sexta-feira, 17 de junho de 2016

Concerto para Violoncelo e Orquestra de Shostakovich (Série Obras que marcam a nossa vida)

Bom em resposta ao meu post o nosso amigo José Sarmento referiu que a sua obra era mesmo o concerto para piano de Shostakovich, E como a música é também como as cerejas e música puxa música é claro que me apeteceu de imediato contar-vos que para mim Shostakovich é o seu concerto para Violoncelo e Orquestra e que esse concerto me remete fatalmente para a cidade de Viana do Castelo.

Estarão certamente agora a cogitar sobre a estranha associação ... Bem então a explicação é simples. Foi em Viana do Castelo que ouvi pela primeira vez esta obra sendo que na altura o meu filho tocou na Orquestra de jovens que acompanhava o Violoncelista Ivan Monighetti. Foi a primeira experiência do Miguel em Orquestra com uma obra a sério por assim dizer. Lembro-me que andou um bocado aos papeis em algumas partes mas nada se consegue sem primeiro bater um pouco com a cabeça na parede.

É impossível para mim esquecer esse dia e o lindíssimo teatro Sá de Miranda (na imagem) na não menos linda já referida cidade. Quase tanto como é impossível esquecer aquele começo do concerto catalisador de emoções tantas.

Um dia coloquei este concerto numa lista de 10 obras que recomendo para quem queira ter uma iniciação à música clássica abrangendo todas as épocas e géneros ... e mantenho essa perspectiva.

Não encontrei Monighetti e por isso recorro ao interprete para o qual  este concerto foi escrito, Mstislav Rostropovich.


quarta-feira, 15 de junho de 2016

Há obras que marcam a nossa vida

Caros leitores,

Como se podem ter apercebido os mais fieis seguidores este blog tem andado um pouco intermitente. E já dizer intermitente é um grande favor. Quando o iniciei parti do pressuposto básico que não faria dele uma responsabilidade absoluta. Apenas escreveria quando realmente me apetecesse, quando achasse que tinha alguma coisa para dizer.

Para terminar a introdução hoje apeteceu-me. Alguém "postou" uma música de que gosto particularmente no Facebook. Essa música lembrou-me momentos que mudaram a minha vida e de repente pensei: E se vos falasse disso ? De melodias que por razões várias estão tão ligadas a momentos marcantes da vossa vida que não conseguem dissociar uns dos outros? Há determinadas melodias que parecem ter essa propriedade magnética de atrair mudanças ...

Em primeiro lugar tenho de vos falar da mais recente dessas obras. Era já uma obra que me fazia sempre chorar - curiosamente de tristeza - mas hoje mudou completamente. É um concerto que hoje me faz sorrir em particular nesta interpretação da Anna Fedorova.


Sim porque nada impede que uma mesma obra ao longo da vida mude de registo. Para mim esta mudou. E agora caros leitores deixo-vos o desafio. Que obras marcam a vossa vida? Que obras não podem ouvir sem recordarem um evento, um sentimento, um local, um jardim, um pic-nic ... ?

quarta-feira, 16 de março de 2016

Workshop - A voz do corpo

Caros amigos e leitores

Este vosso escriba tem estado um pouco afastado mas tem intenção de um dia voltar. Faltou-me durante uns tempos uma qualquer centelha de inspiração que perdurasse.

Talvez por essa razão ao receber uma informação de uma pessoa na qual tenho inteira confiança e ao ler a magnifica proposta deste workshop não hesitei em vos recomendar o mesmo.  Talvez seja este o recomeço de mais posts regulares sobre música clássica.

A voz do corpo - Um workshop para todos os cantores líricos ! Para todos não porque as inscrições são limitadas a 10 participantes. Inscrevam-se antes que esgote !   O workshop decorre de 13 de Abril a 1 de Junho.


sábado, 16 de janeiro de 2016

Uma compilação melhor que a minha lista de 100 obras !

A Classic FM chamou a atenção de quem gosta de música para uma compilação feita por um amador que conseguiu compilar em cerca de 6 minutos obras (melodias) famosas de 33 compositores clássicos.

O autor do vídeo chama-se Grant Woolard e aqui fica com um desafio. Quantas melodias conseguem reconhecer ? Há mais do que 33 por existem compositores que contribuem com mais do que uma.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Faleceu Pierre Boulez (1925-2016)

Pierre Boulez (1925-2016) faleceu ontem em Baden Baden onde residia.

Já tínhamos falado deste compositor e maestro por várias vezes neste nosso blog, por exemplo quando na conferência que deu em Lisboa quando do lançamento do seu livro Daniel Barenboim confessou nunca ter visto semelhante talento. Obviamente está na nossa lista de grandes maestros.

Pierre Boulez tinha 90 anos e é uma das personagens mais relevantes da música contemporânea quer enquanto compositor quer enquanto maestro.

Tive a sorte de o ter visto uma vez em Lisboa enquanto maestro domínio em que foi certamente mais consensual do que enquanto compositor pese embora o facto de ter sido sempre em ambas as vertentes um Artista polémico, sem concessões.

Terminamos neste blog recordando-o como sempre com música, com Mozart, com a sua Filarmónica de Berlim e com a nossa Maria João Pires. Melhor será possível mas pouco provável. Cenário extraordinário dos claustros do Mosteiro dos Jerónimos.


terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Holst - Os Planetas

Esta é uma das obras da lista que vos proponho de que será mais facilmente criticada a presença numa lista de 100 obras. Convirá não esquecer no entanto que esta lista não pretende estabelecer mérito artístico mas antes divulgar a música e ajudar quem não a conhece a primeiro gostar e depois aos poucos apreender as várias vertentes da mesma. Ora nitidamente faltava alguma música composta no inicio do século XX e nesse particular Gustav Holst , compositor inglês que compôs esta obra entre 1914 e 1916 merece esta menção por aquilo que pode contribuir numa primeira aproximação à música desse século.

Contrariamente ao que o nome pode parecer indicar esta suite orquestral de sete movimentos (uma execução completa demora cerca de 50 minutos) não tem nada a ver com planetas no sentido astronómico do termo. Tem isso sim a ver com o sentido astrológico de que Holst era, como dizer, partidário.

Assim cada movimento é dedicado a um planeta, ou melhor a um Deus ou se preferirem a um corpo astrológico procurando representar para cada um o seu carácter. É deste ponto de vista uma obra programática.

A obra foi estreada publicamente numa execução completa da suite apenas a 17 de Novembro de 1920 embora antes tenham existido algumas interpretações parciais e/ou privadas.

A estrutura da obra é dividida em sete andamentos com a seguinte descrição:

Marte, O Portador da Guerra (1914)
Vénus, O Portador da Paz (1914)
Mercúrio, O Mensageiro Alado (1916)
Júpiter, O Portador da Alegria (1914)
Saturno, O Portador da Velhice (1915)
Úrano, O Mágico (1915)
Neptuno, O Místico (1915)

Curiosamente o ultimo andamento termina com um fade-out o que se hoje é relativamente comum na época foi uma estreia e seguramente uma das poucas obras da música clássica a terminar com esse efeito.

Podem ouvir uma interpretação completa desta obra no video que se segue.



Uns anos mais tarde do andamento Jupiter Holst retirou uma melodia musicando um poema "I vow to thee my country", hino patriótico que viria a tornar-se facilmente a parte mais conhecida da suite orquestral.



domingo, 27 de dezembro de 2015

Wagner - Der Ring des Nibelungen

E lá está, um dia teria de escrever sobre este ciclo de obras ... Não o faço propriamente a contragosto porque se está nesta lista é porque é uma daquelas obras incontornáveis. Porém para vos ser sincero não corresponde exactamente ao tipo de música de que gosto, mas obviamente este monumento tinha de estar nesta lista.

O ciclo completo é composto por quatro obras distintas que têm sido interpretadas em separado embora a intenção de Wagner fosse que fossem interpretadas como um ciclo (note-se que cada uma das obras dura entre 2:30 (Das Rheingold - A primeira das quatro) e algo entre 4:00 e 5:00 para a ultima (Gotterdammerung) para um total de mais de 15h de música ... Música com uma orquestração intrincada, verdadeiramente uma obra de arte totalmente e absolutamente romântica na sua maravilhosa complexidade tanto musical como do próprio enredo onde é fácil perder-se tantas são as personagens, traições, juramentos e palavras dadas.

Wagner compôs este ciclo entre 1848 e 1874 tendo a primeira apresentação enquanto ciclo ocorrido apenas em 1876 no festival de Bayreuth entre os dias 13 e 17 de Agosto.

O Libretto do próprio Wagner é baseado num poema épico do século XII de origem germânica ou nórdica antes do período de cristianização. Para quem conhece o Lord of the Rings (Senhor dos Anéis ) em particular a sua fundamentação pode-se dizer com alguma liberdade poética que a origem é aproximadamente a mesma - as lendas nórdicas.

Sem querer revelar demasiado do enredo - aliás se o fizesse receio que este post bateria facilmente o record de número de palavras e vos fatigaria além do imaginável - decidi fazer apenas um breve resumo do que está em causa em cada uma das obras sem grande detalhe quanto ao enredo. Um sumário da moral se quisermos ... Um aviso quanto à dita moral - é uma interpretação pessoal e portanto sujeita a ser discutida e contestada.

Das Rheingold (O Anel de Ouro)

Esta obra foi concebida originalmente para três actos tendo sido reduzida para um único e é na verdade uma espécie de introdução ao resto da história sendo por isso de todas as peças aquela que mais dificilmente pode ser interpretada isoladamente - embora isso tenha acontecido e seja possível. Conta esta obra o roubo do ouro que possibilita a manufactura de um anel com propriedades mágicas que permitem o controlo do mundo e como este anel amaldiçoada trará a desgraça a quem o possuir - incluindo os Deuses.



Die Walküre (As Valquírias) 

Os Deuses nesta obra decidem o destino dos mortais ... A importância da palavra e do dever parecem sobrepor-se ao amor.



Siegfried

Uma história de amor dir-se-ia quando Siegfried depois de matar o dragão que o guardava entrega a Brunnhilde o anel que permite ser dono do mundo como prova da sua fidelidade e amor.




Götterdämmerung (O Ocaso dos Deuses)

Num ambiente de "Armageddon"  esta obra descreve a consequência das escolhas feitas nas obras anteriores ... uma obra sobre amor e traição e o fim dos Deuses ...


sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Verdi - La traviata

Esta ópera de Verdi em três actos dispensa qualquer apresentação. É pura e simplesmente a ópera mais vezes interpretada em todo o mundo e certamente uma das que mais paixão desperta.

O libretto (de Francesco Maria Piave) é baseado numa história de Alexander Dumas (Filho) - A Dama das Camélias e conta a história de uma prostituta (ou cortesã se quisermos utilizar uma espécie de eufemismo) e de um jovem aristocrata que acabam por se apaixonar mas que o pai separa para evitar o escândalo e prejudicar o casamento da irmã do jovem fidalgo. Violetta decide deixar o jovem quando instada pelo pai deste a ter em atenção o futuro. Violetta na verdade está doente com tuberculose e acaba por falecer não sem antes de ter esclarecido tudo com Alfredo.

Entre as muitas árias famosas que esta ópera contém teremos de destacar no primeiro acto Libiamo ne' lieti calici (um dueto fantástico) e claro o fim do mesmo com o famoso Sempre Libera .

No segundo acto destaca-se claramente a ária De' miei bollenti spiriti em que o jovem Alfredo fala alegremente da sua vida feliz com Violetta.

No terceiro acto claro o pungente "Addio, del passato bei sogni ridenti" (Adeus belos sonhos do passado).

Com excepção do extracto do segundo acto (Pavarotti)  escolhi sempre Callas propositadamente porque gostava de terminar este post falando-vos ainda que resumidamente de uma das récitas mais míticas de sempre e que teve lugar no nosso país, no Teatro São Carlos.

Na verdade hoje isto seria impensável mas a verdade é que no palco do São Carlos esteve nesse longínquo dia de 27 de Março de 1958 aquela que na altura era a maior estrela da ópera. E por um daqueles milagres inexplicáveis aquela récita produziu uma das interpretações que ficará na história da música. Porque não estive lá recomendo fortemente a leitura deste post do Blog Citizen Grave.

Além disso graças ao You Tube tenho a sorte de vos poder propor ouvirem a rendição completa dessa fabulosa interpretação. Claro que como de costume se gostarem sugiro fortemente que comprem uma versão física ou digital como vos aprouver (3 libras para uma versão digital no link da Amazon Inglaterra que incluo para vossa conveniência).






quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Natal é ? De Bach passando por Mozart sempre foi (é) a mesma coisa : Amor

As dádivas que não se podem comprar mas apenas oferecer, a partilha, os abraços sentidos, o cheiro das filhós, as memórias do trabalho que deram a fintar,  o cheiro da lareira se a houver, a frescura do musgo do presépio, a não menor frescura do riso dos filhos ou dos sobrinhos; o brilho dos olhos das crianças.

Normalmente neste digo-vos que ninguém consegue exprimir isto melhor do que Bach e até já vos dei por várias vezes como presente virtual a Oratória de Natal deste compositor. Não é uma má escolha convenha-se. Aliás para aperitivo aqui fica.





Outras vezes propus Mozart e já agora vou também repetir neste caso numa interpretação de Cecilia Bartoli do KV 165 - Exsultate Jubilate (aproximadamente regozijem-se sejam felizes).




Porém hoje - hoje encontrei o melhor sinónimo do que é o Natal e em música ... a partilha entre pai e filho de uma interpretação ... e pronto se não souberem tocar piano fiquem-se pela partilha com a família que é neste caso (e apenas neste caso para que isto não sirva de desculpa para preguiças alheias) perdoado pelas altas instâncias artísticas,

Nuno Batoca e o seu filho Hugo (com a devida autorização parental).

Um Santo Natal para todos. Amanhã haverá mais música se a inspiração assim ditar :-)




sábado, 19 de dezembro de 2015

O quarteto Jerusalem e as manifestações pró Palestinas

Como tem vindo a ser infelizmente hábito o concerto deste fabuloso quarteto foi mais uma vez interrompido por manifestantes que pensam que é este o local correcto para demonstrar o seu repúdio por certas componentes da politica do estado de Israel.

Não vou neste blog argumentar sobre a bondade ou não dessas criticas (não fujo a dar uma opinião mas não creio ser este o local) mas relativamente ao local onde são feitas sobre isso sim parece-me interessante explicar o que penso.

O Quarteto Jerusalém não representa  o Estado de Israel. Os seus músicos embora tenham servido no exercito - como é obrigatório - nunca entraram em combate e nunca exprimiram qualquer opinião quer individual quer colectiva sobre qualquer assunto relacionado com a politica do estado contrariamente ao que afirmam os protestantes que confundem o amor ao país à subscrição de todas ou de uma parte das suas politicas.

Concretizo, quando um músico diz que é o melhor embaixador do seu país o que está a dizer é que representa o que o seu país tem de melhor. Aliás frase que também já tinha sido utilizada por Zubin Mehta relativamente à Filarmónica de Israel infelizmente com resultados aproximadamente semelhantes. Vamos portanto ver se nos entendemos: Proclamar-se o melhor embaixador de um país significa que se considera que se representa o que o seu país tem de melhor. Por outras palavras o melhor de Israel é a música e a paz.

Aliás se alguma declaração fizeram e fazem - dois deles participam na East West Divan Orchestra , Orquestra dirigida por Barenboim que junta músicos de Israel e músicos Árabes, vai precisamente nesse sentido, no sentido da paz. O nome do quarteto é um nome de Paz ...

Não é que a música clássica ou os espectadores da mesma estejam acima de manifestações porque na verdade não estão. Um concerto de música clássica não é mais do que um concerto e não é mais do que qualquer concerto de música , seja qual for o seu género, no mundo inteiro.

Porém não é mais do que isso mas também não é menos do que isso. E isso é um local de entretenimento e de paz.

Em resumo a menos que os músicos ou a banda tenham pro activamente uma qualquer posição politica expressa e o próprio concerto também a tenha - o que justificaria obviamente o apoio ou o protesto - sugiro fortemente que os manifestantes encontrem melhores locais para se manifestarem.

A estratégia, desculpem a expressão, idiota e despropositada que têm seguido apenas contribui para que a sua causa seja vista exactamente da mesma forma.

Obviamente depois de um post como este só podemos acabar com música e com a sugestão de visitarem o canal de You Tube do respectivo quarteto.  Quanto a música aqui fica o primeiro andamento de uma das obras primas de Brahms.



quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

A Sétima de Beethoven e o ultimo concerto dirigido por Leonard Bernstein

A sétima sinfonia de Beethoven além do seu poder intrinco de uma obra verdadeiramente imortal tem ainda a característica adicional de ser a ultima obra que o maestro Leonard Bernstein dirigiu conduzindo a sinfónica de Boston a uma interpretação  senão musicalmente pelo menos emocionalmente memorável.

Este concerto teve lugar a 19 de Agosto de 1990 com Bernstein já profundamente doente (aliás o maestro teve um ataque de tosse durante o terceiro andamento) tendo sido gravado e posteriormente editado em CD pela Deutsche Grammophon com o Titulo "The Last Concerto". Além de Beethoven o concerto contou com 4 peças de Britten.

Esta sétima Sinfonia tem uma característica curiosa. É de todas a que mais permaneceu como uma obra profundamente abstracta. Embora tenham tentado não tem como a Terceira uma marcha fúnebre e não perdeu como esta o epíteto de Eroica, não possui como a Quinta o som do destino, não é como a Sexta uma Pastoral e não tem como a nona uma letra para lhe atribuir um significado.

Não a sétima é o quisermos, uma dança, um hino ao ritmo, à vida ou uma meditação uma introspecção se assim desejarmos. É tudo e é nada no mesmo exacto instante.

Para Bernstein para quem Beethoven era "O" compositor (talvez acrescentando Mahler mas isso é uma outra história) este ultimo concerto deve ter soado a uma metáfora da vida; e que metáfora.

Felizmente o You Tube permite-nos ouvir o dito concerto ....



Já adquirir a dita obra é um pouco mais difícil mas podem comprar na Amazon UK com relativa facilidade (link directo na imagem em baixo).



E pronto agora façam como eu depois de ouvirem este hino ao ritmo e à dança coloquem o video anterior no minuto 16:19 - fim do primeiro andamento - e repitam o segundo até que a alma vos deixe de doer.

Aniversário do Grande Mestre Ludwig van Beethoven

Faria hoje (ou fez ontem) anos aquele que para mim é o maior compositor de sempre: Ludwig van Beethoven. Se me pedissem o seguinte: Vais para uma ilha deserta e apenas podes levar obras de um compositor ... escolhe ... Beethoven Sempre !

O compositor de quatro ou cinco sinfonias de uma beleza e intensidade emocional difícil de explicar: Podem escolher entre a terceira, a quinta, a sétima ou a nona e em todas elas encontrarão um génio ímpar.

Dois concertos para piano pelo menos, uma boa dezena de sonatas, um concerto para violino que enfim, uma única ópera mas que ópera, um triplo concerto - para Violoncelo, Piano e Violino que é simplesmente perfeito. Isto só para vos falar assim de uma dezena de obras cujas melodias me vêm imediatamente à memória.

Foi bom o Google me ter recordado do feliz aniversário com um divertido Doodle que é também um jogo ...


E então e música ? Bom hoje acho que para não vos chatear de novo com a Nona, vos vou propor precisamente o Triplo Concerto para Violino, Violoncelo e Piano numa soberba interpretação de Perlman, Yo Yo Ma e Barenboim.


terça-feira, 7 de abril de 2015

Je suis triste



Publiquei neste blog há umas semanas um post sobre o atentado de Paris. Desde aí algumas outras atrocidades em nome de uma religião foram cometidas. Portanto sim também sou Kenia como também me chocam todas as outras formas de violência em nome de qualquer religião seja ela qual for.

Recentemente em relação ao ultimo genocídio a mensagem do primeiro-ministro Inglês tornou-se muito popular na net pela franqueza e força que transmite. Pois bem caro David Cameron tenho uma novidade para si: Sabe que o Estado Islâmico não produz armas? Sabe que as armas utilizadas são fabricadas na maioria dos casos pelo Ocidente e quem sabe pela sua Inglaterra? diz que não lhes vende directamente ... Pois mas sabe com toda a certeza que são aliados seus que financiam aquela barbárie.

A pior hipocrisia do Ocidente não é não se revoltar, não é não criar manifestações de apoio. Essas também são erradas mas  pior, muito pior é o Ocidente é deixar que o capital, a economia ou uma suposta estabilidade geo-politica permitam que associações criminosas complexas se organizem utilizando o sistema financeiro para pagar armas. Quase que apostaria que deverão existir membros do estado islâmico com acções nas principais bolsas da Europa e do Mundo.

Follow the Money ! Congelem, Apropriem-se, Fechem paraísos fiscais. Deixem-se de hipocrisias. Sabem perfeitamente qual o ciclo do dinheiro que alimenta a compra de armas e sabem perfeitamente como estas lhes chegam às mão. Portanto caro David Cameron sugiro-lhe que comece ai pela sua city e faça umas perguntas indiscretas aos seus bancos ... Palpita-me que se o fizesse teria mais resultados práticos do que a sua linda mensagem de Páscoa, que diga-se é melhor que nada, mas é como se querendo acabar com uma infestação de formigas pegasse na ultima da fila e lhe dissesse : "Bad Girl", "Bad Girl".

E pronto para ficarmos com música para acalmar os espiritos e restaurar na medida do possível alguma fé na humanidade fiquemos com Bach numa interpretação diferente de Bobby McFerrin.



sexta-feira, 27 de março de 2015

Música no Coração - 50 anos


Já sei que este post vai merecer o devido gozo de familiares, colegas e amigos mas paciência. Alguns já saberão que o filme Música no Coração é o meu filme preferido. O titulo em inglês "The Sound of Music" é igualmente bom mas para ser sincero "Música no Coração" é mesmo o que me faz identificar com o filme, além da história, da música, da voz da Julie, da dança, do facto dos Nazis serem devidamente vilipendiados e claro ter a minha idade.

Pois é tal como o autor deste blog o filme "Música no Coração" faz hoje 50 anos, ou melhor começou a ser filmado hoje faz 50 anos.

Já sei que além do gozo haverá sempre alguém a dizer-me que isto não é música clássica e que não tem lugar neste blog ... bom nas palavras sábias de uma amiga que ouvi o passado fim de semana na rádio - o blog é meu e escrevo nele o que entender !

Mantenho é a promessa de vos deixar sempre com música neste caso uma das canções de que gosto no filme - Edelweiss , porque para mim a música está sempre no coração! (ok, ok ... admito que foi provavelmente o post mais meloso do blog até hoje e este fim poderá ter de pagar multa por excesso de açúcar :-)  )

quarta-feira, 25 de março de 2015

Chegou a hora do Violino Eléctrico ?


Um estupendo artigo da revista norte-americana Strings interroga-se se terá chegado a hora do Violino Eléctrico. Sinceramente não sei responder mas considerando que duma forma geral a amplificação e até gravação dos instrumentos de corda é normalmente má só espero que a electrónica contribua para resolver alguns problemas na captura e amplificação de violinos tradicionais.

sábado, 21 de março de 2015

Dia Mundial da Poesia - Um poema do meu Avô Fernando Alípio de Vasconcelos e uma composição ...

Slogan da comemoração do Dia Mundial da Poesia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Os meus pais, os meus avós são os meus grandes heróis. É a eles que devo a educação que tenho e certamente os valores que me incutiram.  Hoje Dia Mundial da Poesia volto a publicar um dos poemas do meu avô dedicado aos seus Netos.

Amo as Estrelas

Amo as estrelas, sim!. . . Não as que vejo
No azul do céu, dispersas e distantes. . .
As estrelas que eu amo, mais brilhantes,
Acendem no meu peito alvores de esperanças,
Fulgindo em luz de amor, quando vos beijo,
Nos vossos puros olhos de crianças!. . .

F. Alípio de Vasconcelos

E agora para terminar este post com música ? Ontem ilustramos o nosso post com um dos primeiros poemas sinfónicos (ainda que na forma clássica de concerto). Hoje inspirados pelas estrelas e pelos contos para crianças resolvemos relembrar um clássico ... Pedro e o Lobo de Prokofiev.



sexta-feira, 20 de março de 2015

Chegou a primavera !

Primavera - Google Doodle - 2015

Bem no primeiro dia de primavera que me perdoem o lugar comum mas pode ser que alguém não tenha ainda ouvido isto ou não saiba que se trata de um concerto intitulado Primavera do compositor Italiano do período barroco António Vivaldi. Nós já publicamos no passado um texto mais completo sobre este concerto pelo que se tiverem curiosidade vos remeto para a sua leitura.

No post de hoje limito-me a mostrar-vos uma interpretação da Sinfonietta de Amsterdão com Janine Jansen e claro a referir-vos que se trata provavelmente de um dos casos mais conhecidos de poema sinfónico ou seja de uma obra em que um compositor procurou ilustrar uma história ou uma situação através de música recorrendo à imitação ou outras construções acrescidas neste caso de poemas que não se sabe se eram ou não lidos antes da execução do concerto; não se conhecendo também se o autor foi ou não o próprio Vivaldi. Deixo-vos uma tradução a partir do texto em Inglês.

1º andamento
A primavera chegou
Os pássaros celebram a sua chegada com canções festivas
e riachos murmurantes são docemente afagados pela brisa
Relâmpagos, esses que anunciam a Primavera,
rugem, projectando o seu negro manto no céu,
para depois se desfazerem em silêncio
e os pássaros mais uma vez retomam as suas encantadoras canções.

2º andamento
No prado cheio de flores com ramos cheios de folhas
os rebanhos de cabras dormem e o fiel cão do pastor dorme a seu lado.

3º andamento
Levados pelo som festivo de rústicas gaitas de foles,
ninfas e pastores dançam levemente sobre a brilhante festa da Primavera.

Podem ler os poemas dos três outros concertos das Quatro Estações neste outro post deste blog






quinta-feira, 19 de março de 2015

O dia do Pai , o Google e a Música

Estava a pensar o que seria o presente que todos os filhos gostariam de dar aos seus pais quando reparei no doodle do Google sobre este dia e a resposta tornou-se fácil. A companhia e a memória dos dias.

Fica agora o outro problema : Como traduzir isto numa música ?  Bom a resposta não me ocorreu de imediato mas depois de alguma reflexão ... A Sinfonia Concertante de Mozart interpretada por pai e filho e se me permitem que pai e que filho :-) ... David e Igor Oistrakh.

Na direcção da orquestra - a Filarmónica de Moscovo - vale a pena observar Yehudi Menuhin. Dificilmente teríamos um conjunto mais perfeito ...



quarta-feira, 18 de março de 2015

A música e a paz interior


Há certas obras que procuro quase inconscientemente quando preciso de restabelecer uma certa paz interior, o equilíbrio que por alguma razão se perdeu. Umas vezes procuro composições mais românticas, mais extremas na forma como ampliam o estado da alma em outras ocasiões pelo contrário a minha selecção recai sobre peças mais contemplativas.

Hoje foi um desses dias e já que existe tanta partilha de bons, maus e simplesmente ridículos conselhos de auto-ajuda aqui fica o meu remédio para um determinado tipo de baixo-astral ... A Partita para Violino Solo em Ré Menor nº2 de Bach (BWV 1004).

Uma interpretação verdadeiramente magistral de um dos violinistas mais excitantes da actual geração e que felizmente já tive a sorte de ouvir tocar ao vivo. Fiquem portanto com Hilary Hahn e deixem que assim vos invada a paz.

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