terça-feira, 4 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 5 Op. 67 em Dó Menor (Segunda Parte)

A quinta sinfonia estreada a 22 de Dezembro de 1808 é composta de quatro andamentos. A descrição que se segue (como aliás das restantes sinfonias de Beethoven) é uma mistura dos meus sentimentos pessoais com as opiniões de Berlioz e de Groove (que indico sempre que são transcrições ou aliterações das mesmas).

O primeiro andamento (Allegro) é a expressão dos sentimentos desordenados, de momentos de puro desespero logo seguidos de outros do mais profundo lirismo. Mas a expressão destes profundos e contrastantes estados de espírito é construído no mais profundo respeito por uma estrutura clássica. O facto desta expressão tão dramática ser feita dentro de tão rigorosos limites realça mais o génio do compositor e paradoxalmente torna a transmissão das emoções directa e imediata. Ontem na introdução a esta obra tinha-vos mostrado uma versão de Toscanini. Hoje vou essencialmente socorrer-me de Bernstein (tenho utilizado várias vezes Karajan nas outras sinfonias) portanto agora desculpem-me mas vou mostrar-vos Bernstein em 1976 com a Sinfónica da Rádio da Baviera (para quem gosta das histórias de moda podem aqui ver Bernstein com um look diferente - de barba ... ). Oiçam aqui.

O segundo andamento (Adagio) é tão profusamente triste tão consistentemente melancólico e não obstante tão perfeitamente belo e sintetizado. Nada existe a mais, nenhuma expressão excessiva, apenas e exclusivamente a justa medida. Oiçam aqui este segundo andamento dirigido por Carlos Kelber.

Por outro lado o terceiro andamento (Sherzo) é todo ele mistério começando num tom que revela do medo mas que pouco a pouco se afasta para dar lugar ao surpreendente inicio do quarto andamento que como sabem é tocado sem interrupção. Aliás esta ligação é extraordinariamente dificil de conseguir. Oiçam aqui a primeira parte do terceiro andamento aqui dirigido por Leonard Bernstein em 1976 por ocasião de um concerto em favor da amnistia internacional. Oiçam aqui a fase final deste terceiro andamento e o inicio do quarto andamento.

Se o terceiro andamento é misterioso o quarto por seu lado é a manifestação da energia e alegria pura, é se quisermos o final feliz de uma obra absolutamente fantástica. Continuemos com Bernstein no final deste quarto andamento aqui.

Recomendações antecipadas para o fim de semana

Hoje tenho uma recomendações antecipadas para o próximo fim de semana.

Desta forma para quem está na zona de Lisboa não percam no Domingo, 9 de Março a Orquestra de jovens violinistas Paganinus do Conservatório Regional de Sétubal na lindissima sala do Capítulo no Mosteiro dos Jerónimos pelas 11h. Repetirei esta recomendação na Quinta mas para já vão preparando a vossa agenda.

Mais para o Norte mais precisamente em Castelo Branco no dia 8 de Março pelas 16h não percam na Sé de Castelo Branco um concerto dos Violinhos. Este não vou perder ! Também repetirei esta recomendação na próxima quinta-feira mas perseverando no conselho anterior, vão preparando a vossa agenda!

Em ambos os casos as entradas são livres por isso não há desculpas ....

Os mais atentos poderão também ter reparado que coloquei hoje o poster do concerto (alguém sabe como é que se centra a imagem?) dos Violinhos no CCB que será já no dia 16 de Março, eu vou avisar-vos várias vezes deste ... Se puderem não percam ! Os bilhetes estão já à venda e é facilimo utilizar a bilheteira online do CCB passe a publicidade.

É que já sabem, Ao Vivo a Música é outra coisa!

segunda-feira, 3 de março de 2008

Beethoven - Sinfonia nº 5 Op. 67 em Dó Menor

Chegamos à sinfonia mais conhecida de Beethoven. A quinta sinfonia com o seu começo já despertou muitas pessoas para a música ou não fossem chamados os toques do destino. Digo eu que para quem ouve esta composição o destino só pode mesmo ser apaixonar-se por esta sinfonia !

A sinfonia nº 5 Op. 67 em Dó Menor foi composta entre 1804-1808 sendo dedicada conjuntamente a Franz Joseph von Lobkowitz e ao conde Rasumovsky.

Note-se que esta história dos "golpes do destino" é uma expressão que provém de Anton Schindler secretário e biografo de Beethoven em que hoje se confia muito pouco por se saber que manipulou várias informações dos diários de Beethoven. Acresce que se sabia que Schindler tinha um gosto pela teatralização na qual este argumento do "destino" cabe demasiado a propósito. Talvez tenha sido uma história inventada, mas que foi bem inventada lá isso foi.

Desta sinfonia diz Berlioz que é eventualmente a primeira em que Beethoven deu livre curso à sua voz sem influência de qualquer influência externa. Berlioz defende que a primeira, segunda e quarta estavam ligadas aos percursores do período clássico Haydn e Mozart e que a Terceira por original que fosse do ponto de vista músical estaria ligada à literatura Grega e a Homero e à Iliada em particular.

Deixo-vos com um extracto do texto (ainda em françês, mas já vos prometi que no fim desta série vou publicar o texto integral traduzido e anotado porque acho que vale a pena).

La symphonie en ut mineur, au contraire, nous paraît émaner directement et uniquement du génie de Beethoven; c’est sa pensée intime qu’il y va développer; ses douleurs secrètes, ses colères concentrées, ses rêveries pleines d’un accablement si triste, ses visions nocturnes, ses élans d’enthousiasme en fourniront le sujet; et les formes de la mélodie, de l’harmonie, du rhythme et de l’instrumentation s’y montreront aussi essentiellement individuelles et neuves que douées de puissance et de noblesse. - Berlioz

Por fim fiquem com o primeiro andamento desta sinfonia dirigida por Toscaninni. Hoje ao fim do dia ou amanhã pela madrugada mais sobre este primeiro andamento ...

Mozart - A Flauta Mágica

Fui ontem ver ao S. Carlos a Flauta Mágica numa versão sub-16. Posso dizer-vos que foi uma tarde muitissimo bem passada. Adorei a forma como a adaptação foi feita por várias razões a menor das quais não será porque houve o cuidado em manter a ópera praticamente como ela é no original, adaptando apenas o necessário para a tornar um pouco mais acessível.

Não se tratam nesta adaptação as crianças como se sofressem alguma restrição mental que as impeça de compreender uma história. Excelente. Manteve-se a estrutura da mesma e da música desta obra prima de Mozart. Bons cantores, bons actores, uma excelente introdução à opera.

Sinceramente depois de ter visto recomendo ainda mais. Podem ver algumas fotos no site da Raínha da Noite (muito justamente a mais aplaudida ontem) aqui . Se forem professores saibam que há ainda uma oportunidade para escolas no dia 20 de Maio (não faço ideia se está esgotado ou não) e para o público em geral no dia 24 de Maio (também não sei se ainda haverá bilhetes) já que ontem estava cheio. Hoje à tarde há mais uma récita para escolas, mas para isso é capaz de já ser tarde ...

Ontem estava cheio e aqui fica uma nota para os pais, naquilo que para mim foi talvez o ponto menos bom da tarde. Um pouco de barulho a mais. Eu sei que é difícil manter as crianças em silêncio. É suposto (ou pelo menos espera-se) que exista alguma excitação e algum ruído neste tipo de récita mas procurem utilizar a oportunidade para educar um pouco ... tentem restringir o volume, ensinem que não se fala podem fazê-lo por exemplo utilizando o truque do segredo ou explicando a acustica da sala ou explicando que só se pode falar baixinho e ao ouvido, o que quiserem, o que fôr mais adequado para a idade e perfil do vosso educando ... não vão ser 100% bem sucedidos mas se tentarem conseguirao que os vossos filhos ou educandos aproveitem muito mais a ocasião. Não se demitam do vosso papel de educadores.

E vão ouvir música, porque ao vivo é outra coisa!

By the way, já que estamos em maré de recomendações musicais para crianças, neste período da Páscoa a Gulbenkian tem como costume um programa simplesmente fabuloso de actividades para os mais novos. De vários tipos. Aproveitem ao máximo a benção de termos um verdadeiro mecenas ...

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