessa altura ao piano sendo Jenö Hubay o violinista escolhido.

As duas restantes partes deste conjunto de posts sobre as sonatas de Brahms para Violino (e piano) podem ser lidas aqui (primeira parte) e aqui (segunda parte).

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